Russos amarravam cães a explosivos para conter os inimigos na Segunda Guerra Mundial


Por Giovanna Chinellato (da Redação)

Enquanto balas ecoavam e estilhaços voavam nos campos de batalha da Segunda Guerra Mundial, uma tática nova e cruel foi desenvolvida pelo exército russo numa tentativa de conter o avanço alemão. Cachorros amarrados a explosivos eram enviados para desarmar e destruir tanques inimigos – e atrasá-los no processo. Os Panzers alemães eram rápidos e poderosos veículos de guerra, e armas dinâmicas eram necessárias para pará-los.

Também conhecidos como cães-mina ou cães-bomba, os cachorros anti-tanque eram novidade em meio a um pensamento atrasado. Cachorros foram empregados em guerras desde tempos antigos, e a União Soviética havia aprovado seu uso militar para tarefas menos destrutivas em 1924. Não foi até 1930, entretanto, que a idéia de usar cães como bombas móveis foi desenvolvida, e com os dispositivos explosivos adaptados para nossos amigos de quatro patas. Em 1935, o Exército Vermelho teve seu primeiro esquadrão de cães anti-tanque.

Os cachorros eram treinados para carregar caixas ou bolsas lotadas de explosivos nas costas, presas com arreios. Eles eram inicialmente instruídos a procurar um alvo estático, e, depois de alcançá-lo, soltar a carga puxando uma cordinha com os dentes antes da bomba ser detonada por um timer. Entretanto, a tática nem sempre funcionava, o mais freqüente eram os cães voltarem correndo para seus condutores com a carga não detonada nas costas – que nas batalhas estaria sinistramente ticando em contagem regressiva.

Imagem: Soviet-Empire

Como resultado desse retrocesso, a idéia foi simplificada. Os cães eram treinados para encontrar qualquer tanque inimigo, com as bombas detonando em contato com o alvo. Cada animal era treinado a se arrastar embaixo do tanque para que a alavanca de madeira em suas costas fosse ativada, detonando os explosivos e explodindo o tanque – e o cachorro – em pedacinhos. Os cães eram deixados sem comida por dias, e depois a comida era colocada debaixo dos tanques, o que os condicionava a se abrigar ali, onde a blindagem é bem menor.

Conforme o conflito escalava em Eastern Front, o mesmo aconteceu com o uso de cães, e até o verão de 1941, 30 cachorros-bomba chegaram às linhas de batalhas. Quão efetivos eram esses suicidas? Não muito. Os cães cedo ou tarde sentiam o cheiro familiar de combustível diesel dos tanques soviéticos e essência de petróleo dos alemães; além disso, tinham medo de se arrastar por baixo de um tanque em movimento e se assustavam com os barulhos de tiro.

Imagem: Panzerphotos

Cães persistentes que corriam ao lado dos tanques esperando que parassem eram mortos a tiros, enquanto os que recuavam às trincheiras normalmente pulavam e detonavam a carga, matando e ferindo soldados soviéticos. Esses cães tinham de ser mortos, fazendo com que os treinadores deixassem de querer um novo. Do grupo inicial de 30 cachorros, apenas quatro conseguiram deonar suas bombas perto de tanques alemães, enquanto seis explodiram voltando para os canis soviéticos e três foram mortos e levados embora pelos alemães.

Em parte por conta de suas capturas, o exercito alemão logo aprendeu a lidar com isso e adotaram as medidas contra o que eles viam como um programa desesperado e ineficiente, com ordens para atirarem em qualquer cachorro à vista. Os cachorro-bomba tiveram um sucesso ocasional – na batalha de Kursk, por exemplo, quando 16 cachorros inutilizaram 12 tanques alemães que tinham passado pelas linhas russas, e perto do aeroporto de Stalingrado, onde 13 tanques foram destruídos – mas essas foram exceções.

Tudo dito – e apesar da propaganda russa pelo contrário – as perigosas retiradas usando a Panzerabwerhrhunde compensam as vantagens, e o uso dessa prática cruel caiu muito depois de 1942. Foi, entretanto, tarde para mudar a mentalidade – incluindo a guerra com a Indochina na década de 40 e na guerra do Iraque em 2005.

Com informações de Environmental Graffiti


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