Obras em Brasília deixam bichos da região sem habitat


Animais como cobras, saguis, capivaras e diferentes tipos de borboletas estão deixando a região do Setor Noroeste de Brasília à procura de uma nova moradia. Para abrigar 40 mil pessoas divididas em 20 superquadras e 220 blocos de apartamentos, as primeiras derrubadas de árvores começaram a ser feitas e vários animais estão desabrigados. Dos 300 hectares que compõem o setor, apenas 58 ficarão preservados.

A presença de animais em casas vizinhas à área desmatada é constante, e a ida desses bichos para o perímetro urbano se deve a várias questões que vão além da diminuição brusca de área verde. O relatório de impacto ambiental feito em 2003, com modificações em 2008, prevê poucas medidas de proteção para os animais que viviam no local, tanto que o próprio texto admite que “a perda da área pode excluir imediatamente algumas espécies, se as mesmas forem raras”.

Na região são encontradas oito espécies de répteis e anfíbios, 15 de mamíferos e 49 espécies de aves. Para protegê-los, o documento fala em murar o futuro Parque Burle Marx e isolar o fluxo de animais para as quadras do Noroeste. O relatório também sugere um monitoramento da fauna, e investimento em programas de manejo e manutenção. Porém, o texto é vago e não diz quando essas ações devem ser realizadas e se acontecerão. Por isso, até hoje nada do sugerido foi executado, mesmo com as obras já em andamento.

O professor de geografia Valdir Steinke, da Universidade de Brasília, adota uma postura crítica em relação ao licenciamento ambiental conferido ao Noroeste. Segundo ele, justamente por estar dentro de um perímetro urbano, o cuidado com a área deveria ser maior. “Quando esses animais forem procurar refúgio o que eles vão encontrar? Construção. E as pessoas vão matar esses animais se eles chegarem à casa delas. Vão sobreviver aqueles que conseguirem chegar ao Parque Nacional”, alerta.

Vizinhança

Moradores de regiões como Asa Norte, Setor Militar Urbano e Setor de Oficinas Norte já estão sentindo a presença dos novos companheiros de endereço. Em novembro do ano passado, por exemplo, uma capivara foi vista na 108 Norte, lembra a economista Patrícia Almeida. “Os animais que ficam à mercê dessa questão toda”, critica.

A aposentada Sandra Fayad, 61 anos, percebeu o aumento de animais que têm visitado sua residência, localizada na 713 Norte. Por ter na frente de casa uma horta e também o cultivo de plantas ornamentais, o seu quintal tornou-se ponto de atração. Segundo ela, desde outubro, quando começaram as primeiras derrubadas de árvores no Noroeste, o jardim está movimentado de pássaros e borboletas e ela perdeu as contas da quantidade de diferentes espécies que têm aparecido. “Aqui só vinha borboleta branca, agora apareceu uma escura avermelhada muito bonita.”

Sem controle

O fluxo de diversidade biológica esperado pelos especialistas não corresponde ao caminho que os animais estão seguindo após a derrubada de árvores no setor Noroeste. Obstáculos como a Épia e o autódromo não foram considerados, assim como a possibilidade de ida para o Plano.  O Parque Nacional de Brasília continua sendo o principal polo de atração para essas espécies. O caminho circular seria o mais provável, e não o reto como indica a seta. Acompanhe na figura:


Imagem: Reprodução/CB



Com informações do Correio Braziliense


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