Simone Nardi

Eles sentem pena, mas comem o objeto de sua compaixão

Por Simone Nardi

Essa é uma frase de Oliver Goldsmith, um escritor inglês , na frase completa ele indica a indignação pelo pensamento humano ao dizer : “Mas no entanto (consegues acreditar?) eu tenho visto o próprio homem que se gaba da sua ternura, a devorar de uma só vez a carne de seis animais diferentes num fricassé. Estranha contradição de conduta! Têm piedade, e comem os objetos da sua compaixão!”.

Numa só frase ele demonstra como muitas vezes nós somos contraditórios entre o que falamos e o que realmente fazemos. Nós acostumamos a chamar os animais de irmãos, no entanto visitamos churrascarias, fazemos lanches com presunto, comemos frango assado no domingo com a família, tudo numa “boa”; nossas reuniões familiares normalmente são recheadas das carnes desses nossos irmãos em evolução. Talvez nunca tenhamos parado para realmente pensar no significado da palavra irmão e na extensão da palavra animais.

Nós somos todos irmãos, todos centelhas Divinas criadas por um mesmo Pai, irmãos espirituais que devem se auxiliar na grande caminhada evolucional. Não somos irmãos apenas no reino “hominal”, mas em todos os reinos onde Deus colocou suas mãos.Não somos irmãos apenas no Planeta Terra, mas em muitos outros Planetas , em muitos outros Universos que ainda desconhecemos. Fisiologicamente somos parecidos com os animais, e podemos compreender que o reino animal abarca a todos os seres, mesmo aqueles aos quais nós desconsideramos por uma tradição cruel que nos foi trazida pelo passado remoto de nossos ancestrais.

Os cães, os gatos, os pássaros, os peixes, não apenas aqueles que estão ao nosso lado são nossos irmãos animais, mas aqueles cães e gatos abandonados nas ruas, nos laboratórios de experimentação, os peixes que se debatem nas redes, que se prendem aos anzóis e sufocam aos poucos, esses também são nossos irmãos e caminham conosco na seara Divina. Os bois, suínos, galos, gansos,carneiros, coelhos e tantos outros que são usados como alimento, esses também são nossos irmãos.E um irmão não deveria matar outro irmão.

Quando vamos passar a considerá-los assim? Quando vamos deixar nossos medos e tradições, para alçarmos mais um degrau em nossa evolução? Nosso minuto de prazer valeria mesmo a vida de um desses nossos irmãos? O Planeta já nos pede essa consciência de fraternidade, os animais nos pedem essa consciência fraternal, a vida nos pede essa reflexão.

Somos contra os rodeios, as vaquejadas e as touradas, somos contra o uso de peles, contra a dor infligida aos animais, tiramos um cão da rua, o abrigamos e alimentamos, no entanto nos permitimos nos alimentar de outro, protestamos quando ouvimos dizer que outros povos comem cães e gatos, mas ignoramos a senciencia dos porcos, somos a favor a vivissecção porém não desejamos ver o que se passa dentro dos laboratórios com os cães que não tiveram a mesma sorte dos nossos, e ouvimos a voz de Oliver Goldsmith ecoar em nossa mente: Têm piedade, mas comem o objeto de sua compaixão”.

Até quando teremos apenas “piedade”?

Simone Nardi é escritora e estudante de filosofia, é autora do blog Consciência Humana, colunista do Site Espírita da Feal (Fundação Espírita André Luiz), e fundadora do Grupo de discussão espírita Clara Luz, que discute a alma dos animais e o respeito a eles. É editora da Anda.

7 COMENTÁRIOS

  1. Ola, Simone! Se eu escrever um contraditório, mais ou menos na linha… “Hitler tbm não comia carne e…” ou “Eles dizem que não comem por amor mas é por nojo, já que maioria não tem bicho em casa porque não gosta de bicho, tem nojo e alergia de bicho…” ou “Eles dizem que não comem por saúde, mas muitos fumam, bebem além da conta (não socialmente), usam drogas químicas alé de outras, se agridem com ferros atravessados pelo corpo…” ou “O mal não é o que entra, mas o que sai da boca do homem…”, enfim, será que consegue publicar pra mim? Aguardo seu retorno. Grande abraço!

  2. Parabéns Simone.

    Muitos ainda se respaldam e se escondem nas diretrizes estabelecidas de que alguns animais são para estimar e defender e outros são para explorar e comer, e por isso dizem que respeitam, mas como é “socialmente normal” comer outros, simplesmente comem, e se sentem no DIREITO disso. E ai de quem pedir que não os matem para comer, que não demande a sua torturante exploração em fazendas para consumo humano…
    É triste. Mas aos poucos, com informação e humildade para reflexão e mudança, essa situação vai mudar… e está mudando aos poucos, pois cada vez mais pessoas despertam, por elas e pelos animais. Mudar é preciso. Como Gandhi diz, a mudança que queremos ver no mundo, deve começar por nós mesmos.

    E os pedaços de animais mortos que muitos insistem em colocar boca a dentro é um fato, são INDIVÍDUOS EXPLORADOS E MORTOS PARA ESSE FIM, E SEM NECESSIDADE ALGUMA. O vegetarianismo / veganismo está aí para isso. Basta querer mudar pelos animais.

    E que ironia é uma pessoa que sequer gosta de animais, mas é vegetariana por sua própria saúda… Ironia esta pessoa estar deixando de matar 91 anos ao ano, enquanto os que “gostam de animais” e os comem, se alimentam de 91 indivíduos anualmente. Para os animais explorados em fazenda, não importa as razões pela qual alguém parou de demandar seu assassinato. O que importa, é que essa exploração desnecessária diminua até acabar.

    Há vegetarianismo por diversas razões. Nem todas elas passam pelos Direitos ANimais. Mas quem realmente se importa com os animais, não tem como não escolher o vegetarianismo. Seria uma incoerência por interesses pessoais. E os interesses dos animais?

  3. Simone, que coisa boa ler seu texto. Sou espírita e confesso que é algo que me incomoda muito essa postura, que é tão difícil de ser superada. Peço referências de leituras para estudos mais atuais sobre isso dentro do espirituralismo. Abraços libertários. Andresa.

  4. Simone, que coisa boa ler seu texto. Sou espírita e confesso que é algo que me incomoda muito essa postura, que é tão difícil de ser superada. Peço referências de leituras para estudos mais atuais sobre isso dentro do espirituralismo.

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