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Quebrando o ciclo da crueldade contra animais

14 de março de 2010
4 min. de leitura
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Por Giovanna Chinellato (da Redação)

“A não violência leva a uma ética superior, que é o alvo de toda a evolução. Até que nós paremos de machucar outras criaturas, ainda somos selvagens.”

(Thomas Edison)

O padrão é quase previsível demais. Acontece um caso horrível de negligência ou crueldade com animais. Uma prisão é feita. Uma notícia é escrita, atraindo a atenção da TV e da região. Leitores e telespectadores revoltados pedem justiça e obrigam que algo seja feito. Policiais coordenam o ato e anseiam por tomar uma ação. E, mesmo assim, um caso parecido volta a ocorrer. De novo. E de novo.

Muitos moradores do condado de Butler, nos Estados Unidos, ainda estão revoltados com o abandono de uma mamãe beagle e seus bebês durante a nevasca do mês passado, quando a última atrocidade com animais ocorreu.

Filhote de beagle. (Foto: Daily Pets)

O linchamento de “Masterpiece”, uma alpaca de três meses, trouxe atenção redobrada para o condado de Butler –especificamente, para a fazenda Madison Twp, de onde a alpaca foi resgatada – e novamente deixou os moradores indignados em relação a um ato de crueldade contra uma criatura inocente, indefesa. Dois homens de 17 anos foram acusados pelo espancamento e morte do animal, e uma mulher de 22 foi acusada por ser cúmplice.

Alpacas. (Foto: CCCfeeds.com)

Alguns moradores do condado de Butler também se indignaram com uma notícia publicada na semana passada, sobre um agente de seguros que orgulhosamente anunciou sua “aventura” de caça, onde ele esfaqueou um javali até a morte. Uma experiência que ele coloca na lista de “coisas para fazer antes de morrer”. No entanto, não houve julgamento ou condenação neste caso.

Javali (Foto: Cienciomania)

A sociedade obviamente tem diferentes padrões sobre quando é ou não aceitável matar um animal. Um assassinato é condenado e julgado; o outro é celebrado. Isso faz algum sentido? A aparência de um animal – um fofo e bonitinho e um repulsivo e agressivo – ajuda a determinar um assassinato aceitável e outro não? Ou é o valor que o animal tem para nós?

A maioria das pessoas aceita que centenas de cães e gatos abandonados sejam “colocados para dormir” todos os anos porque não existem tutores responsáveis para adotá-los. Certamente aceitam o abate de uma variedade de animais que irão providenciar comida para as famílias, e premiam os atletas que trazem a maior presa.

Ao mesmo tempo, olhamos para nossos animais de estimação – cães, gatos, peixinhos dourados – de forma diferente. Nós lhes damos nomes fofinhos, os trazemos para dentro de casa, acariciamos e fazemos cafuné, e lhes atribuímos características humanas. Alguns animais são tratados como filhos. E sabemos que nossos amados animais sofrem quando um ato de crueldade ocorre.

Talvez seja essa, ao menos parcialmente, a explicação para nossa reação furiosa quanto à matança de um animal fofinho como Masterpiece, a frequente negligência do tratamento dado aos cavalos em áreas rurais, e a cruel indiferença com nossos amigos caninos num inverno gelado que agora se encerra nos Estados Unidos.

Todos esses animais são seres vivos, com sentimentos, assim como nós. Mas nos apegamos à noção de que todos os animais são nossos, seja para mimar, enjaular, amar… ou caçar e matar.

A American Humane Association parece correta quando aponta uma profunda relação entre abuso de animais e violência doméstica. Um estudo mostrado na semana passada, em uma conferência para discutir o caso de crueldade contra a alpaca e a interdição dos jovens criminosos, indica que 40% dos jovens que cometem crimes com animais irão fazer o mesmo com pessoas.

Quando se trata de abuso de animais, estamos mandado uma mensagem confusa para as crianças e os jovens, por permitirmos algumas formas de violência com animais e condenarmos outras. Nós realmente precisamos resolver isso – ou continuaremos repetindo os mesmos comportamentos e experimentando as mesmas sensações de revolta quando uma notícia sobre crueldade contra animais chega até nós..

“Virá o dia em que o homem olhará para o assassinato de um animal da mesma forma como olha para o de um outro homem.”

(Leonardo da Vinci)

Com informações de Journal News

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