Campanha para banir o uso de peles de animais é lançada na Europa


Por Antoniana Ottoni  (da Redação)

Animal Defenders International (ADI) lançou uma campanha mundial para banir o uso de peles de animal pela indústria da moda. A campanha chamada “Colheita Sangrenta, o verdadeiro custo da produção de peles” foi apresentada em Helsinki (Finlândia), Londres (Inglaterra), Milão (Itália) e Paris (França). Muitas celebridades como Alesha Dixon, Jenni Falconer, Twiggy e Mary McCartney se comprometeram em apoiar a campanha da ADI.

 


Raposa capturada em armadilha para etr a sua pele extraída. Foto: sem crédito


O objetivo principal da campanha “Colheita Sangrenta” é mostrar o real custo da produção de peles para aqueles que produzem, confeccionam e/ou usam. Na atualidade existem diversas alternativas possíveis para a substituição deste tipo de material, que é usado apenas para alimentar a luxúria humana, inconsequente, perversa e omissa ao bem-estar dos outros seres viventes.

Mais de sete meses de investigação, em trinta fazendas de fabricação de peles na Finlândia, sete horas de filmagens e mais de 1.500 fotografias mostraram o terrível sofrimento que faz parte desta indústria. A maior parte das fazendas investigadas possui certificados do Governo Finlandês para atuarem, fato que sabota a indústria da moda, pois esta justifica o uso de peles por esta atividade ser licenciada pelas autoridades competentes. O vídeo e o relatório da campanha “Colheita Sangrenta” mostra a indústria da moda uma realidade deprimente.


Pele da cara de leopardo é tudo o que restou do animal (Foto: Danish Ismail/Reuters)


A investigação mostrou as condições degradantes em que estes animais vivem, sem cuidados de saúde, sem água, em gaiolas muito pequenas, um ambiente totalmente incompatível com seu habitat natural e abate cruel, extremante doloroso. Entre as doenças mais comuns identificadas podem-se observar:

– infecções nos olhos, no nariz e nos ouvidos
– perda da cauda
– lábios malformados
– feridas abertas em várias partes do corpo
– gaiolas em péssimo estado de conservação e com arames afiados causando machucados nos animais
– vasilhas para água: vazias, quebradas ou muito sujas

Além de um ambiente totalmente infestado de medo e estresse. A investigação flagrou diversos animais mortos dentro das gaiolas, situação que ocorre pois estes animais não recebem nenhum tipo de tratamento e atenção e, pior, passam semanas e semanas nessas condições.

No dia 17/02/2010 a campanha “Colheita Sangrenta, o verdadeiro custo da produção de peles” foi lançada em Helsiski – Finlândia, com a intenção de mostrar a realidade sobre a produção de peles, principalmente de raposa, que é o animal mais usado pela indústria de peles da Finlândia. O vídeo mostra que a associação finlandesa de produção de peles afirma que esses animais são criados da melhor maneira, com todos os cuidados garantidos. Esta afirmação simplesmente não corresponde à realidade. Após a investigação e o lançamento da campanha na Finlândia, a Ministra do Trabalho se posicionou contra a indústria de peles e disse que quer banir a produção na Finlândia. O Primeiro Ministro Finlandês ficou chocado com as cenas, mas preferiu não se posicionar.


Pele de guepardo transformada em casaco. Foto: sem crédito


No meio da semana da moda em Milão (26/02), ADI lançou a campanha “Colheita Sangrenta, o verdadeiro custo da produção de peles” mostrando a versão italiana do filme e distribuindo os relatórios da campanha. O lançamento da campanha na Itália teve a participação de parceiros de campanhas Italianas, como o AgireOra, e teve como objetivo difundir a realidade para designers e consumidores de peles sobre o custo ético da produção de peles. Marina Berati da organização AgireOra ressaltou a importância do lançamento da campanha nas mesmas datas que a semana da moda de Milão, para mostrar para aos consumidores de peles o seu verdadeiro custo. O vídeo da campanha cochou a imprensa, principalmente, porque havia vários designers que mostraram peças de roupas feitas de peles no catálogo de outono de 2009, para a coleção de inverno.

No dia 04/03 a campanha “Colheita Sangrenta” foi lançada na França pela a ADI com o grupo Frances de proteção animal, Fourrure Torture, nos mesmos dias da semana da moda de Paris (02 a10 de marco). A indústria de peles da França permanece em silêncio sobre o valor de suas últimas vendas e não indica tendência de mercado desde 2007, quando as vendas de peles caíram em todo mercado mundial. A produção de peles na França, entretanto, esta em declínio. Em 2005 foram abatidos 190 000 visons e em 2008 foram abatidos 180 000 visons. As vendas mundiais de peles também caíram 13, 25%, de 15,02 bilhões de dólares em 2007, para 13.3 bilhões de dólares em 2008.

A ADI esteve em Israel nos dias 08 a 10 de março, para apoiar o projeto de lei que proíbe todos os tipos de peles no país. Infelizmente não foi votado essa semana, mas provavelmente será votado em breve. Helder Constantino, chefe de assuntos políticos da ADI, esteve presente e mostrou o relatório da campanha “Colheita Sangrenta” para os membros do Parlamento Israelense, que ficaram chocados com as informações.
Israel será o primeiro país do mundo a ter uma proibição total: produção, uso e vendas de peles. Esta campanha foi lançada em Israel pela International Anti-Fur Coalition (http://www.antifurcoalition.org/). Espera-se que a Europa siga os mesmos passos, primeiro com a proibição da produção, como já acontece em seis países, como: Inglaterra, Países de Gales, Escócia, Áustria, Holanda (apenas chinchila e raposa) e Croácia, e depois do uso e da venda.

No Brasil a produção de peles é principalmente de chinchillas, animal de origem andina e que foi introduzido no Brasil para a fabricação de peles na década de 1970 por um argentino. Na atualidade existem cerca de 500 criadores, com produção anual de 40 mil peles, vendidas para Europa e Estadas Unidos, principalmente. É preciso lembrar que até duzentas chichinllas podem ser abatidas para a confecção de um único casaco.
Existe um projeto de lei na Câmara dos Deputados – Projeto de Lei 5956/2009 – apresentado em setembro do ano passado pelo Deputado Federal Ricardo Tripolli (PSDB-SP) propondo o fim do abate de chinchilla para a comercialização de sua pele. Este projeto de lei está sujeito à apreciação conclusiva nas comissões de Meio Ambiente e Constituição (CMADS) e Justiça e de Cidadania (CCJ). Na CMADS não houve apresentação de emendas à proposta, que aguarda parecer do relator.

Para assistir ao filme da campanha “Colheita Sangrenta, o verdadeiro custo da produção de peles” acesse: http://furstop.com/

Notícias da Itália sobre campanha contra a utilização de peles:
http://furstop.com/what-you-can-do/in-the-press/italian-press/

Sobre Animal Defenders International

Animal Defenders International existe para educar, aliviar e denunciar o sofrimento dos animais, trabalhando para proteger a vida selvagem e o meio ambiente. ADI faz lobby nos governos para ajudar nas medidas legais em favor dos animais e do meio ambiente e também organiza o resgate de animais que estão em sofrimento.

Em 2007, ADI assegurou a adoção da Declaração 40/2007 no Parlamento Europeu para o fim do uso de macacos em experimentos científicos. Em 2008, ADI assegurou a proibição da utilização de animais em circos itinerantes na Bolívia. ADI possui escritórios em Londres, São Francisco e Bogotá, têm representantes em vários países e trabalha em parceria com diversas organizações ao redor do mundo. http://www.ad-international.org


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