Estudo alerta para a necessidade de preservação de pássaros



Foto: Bruno Peres

Da pequena caixa de som à pilha, ecoa uma gravação com o canto do pássaro papa-moscas-do-campo. Em poucos segundos, as aves são atraídas pelo barulho e surgem em meio às árvores baixas do cerrado. A aparição é rápida e os olhos precisam ser ágeis para identificar esse pequeno pássaro, de apenas 10 cm de comprimento. Estamos na Estação Ecológica de Águas Emendadas, uma unidade de conservação com mais de 10 mil hectares de extensão. Aqui vivem alguns exemplares desse animal raro, ameaçado de extinção.

A reserva ecológica de Planaltina, que abriga 307 espécies de pássaros, é uma das três regiões do Distrito Federal classificadas como IBA, sigla em inglês que identifica uma área importante para conservação de aves. O estudo internacional, que acaba de ser divulgado, é importante para alertar sobre a necessidade de preservação tanto dos pássaros que vivem na cidade quanto das reservas ecológicas da capital federal.
Foto: Bruno Peres
A identificação dessas áreas foi realizada pela Sociedade para Conservação das Aves do Brasil (Save Brasil), representante da Bird Life, uma organização internacional que atua na preservação desses animais e faz pesquisas científicas. Além da Estação Ecológica de Águas Emendadas, o Parque Nacional de Brasília e uma poligonal ao sul da cidade (que inclui parte do Jardim Botânico e da reserva do IBGE) também foram classificados como áreas importantes para conservação de aves no Distrito Federal. Das 74 áreas identificadas como IBAs no país, três ficam na capital federal. Os pesquisadores concluíram que os espaços importantes para preservação de pássaros representam 10% do território do DF.

Uma região é classificada como importante para preservação de pássaros se atender a um dos quatro critérios seguintes. Os especialistas avaliam se a área tem espécies ameaçadas de extinção, se ali existem pássaros de distribuição restrita (que ocupam menos de 50 mil km² em todo o mundo) ou se a área é habitada por aves que só aparecem em um bioma, como o cerrado. O último critério é observar se os animais utilizam o espaço para reprodução ou para paradas durante a migração. A presença de um ou mais desses critérios é suficiente para que um espaço receba a classificação. 

Foto: Bruno Peres
Nas três IBAs do Distrito Federal vivem 17 espécies ameaçadas de extinção. A presidente da Save Brasil, Jaqueline Goerck, diz que esse número é muito alto. “O que chama a atenção é que a quantidade de espécies ameaçadas é muito grande para uma área relativamente pequena. A Amazônia, por exemplo, que é muito mais extensa, tem menos espécies com risco de extinção”, afirma Jaqueline. “Isso tem relação com a devastação acelerada do cerrado”, acrescenta a especialista. Ela destaca a importância da classificação de uma região como IBA: “Esta denominação tem impacto positivo na fauna, na flora e na conservação da biodiversidade da área como um todo, já que alerta para a importância da preservação”.

Impacto

Em Águas Emendadas, a população de aves é pesquisada por especialistas há mais de 10 anos. E o risco aos animais é agravado pela pressão do aumento populacional em torno da reserva ecológica. “Planaltina cresceu muito e o aumento da área urbana é um risco à estação. Animais urbanos como cães e gatos entram na área de Águas Emendadas e afugentam os animais silvestres”, conta o diretor da Estação Ecológica, Aylton Lopes. Criada em 1968, a unidade de conservação não é aberta ao público. Somente pesquisadores ou participantes de projetos de educação ambiental têm acesso ao local.
Foto: Bruno Peres
Há dois anos, o doutorando em biologia Daniel Gressler pesquisa as aves que vivem na Estação de Águas Emendadas. Ele defende a preservação da unidade para a conservação dos pássaros e acredita que a classificação da unidade como IBA é extremamente positiva. “É preciso ter segurança de que, no futuro, a área estará preservada. E o fato de a reserva receber essa denominação representa um reconhecimento mundial da importância de Águas Emendadas”, afirma Daniel. A expectativa das equipes que fazem pesquisas na região é de que a classificação também seja garantia de mais recursos para a Estação Ecológica — habitat de espécies como caboclinho, freirinha, andorinha-do-rio, coleira-do- brejo, limpa-folha do buriti e o raro papa-moscas-do-campo. 

No Parque Nacional de Brasília, a maior unidade de conservação do Distrito Federal, vivem 282 espécies de aves — duas delas ameaçadas de extinção. A identificação é feita por meio da observação visual, captura ou até mesmo pelas peculiaridades do canto dos animais. Quatro espécies migratórias usam a reserva como ponto de parada.

Com seus 42 mil hectares de extensão, o Parque Nacional também foi classificado como uma IBA. As espécies que vivem no local usam a reserva como um corredor de passagem. “O parque é a maior área preservada do DF, com praticamente todos os tipos de fisionomia do cerrado, o que atrai pássaros das mais diferentes espécies”, explica Diana Tollstadius, analista ambiental do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Assim como na Estação Ecológica de Águas Emendadas, o Parque Nacional de Brasília também sofre com a depredação e com a expansão urbana ao seu redor. “Talvez o estudo da Save Brasil sirva de alerta para a sociedade”, conclui Diana.

Fonte: Correio Braziliense



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