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Ilhabela estuda criar ‘praia de cães’ a partir de 2011

3 de fevereiro de 2010
4 min. de leitura
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Foto: Paulo Toledo Piza/G1

A Prefeitura de Ilhabela, no Litoral Norte de São Paulo, estuda liberar a partir de 2011 o acesso de cães a uma das praias do município. Atualmente, a cidade, assim como outros municípios litorâneos paulistas, possui leis que proíbem a presença de animais na areia e no mar e que punem os responsáveis.

Segundo a assessoria da prefeitura, o projeto ainda está em fase de estudos e não há até o momento informações sobre o local em que deverá ser criada a “praia dos cães”. 

A possível praia para cachorros divide a opinião de quem vive no litoral. Em Santos, a 72 km da capital paulista, a professora Leda Guerra, de 62 anos, acha a ideia desnecessária. “Eu trago meu poodle só para passear no calçadão”, afirma. Ela diz que, mesmo se houvesse uma praia específica para cachorros, não levaria seu animal. “Eu nunca entraria com ele na praia. Não acho legal, porque tem muitas crianças e nem todos gostam de cachorros”, disse. 

Dono de uma barraca na praia e tutor de um cão, José Silva Jesus, de 41 anos, acha boa a ideia de ter uma praia para os animais no litoral de São Paulo. Para ele, um espaço exclusivo para cães coibiria a ação dos tutores que levam seus pets para qualquer praia. “As crianças brincam na areia, sentam e os animais vêm, fazem xixi”, criticou. 

Apesar de todo o potencial turístico que uma praia livre para cães traz para uma cidade, tal projeto demanda investimentos. Especialistas ouvidos pelo G1 afirmam que, inicialmente, as regras de convivência nessas áreas teriam de ser amplamente divulgadas aos tutores dos bichos. Paralelamente a isso, a fiscalização por parte da prefeitura precisaria ser redobrada.

Foto: Luciana Bonadio
No exterior, as dog beachs, como são conhecidas, têm regras rígidas que devem ser seguidas à risca -caso contrário, o tutor e o cão são expulsos. “Não pode deixar o cachorro defecar na água. Tem de sair e, quando fizer, o responsável precisa coletar rapidamente as fezes e levar para um local específico para descarte”, afirmou a médica veterinária Claudia Ferraz, do Centro de Controle de Zoonoses de Ubatuba, cidade do litoral norte paulista.

Doenças

O veto aos cães e outros animais nas praias paulistas não é mera formalidade imposta por quem não gosta de bichos. Muito pelo contrário. A areia e o mar são locais nocivos à saúde do cachorro. O primeiro perigo é a desidratação. “Mesmo se o cão estiver sob o guarda-sol, o calor pode fazer com que ele fique desidratado ou sofra insolação”, relatou Cláudia. Quando isso acontece, o socorro deve ser imediato, já que o cão é mais sensível ao calor do que o homem. “Ele pode até morrer.”

O cachorro também fica exposto ao risco de dermatites causadas pela umidade da areia e à diarreia por conta da água do mar.

Banhistas também correm risco ao dividir a praia com os bichos. A principal enfermidade é o bicho-geográfico. Transmitido pelas fezes dos cães, essa larva entra pela pele e, na maioria das vezes, causa coceira e deixa marcas visíveis pelo corpo. Caso entre na corrente sanguinea da pessoa, o perigo aumenta consideravelmente. “A larva pode se instalar no globo ocular e causar cegueira”, alertou a veterinária.

Multa

Se o perigo de doenças não é motivo suficiente para desestimular as pessoas a levarem seus pets para a areia, multas e o risco de apreensão dos animais podem servir como freio. Em Ilhabela, por exemplo, tutores de cães ou de outros bichos flagrados hoje nas praias por fiscais da prefeitura levam inicialmente uma advertência. Se forem pegos novamente, levam uma multa de até R$ 1.485,50. 

No Guarujá, destino de muitos turistas de fim de semana, a multa é das mais salgadas, chegando a R$ 6 mil, segundo a prefeitura. Em São Sebastião, cidade que possui praias badaladas como Maresias e Guaecá, o cachorro pode ser apreendido e a multa é de R$ 156,07.

Em Mongaguá, no litoral sul, há uma lei que proíbe cachorros e gatos na areia. Quem for flagrado com o pet por agentes do Departamento de Zoonoses é apenas orientado a levar embora o bicho. Caso se recuse, guardas municipais são chamados para apreender o animal. 

Fonte: G1


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