Belo Horizonte sanciona lei que proíbe animal em circo


Proprietário do Circo Royter acaricia a elefanta Reina que fica em exibição na cidade até 14 de fevereiro, pois nova legislação não é retroativa. (Imagem: Uai)
Proprietário do Circo Royter acaricia a elefanta Reina que fica em exibição na cidade até 14 de fevereiro, pois nova legislação não é retroativa. (Imagem: Uai)

Belo Horizonte fechou suas portas para circos que se apresentam com animais. O prefeito Marcio Lacerda (PSB) sancionou quinta-feira (21), lei que proíbe a exibição dos bichos em espetáculos circenses. Os ambientalistas bateram palmas. “A capital entrou para o time das cidades que respeitam os animais. Ficaram no passado as cenas de maus-tratos aos elefantes, chimpanzés, girafas e cavalos. Não podíamos mais aceitar esses bichos fora do ambiente deles”, defende o assessor para assuntos da Fauna Urbana da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Franklin Oliveira. Já os circenses… “Não haverá mais circo no Brasil daqui a uns anos. Não há incentivo para a categoria. Só cortam as nossas atrações, como se todo circo maltratasse seus animais”, argumenta o diretor do circo Royter Spetacular, Royter Júnior.

A lei foi publicada quinta-feira no Diário Oficial do Município (DOM) e já está em vigor. Os circos que insistirem na estadia na capital terão cancelamento da licença de funcionamento e pagarão multa de R$ 5 mil. “Independentemente das condições físicas dos animais exibidos em circos, a história de treinamentos e da captura envolve muita violência e tratamento cruel, além do descumprimento de tratados internacionais como a Convenção Internacional sobre o Comércio da Flora e Fauna Selvagens”, relata Franklin Oliveira.

Outras capitais, como São Paulo e Rio de Janeiro, já têm leis similares. Em Minas Gerais, a proposta vai além de Belo Horizonte: Juiz de Fora, Montes Claros, Lagoa Santa e outras também lutam contra os maus-tratos de animais. “Nos circos, eles são privados da liberdade natural, vivendo em espaços minúsculos e muitas vezes insalubres. Muitos apresentam transtornos neurológicos com manifestação de movimentos repetitivos e olhar profundo”, conta Franklin. Ele diz ainda que a próxima batalha é contra os rodeios. “É um absurdo. As pessoas se divertem com os movimentos agressivos dos animais sem saber que são submetidos a choques e chicotadas para fazer aquilo. Infelizmente, o lobby de produtores de rodeio é maior e fica mais difícil barrá-los.”

No picadeiro, a elefanta Reina faz a festa da criançada. Ela é do time de artistas do Royter Spetacular, provavelmente o último circo a se apresentar legalmente com animais na capital. “Fico muito triste de ser a última vez que venho aqui. Tenho um filho mineiro, que nasceu aqui, aumentando minha ligação com a cidade. Não concordo com a lei. Em vez dela, deveriam fiscalizar os circos para punir quem maltrata os animais. O elefante faz parte do espetáculo e encanta as crianças. Visitamos lugares em que aos baixinhos nunca tinham visto um bicho tão grande. Reina é bem cuidada, dócil e já nasceu no cativeiro. Nem sobreviveria fora”, justifica Júnior.

O circo montou sua lona na Avenida Abílio Machado, no Bairro Alípio de Melo, na Região Noroeste, no início do ano, e tem licenciamento para ficar na cidade até 14 de fevereiro. Como a lei não é retroativa, o circo poderá exibir a elefanta Reina até sua última apresentação. “Temos outros artistas palhaços, trapezistas, equilibristas… A defesa dos contra animais é valorizar esses trabalhos. O circo tem que ter isso mesmo. Mas deve também alegrar as crianças com os animais. Aliás, sem animais só o Cirque du Soleil, que conta com mil benefícios do governo canadense. Aqui no Brasil, circo sem animal, fecha. Isso já ocorreu com vários”, relata Royter Júnior.

Fonte: Uai


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