Feiras de doação se popularizam em Curitiba


Foto: Franklin de Freitas
Foto: Franklin de Freitas

Pagar entre R$ 300 e R$ 700 ou mais para ter um companheiro de quatro patas perde totalmente o sentido quando nos deparamos com a informação de que hoje existem mais de 4 mil animais disponíveis à adoção em Curitiba e Região Metropolitana.

Por conta daquelas pessoas quem entendem que o cão, gato, papagaio, periquito, etc. são seres vivos – e por isso não podem ser maltratados ou abandonados por aí – é que a cada dia cresce o número de feiras de doação. Em praticamente todos os finais de semana é realizada uma feira como essa em algum ponto da cidade.

“São pessoas que tentam ajudar aqueles animais que são abandonados por pessoas que não entendem que um animal é um ser vivo e por isso não deve ser maltratado ou abandonado”, explica a presidente voluntária da Sociedade Protetora dos Animais, Soraya Siomon. “Esses voluntários recolhem os animais, cuidam deles e depois os colocam para serem adotados nestas pequenas feiras”, explica.

Os animais colocados para doação geralmente foram abandonados pelos tutores pelos mais variados motivos — desde a velhice que também chega para os animais até a incompreensão de que os bichos têm temperamentos diferentes, variação de humor e, por isso, nem sempre vão estar dispostos a balançar o rabo o tempo todo para brincar.

Soraya conta que se encontram nestas feiras desde os populares vira-latas até cães de raça, geralmente descartados por criadores quando o animal já não apresenta condições de procriar. “Eles deixam as cadelas cruzarem em todos os cios e, às vezes, quando são abandonadas, apresentam tumores nas mamas e outras doenças mais graves por causa da falta de cuidado como animal”, conta.

As raças mais abandonadas, segundo Soraya, são podlle, pastor alemão, pit bull, rotweiller, fila e buldogue. Como a intenção dos doadores é encontrar um lar para os animais e inibir o comércio, antes de serem doados os animais são tratados, se houver algum tipo de doença, e castrados.

Ela relata que, apesar de a lei estabelecer pena para quem maltrata os animais submetendo-os a sofrimento físico ou emocional, ainda falta conscientização às pessoas sobre o caso e um maior preparo do poder público. Soraya esclarece também que o cuidado com os animais está previsto na Constituição Federal.

“Por isso, mesmo para os casos de doação, é exigido de quem recebe o animal a assinatura de um termo de responsabilidade para com o animal adotado”, conta. Os doadores voluntários também costumam fazer o acompanhamento dos animais adotados, para verificar se eles realmente estão sendo bem tratados.

Soraya lembra que, se alguém tiver pensado em ter um bichinho, deve antes fazer alguns questionamentos.  “Deve saber que esse animal vai ter um temperamento particular, por isso não adianta querer cruzar o seu animalzinho quando ele começa a envelhecer”, diz. “Além disso, é importante saber que em uma ninhada dificilmente nasce apenas um”, pondera.

Além disso, deve saber que terá gastos, que o animal faz xixi e cocô, que costuma correr pela casa e, por isso, poderá arranhar alguns móveis, quebrar utensílios domésticos, rasgar cortinas, que precisa de atendimento médico e atenção. Depois de todas essas considerações, é importante saber que o animal irá viver entre 12 e 15 anos.

Estará pronto para ter um bichinho quem estiver disposto a ter todas estas responsabilidades e ainda quiser uma companhia.  Os interessados podem descobrir os endereços das feiras para doação no site www.caopanheirocuritiba.com.br. No endereço é ainda possível obter mais informações sobre os lares provisórios onde há animais para serem adotados, como a Associação Amigo Animal, Associação Vida Animal e Sociedade Protetora dos Animais.

Soraya faz ainda um alerta: “Nós não temos mais condições de aceitar animais, apenas ficamos com aqueles em situação de risco de morte. Por isso, o melhor caminho para denúncias de maus-tratos deve ser feito ao 156, que é um serviço da prefeitura de Curitiba”, diz. Ela esclarece ainda que os animais são tutela do Estado, uma vez que a Constituição Federal prevê o cuidado deles. “Por isso, os tutores quando maltratam o animal podem ser responsabilizadas criminalmente”, conclui.

Fonte: Bem Paraná


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