Questão de ética – Sônia T. Felipe

Ética, dietas e conceitos

Vegetusiano, vegetariano ou vegano? Qual a diferença? Se perguntarmos a qualquer pessoa na rua o que lembra a palavra “vegetariano”, a maioria vai responder que essa palavra designa uma pessoa que não come nada de animais. Se perguntarmos o que quer dizer “vegano”, poucas são as pessoas que conhecem o termo. E raras são as que conhecem a distorção deliberada que os “vegetarianos tradicionais” fizeram do conceito por detrás do termo. Ouvimos dos “vegetarianos” que ingerem laticínios, ovos, mel e qualquer derivado de secreções glandulares de fêmeas de outras espécies, que a palavra deriva do latim, vegetus, cujo significado é vigoroso.

Se fosse verdade que a palavra inglesa vegetarian derivasse do latim, conforme querem os “ovo-lacto-api-vegetarianos” conservadores, a palavra não poderia ter sido escrita desse modo, deveria ser: vegetusian. Em português deveria ser, então, vegetusiano. Leite e ovos não dão em árvores, nem são extraídos do solo. São extraídos do corpo de fêmeas de outras espécies.

Se os vegetarianos conservadores de fato estivessem a nomear sua escolha com base no conceito latino, derivado da palavra vegetus, deveriam dizer-se vegetusianos, deixando a palavra vegetariano, que foi sequestrada por eles para designar falsamente sua dieta, repleta de produtos de origem animal. Que pena! Poderíamos agora ter mais transparência ética na designação do tipo de dieta adotada pelos ovo-lacto-api-vegetarianos.

Os que não adotam uma dieta pensando apenas em se tornar vigorosos, e sim em erradicar de seu prato qualquer comida que resulte da exploração de animais, teriam então o termo correto para se autodesignar: vegetarianos, isto é, os que comem exclusivamente alimentos de origem vegetal.

Quando os vegetusianos usam a palavra vegetariano para designar seu “estilo” alimentar, cometem um erro. Fazem passar sua escolha pelo que de fato ela não é. Vegetarianos deveriam ser somente os que se alimentam exclusivamente de produtos de origem vegetal. Vegetusianos deveriam ser aqueles que adotam uma dieta com o intuito de se tornarem fortes, vigorosos. Para os vegetusianos a questão do sofrimento e morte dos animais é menos relevante. A maioria deles até topa participar de debates em defesa dos animais, mas seu propósito é divulgar o vegetusianismo, ainda que usando a palavra vegetarianismo. Isso confunde as pessoas.

O fundador da primeira sociedade britânica vegana, Donald Watson, denunciou em 1944 o engodo dos vegetarianos que passavam ao público a ideia de que a palavra vegetarian derivaria do latim vegetus. Segundo Watson, os “vegetarianos” assim procedem porque não conseguem explicar para as pessoas o uso do termo vegetariano para designar sua dieta, quando ela contém ovo, leite, mel e derivados destes.

Para não ter de explicar que eram vegetarianos só numa parte do conteúdo de seu prato, os conservadores inventaram essa história de que o termo vegetariano deriva do latim vegetus.  Cometem um erro grosseiro, pois basta olhar o termo vegetus para ver que dali não dá para derivar vegetariano e sim vegetusiano. Uma acrobacia tem de ser feita com as letras, para escrever vegetariano como se derivasse de vegetus. Essa acrobacia devemos aos conservadores ovo-lacto-api-vegetusianos.

Uma lástima. Por sorte, após anos de insatisfação por ter de explicar para as pessoas que era vegetariano estrito, autêntico, que só comia coisas do reino vegetal, que não ingeria laticínios, nem ovos, nem mel, Donald Watson, juntamente com Elsie Shrigley e outros cinco vegetarianos estritos, fundaram a primeira sociedade vegana na Inglaterra [cf. Joanne Stepaniak, The Vegan Sourcebook]. Desde então temos esses dois termos, vegetariano e vegano, para distinguir quem come coisas de origem animal e quem não as come.

Para além da alimentação, veganos têm uma díaita, do grego, “modo de vida”, que escolhe a abstenção de todo e qualquer produto de origem animal, não apenas na hora de comer, mas também na hora da higiene pessoal, da limpeza da casa, dos acessórios de moda, dos cosméticos, dos medicamentos. Obviamente, viver um projeto de vida vegana em meio à ditadura da propriedade, exploração e extermínio de animais não é algo que possa ser concretizado de forma pura. Por isso, para ser vegano é preciso, além da honestidade com o uso do termo quando explica a outras pessoas o que a distingue das demais em seu modo de vida, muita determinação e lucidez, para desfazer, uma a uma, as pregas, dobras, rugas e os vincos da moralidade tradicional traiçoeira, ardilosa, que nos enredou nessa forma de vida que representa puro tormento para os animais.

Veganos são vegetarianos no sentido autêntico do termo. “Vegetarianos tradicionais” são vegetusianos. Sua preocupação não é com o sofrimento e morte dos animais, é apenas com seu próprio vigor. E aí, mais uma vez, erram. Ingerir laticínios é a fonte da maior parte das doenças degenerativas e crônicas do nosso tempo. Seria bom antenar-se para o sentido original do termo vegetus, que tanto dizem seguir: buscar o vigor. Ingerindo laticínios não estão apenas a torturar fêmeas bovinas, estão a produzir em seus organismos muitos males. [cf. Frank A. Oski, Don’t Drink Your Milk!; Neal Barnard, Breaking the Food Seduction; e Foods That Fight Pain; John A. McDougall, Digestive Tune-up; Caldwell B. Esselstyn, Prevent and Reverse Heart Disease; Jane A. Plant, The No-Dairy Breast Cancer Prevention Program; T. Colin Campbell e Thomas M. Campbel II, The China Study; Keith Woodford, Devil in The Milk; Robert Cohen, Milk–the Deadly Poison]. A única saída para a saúde e vigor, sem violência contra fêmeas de outras espécies, é a díaita vegana. Abandonem a inocência, vegetusianos!

1 COMENTÁRIO

  1. Adorei o texto. Muitas pessoas realmente deturpam o termo vegetariano. Alguns, inclusive, denominam-se vegetarianos mas comem peixe.

    Muitos ovo-lacto-vegetarianos alegam que comer ovos, leite e derivados não causam mal aos animais, mas não conseguem dar uma explicação com embasamento, apenas em falácias.
    Ficaria muito feliz no dia em que as pessoas abrissem suas mentes para ser realmente vegetariano, tendo a consciencia de que muitos animais sofrem, que tem direito a vida e que esses ‘alimentos’ nos causam problemas. Mas muitos seguem o vegetarianismo (na verdade ovo-lacto-api-vegetarianismo) porque está na moda…

  2. Concordo plenamente, Sônia. Teu texto me fez pensar sobre o que leva as pessoas a se ocuparem em dizer ou se autodenominar o que não são.

    Por um lado, acredito que muitas pessoas ignorem o sentido da palavra “vegetariano” e se utilizem dela com pouca ou nenhuma responsabilidade ou preocupação com seu verdadeiro significado.

    Outro possível motivo que levaria os não vegetarianos a se dizerem vegetarianos seria a vontade de parecer ser algo que não são: preocupados com os direitos animais. Pois as pessoas que ainda consomem produtos derivados do sofrimento animal, como o texto elucida muito bem, tanto quem consome carne como quem consome apenas leite, queijo, ovos, etc, não o fazem por se importarem com os animais: os “quase vegetarianos” realmente estão apenas preocupadíssimos com sua saúde e ainda condicionados aos vícios do paladar e aos ditames das indústrias.

    Essas pessoas não podem se dizer vegetarianas, realmente. Muito menos podem dizer que ligam para o que os animais sentem, sofrem e vivem. É tão incoerente como uma pessoa de cabelos castanhos dizer que é ruiva.

    O texto tem em si um valor importantíssimo pois situa cada coisa em seu lugar, clareando conceitos e derrubando posturas falsas e equivocadas.

  3. Sensacional, precisamos de mais terapia crítica para substituir esse modo indiferente aos animais de falar sobre vegetarianismo por outro modo mais responsável, consequente e ético.

    Um porém: também comemos as frutificações de alguns fungos, como os cogumelos, que não são vegetais rs

  4. Eu não acredito que haja um significado VERDADEIRO da palavra vegetariano. Assim como seu significado tem sido sequestrado por pessoas completamente insensíveis ao destino dos animais em mãos humanas, precisamos trabalhar para fazer valer o significado ético do vegetarianismo, substituir um significado que é pura perfumaria por outro engajado eticamente.

  5. Excelente. É importante que comecemos a esclarecer termos e denominações. Hoje em dia até quem come peixe se diz vegetariano, como a atriz Lucélia Santos. Temos mesmo que separar o joio do trigo.

  6. Consultei a 1 edição do Houaiss (2001) e lá tem VEGETARIANISMO, definido como dieta baseada unicamente no uso de vegetais, e VEGETARISMO, como dieta que proíbe a ingestão de carne, mas permite alguns produtos do reino animal (ovo, leite, mel, manteiga etc).

    Mas o mais importante não é o trabalho de trazer definições prontas, e sim o de redefinir, reinvestir a ética onde faltar, isto exige trabalho de IMAGINAÇÃO, como o texto da Sônia.

  7. Este texto faz as pessoas que nao comem carne mas tomam leite se sentirem envergonhadas e nao é por aí… quem nao come carne já faz um grande bem aos animais e ao planeta.
    Pensando nos animais então… só o fato de uma pessoa deixar de consumir qualquer produto que seja já é uma grande vitória. Precisamos de qualquer ajuda e não de preconceito. Se a pessoa nao come carne pensando nos animais já está ótimo. Sem radicalismo. Se ela nao come carne durante a semana toda também está bom, já estamos lucrando. bom seria se todos fossem veganos mas nao são. Podemos compreender isso. Nao precisamos repreender quem já faz uma grande coisa q é nao comer carne…

  8. Cara Sônia, tudo bem? Espero que sim!
    Primeiramente, gostaria de elogiar o texto, mesmo não concordando, é importante tocar neste assunto.
    Bom, de acordo com o seu texto, sou uma vegetusiana e fiquei um pouco incomodada com o que disse sobre o sofrimento dos animais ser menos relevante para os vegetusianos.
    Sou “vegetusiana” por respeito a eles. Não nego que consumo sim leite e seus derivados, mel e ovos. Mas vejo também que a ética não está também no fato de não consumir, mas de como você consome.Imagino que muita gente discorde disso.
    Tenho pavor de granjas de galinha, e não consumo ovos delas, por que é um absurdo o que elas sofrem. Só consumo ovos de galinha caipira, criadas soltas em roças. Habito que fiz toda minha família adotar. O leite e os queijos que nos compramos também são dessa forma.
    Sei que isso é complicado para quem vive em cidade grande, que faço isso por que minha cidade é pequena e me permite fazer, mas não é por que consumo derivados que não me preocupe com os animais, principalmente com o consumo de produtos que testam, ou de origem animal, seria hipocrisia da minha parte não comer carne e sair calçando uma bota de couro. Inclusive, uma coisa que me irrita muito é quando alguém me pergunta se não “como carne” (como se ser vegetusiana/vegetariana se limitasse a isso) por “pena” dos animais. Não, não como carne por respeito à eles.
    Gostei realmente do seu texto, me esclareceu algumas coisas, vou tentar usar o termo vegetusiana mas sinceramente, nunca me atrelei ao que, o que eu faço significa.

  9. Texto corajoso, desafiador e verdadeiro! Parabéns, Sônia!

    Realmente, para todos os efeitos, seja do ponto de vista do não-humano, do seu criador, ou mesmo da tal sustentabilidade, ou da saúde humana, o ovolactismo, ou “vegetusianismo”, nada mais é que uma forma extravagante de onivorismo (alimentar-se tanto de produtos vegetais como animais).

    Obs.: A União Vegetariana Internacional confirma esse “mito do vegetus”, cuja relação com o desejo de continuar comendo produtos animais a Dra. Felipe nos explica. Segundo texto em http://www.ivu.org/history/societies/vegsoc-origins.html, do historiador da IVU John Davis, tal mito já se estende por mais de um século. Colo um parágrafo de lá pros demais interessados nessa questão:
    “There has been a long-standing claim that the word was derived from the latin ‘vegetus’ – apparently meaning ‘whole, fresh, lively’, but as far back as 1906 a writer in the Manchester-based Vegetarian Society’s own magazine knew this was myth, and also suggested Alcott House as the probable real origin. In the early 1850s the magazine representing the Society had quite clearly defined it as: ‘Vegetarian – one who lives on the products of the vegetable kingdom’.
    The reason for the survival of this myth is down to the disputes between the London and Manchester Vegetarian Societies in the late 19th century. The London group finally split in 1888, after almost 20 years on and off, to become an independent society, mainly due to differences over the definition of a vegetarian, and therefore a vegetarian society. The President of the original society in Manchester happened to be a professor of latin at Cambridge University – and by claiming that his society had invented the word he could also claim ownership of the definition.”

    Abraços a todos, e viva o vegetarianismo!
    David

  10. Paula, para saber se uma ação é uma “grande coisa” você precisa compará-la às alternativas disponíveis.

    Consumir mel, ovos, leite e derivados 1)sabendo que são produtos de exploração injustificada e 2)sabendo que existe a alternativa vegana ou vegetariana ao seu alcance torna o vegetusianismo imoral, não acha?

  11. Interromper o consumo da carne, para mim, foi algo razoavelmente fácil. A carne está estampada na nossa cara; ficamos frente-a-frente com ela. A própria característica de ser “carne” ou corpo diluído em coisa é extremamente visível. Revoltar-se é o caminho natural quando se está disposto a isso e quando se está amparado nos brilhantes pensadores que sistematizam e dispõem de modo fantástico tudo aquilo que já pensamos e muito mais, coisa que não fomos “poderosos” suficiente para fazer. Entretanto, a diversidade de acasos que nos levam a entrar nesse mundo estranho de perspectivas assombrosas é, também, outro aspecto fantástico. Não vou agora tentar listar a longa lista de acasos que tem me conduzido. Claro que tem, igualmente, as coisas que não são fruto do acaso e sim de muita transpiração. Com isso, naquele aspecto da carne, tentei deixar de ser conivente, cúmplice e financiador de uma das industriais mais abomináveis em nível planetário.

    O caminho para a interrupção de ser conivente, cúmplice e financiador dessa indústria, no que concerne aos subprodutos e as práticas inseparáveis que os geram, para mim, tem sido mais difícil. Às vezes consigo, às vezes não. E olha que não me canso de ler e ver a respeito. Contudo, continuo e pretendo sempre continuar a “caminhada” em direção daquilo que temos certeza ser o melhor até, quem sabe, chegar lá.

    Mesmo ainda longe de ser aquilo que vislumbro – e espero que essa frase não seja apenas uma desculpa esfarrapada – pretendo ser pelo menos parte do acaso de outros. Trazê-los para perto. Agora, quando o acaso que fui para alguém por aí vai se somar a outro e gerar mais um assombrado com o mundo, não tenho nem idéia! É uma incógnita nesse momento histórico em que as leis e o consenso geral da população é o contrário quase absoluto.

    Embora não concorde com elas, as abordagens mais raivosas, pelo menos para aqueles que tentam “esfriar” a cabeça primeiro, são um paradoxo. Ofendem, segregam e humilham ao mesmo tempo que mostram uma base mais segura e mais justa em termos de paradigmas. O exercício é saber extrair o que está sendo dito da forma que está sendo e aproveitar ao máximo aquilo que pode nos conduzir para além de um ponto cômodo ou cego.

    “Tom Regan atribui aos que nada tem a ver com o movimento a esperança que algo mude. Nós de dentro já não podemos mudar muito as coisas. Claro que temos que nos aperfeiçoar. Mas a nossa função seria mais de disseminadores, de propagadores.
    Trabalho pesado. Mas a mudança só vai ocorrer mesmo pela inclusão dos de fora nessa forma de ver o mundo, na perspectiva abolicionista para usar o termo. Por isso devemos a eles a utopia da mudança.”

    Olha, sinceramente, não sei qual abordagem é melhor e quando. Acredito não ser bom nisso. Apenas quando me sinto ofendido, segregado, humilhado, ou seja qual adjetivo for, penso no porque estou nisso. E sei que não é por causa de grupo algum ou termo ou terminologia que for.

  12. Eis uma reflexão minuciosa da terminologia vegetariana (ou seria vegetusiana?), no entanto, eu pensava que se aprofundar no estudo de qualquer termo é tarefa de um filólogo. Mas se cabe também a uma filósofa fazê-lo, então caberá também a todos que leram esse texto da Sônia o de fazer outros estudos com os quais a minúcia não se perca só na terminologia em si, pois tá cheio de gente dizendo que são veganas por aí e não demonstram exemplo prático naquilo que enfatizam na teoria. Não estou me refirindo à autora do texto em questão. Digo isto aqui para deixar claro que veganismo é atitude de vida ética, ou seja, é o verdadeiro respeito pelos direitos animais na prática!!! É o exemplo acima das teorias, embora as mesmas tenham a sua devida importância, pois não as menosprezo, apesar de dar mais atenção às atitudes.
    Um abração veganamente fraterno para todos os leitores.
    Charles, Duque de Caxias-RJ.

  13. Mais um texto irretocável de Sônia Felipe. Como é possível ser vegetariano e consumir subprodutos advindos da exploração e crueldade contra os animais? O vegetarianismo já pressupõe que não se consome nenhum produto de origem animal. Tudo está tão evidente.
    Ovo-lacto/lacto-vegetarianismo não é vegetarianismo.
    Alguns comentários mostram o quanto a luta para para que os animais deixem de ser vistos como meros recursos a serviço do ser-humano é árduo. Inclusive observo muito especismo e desinformação dentro do movimento pelos direitos animais, o que esperar de fora..

  14. E incrível ainda é como muitas pessoas continuam a comer subprodutos da exploração animal como se não houvesse problema algum nisso, como se após serem explorados de forma cruel como máquinas de dar leite e ovos, os animais, quando não “servirem” para mais nada, fossem enviados a algum santuário para assim terminarem suas vidas dignamente…
    Comer qualquer subproduto da exploração animal é não reconhecer que eles têm os mesmos direitos à vida, liberdade, integridade.
    Sem contar que somos os únicos mamíferos que não desmamam nunca e que tomam leitinho de outras espécies. Ou melhor das espécies mais dóceis, domesticadas e facilmente exploráveis, porque ninguém se atreve a tomar leite de onça-pintada por ex.

  15. Aproveitando novamente esse espaço que é fruto de muito trabalho e de trabalho invejável, e onde me situo principalmente como admirador e observador, torno a fugir do texto da profa. Sônia que é, sem dúvida, alguém que deposito muita confiança e esperança por tudo que representa e pela próspera trajetória, para continuar com alguns dos meus pontos de vista.

    E serão poucos e perfeitamente renegáveis, caso os mestres dos silogismos assim acharem melhor. Não que não me importe, mas que assim seja. Não tenho treinamento para evitar isso e nem é esse meu objetivo. Pelo contrário, é me expor e, assim, colher um pouco daquilo que ainda não tive a oportunidade.

    Um desses pontos de vista é que, soberba a parte, muito do que leio aqui já sei faz muito tempo. E sei principalmente por meio daqueles que hoje são execrados por muitos, como o Peter Singer, por exemplo. Tenho certo encanto por ele independente de sua imperfeição, pois não é isso que busco e não consigo ser simpático com o que chamo da lógica do descarte, que defino como a abominação de algo quando esse algo não condiz precisamente com o que presunçosamente julgamos que devesse.

    Ainda sim, estou longe de ser o que vislumbro, longe de poder desfrutar de uma coerência interna, uma vez que não sou ignorante sobre meus minhas ações e omissões. E isso, talvez, me torne um dos piores, pois sei muito bem as conseqüências de minhas escolhas. Esbarro ainda no que me é peculiar. E esbarrar em si mesmo é frustrante, mas não definitivo. Exceto quem já nasceu com a pureza aqui pregada sabe disso. E não estou defendendo essa que pode ser chamada de uma postura conveniente, acomodada e adjetivos para isso não faltam. Saber não é sinônimo de praticar. Em breve, assim esperamos, será. Nem que pela imposição da lei.

    Deixo para os puros, e pelo tom dos debates, quase “arianos”, as pedras. No entanto, não me conhecem. Não sabem ao menos o que chamo de subprodutos. Muito menos em que grau de terminologias transito. Seria ele um ovolacto? Um vegetusiano? Um pouco de todos? Ou alguém que não consegue ter coerência interna porque ainda compra pneus para seu carro? Ou parte do seu ordenado paga de aluguel para uma imobiliária onde todos os empregados vão gastar seus salários investindo em churrascos nos fins de semana? Ou não se perdoa por consumir energia elétrica proveniente de usinas hidrelétricas que destruíram inúmeros indivíduos animais visto que, comparado às alternativas disponíveis, poderia viver perfeitamente sem eletricidade? Sei claramente que o que cito aqui são exemplos extremos, quase sofismas, quase besteiras, prato cheio para explicações repletas de premissas verdadeiras e falsas, passivos e ativos, bem diferentes de comprar queijo, ovos, margarina, água sanitária, entre tantos outros que não cabe aqui mencionar. Mas penso que a questão não é essa da pureza, dessa satisfação oriunda de uma das piores facetas da vaidade. “A vaidade das vaidades”.

    Outro ponto é o paradoxo. Concordo com as “pedras”. Elas são justas em termos. Nos tiram do ponto cego, da inocência como bem disse a profa. Sônia. Nos provocam e desmascaram. Ficamos nus perante nós mesmos e não gostamos do que vemos. E tudo isso empurra para adiante, em busca da coerência, para resumir.

    Mais um ponto tem a ver com as pessoas que, usando o Regan, chamei de “as de fora”, aquelas que carregam a utopia da mudança. Tenho convivido com tantas pessoas desse nosso atual momento histórico que estão começando a entrever a perspectiva que vou chamar de abolicionista para não usar os termos relacionados ao vegetarianismo. Digo atual momento histórico para usar um pouco do que David Sztybel defende (http://sztybel.tripod.com/Fundamentalismo_vs_Pragmatismo.pdf). Agradeço ao amigo! Considerando nosso momento histórico, essas pessoas podem ser o que são. Podem exalar incoerências diversas, hipocrisias mil. E muitas, nem todas é claro, querem chegar perto, saber mais, serem provocadas com respeito, tentar ir adiante. Enfim, sentirem-se amparadas e aconchegadas e não acusadas, segregadas e ofendidas, mas sim provocadas, ensinadas, ao menos toleradas. E, normalmente, essas pessoas são as que mais nos passam aquela sensação ótima de paz e aconchego (usando agora um pouco do Gikovate): alguns amigos, avós, pais, entre outros. Não trocaríamos a convivência com elas por nenhum sábio acadêmico. Pelo menos eu não, para não ser pretensioso ao ponto de generalizar. Temos que ter paciência, pois antes também sofríamos dessa que podemos chamar de uma cegueira e um dedo na cara mais afastaria que instigaria – e falo por mim novamente. E isso não é sinônimo de retrocesso. Imagino que aquele que é impotente perante nós merece alternativas de tratamento outras que as violentas, até que se prove o contrário – e isso seria uma situação extrema. Nesse caso, os argumentos estão a nosso favor. Os outros são impotentes perante eles. E como estamos usando esses argumentos? A violência já deixou de ser velada. Estamos nos tornando biscas universitárias. Nosso momento é delicado. Avançamos demais dentro e os que ficaram para trás nem sequer começaram a jornada.

  16. Juliano Zabka
    seu texto “ensina” bem como devemos escrever sobre assuntos espinhosos, não? Você dá prova disso, chamando de “arianos” aqueles que buscam limpar os conceitos que andam por aí a fazer a cabeça de muita gente sem que a elas seja dado o direito de pensar sobre seus reais significados. Quanto à “pureza”, tenho insistido que não é possível ser “puro” vegano em meio à ditadura do consumo de derivados de animais vivos e mortos. Mas é possível limpar a mente de conceitos equivocados, e depois disso realmente então decidir o que se quer fazer da própria biografia. Não sou “pura”, nem “nazista”. Apenas trato as palavras com muito cuidado, porque elas são a única coisa que distingue a mente humana de outras que não fazem uso desse instrumento. E, convenhamos, se é para distinguir, não deve confundir.
    um abraço vegano abolicionista
    sonia t.

  17. Charles,
    ocupar-se da etimologia das palavras não é tarefa apenas de filólogos. Também é de filósofas. Cada palavra que usamos está carregada de um sentido construído historicamente, e isso remete inclusive à origem, no tempo e no espaço, daquela palavra. A mente humana é formatada por palavras, elas são veículos para agilizar raciocínios e permitir fazer juízos, duas habilidades cada vez mais raras na mente de humanos. E, destituídos dessas duas habilidades fundamentais à mente humana, os humanos estão se deixando levar cada vez mais por estímulos virtuais, deixando que sua mente vaze e não retendo controle algum sobre os conteúdos fluentes que a assolam. Fazer filosofia é dar um instrumento para que os humanos voltem a ter o controle sobre o conteúdo do que pensam, e com isso, possam reconhecer o que estão fazendo no mundo.
    um abraço vegano abolicionista
    sonia t.

  18. Ué, na esteira do texto, por que não um abraço “vegetariano abolicionista”??

    Eu diria que ocupar-se do sentido das palavras não é trabalho privativo de nenhuma profissão, é antes um dever de qualquer mente crítica.

    Juliano, tornar-se bisca universitária é um perigo mínimo que deve ser enfrentado, se o objetivo é justamente substituir a intimidade e a conivência com o holocausto animal.

    Você não precisa trocar a convivência familiar por um sábio acadêmico, mas não deveria nunca aceitar o aconchego do laço comunitário se este laço exigir o sangue e a carne e os ossos de outra pessoa inocente, não na NOSSA época.

  19. Dra. Sônia T. Felipe

    Achei o texto excelente. Fico contente com os questionamentos surgidos, pois penso que é sempre positivo discutir o assunto, trazer à baila.

    É difícil mesmo chegar à conclusão de que se está enganando a si próprio.

    Já no início do meu curso de Direito aprendi a importância do correto significado das palavras, não por mero capricho ou purismo, mas por seus desdobramentos, pessoais inclusive.

    No caso em tela o texto não me pareceu nada preconceituoso, nazista ou radical, mas tão somente muito esclarecedor.

    Ficou claro que, dos diversos motivos para tornar-se “vegetariano tradicional”/vegetusiano, a compaixão pelos animais não se inclui nestas definições e isso que traz a indignação manifestada de alguns.

    É óbvio que deixar de comer carne em um dia na semana já é bom, todos os dias ótimo e por aí vai.

    Não se está indo pelo caminho do tudo ou nada, até porque o próprio veganismo e seu consectário abolicionismo é um eterno buscar.

    Aí temos que nos pautar pelo princípio ético de que, se não se pode fazer tudo, faça tudo o que puder.

    Obviamente que alguém dizer que respeita os animais e por isso se tornou “vegetariano tradicional” e ao mesmo tempo consumir leite, ovos, mel e outros subprodutos é desconexo.

    Também é fato que consumir estes subprodutos está muito longe do citado “tudo o que puder”. É como no caso do ecologista onívoro.

    O termo RADICAL sempre surge quando se fala de veganismo. É o mesmo que um senhor de escravos dizer que tem apenas um, ou um estuprador dizer que só estupra uma vez por ano, para não ser radical, é claro! É um evidente absurdo. Não há meio termo aí.

    Portanto, aos “vegetarianos tradicionais”/vegetusianos que o são pelos animais, fica o convite para que dêem o segundo passo, em seu tempo. É algo que certamente vem de dentro para fora, mas sua semente vem através de brilhantes textos como este.

    Aproveito o ensejo para parabenizá-la pelo livro Ética e experimentação animal – fundamentos abolicionistas o qual reputo excelente.

    Um grande abraço vegano e abolicionista, com muita admiração

    Julio Dornelles Goulart

  20. Obrigada, Julio!
    um abraço vegano abolicionista
    adorei saber que está na área jurídica, precisamos de profissionais nessa área com a mente esclarecida e domínio cristalino da línguagem nacional humana…
    sonia t.

  21. Outra coisa que pouca gente comenta é o uso do couro. Calçados, bolsas, acessórios, carteiras… tudo isso causa o mesmo sofrimento que o alimento.
    Muitos não têm consciência disso. Tal qual no caso da alimentação, acreditam ser um produto e raramente o olham como se viesse de um animal.

    E ainda tem quem se denomine “semi-vegetariano” por consumir somente peixe ou carnes brancas…
    Outro dia li uma matéria que falava de vegetarianas famosas no Brasil e incluia a Xuxa, explicando q ela comia peixe e frutos do mar uma vez por semana. Eu ri quando vi.

  22. Por isso, Glauce, dizer-se vegana não quer dizer afirmar que todos os hábitos já estão filtrados de qualquer produto de origem animal, e sim que abole de seu consumo, um a um, todos os produtos fabricados com derivados de origem animal. Isso é um projeto de vida. Quem abole o consumo de somente uma ou duas coisas de origem animal, e já acha que não tem mais nada para pensar na vida sobre seu compromisso de defesa dos animais, acaba praticando o especismo eletivo. Elege alguns animais que não acha necessário manter em seu consumo, mas continua a usar todos os outros, direta e indiretamente, não apenas na comida, mas em outras atividades diárias também.
    um abraço abolicionista vegano
    sonia t.

  23. Complicado…
    Achei o texto muito bom, também não poderia ser diferente vindo de uma pessoa admirável como a Sônia que eu tive o prazer de assistir palestrar em Rio Grande – RS, sábado passado.

    Bom, eu concordo c/ o texto, não acho certo me designar algo que na verdade não sou por preguiça de explicar às pessoas pq não sou, ou pq sou “quase”.
    Particularmente, jamais me considerarei vegana, sempre direi que sou quase vegana, ou que tento ser vegana. Não que eu tenha tirado certos produtos de origem animal de minha vida e ponto. Não, eu estou sempre lendo, trocando idéias, e buscando informação, para assim poder, cada vez mais, me ver livre do consumo de produtos que geram sofrimento aos animais.
    Eu não como a carne de nenhum deles. Não consumo leite e seus derivados, mas como ovos. Pq? Pq são ovos de galinhas criadas livres, apenas para postura. Alimentos industrializados ou caseiros comercializados que levam ovos eu não consumo. Esses ovos não estão gerando dor nem sofrimento como o leite e seus derivados geram, sei que o ideal é não usarmos mais os animais, mas sei também que cada um tem seu ritmo, uns levaram uma vida para despertar, outros vão morrer sem entender e muitos sem nem conhecer essas idéias. O mais importante para mim é ser consciente nos meus atos, e buscar fazer todo o possível s/ estagnar, se não tenho como dar esse passo agora tudo bem, vou tentar outro, mas s/ deixar de um dia novamente tentar. Eu acho sim que é relevante o ato de parar de comer carne mesmo que consuma todo o resto, pois serve de exemplo para outros, sim, exemplo, pois apesar da internet, da televisão, de toda a mídia existente o n° de pessoas que nunca ouviram falar em veganismo e vegetarianismo pelos animais é muito grande, e muitos dos que sabem da existência de vegetarianos acham que é apenas uma pessoa que não come carne, e mostrar que dá pra viver s/ carne para essas pessoas eu acho que é muito relevante sim, e acredito que se alguém prou o consumo de carnes pelos animais tem bastante chances de logo parar c/ os laticínios, ovos e todo o resto, mais longe disto está os que acham que se não comer carne vai ficar doente e morrer.
    Acho importante nos esforçarmos para abolir todas as formas de consumo e exploração de animais de nossas vidas, mas também é importante respeitarmos o tempo de cada um, assim como também acho importante o trabalho de consciência dos ovo-lactos em lembrarem que não são vegetarianos e que tem ainda alguns passos pela frente.

  24. O autor se repete demais. Bastaria mencionar UMA VEZ que quem busca vigor e se alimenta de produtos animais deveria ser chamado de vegetusiano. O texto, porém, repete o argumento a cada 3 linhas.

    Além do mais eu não vejo motivo pra toda essa mágoa e ressentimento em relação aos ovo-lacto vegetarianos. Tornar-se ovo-lacto vegetariano, em muitos casos, é o primeiro passo em direção ao veganismo. Foi o meu caso e o caso de diversas pessoas que conheço. E de qualquer forma ser ovo-lacto por si só já é muito melhor que consumir carne, seja pelo motivo que for. Se todas as pessoas se tornassem ovo-lacto vegetarianas não seria o fim da exploração dos animais, mas certamente pouparia a vida e o sofrimento de MUITOS deles.

    O texto tem um tom demasiado elitista, algo que infelizmente é bastante comum no meio vegano. Me parece que grande parte dos veganos estão mais preocupados em ter razão e em se sentirem melhores que as demais pessoas (sejam elas carnívoras, ovo-lacto vegetarianas ou mesmo vegans que por uma razão ou outra não são bons o suficiente) do que com os animais propriamente. Como se veganismo se tratasse de estar inserido num grupo restrito de “iluminados” que desprezam a humanidade inferior por seus modos bárbaros. Tenho certeza que esse tipo de atitude não beneficia os animais, não ajuda a conscientizar as massas, apenas aliena os veganos e aumenta o preconceito em relação às suas práticas.

    Se voltar contra ovo-lacto vegetarianos dessa forma, desqualificando-os e acusando-os de conservadores, falsificadores e usurpadores, é uma maneira de alienar pessoas que poderiam estar abertas ao veganismo caso fossem abordadas de uma maneira amigável.

    E no fim das contas, que grande diferença faz o termo utilizado? Parece que as pessoas tem uma obssessão por rótulos, como se eles importassem mais que o conteúdo. Me chamem de vegan, vegano, vegetariano, vegetarista, vegetusiano, vegatista ou qualquer outra coisa, isso não muda o que eu sou, o que eu acredito e o que é o certo. Um rótulo pode ser útil para a divulgação de um ideal, mas não se pode esquecer que lutamos pelo ideal e não pelo rótulo.

  25. Ben, se a luta pelos direitos animais fosse um desafio apenas pessoal, vc teria razão, mas é um desafio coletivo que precisa ser avançado no debate público, por isto importam os rótulos:

    para saber como temos sido representados e como essa representação afeta o modo como podemos representar a nós mesmos.

    Precisamos desafiar algumas compreensões (como “vegetarianismo = ovolacto”) e oferecer alternativas mais promissoras para a defesa dos animais e da ética (por ex: “vegetarianismo = vegetarianismo estrito”).

    E concordo plenamente que o tom elitista é infelizmente muito comum no meio vegano, como se o cerne da luta fosse nosso próprio aprimoramento (evolução espiritual e afins), e não os animais, como deveria ser.

  26. Um conceito não precisa coincidir 100% com sua etimologia para ser válido. De verdade, etimologia e conceito são aspectos diferentes de um termo e – mesmo aceitando que a etimologia de vegetariano venha de vegetais, como inclusive consta em dicionários etimológicos recentes – a verdade é que o termo foi utilizado pela 1ª vez em texto escrito (antes de definido pela Sociedade Vegetariana Britânica) justamente em contraposição a uma dieta que incluísse carne, sem sequer mencionar qualquer problemática dos derivados. Por um não-vegetariano.

    Há aspectos históricos relevantes para que o conceito de vegetarianismo fosse fixado por exclusão (“não comer carne”) e incluísse ovos e leite entre as possibilidades, ao contrário de peixes, por exemplo. E um conceito que leva a história em consideração também é válido.

    O abandono da sociedade por Donald Watson e outros membros e a criação do termo VEGANO, pra mim, é um fato histórico muito mais relevante do que tentar desconstruir um termo já fixado, historicamente correto(e aceito por todas as sociedades vegetarianas e veganas ocidentais).

    Sem contar que as conseqüências ideológicas dessa mudança, bom, são nulas.

    Portanto, continuarei considerando “vegetariano” como um termo equívoco, designando tanto um gênero (que inclui ovolactovegetarianos e variantes) como uma espécie (e, nesse caso, vvegetariano estrito).

    Sou vegana, aliás.

    Atenciosamente

  27. É preciso perguntar a quais interesses servem os usos equívocos de “vegetariano”, se são moralmente defensáveis e se devemos nos unir a eles.

    Como já sabemos (e não é de hoje) que há tanto sofrimento animal em leite, ovos e derivados quanto num pedaço de bife, querer confundir as pessoas misturando posições éticas defensáveis e indefensáveis numa mesma categoria (ovolacto = vegetariano) é claramente um desserviço ou má-fé.

    Alguém por acaso pensa que a diferença é nula entre “direitos dos homens” e “direitos humanos”? Também não…

  28. Namastê Dra.Sônia. Faz tempo que acompanho vc, inclusive me econtrei pessoalmente com professor Leon Denis pra discutir o assunto. Sem muita conversa, apenas quero reafirmar meu apoio INCONDICIONAL ao veganismo e ao vosso maravilhoso trabalho filosófico. Os animais agradecem e a comunidade das mentes iluminadas lamentam aqueles que ainda se debatem no costume absurdo de explorar e matar seres sencientes.
    Estou com vc. E pode ter certeza que todos Budas, Avatares e Divindades ahímsicas também.
    Quem gandhi, mahavira e todos vegans eternos continuem abençoando sua mente racional e compassiva.
    Namastê Dra. Meus sincero abraço e admiração.

  29. Maravilha!!!Depois da inconsistência do orkut, isto aqui foi extremamente gratificante para mim, embora algumas coisas estejam bem próximas de orkut, apesar de um pouco mais respeitosas.
    Boa informação e competência. Virei sempre aqui para não me esquecer que sou um ser pensante.
    Obrigada!

  30. Então, eu pensei muito a respeito desses termos – muito antes de ter lido este excelente texto.

    Entretanto, tenho algo a apontar. Conversando com uma professora da faculdade de educação da usp sobre sufixos, queria entender o correto uso de ANO e ista (em vegano e no, aparentemente usado, veganista).

    Segundo a professora, o sufixo ano denota proveniência. Como em alagoano, pernambucano, americano, vegetariano. Os sufixos ista/eiro denotam profissão, por exemplo: jornalista, jornaleiro.

    Assim, ista seria usado para denotar o grau de intelecto involvido para com a profissão: estadista, musicista, etc.

    Na prática existem corrupções, e muitas! Por exemplo, maconheiro, budista, etc. Mas o uso geral dos sufixos prevalece.

    No que diz respeito ao primeiro, entretanto, a professora me apontou para um fato o qual não havia prestado atenção: ANO significa proveniência. Mas ninguém pode ter como origem vegetais.

    A DIETA, entretanto, pode ser vegetariana. A pessoa que abdica de comer carne não passa a ser “dos vegetais”… ela passa a ser herbívora (uma designação que não tem nada haver com a capacidade digestiva, mas para com os hábitos alimentares de um animal)

    Espero que isto possa contribuir para com as suas análises. Se não, ainda assim, agradeço por manter a discussão acesa. 🙂

  31. O texto é perfeito! Como vc pode se denominar vegetariano, se vc come ovo ou tome leite… São vegetais? Não! Vegetariano tem alimentação vegetal, não come nada de origem animal… PERFEITO!!!

  32. Não critico ovo-lacto-vegetarianos porque um dia fui uma, antes de virar vegana. Porém, acho absurdo quando vejo “vegetarianos” (ovo-lactos) que fazem discursos e mais discursos sobre como é digno o ENORME sacrifício deles ao não comer carne. Como se mais nada pudesse ser feito.

    Olha, é digno. É mesmo. Mas é só um começo. Fico muito triste em ouvir da boca de pessoas que afirmam amar animais, ter “dó” deles e ser contra o sofrimento animal me dizerem que sou RADICAL, XIITA. Cara, ser vegetariano é o começo, é o primeiro de muitos passos. Não se acha o mártir do mundo, um zen budista salvador de animais só porque você não COME o animal. Se você USA o animal, COME o fruto de seu sofrimento, TOMA seu suado leite, que deveria estar na boca de seus filhotes, não de humanos, você ainda tem muito o que melhorar.

    Claro que cada um tem seu ‘click’. Não adianta ficar pressionando, julgando. A pessoa tem que expandir a consciência e, para isso, tem que ser respeitada. Então, como vegana, respeito ovo-lactos. Mas só quando eles, no mínimo, assumem que não fazem todo o possível. Se eles querem ou não, vai da consciência. Agora, ao menos admitir que fazem uma parcela.

    Quanto à ovos e leite de animais de fazenda familiar, caipira, enfim, só digo algo. Esses animais NÃO PRODUZEM PARA HUMANOS. SEJAM CAIPIRAS, AMADOS, ACARICIADOS, SEUS CORPOS AINDA PRODUZEM PARA SUA NATUREZA. E NÃO PRA MARMANJO. Sem querer ser bruta, desculpem o CAPS, mas eu e nenhum humano preciso de leite e ovos. De nenhuma procedência.

    Tenho orgulho de ser vegana. O termo vegetariano, tenha sido roubado ou não, não mais me pertence. Eles ainda tem que resolver o que querem dizer com vegetariano. Eu tenho o termo vegan muito bem definido. Não é rótulo, é orgulho. Não é pra me achar, é pra dar nome ao meus estilo de vida.

    Abraços sem crueldade e sofrimento e com muito respeito!

  33. Sem radicalismos, cada um faz o que pode e consegue para defesa e proteção dos animais! há diferentes limites para cada pessoa e penso que um ser humano que, por exemplo, resgata animais abandonados nas ruas, como gatos, cavalos e cachorros, trata, cuida e adota ou encaminha para adoção, ou ainda aqueles que lutam pelo fim do tráfico dos animais selvagens ou pela conservação do meio ambiente, tem tanta coragem e mais ação do que alguém que vive fazendo discursos e somente para de comer qualquer produto de origem animal. RESPEITEMOS TODA E QUALQUER AÇÃO VÁLIDA EM PROTEÇÃO DOS ANIMAIS, AINDA QUE SEJA APENAS NAO COMER SUA CARNE!

  34. Todas as ações que visam proteger os animais são válidas, por mínimas que sejam. Os seres humanos têm suas limitações e aqueles que simplesmente agem, recolhendo animais nas ruas, adotando, combatendo o tráfico, implementado programas e projetos de proteção animal, TÊM TANTO OU ATÉ MAIS VALOR DO AQUELES QUE VIVEM FAZENDO DISCURSOS E SOMENTE PARAM DE COMER QUALQUER PRODUTO DE ORIGEM ANIMAL.

  35. Concordo com a Lenisia!
    Isso eh o que a industria da carne quer, que sejamos todos extremistas: ou se eh vegetariano “verdadeiro” ou entao, vamo pro churrasco! O ser humano eh, sim, falho, e demora pra deixar velhos dogmas para tras – mas eu creio, SIM, que qualquer esforco em diminuir o consumo de orgigem animal ja eh valido, eh um passo a mais em direcao da liberacao animal SIM! Ora bolas! Pra que desmerecer as acoes pequenas dessa forma, Sonia?

  36. Bom, concordei até certo ponto com a Lenisia. Bom seria se todo vegano botasse a mão na massa e lutasse fora do prato também… E claro, bom mesmo seria se quem bota a mão a massa fizesse uma revolução em todos os aspectos do seu estilo de vida.

    Beleza, até aí ótimo. Agora o ‘até mais valor do que aqueles que vivem fazendo discursos e SOMENTE param de comer qualquer produto de origem animal’, doeu. Doeu mesmo… Não é tão simples, não é tão fácil, não é SOMENTE e é sofrido. Vai ver como é fácil você cortar metade das coisas que você inocentemente comia porque tem joaninha triturada. Ou porque tem vitaminas testadas em animais. Deixar de tomar vacinas porque, antes, elas foram testadas nos mesmos cachorrinhos que um dia poderiam ter sido resgatados na rua. Cara, é tudo menos SOMENTE.

    Aliás, como vegana eu me dou o direito total de fazer discursos. Luto uma luta diária pra ter esse direito. Se pra você todo discurso é vago, pra mim do discurso vem o entendimento.

    Enfim, admiro todo mundo que se eforça -do seu jeito- pelos animais. Até aquela criancinha que deixa de matar formigas porque tem dó. Tudo é válido. Mas realmente quero acreditar que quem sobe um degrau, pode subir a escada toda, sem medo. Isso vale pra veganos, vegetarianos, ativistas e tudo o mais!

    Inté!

  37. Não levo o veganismo como religião. A compreensão do que tem vida e do que sofre é sempre feita em nossas próprias perspectivas.

    Por isso só podemos sentir pena do que nos é semelhante. Não podemos entender a dor de uma planta, muito menos sua vida.

    Veganismo para mim só é válido quando não tenta ser um moderador, mas sim um estimulador de uma nova perspectiva.

  38. Com todo respeito aos ovolactos mas esse papo de galinha solta é papo furado!

    Passa a impressão que precisamos de ovos e leites e nós vegans somos a prova viva que isso é mentira!

    Parabéns pelo texto Sônia!
    Mas, não entendi um ponto afinal da onde surgiu o termo “vegetariano” já que esse lance de vegetus foi criado!

    Se possível me responda por e-mail !
    Obrigado !

  39. Com o advento do veganismo, não tem mais porque ficar filosofando sobre que termo deveria ser o que. Eu mesmo acredito que os veganos daquela época é que estavam errados, tentando forçar a mudança da definição de vegetarianismo para que fosse um comportamento ético para com os animais. Antes tivessem feito o que fizeram em 1944 (criar o veganismo) com mais antecedência.

    Deixem os vegetarianos em paz, eles só seguem uma dieta, e não por ética, afinal, vegetarianismo não tem nem nunca teve nada que ver com ética. Só os vegetarianos “éticos” que merecem as críticas.

    O veganismo veio para separar quem está preocupado com uma dieta (os vegetarianos) e quem está preocupado com respeitar os direitos animais (os veganos). Dito isto não tem mais que se ficar filosofando sobre coisas que não tem relação (vegetarianismo com veganismo). Tem-se sim é que se educar as pessoas no sentido de não verem o veganismo como se fosse uma dieta (o vegetarianismo estrito), ou como se a dieta do vegano estivesse separada ou fosse mais importante que todo o restante do boicote praticado. Ou ainda que pensem que veganismo e vegetarianismo são a mesma coisa.

    Dirijam suas forças neste sentido que será muito mais proveitoso.

  40. Infelizmente a autora erra ao afirmar que “Veganos são vegetarianos no sentido autêntico do termo.” Não é verdade. Vegetarianismo sempre foi e sempre será uma dieta. DIETA. Veganismo não é uma dieta, e se fundamenta nos direitos animais. O fato é que queriam mudar o significado do vegetarianismo e não conseguiram, então criaram o veganismo, coisa que deveriam ter feito antes de criar caso com os vegetarianos e inventar que vegetariano não vai em circos com animais ou não usa produtos testados em animais.

    E dizer que: “A única saída para a saúde e vigor, sem violência contra fêmeas de outras espécies, é a díaita vegana.” também não é fato, já que não pescar ou não usar lã nada tem que ver com saúde e vegetarianismo/vegetusianismo!! Pode ter a ver com o vegetarianismo estrito, mas não com o veganismo.

    É péssimo ver textos escritos por veganos relacionando veganismo com vegetarianismo… deveriam ser os primeiros a prezar pelo correto significado das palavras.

    Como eu disse no comentário anterior, ao invés de legitimar o ato dos veganos de ontem em forçar a mudança de significado de vegetarianismo, deveriam, agora que já temos uma palavra para nos descrever (veganismo), cuidar para que ela não se perverta como vem acontecendo: Já dizem que veganismo é só mais uma dieta vegetariana, desconsiderando totalmente a lógica por detrás do termo (direitos animais), e a história (a separação dos veganos da Vegetarian Society e a criação da Vegan Society).

  41. Nossa, o texto magnífico de Sonia conseguiu balançar os ânimos de vegetarianos, vegetusianos e veganos. Uma senhora aula de esclarecimentos, ainda muito necessária. Adorei.
    Irinéia Coêlho.

  42. Adorei o texto, muito bom, explicativo, mas pouco convincente.

    Sou semi-vegetariano (ainda como peixes e laticínios) e adoro o vegetarianismo por causa da saúde que gozam as pessoas que o praticam. Minha vida está mudando depois que me adaptei a um estilo de vida naturalista.

    Achei ridícula a abominação do mel e dos ovos. As galinhas não sofrem pra por ovos. É um processo natural delas. As galinhas dos vegetarianos não pôem? São estéreis? kkkkkkkkkk

    Ridícula também a tese do mel. Nunca soube que abelhas sofriam pra produzir o mel, além de ser um excelente alimento rico em nutrientes.

    Muito bom, mas cheio de abobrinhas.

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