A diferença entre escolha e violência


Escolha: atitude que eu tomo por vontade espontânea e consciente e que, ao mesmo tempo, se sustenta em não ferir o direito à escolha, à liberdade e à vida de um outro ser.

Não é nada complicado entender isso, no entanto, as pessoas insistem em chamar de escolhas algumas ações que invadem o direito do outro. Comer carne, por exemplo, invade o direito à vida e à liberdade do animal que está sendo consumido: quem consome o produto derivado da exploração e do sofrimento animal faz uma “escolha”, no entanto, com essa “escolha”, vai-se embora o direito à vida do ser que está sendo consumido. Não se trata de uma escolha: nesse caso, é violência.

Enquanto a minha escolha toma do outro alguma coisa vital para sua existência, deixa de ser escolha para se tornar uma violência.

Hoje mesmo, conversando com um amigo sobre a importância de hábitos sustentáveis, coloquei a questão do veganismo como atitude primeira para minimizar os impactos ambientais e como condição básica para levarmos uma vida verdadeiramente sustentável.

Claro que ele me respondeu, bastante incomodado, que “devemos respeitar a opinião do outro”. Um pensamento nocivo, perigoso: pois justifica o erro e faz com que permaneçamos nele.

Então eu coloquei a seguinte situação: chegam à Terra visitantes verdinhos de um outro planeta. Soberanos, eles resolvem, como quem escolhe uma roupa ou uma fruta na feira, que nós humanos seríamos uma boa pedida para o cardápio do almoço do dia seguinte. Respeitaríamos a “escolha” deles?

Os ditos ambientalistas também respeitam a “escolha” dos pecuaristas, dos criadores de animais, da indústria de produção de carne para consumo. Mas, se não é o direito à vida dos animais explorados para o consumo de carne, o que é, então, que os ambientalistas carnívoros respeitam? Também não é o planeta, naturalmente.

Existe, ao menos aparentemente, alguma grande dissociação que insiste em não se desfazer na cabeça deles. Um lapso, uma lacuna gigantesca. Pois se eles se preocupam com o planeta, por que não enxergam o principal causador da destruição da vida na Terra? Não sejamos ingênuos. Seria um mistério se não fosse indolência: os “defensores da natureza” ainda consomem carne e produtos derivados da exploração animal porque não querem mudar os seus hábitos. Querem apenas fazer seus discursos e falar sobre os seus conceitos de sustentabilidade. Que escolha fazem eles? Nenhuma, são exploradores como os outros que comem carne. Fazem a violência, em vez de escolhas.

Saibamos o que é escolha e o que é violência, para lembrarmos sempre de que não temos direitos sobre a vida do outro. Quem sabe, nosso incerto futuro nos reserve alguma experiência parecida com essa do cardápio, para que, definitivamente (se não tarde demais), tenhamos alguma noção do que seria a verdadeira liberdade de escolha.


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