Aves (en) cantam sazonalmente


Foto: Reprodução/Ciência Hoje
Foto: Reprodução/Ciência Hoje

A primavera é, geralmente, anunciada pelo chilrear dos pássaros – a época é a preferida dos animais para acasalarem. Pesquisadores da Universidade de Oxford identificaram um gene na galinha que reproduz uma molécula sensível, na região do hipotálamo, no cérebro das aves e que é responsável pelo seu comportamento e a capacidade de sentir a estação primaveril chegando. Se tudo correr bem, seis a oito semanas depois aparecem os primeiros pintinhos.

O canto das aves, na primavera, é ativado por essa sensível molécula que lhes desencadeia necessidades reprodutivas, segundo Russel Foster, docente da instituição e pesquisador responsável pelo estudo. A pesquisa adianta que a molécula funciona como receptor no cérebro e detecta mudanças na duração do dia – quando o sol se põe mais tarde e os dias ficam mais longos.

Da equipe de pesquisa faz parte a portuguesa Susana Salgado Pires, aluna do programa doutoral GABBA e recentemente doutoranda em Biomedicina/Neurociências, na Universidade de Oxford. “Como resultado, o artigo foi aceito na ‘Current Biology’ e descreve o isolamento e caracterização de um fotoreceptor localizado no cérebro das aves”, escreveu a estudante ao “Ciência Hoje”.

Susana Salgado disse ainda que se julga ser “este fotoreceptor o responsável pela capacidade das aves para perceberem a mudança na duração dos dias, inferirem sobre a estação do ano e adequarem o seu comportamento (migração, reprodução, etc.) a mesma, gerando a conhecida sazonalidade/photoperiodismo. Apesar de esta ser uma observação que tem vindo a ser investigada ao longo de dezenas de anos, pode ser a primeira explicação molecular para o fenômeno”.

Acasalamento com data

Foto: Reprodução/Ciência Hoje
Foto: Reprodução/Ciência Hoje

A “sincronização” do acasalamento para esta altura do ano é uma boa forma de assegurarem alimento para os seus filhos. Pesquisas anteriores já demonstraram que as aves não usam os olhos para medir o número crescente de horas de luz do sol, mas contam com uma determinada área no cérebro. Isto é possível porque o crânio dos pássaros e o seu tecido cerebral deixam passar bastante luz.

A molécula identificada pertence ao grupo de fotopigmentos conhecidos como VA Opsins – não interferem com a visão, mas detectam sutis mudanças de luz ambiental, como o amanhecer e anoitecer. Quando este gene está ativo nas células nervosas provoca uma espécie de sinal eléctrico em resposta à luz.

Fonte: Ciência Hoje


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