Circo Ringling Bros. and Barnum & Bailey é acusado de tortura e abuso de elefantes


Por Adriane R. de O. Grey  (da Redação – Austrália)

“Os elefantes são os mamíferos que possuem os maiores cérebros da face da terra. Eles são criativos, altruístas e gentis. São capazes de usar ferramentas para limpar as patas e até para desenhar na areia e coçarem-se nos lugares mais inacessíveis. Eles se comunicam por frequências de som muito baixas, imperceptíveis para ouvido humano, a não ser quando provido de equipamento auditivo sofisticado. Imagine como deve ser para estes animais inteligentes serem subjugados pela batuta de um “bullhook” – um bastão parecido com os que se usam em lareiras, com um gancho de aço na ponta – a cada momento de suas vidas. Ainda assim, esta é a vida dos elefantes usados em circos, constantemente agredidos e mantidos acorrentados, às vezes, por dias consecutivos.” (Ingrid Newkirk, presidente e co-fundadora do PETA, tradução livre)

Em 22 de julho último, o PETA divulgou um vídeo investigativo de 4 minutos de duração como mais uma entre tantas provas dos maus-tratos a que os elefantes do circo Ringling Bros. and Barnum & Bailey são submetidos diariamente, na esperança de favorecer os animais no veredito de um processo que se arrasta há quase dez anos nos Estados Unidos.

As imagens captadas entre janeiro e junho de 2009 mostram os onze elefantes atualmente pertencentes ao Ringling Bros. – em sua maioria capturados nas selvas asiáticas desde 1957 – sendo vítimas sistemáticas de abusos pelos seus “tratadores”. 

Aparecem no vídeo do PETA oito empregados do circo torturando os animais, enquanto o Ringling, sem pejo, argumenta ter uma atuação fundamental na preservação do elefante asiático. Dentre estes oito funcionários, dois seriam pessoas mais “qualificadas” da equipe, como um superintendente e um treinador chefe, denotando que a escolha pela abordagem desumana não provém da falta de experiência ou de informação, mas de um padrão de tratamento recorrente no circo há décadas. Surras, chicotadas e choques elétricos são atividades rotineiras de “treinamentos” e “disciplina” nos tristes bastidores do Ringling. A estrela do espetáculo dos horrores é um instrumento chamado “bullhook”, desenhado especialmente para o controle de elefantes: constitui-se num cabo de madeira, fibra de vidro, plástico ou metal com um gancho de aço na ponta usado para machucar e subjugar o animal. O Ringling Bros. usa o “bullhook” repetidamente para bater, tormentar e intimidar seus elefantes com o intuito de fazê-los “se comportar bem” e apresentar ao público os truques estúpidos, confusos e, muitas vezes, perigosos exigidos pelo “tratador”.

Treinador agride elefantes antes do espetáculo (Imagem: PETA)
Treinador agride elefantes antes do espetáculo (Imagem: PETA)

Apesar de parecer resistente, a pele dos elefantes é extremamente sensível, especialmente nas áreas que circundam a cabeça, as orelhas e o tronco. A sensibilidade epidérmica é tanta que, na natureza, os animais cobrem-se de lama e poeira para não sofrerem queimaduras solares. No vídeo recém liberado pelo PETA, um investigador infiltrado documentou pelo menos 30 ocasiões em que os elefantes e tigres são açoitados, inclusive na face. Os chamados lugares “secretos”, aqueles que o público não vê e que são também os mais vulneráveis, mostram-se preferidos entre os “treinadores” para o açoite, como atrás dos joelhos e das orelhas, na barriga e embaixo do queixo.

Os elefantes são animais de natureza nômade que caminham muitos quilômetros por dia. No circo, vivem acorrentados por períodos mínimos de 26h e são soltos somente para o picadeiro. Este período pode estender-se até 100h, em viagens mais longas realizadas pelo circo, que acomoda seus animais em carros pequenos, sujos e com pouquíssima ventilação. Subjugados a esta condição deprimente e degradante, muitos elefantes debatem-se neuroticamente, como mostraram evidências apresentadas no Tribunal Federal de Washington, D. C., no julgamento do circo no início deste ano.

Entre tantos horrores, o vídeo registra, ainda, um elefante fêmea com comportamento recorrente de estresse psicológico severo. Tonka, como é chamada, já nasceu cativa e privada da oportunidade de desfrutar de sua herança e instinto natural no falido parque temático Circus World, empresa então pertencente ao mesmo proprietário do Ringling Brothers and Barnum & Bailey Circus. Apesar de sua condição evidente de estafa, Tonka, por  meio dos instrumentos açoitadores, foi intimidada e forçada a entrar no palco noite após noite em que o informante da PETA esteve no circo.

Tudo isso aconteceu, explica Newkirk, do PETA, enquanto o Ringling Bros. já estava sendo julgado pelo Tribunal Federal de Washington, D. C., como uma empresa que infringe o Ato Federal das Espécies Ameaçadas de Extinção (Endangered Species Act – ESA), de 1973.

Há quase dez anos, quatro organizações protetoras dos animais, The Fund for Animals, American Society for the Prevention of Cruelty to Animals, The Animal Protection Institute, the Animal Welfare Institute, e o cidadão Tom Rider, ex-funcionário da empresa, processaram o Ringling Bros. and Barnum & Bailey Circus e sua empresa matriz, a Feld Entertainment,  sob a alegação de violarem o Ato das Espécies Ameaçadas de Extinção (Endangered Species Act) por meio de seu treinamento e disciplina cruéis e abusivos.

O circo Ringling Bros. and Barnum & Bailey está se tornando cada vez conhecido na sociedade norte-americana por maltratar e abusar de animais, com casos de crueldades registrados desde 1929. De 1992 para cá, pelo menos 26 elefantes morreram sob sua “tutela”, 4 dentre eles eram bebês. Benjamin, de dois anos de idade, morreu fugindo de seu treinador, que o perseguia com um “bullhook”. Kenny, de quatro anos, foi forçado a apresentar-se em três shows quando estava extremamente doente e não resistiu. O elefantinho Riccardo, filho de Shirley, que foi usada para procriar aos 7 anos de idade, sofria de problemas ósseos congênitos devido à gravidez precoce da mãe. Aos oito meses de idade, caiu de um pedestal no circo, fraturando as pernas traseiras tão severamente que acabou sendo sacrificado. A bebê Bertha, de onze dias, morreu no verão de 2005 sem ter sequer seu nascimento anunciado à sociedade e à imprensa pelo circo.

Depois de passar cinco anos tentando impedir que seu julgamento ocorresse no Tribunal Federal, as intenções do Ringling Bros. and Barnum & Bailey Circus e da Feld Entertainment sucumbiram em agosto de 2007, quando o juiz federal Emmet G. Sullivan, responsável pelo caso, determinou que o processo seria levado à corte.

Em 2009, o circo e sua empresa matriz ficaram sob a luz dos holofotes, desta vez não do picadeiro, mas da imprensa. Aconteceu o julgamento há tanto protelado, que consistiu em sessões consecutivas que se prolongaram por seis semanas, começando no dia 4 de fevereiro e encerrando somente no dia 18 de março. Os autores do processo apresentaram provas contundentes de que os elefantes são sistematicamente submetidos a abuso e maus tratos pelo Ringling, desde vídeos e fotografias até testemunhos de antigos funcionários, bem como documentos da própria empresa atestando o descaso para com seus animais, além de relatórios investigativos do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA – United States Department of Agriculture) que desde 2000 tem citado o Ringling por violações ao AWA (Animal Welfare Act).

Para a decepção de muitos e desespero diário dos animais, no entanto, mais de 5 meses depois do encerramento do julgamento, ainda não houve a divulgação da sentença pelo Juiz Federal Sullivan. Espera-se que este vídeo recém disponibilizado pelo PETA para a sociedade civil e a mídia possa ajudar “o espetáculo mais triste da terra” a terminar. No site especialmente organizado pelo PETA para defender esta causa, há mais informações e documentos dirigidos às autoridades norte-americanas que se podem assinar manifestando nosso apoio.

Fontes: http://www.ringlingbeatsanimals.com/
http://www.care2.com/causes/
http://www.bornfreeusa.org
http://www.hsus.org
http://www.awionline.org
http://www.circuses.com/feat/babykillers/factfiction.html


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