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Quatro tartarugas-marinhas têm uma nova oportunidade de vida

26 de julho de 2009
3 min. de leitura
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Foto: Ana Sofia Varela
Foto: Ana Sofia Varela

Fauno, Gulliver, Golias e Gizmo foram o centro das atenções, porque se encontram entre as sete espécies de tartarugas-marinhas ameaçadas (tartaruga-comum ou Caretta caretta ) e foram libertados no oceano, a 20 milhas de Portimão, numa ação do Zoomarine e da Marinha.

A preservação das espécies e dos valores ecológicos são um valor importante para a Marinha, que sempre que pode colabora, disse o comandante da Zona Marítima Sul Marques Ferreira.

E a verdade é que não é a primeira vez que a Corveta João Coutinho colabora com estas iniciativas. É uma ação frequente. No caso de tartarugas, esta é a segunda vez que participamos, revelou o comandante Oliveira Inácio.

Antes da partida para alto mar, junto ao cais não havia agitação, nem sinais da azáfama citadina. Já na Corveta a movimentação era constante.

A tripulação distribuía coletes salva-vidas e os técnicos do Zoomarine preparavam as caixas, onde estavam as tartarugas que duas horas mais tarde viriam a nadar em liberdade.

Indiferentes ao que se passava fora do seu pequeno mundo, iam sendo refrescadas com água, sob o olhar atento do grupo de crianças de instituições apoiadas pelo Rotary Club de Faro.

Com tudo a postos, soaram os apitos da Corveta no silêncio do estuário do Arade: a viagem começara. Havia que preparar o espírito para os balanços do barco e para a importante missão. É que as tartarugas tiveram sorte ao ser encontradas e levadas para o Porto d’Abrigo no Zoomarine.

Duas foram salvas por aquela que é já uma das grandes comunidades de salvadores: os pescadores. Outra vivia em um restaurante em um aquário, uma situação ilegal porque são espécies ameaçadas. E a última foi vista por mergulhadores, que acharam que a tartaruga estava apática, o que se veio a confirmar, contou Élio Vicente, director de Ciência e Educação do Zoomarine.

Os problemas nos pulmões, as feridas feitas pelas redes de pesca ou hélices e até os parasitas externos na carapaça e na pele são comuns nas tartarugas que aparecem para ser reabilitadas, acrescentou. No entanto, os répteis também podem estar debilitados por causa da migração. 

 Élio Vicente já perdeu a conta do número de tartarugas e outros animais recuperados pelo Zoomarine. Nunca fizemos as contas, mas acredito que já devemos ter recebido cerca de 100 tartarugas, entre aquelas que aparecem à costa feridas, as que são confiscadas pelas autoridades ou as que são devolvidos por pessoas que não sabiam que não as podiam ter, revelou Élio Vicente ao barlavento.

Já batiam as 11 horas quando, nos semi-rígidos, as tartarugas faziam a sua última viagem de barco. Illya, com 12 anos foi uma das crianças escolhidas para libertar um réptil.

Ao pequeno aventureiro juntaram-se o Comandante Marques Ferreira, o presidente do Zoomarine Pedro Lavia e o presidente do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade Tito Rosa. De volta à Corveta, quase no final da viagem, a satisfação era geral.

A iniciativa dá um sentido real ao trabalho de todos os dias. Hoje cumprimos a nossa missão ao colocar os seres vivos nos seus habitats naturais, afirmava Tito Rosa, enquanto Pedro Lavia dizia ser comovente, porque há três meses não havia a certeza se este animal sobrevivia. Graças ao esforço dos técnicos e veterinários, recuperou e voltou à natureza.

Agora é esperar que estas mesmas tartarugas não voltem a aparecer na costa ou nos aquários das marisqueiras, podendo usufruir da segunda oportunidade de vida.

Fonte:  Barlavento

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