Mariana Hoffman

Não existe rodeio sem crueldade

O Brasil está se tornando um pólo da indústria dos rodeios, que movimenta todos os anos cerca de 2 bilhões de dólares nas mais de 1,2 mil festas de peão nacionais. O maior evento, em Barretos, recebe em torno de um milhão de pessoas, perdendo apenas para o Carnaval do Rio de Janeiro. Os números estratosféricos refletem a bonança da atividade agropecuária no Brasil, além da forte influência da cultura country norte-americana. São hordas de pessoas consumindo calças apertadas, chapéu de couro e música sertaneja. Tudo já no formato adequado ao consumo da grande massa: pouco conteúdo e muito barulho. Isso, por si só, já seria degradante. Porém, a faceta mais cruel dos rodeios se esconde nos bretes, onde o espectador comum não tem acesso.
Aparentemente, o boi “bravo” está lutando para não ser montado. Mas a realidade é que a maior parte dos bovinos e equinos utilizados nos eventos são animais pacíficos. As reações de saltar e corcovear se devem ao uso de instrumentos que comprimem regiões sensíveis, como a virilha e os órgãos genitais do animal, fazendo-o se debater na tentativa de se livrar do “equipamento”. Um dos mais utilizados é o sedem: espécie de cinta que é amarrada na virilha e apertada com força minutos antes do animal entrar na arena , causando muita dor. Também são utilizadas esporas e outros objetos pontiagudos sob a sela, substâncias abrasivas (como pimenta e terebintina) são colocadas no corpo do animal para que ele fique irritado e salte, choques elétricos e mecânicos também são aplicados aos animais que estão no brete para aumentar o estresse e gerar agressividade. Os que defendem a prática costumam alegar que o animal “trabalha” apenas 8 segundos (tempo em que o peão deve permanecer montado). Porém, os treinos também são feitos com os equipamentos, e há relatos de peões que treinam de 6 a 8 horas por dia.

Os abusos e maus-tratos são tão evidentes que já existe uma extensa literatura médica e legal condenando o uso dos apetrechos de rodeio. O site  www.odeiorodeio.com mostra uma série de laudos e pareceres, como o da professora Júlia Matera, presidente da Comissão de Ética da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo: “A utilização de sedem, peiteiras, choques elétricos ou mecânicos e esporas, gera estímulos que produzem dor física nos animais, em intensidade correspondente à intensidade dos estímulos. Além da dor física, esses estímulos causam também sofrimento mental aos animais, uma vez que eles tem capacidade neuropsíquica de avaliar que esses estímulos lhes são agressivos, ou seja, perigosos à sua integridade”. Uma vez evidenciados os maus-tratos, conclui-se que os rodeios são totalmente inconstitucionais. Mesmo assim, recebem a bênção do poder público e de diversas empresas que atuam como patrocinadoras.

Prova do laço: atrocidade

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Não é incomum que bezerros fiquem paralíticos devido ao tranco dado pelo laço em seu pescoço. Muitos sofrem lesões na coluna vertebral e traquéia.
“Testemunhei a morte instantânea de bezerros após a ruptura da medula espinhal. Também cuidei de bezerros que ficaram paralíticos e cujas traquéias foram total ou parcialmente rompidas. Ser atirado violentamente ao chão tem causado a ruptura de diversos órgãos internos, resultando em uma morte lenta e agonizante”.  Relato do médico veterinário E. J. Finocchio, publicado na revista “The Animals Agenda”

Está na Lei!

Lei dos Crimes Ambientais (Lei Federal 9.605/98), Art. 32: é crime praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos.

Alerta!

O vice-prefeito de Curitiba Luciano Ducci se mostrou simpático a prática dos rodeios, uma reivindicação do MTG (Movimento Tradicionalista Gaúcho). Durante cerimônia no Parque dos Tropeiros, após obra de revitalização, ele declarou: “Vamos trabalhar para que no ano que em 2009 se realize aqui no Parque dos Tropeiros o 1º Rodeio de Curitiba”.

Precisamos ficar alertas e mostrar nosso repúdio ao rodeio antes que eventos como esse se tornem rotina.

Bons exemplos

Ao contrário de Curitiba, outras cidades do país estão dando bons exemplos de cidadania e respeito aos animais. Através de leis municipais, São Paulo e Rio de Janeiro já proibiram os rodeios, touradas e afins. O mesmo foi feito em Sorocaba, Guarulhos e Jundiaí. Por decisão judicial, outras cidades também proibiram a realização do evento. São elas: Ribeirão Preto, Ribeirão Bonito, Itu, São Pedro, Bauru, Arealva, Avaí, Itupeva, Cabreuva, Américo Brasiliense, Rincão, Santa Lúcia, Boa Esperança do Sul e Cravinhos.

Boicote as empresas patrocinadoras de rodeios: Veja a lista completa no site: www.ativismo.com – click no link “boicote quem patrocina rodeios” e tenha acesso aos sites de cada empresa.

Mariana Hoffmann – É jornalista, educadora, vegana e ativista pela causa animal. Em 2008 deu início a um projeto de mídia independente – o fanzine  bimestral “Informe Vegano”, uma publicação de cunho abolicionista.

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