Glossário

Especismo

Conceito criado pelo psicólogo britânico Richard D. Ryder, em 1973. O especismo é definido como um preconceito contra seres de outras espécies que não a humana, fundado em critérios irracionais e pouco precisos. Como conseqüência desse preconceito, os interesses dos indivíduos de outras espécies ou são ignorados, ou são sempre vistos como secundários em relação aos interesses humanos, mesmo que sejam mais básicos que o interesse humano com o qual competem (por exemplo, o interesse do animal não-humano à vida comparado com o interesse humano à carne).

Já no século XIX o pastor protestante britânico Humphrey Primatt usava o termo “preconceito a favor de si mesmo” para descrever o preconceito dos seres humanos em favor daqueles de sua espécie. O conceito de “especismo”, entretanto, foi cunhado pelo psicólogo britânico Richard D. Ryder em 1973, partindo dessa mesma constatação de preconceito. Segundo Ryder, o seu conceito de “especismo” faz um paralelo com o racismo e o sexismo, no sentido em que estas formas de preconceito manifestam o desprezo pelo sofrimento do grupo discriminado e se baseiam em aparências exteriores superficiais, não em critérios objetivos e racionais, enfatizando as diferenças entre os grupos privilegiados e discriminados, em detrimento das semelhanças fundamentais compartilhadas por estes grupos. Tais formas de preconceito partem da presunção de superioridade de um grupo sobre outro e, ao mesmo tempo, servem de justificação ideológica para tal superioridade presumida e para a submissão do grupo discriminado. A conseqüência do especismo é que os interesses dos animais não-humanos são sempre postos em segundo plano quando em confronto com os interesses de seres humanos, mesmo que os interesses do animal sejam mais básicos (por exemplo, o interesse do animal em viver, em comparação com o interesse do ser humano em se alimentar de sua carne).

Para Ryder, o que deveria orientar nossa atitude em relação aos animais não-humanos não é a diferença de espécie, mas a senciência, característica definidora dos animais e partilhada por todos (ou quase todos) os animais, inclusive o ser humano. Portanto, seria irracional desconsiderar os interesses e necessidades básicos dos animais não-humanos simplesmente por eles pertencerem a outras espécies de animais que não a humana. Todos os teóricos posteriores da questão animal se valeram do conceito de especismo para defender seus pontos de vista. Peter Singer, filósofo utilitarista, defendeu que se aplicasse aos animais não-humanos o princípio da igualdade de consideração de interesses. Tom Regan contesta o especismo para defender que animais não-humanos têm os mesmos direitos básicos (ver “Direitos Animais”) que seres humanos com as mesmas limitações cognitivas, como bebês e pessoas com deficiências mentais. Gary L. Francione, por sua vez, argumenta que a senciência é um atributo suficiente para garantir direitos morais aos animais não-humanos.

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*Com adaptações do glossário do site “Sentiens” (www.sentiens.net).

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