Sofrimento animal

União Europeia apoia o abate cruel judeu e islâmico

Por Marcela Couto (da Redação)

Grupos dos direitos animais reagiram com horror à decisão da União Europeia de proteger os métodos de abate judeu e islâmico no início da semana.

Os judeus praticam uma forma de ritual de abate chamada shechita, enquanto os muçulmanos praticam a dhabiha. Nenhuma das duas formas precisará mais realizar o atordoamento (por exemplo, pistola pneumática) do animal antes do abate de acordo com a decisão. Muitos defensores dos direitos animais consideram a nova regulamentação condenável.

As novas regras da UE determinam que as técnicas de abate não devem causar sofrimento aos animais, descrito como “qualquer angústia ou dor”, mas ao mesmo tempo serão permitidas exceções explícitas para “ritos religiosos e tradições culturais”. Isso significa que a partir de agora a comida kosher e halal poderá ser comercializada livremente em todos os estados da UE.

O porta-voz do Peta US, Philip Schein, declarou: “Quando essas leis foram formuladas há milhares de anos, elas pretendiam minimizar a dor dos animais. De qualquer forma, com a produção em massa de alta velocidade dos dias atuais, o ritual do abate frequentemente ignora sua intenção original. Os animais abatidos de acordo com os métodos kosher e halal vêm das mesmas fazendas miseráveis que os animais enviados a abatedouros comuns. E sem o atordoamento prévio, os animais mortos de acordo com os métodos kosher e hala têm suas gargantas cortadas enquanto estão plenamente conscientes e sangram lentamente até a morte”.

Mas o Dr. Moshe Kantor, presidente do Congresso Judeu Europeu, declarou que o método de abate é um direito religioso: “Esta regulamentação protege os direitos fundamentais das minorias religiosas na Europa”.

O diretor da Conferência dos Rabinos Europeus, Aba Dunner, complementou: “A regulamentação permite que as comunidades religiosas fiquem isentas da necessidade de ‘pré-atordoamento’ ao abater animais para servirem de alimento. Ademais, nenhum membro de estado poderá impedir o comércio da carne abatida de acordo com a religião judaica em seu território”.

Fhuja Shafi, diretor do comitê de padrões alimentares do Conselho Muçulmano Britânico (MCB) disse: “Esta é uma questão de direitos humanos já que envolve a prática de nossa religião. É um método bastante humano de abate. A incisão feita com uma lâmina bem afiada causa uma morte rápida e não vemos problema nisso”.

Mas os ativistas dos direitos animais contam ainda com o apoio de ativistas seculares em sua indignação. Stephen Evans da Sociedade Secular Nacional (NSS) disse: “Essa é uma evidência clara da pressão que a religião exerce sobre os nossos legisladores. Aqui nós temos uma religião não negociável interferindo diretamente em uma legislação destinada a evitar sofrimento desnecessário. A nova regulamentação está dizendo basicamente que não há problema em causar sofrimento a animais, uma vez que você esteja motivado religiosamente”.

A decisão ocorreu quatro anos após o governo britânico ter rejeitado uma recomendação da Farm Animal Welfare Council de banir a prática de abate sem atordoamento prévio. Os grupos de direitos animais afirmam que as técnicas causam imenso sofrimento aos animais.

“Investigações clandestinas do Peta US em abatedouros religiosos revelaram que os animais frequentemente permanecem conscientes por minutos após o corte na jugular, além de serem submetidos a procedimentos extremamente dolorosos enquanto ainda lhes resta total sensibilidade à dor”, disse Mr. Schein.

Em um último esforço para tentar impedir a legislação, o NSS solicitou um encontro com Hillary Benn, secretária do meio ambiente, mas o grupo informou que seu pedido foi rejeitado.

“Nós temos o dever de cuidar dos animais. O ‘bem-estar’ deles é crucial, não apenas por razões éticas, mas também pela saúde e qualidade dos alimentos”, pronunciou Androulla Vassiliou, do EU Health Commision.

Em declaração o governo afirmou que não irá comprometer sua política de tolerância religiosa suspendendo a nova legislação, mas aumentará a fiscalização dos abatedouros padrões e suas técnicas de atordoamento. Ainda assim os estabelecimentos poderão continuar utilizando métodos controversos no pré-abate, como dióxido de carbono para porcos e perus.

Com informações de politics.co.uk

8 COMENTÁRIOS

  1. É impressionante como algumas leis humanas insistem em caminhar na contra-mão da evolução.
    Da genialidade do microship à bestialidade de atos desse tipo… (que só continuam existindo porque tem algumas criaturas involuídas que consomem).

  2. isto é um absurdo!Tudo bem ter liberdade religiosa mas isso envolve a vida de outros seres,um sofrimento desnecessário, é algo horrível e inadmissível, se não há problema, por que não liberar rituais de sacrifícios humanos?Todos sentem dor e medo!

  3. Pela Lei Judaica, não se pode comer um animal sacrificado.
    o problema é que vocês gostam de falar do que não sabem. a técnica do abate rial determina que o animal não pode ser sacrificado sentido dor, assim, a lâmina deve ser bem afiada para que ele morra imediatamente. diferente o que se imagina que atordoando o anila, ele não vá sofrer. muito pelo contrário, ele sentirá dor e depois será sacrificado ainda atordoado.
    Quem fala de ritual deveria antes saber que o abate riaual não passa de procedimentos e não de sacrífio como se faz em algumas religiões africanas (nada contra), mas falar sem ter conhecimento é um pré-conceito.
    mas comer um bifinho ou um amburguer, todo mundo quer… sem saber como o animal foi abatido, isso sim é crueldade.

  4. A Filosofia Kantiana descreveria a atitude de muitos seres humanos em simplície ignorância, primeiro por desconhecer a Shechitá, e segundo por defender ( contrariamente ), o método implicado sem antes fazer uma análise contundente quanto ao tema e a veracidade da acusação. É a Menor-Idade, a falta de verificação quanto aos argumentos propostos. Em resumo, sugiro que os leitores que se manifestem contra ou irão se manifestar, a antes pesquisar profundamente quanto ao método de abate kosher, pois demonstra este, segundo meu parecer, metodo eficaz quanto ao requisito de não provocar sofrimento aos animais. O Shochet ( abatedor ) efetua um golpe que a lâmina tipica para o abate atinge até os nervos da medula e de toda a massa nervosa, provocando o desligamento sensorial do corpo do animal, enquanto o esgotamento de sangue é suscedido e leva o animal à inércia em segundos.

    Já a pistola de ar, já não posso dizer que “desliga” estes sensores nervosos, e que também não evita a dissipação de neuroandrenalina na corrente sanguínea e outras neurotoxinas que irão alojar à carne do animal e servirem de alimentação para a população…

    Obrigado.

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