Para onde caminha a humanidade?


Por Rodrigo Guillermo Renan Hohagen
rodrigo_hohagen@hotmail.com

Sou vegetariano por opção desde as vésperas do meu sétimo aniversário.
Tudo começou na minha escola, ainda com seis anos. Em meados de 1974, eu ganhei um pintinho, amarelinho e super bonitinho, creio que tenha sido um hábito na época as escolas distribuírem filhotes aos alunos, uma espécie de brinde vivo. O que não deixa de ser um horror, mas enfim acabei descobrindo que aquele animalzinho lindo que eu alimentava todos os dias na verdade era o mesmo recheio daquilo que seriam os salgadinhos da minha festa de aniversário.

Não tive dúvidas em mandar um “PARA TUDO!!!” E a partir daquele ano eu não comi mais nenhum tipo de ave. Na verdade, a carne vermelha eu sempre rejeitei, desde bebê, e em todas as vezes que fui forçado a comer, de alguma forma eu coloquei tudo para fora.

Como todo vegetariano, fui descriminado. As pessoas teimavam em colocar que eu ficaria doente por não comer carne e até terrorismo meus tios fizeram comigo nas vésperas de servir o exército, o que graças ao bom Deus não aconteceu. Mesmo assim, sempre tive o apoio de minha mãe e de meus avós.

O meu avô foi o precursor da criação da “Carne de Soja”, não a proteína texturizada de soja (PTS), mas a carne de soja congelada em formato de hambúrguer, peças defumadas para feijoada ou seitan que foram muito vendidas nos anos 80 e 90 em restaurantes vegetarianos e macrobióticos, isso mesmo, tudo criação do meu avô!

Essa sojinha torrada que todos têm comido e que são vendidas até em mercado, também é criação do meu avô! E muitas outras coisas criadas a base de soja e que tinham o objetivo de alcançar a merenda escolar.

Não por interesse financeiro, mas sim por interesse na saúde, na reeducação alimentar e visando principalmente as crianças carentes. Meu avô fez todos os testes possíveis para a introdução da carne de soja na merenda escolar mas mesmo assim foi tudo em vão.
Mesmo provando a grande diferença em porcentagem do que aproveitamos da carne de soja em nosso organismo, de forma totalmente saudável, sem agredir o organismo e muito menos os animais e o meio ambiente, mesmo tendo uma validade de mais de um ano no congelador, não foi aprovado.

Tudo acompanhado, registrado e documentado. A indústria da carne vence e a população carente fica a mercê de cadáveres decompostos em suas refeições. Muitos anos depois a carne de soja foi colocada no mercado aberto, pois antes só era vendida em entrepostos e restaurantes vegetarianos ou adventistas.

Ela entrou no mercado com a marca “Alina”, mas por motivos de divergências familiares, a Alina foi um fracasso. Em seguida entrou a Soy Buena, essa sim deu certo até a desistência de meu tio com o produto. Na mesma época eu e minha mãe preparávamos uma degustação para a Perdigão. Eles queriam que eu preparasse lá mesmo na fábrica deles uma variedade de pratos com a fórmula do meu avô.
Foi um sucesso! Um auê danado, um sobe e desce de gente pra experimentar a nossa carne de soja.

O gerente de produção perguntou como faríamos para transformar o produto deles como o nosso, com a mesma qualidade e sabor. Eu fui objetivo e concluí que bastava tirar o produto deles e colocar o nosso no lugar, pois a matéria prima deles é diferente da nossa. Enfim, não aconteceu nada, não mudaram nada.

Eles têm um objetivo de venda que foca o público carnívoro e apenas lançaram algo na esperança de pegar essa fatia que vem crescendo a cada ano, nós, os vegetarianos, ou veganos.

Quando vejo a quantidade de pessoas que conheço que não comem carne, fico muito feliz. Penso muito para onde caminhamos, e muito além de um movimento ou até mesmo um modismo, as pessoas tem consciência, e muitos dos que não comem carne hoje tem a mesma iniciativa que eu tive aos seis anos de idade: não comer carne por compaixão, por respeito aos animais e à natureza!

Somos animais também e podemos viver de forma saudável e sem violência. Assim caminharemos para um futuro bem melhor, livres de hormônios desnecessários, com mais saúde e ética.

Gostaria muito que meu avô estivesse vivo ainda para poder ver o grande passo que a humanidade dá a cada dia, e para que ele visse também que a humanidade tem cura, num processo lento e lógico, de forma consciente, sem modismos e nem fanatismos. Trilhando o caminho do vegetarianismo pelos animais.


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