Exploração Animal


Por “exploração animal” entendem-se as atividades humanas que fazem uso de animais não-humanos, como a pecuária, a pesca, a apicultura, a experimentação animal (vulgarmente conhecida como vivissecção), a vestimenta, a caça, os zoológicos, o uso de animais em entretenimento (esportes, rinhas, circos, rodeios), para tração e transporte, o comércio de animais de estimação e outras formas possíveis de uso de animais que não estejam incluídas nessas categorias.

Tais atividades têm uma grande variedade de alcances e objetivos, não se restringindo à pecuária e à indústria alimentícia, uma das razões pelas quais o conceito de vegetarianismo tornou-se insuficiente no debate ético sobre as relações entre seres humanos e animais não-humanos.

Abaixo, apresentamos uma breve descrição das principais atividades que envolvem o uso de animais, ressaltando que elas não são as únicas existentes, nem as únicas às quais os defensores dos direitos animais se opõem. A idéia de que os animais não-humanos existem para o usufruto dos seres humanos é tão antiga e está tão arraigada nas sociedades contemporâneas que praticamente não existem ramos das atividades humanas que não façam uso de animais não-humanos. Cabe ressaltar ainda que, nas próximas linhas, serão descritas experiências dolorosas resultantes da forma de criação e manejo dos animais. Dessas descrições não se deve deduzir que nossa principal objeção à exploração animal seja o sofrimento físico por ela provocado; elas atendem à necessidade de tratarmos o tema de forma objetiva. Porém, é preciso deixar claro que, por princípio, defensores dos direitos animais se opõem a todos estes usos de animais, em quaisquer circunstâncias, não considerando que sejam mais aceitáveis os que causam menos dor, ou que outros tipos de uso seriam aceitáveis se o sofrimento físico por eles provocado fosse significativamente reduzido.

Abaixo, apresentamos uma breve descrição das principais atividades que envolvem o uso de animais, ressaltando que elas não são as únicas existentes, nem as únicas às quais os defensores dos direitos animais se opõem. A idéia de que os animais não-humanos existem para o usufruto dos seres humanos é tão antiga e está tão arraigada nas sociedades contemporâneas que praticamente não existem ramos das atividades humanas que não façam uso de animais não-humanos. Cabe ressaltar ainda que, nas próximas linhas, serão descritas experiências dolorosas resultantes da forma de criação e manejo dos animais. Dessas descrições não se deve deduzir que nossa principal objeção à exploração animal seja o sofrimento físico por ela provocado; elas atendem à necessidade de tratarmos o tema de forma objetiva. Porém, é preciso deixar claro que, por princípio, defensores dos direitos animais se opõem a todos estes usos de animais, em quaisquer circunstâncias, não considerando que sejam mais aceitáveis os que causam menos dor, ou que outros tipos de uso seriam aceitáveis se o sofrimento físico por eles provocado fosse significativamente reduzido.

Pecuária
Com certeza a forma de exploração animal mais difundida e socialmente aceita é a pecuária, com a criação de animais para a indústria alimentícia, seja por meio de sua carcaça, seja por meio de subprodutos (ovos, leite), e que também gera subprodutos para outros tipos de indústria (como o couro para a indústria do vestuário).
As principais espécies de animais criados para estes fins são bovinos, suínos, ovinos, caprinos, coelhos e aves, especialmente galináceos, patos e perus. No Brasil, por questões culturais, históricas e geográficas, as principais espécies usadas na pecuária são os bovinos, os suínos, os caprinos e os galináceos. Existe, em nosso país, atualmente, mais bovino que seres humanos.
A pecuária é responsável por uma série de abusos e violações de interesses básicos dos animais a elas submetidos. Os animais criados para alimentação vivem apenas uma fração da idade que poderiam viver em liberdade. Para se ter uma idéia, uma vaca pode viver mais de 20 anos em liberdade, mas em cativeiro, é abatida antes dos 5 anos. Bois vivem ainda menos, sendo abatidos entre 2 e 3 anos de idade. Com a manipulação genética e a eugenia, e diante da crescente demanda por carne, tem-se buscado criar bois que cheguem cada vez mais cedo à idade de abate, uma forma de criação conhecida como “novilho precoce”. Galinhas podem viver mais de 10 anos, e em cativeiro o abate se dá entre 2 e 3 meses.
No Brasil ainda predomina a pecuária bovina extensiva (em pastos, em vez de confinamento), em geral livre de hormônios. Isso não quer dizer que as condições de vida do rebanho brasileiro sejam boas ou aceitáveis, e é, de todo modo, uma situação que tende a se transformar nos anos vindouros, diante da pressão por “modernização” da pecuária e da demanda crescente pela carne brasileira (no país e no exterior, sendo o Brasil um dos maiores exportadores de carne do mundo). De modo geral, estes animais estão expostos a uma série de maus-tratos: mutilações sem anestesia (castração pela retirada dos testículos, corte de chifres), deformações causadas pela manipulação genética (as vacas, por exemplo, produzem 12 vezes mais leite do que o normal, muito em função da manipulação genética; esse leite excessivo causa dor, infecções e pode matá-la, se solidificando no organismo do animal), marcação a ferro. Certos tipos de doenças, mesmo que não sejam fatais, resultam no abate do animal, pois é economicamente mais interessante matá-lo que administrar um tratamento de saúde caro.
Um aspecto pouco difundido da pecuária é o destino dos animais envolvidos nas indústrias leiteiras e de ovos. Em geral ignora-se que este ramo da criação também envolve abusos que levam, em última instância, ao abate dos animais nela envolvidos. As vacas criadas por seu leite estão constantemente prenhes, para produzirem leite. Os bezerros, que naturalmente mamam por pelo menos 6 meses (mesmo tempo do ser humano), são separados das mães em 1 semana, situação que acarreta sofrimento psicológico para a mãe e seu filhote. As fêmeas serão destinadas à produção de leite também. Os machos não têm valor comercial para o produtor, e como as raças são selecionadas para um determinado tipo de produção (carne, leite, couro), sua carne também não é valiosa. Desse modo, os bezerros podem ser descartados rapidamente (e da enzima presente em seu estômago será feito o coalho do queijo), ou serem desviados para a produção de carne de vitela. Para obter-se a carne de vitela, o filhote será criado confinado durante 4 meses, amarrado e no escuro, para não desenvolver músculos, e alimentado apenas com pequenas doses de leite, induzindo assim uma anemia que fará da sua carne mais leve e branca. As vacas estão ainda sujeitas a doenças infecciosas devido à constante ordenha e, não raramente, depois de 4 ou 5 anos de idade, estão tão esgotadas que mal conseguem andar normalmente. Nessa fase elas serão abatidas e serão aproveitadas as últimas partes de corpo: a carne menos nobre será vendida como carne de segunda, dos ossos e cartilagens se faz gelatina e cola, da pele se faz o couro. Existem algumas fazendas de leite “orgânico” no Brasil, algumas das quais alegam não abater as vacas, mas os bezerros machos costumam ser vendidos para o abate.
A criação de suínos também é bastante difundida no Brasil. Nas criações de pequena escala, estes animais costumam ser criados em condições precárias. O fato de muitos deles serem criados em meio à lama e sujeira popularizou o adjetivo de “porco” para pessoas que não observam os cuidados de higiene, mas esta não é a forma como os porcos viveriam na natureza. Nas criações em grande escala, eles vivem confinados em espaços onde mal conseguem se mover, e nos quais as porcas amamentam seus filhotes através de barras, com o mínimo de contato físico. Em qualquer dos casos, eles vivem expostos a abusos semelhantes aos que foram descritos para bovinos, como mutilações e deformações, separação precoce entre mãe e filhote, negligência nos cuidados básicos. Também é comum que porcos que vivem amontoados se agridam mutuamente.
Cabe destacar ainda que o abate humanitário, que o Brasil exige, por lei, e que é usado como argumento pelos defensores da atividade pecuarista, é em vários sentidos uma falácia. Sabe-se que a maioria dos abates feitos no país ainda não segue este padrão. Há diversos abatedouros clandestinos, criações em pequena escala e fazendas de gado em zonas remotas, e a fiscalização é muito precária. Além disso, mesmo quando aplicado, o abate humanitário não é tão indolor quanto se sugere. A dessensibilização dos animais nem sempre é eficaz. Muitos animais ainda estão conscientes no momento em que são sangrados, abertos e têm sua pele retirada. Além disso, os animais sofrem antes de chegar ao momento do abate, devido ao transporte para os abatedouros e as condições em que é feito, e também porque uma vez no abatedouro, eles são capazes de perceber o que lhes espera, pois sentem o cheiro do sangue dos animais que foram abatidos primeiro.
As aves estão sujeitas a abusos que talvez sejam ainda maiores que os descritos no caso de mamíferos, provavelmente por serem de outro ramo do reino animal, com o qual o ser humano se vê relacionado com mais dificuldade – não à toa, muitas pessoas que comem aves se descrevem como “vegetarianas”. No caso das galinhas de granja, sua criação geralmente se dá em gaiolas onde elas são criadas confinadas e amontoadas, situação estressante que as leva a adotar um comportamento agressivo, em função do qual têm as pontas de seus bicos cortadas para não ferirem umas às outras. Assim que a sua “produção” de ovos cai, elas são abatidas. Os filhotes machos das galinhas poedeiras são descartados, pois assim como o bezerro macho, não têm valor comercial. Frangos criados para consumo nascem em chocadeiras, jamais têm contato com suas mães. Muitos deles nascem com defeitos congênitos ou são simplesmente considerados “fora do padrão” são imediatamente mortos e triturados, em geral usados para ajudar a compor ração animal. Os demais vivem em média 40 dias. A manipulação genética faz com que se desenvolvem espantosamente, nesse período, mas de modo que seu próprio organismo não suporta. Sem exercitarem-se, seus músculos atrofiam, e o excesso de peso faz com que tenham dificuldade de locomover-se. Muitos desses frangos e galinhas chegam à fase do abate doentes e com fraturas e ferimentos causados pelo manejo brutal. Na criação de ovos de galinha caipira, as galinhas são criadas soltas. No entanto, o mesmo padrão se repete: os filhotes machos são descartados e as galinhas com queda de produção, vendidas para o abate.
De qualquer forma, estes abusos e mortes apenas acontecem porque há demanda pela carne, leite e ovos desses animais, razão pela qual os defensores dos direitos animais defendem a adoção de uma dieta vegetariana estrita como única forma de ser coerente com o princípio de respeito pelos animais.
Deve-se ressaltar, por fim, o impacto ambiental causado pela pecuária. Milhões de dejetos produzidos por animais multiplicados artificialmente são fatores de poluição do solo e das águas. A quantidade de água usada na criação desses animais, não só em seu consumo direto, mas também em toda a cadeia produtiva (usadas na limpeza, nas máquinas, no tratamento da carcaça, etc.) representam grande desperdício. A pecuária é, em todo o mundo, o principal fator de derrubada de florestas, para a criação de novos pastos, e no Brasil não é diferente, estando grande parte do rebanho bovino do país situado na fronteira da Amazônia. As emissões de gases gerados pela digestão de bois e vacas foram apontados, por relatório da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), como uma contribuição maior para o efeito estufa que as emissões do setor automotor.

Pesca
É impossível calcular os bilhões de peixes e outros animais marinhos que são mortos pela atividade pesqueira – não existe uma estatística que dê conta desses números.
A pesca é outra atividade importante da exploração animal, mas que não recebe uma atenção compatível com esta importância. Inclusive, muitas pessoas que se dizem vegetarianas consomem peixe, ignorantes das implicações éticas dessa opção alimentar.
Um mito muito difundido é aquele de que o peixe não sente dor. Só porque a dor do peixe não se manifesta da mesma forma que nos mamíferos ou nas aves, não quer dizer que ela não exista. Os peixes são animais com sistema nervoso central e, portanto, sencientes e capazes de sentir dor. Existem diversos estudos que já demonstram inequivocamente a senciência dos peixes. Sabe-se que a região da boca, pela qual alguns peixes são fisgados, é tão sensível quanto a região genital, nos seres humanos. Fisgados ou capturados em redes, os peixes morrem por asfixia, um tipo de morte lento e doloroso.
Além disso, a pesca dificilmente vitimiza apenas peixes e, dentre eles, as espécies visadas para o consumo. Especialmente na pesca industrial, é comum que outros animais, como mamíferos marinhos ou tartarugas, morram presos nas redes, asfixiados.
A pesca também provoca um impacto ambiental considerável, devido à redução das populações de animais marinhos, levando alguns à beira da extinção, provocando perda de biodiversidade e gerando desequilíbrio ecológico. Hoje em dia já existe também a criação de peixes em cativeiro. Esta solução também cria problemas ambientais, como a poluição causada pelos dejetos, e também seus próprios problemas éticos. Lembrando que o animal de consumo é uma mercadoria, quanto mais deles o produtor puder acumular, melhor. Peixes criados em tanques, portanto, vivem como bois, porcos ou galinhas criados confinados, aos montes e em espaços exíguos. Além disso, tal forma de criação é inaceitável para defensores dos direitos animais, pois estes se opõem por princípio à criação de animais em cativeiro, reduzidos à condição de objeto.

Apicultura
Além de entendida como uma interferência indevida na vida das abelhas, a apicultura produz outros exemplos de crueldade. Para a produção de geléia real (alimento da abelha rainha), a abelha rainha é morta. Em outros casos, a abelha-rainha é morta ainda na fase de larva, para evitar a enxameação das colméias. Em certos tipos de criação, a inseminação da abelha rainha é feita artificialmente. Isso se faz pela decapitação do zangão, que dispara um impulso elétrico que faz o animal ejacular. Além disso, como a rainha só precisa ser fecundada uma vez na vida, a maioria dos zangões é morta quando ainda são larvas. Desse modo, o apicultor se livra de ter um animal que não trabalha e que consome mais mel do que as abelhas-operárias. Na extração de mel das colméias, muitas abelhas são esmagadas ou morrem tentando proteger a colméia, pois quando ferroam elas perdem órgãos vitais e morrem. Também no processo de extração do mel o apicultor pode retirar acidentalmente, juntamente às células que contêm mel, células que contêm larvas, que são destruídas e depois separadas do mel no processo de filtragem.

Caça
A caça “esportiva” ainda é uma atividade muito difundida no mundo, causando a morte de milhões de animais, todos os anos. No Brasil, ela é permitida no estado do Rio Grande do Sul. A caça tem sido, historicamente, a causa da extinção (ou risco de extinção) de diversas espécies de animal. Entretanto, nos últimos anos, ela tem sido apresentada como fundamental para a manutenção do equilíbrio ecológico, evitando a superpopulação de certas espécies e fazendo o controle de animais idosos ou enfermos. Também é comum que os críticos dos defensores dos direitos animais questionem porque se opõem à caça, uma vez que o animal estava livre até o momento do abate.
Entretanto, a primeira objeção que se pode fazer à caça é que ela viola, de qualquer maneira, um dos interesses básicos dos animais não-humanos, o da vida. Em segundo lugar, ela não é essencial ao homem, de modo que se torna eticamente injustificável, pois sobrepõe um interesse menor do ser humano (o prazer da caçada, a alimentação) a um interesse básico do animal não-humano (ver “Ética” e “Direitos Animais”). Por fim, sequer se pode seriamente afirmar que ela seja fundamental ao equilíbrio ecológico. Animais doentes e idosos não sobrevivem por muito tempo, de qualquer forma, na natureza, e o controle populacional é feito por predadores, ou pelos próprios efeitos da superpopulação, como a escassez de alimentos. Se de todo modo esses mecanismos naturais não forem suficientes para fazer voltar o equilíbrio populacional, existem medidas que podem ser tomadas sem violar o interesse dos animais à vida, como a esterilização.

Experimentação Animal
É o uso de animais em experimentos científicos, testes da indústria de cosméticos e outras indústrias e na educação, para estudos médicos e biológicos. Também conhecida como “vivissecção”. Por sua importância e particularidades, foi abordada num verbete à parte.

Vestimenta
Os animais são criados também por sua pele, usada geralmente para a vestimenta e adornos. Essa pele, no entanto, não se refere apenas a animais com pelagem espessa, geralmente criados nos países de inverno rigoroso para produzir casacos de luxo como arminhos, martas, castores, guaxinins, coelhos, raposas e chinchilas. Na China, também cães são criados pela sua pelagem, muito usada para fabricar animais de pelúcia. Algumas dessas espécies de animais são esfoladas vivas. Também o couro, altamente difundido no Brasil, nada mais é que a pele de bois e vacas, e existem algumas espécies de bovinos que são destinados exclusivamente a este mercado. Também podemos destacar a lã, que é o pêlo do carneiro. O carneiro criado para a lã tem a mesma vida miserável que outros animais da pecuária, sujeitos a mutilações e castrações sem anestesia, manipulação genética para produzir uma quantidade excessiva de pêlo, o que acarreta danos ao animal, ferimentos provocados pela tosquia e, em última instância, o abate para o consumo da carne. Cabe ressaltar que também a criação comercial de chinchilas, visando ao uso de sua pele, está se expandindo no Brasil, nas regiões serranas e na região Sul. Outro uso de animal comum na indústria da vestimenta é a seda, tecido fabricado pelo bicho-da-seda, uma espécie de inseto. Para produzi-la, um grande número de casulos do bicho-da-seda é fervido com as larvas dentro, para se obter o montante de tecido necessário.

Tração e transporte
Ainda é comum, no Brasil, o uso de eqüinos e bovinos para transporte de mercadorias, como auxílio na lavoura, etc. Esses animais geralmente são submetidos a longas e exaustivas jornadas de trabalho e sendo obrigados a carregar ou arrastar pesos que sua constituição física não suporta. Também são ainda vítimas de descaso com sua alimentação e descanso, e submetidos a castigos físicos. É ainda comum que, depois de idosos e inutilizados para este serviço, eles sejam vendidos para abatedouros. Recentemente tem havido iniciativas locais, como nas cidades do Rio de Janeiro e Porto Alegre, para proibir o uso de animais nessas funções. Seu uso privado ou no campo, entretanto, não tem sido objeto de contestação por essas leis, que tratam apenas do trânsito dos animais no meio urbano.

Entretenimento (esportes, rinhas, touradas, rodeios, circos)
Animais são usados para entretenimento em uma série de atividades: equitação, corridas de cavalos, corridas de cães, rinhas de cães, rinhas de galos, rodeios, vaquejadas, circos com animais como elefantes, leões, tigres.
Além da violação básica da liberdade desses animais, diversas outras violações derivam dessas atividades. Os cavalos são objeto de eugenia (seleção genética para “melhoria da raça”), criados em baias e submetidos a treinamentos que não atendem às suas necessidades, mas ao interesse exclusivo do ser humano. Além disso, se são usados em competições, estão expostos a ferimentos, muitas vezes fatais, ao doping e outras formas de abuso. Bois, touros e cavalos usados em touradas, rodeios, vaquejadas, estão igualmente expostos a ferimentos, ao estresse da competição e a maus-tratos por parte de seus criadores (como o uso do “sedenho”, que é amarrado no tronco do animal, desde o lombo até a parte de baixo, incluindo o pênis). No Brasil existe ainda a “farra do boi”, festa popular típica do estado de Santa Catarina, na qual bois são perseguidos pelas ruas das cidades, sofrendo castigos pelo caminho.
Cães e galos criados para brigas são forçados a lutar até a morte. Cães de corrida sofrem abusos semelhantes aos de cavalos criados para os mesmos fins. Além disso, eles dificilmente vivem mais de 2 anos, quando poderiam viver mais de 10. O esforço excessivo causado pelas corridas pode provocar problemas nas articulações.
Nos circos, os animais são submetidos a diversos castigos físicos pelos domadores e são obrigados a aprender “truques” que servem apenas para divertir os espectadores. Têm suas presas retiradas, vivem enjaulados, freqüentemente subnutridos e isolados, o que causa sérios danos a animais sociais, como elefantes. Além disso, não podemos ignorar o fato de que os animais carnívoros criados em circos geram uma demanda a mais de carne de animais de corte. Existe em andamento uma campanha para a proibição do uso de animais em circos, no Brasil, o que é fundamental para encerrar com esta série de abusos.

Zoológicos
Animais são expostos em zoológicos para saciar a curiosidade – leiga e científica – do ser humano. Freqüentemente se usa a ciência como justificativa para a continuação deste tipo de abuso, alegando a necessidade de conhecimento ou mesmo no interesse do animal enjaulado – em função da continuação de uma espécie que esteja ameaçada de extinção. Como no caso da caça ecológica, esta é uma desculpa gerada pela existência de um erro anterior. Em função das atividades humanas e da sua expansão populacional, diversas espécies de animais encontram-se hoje em vias de extinção, com populações reduzidas e vivendo em uma fração mínima do território que antes ocupavam. A criação de pandas, tigres e outras espécies de animais em cativeiro é apresentada como solução, confirmada pelos sucessos apresentados na tentativa de reprodução em cativeiro. Entretanto, para salvar a espécie (que é um ser abstrato), impõe-se ao indivíduo da espécie o sofrimento do cativeiro, sem a liberdade para viver de acordo com a sua própria natureza. Cabe destacar ainda que também a reprodução em cativeiro é uma resposta falaciosa. Os exemplos bem-sucedidos são minoritários, há grande dificuldade de induzir a reprodução nessas condições – o que, aliás, demonstra o impacto que a vida em cativeiro tem sobre a qualidade da vida destes animais. Como no caso de animais de circos, um dano colateral é a demanda por carne gerada para alimentar animais carnívoros. Como quem sofre são os indivíduos, não a espécie, e os interesses básicos do indivíduo são a vida e a liberdade, os defensores dos direitos animais defendem o fim dos zoológicos, mesmo à custa da extinção de certas espécies de animais, se a tendência para tanto não for revertida.

Animais de estimação
Cães, gatos, pássaros criados para serem companhia dos seres humanos também têm seus direitos violados. A eugenia praticada contra cães e gatos leva diversas “raças” desses animais a apresentarem problemas congênitos ou tendência a desenvolver certos tipos de doenças (por exemplo: gatos persas com focinho achatado têm lacrimação excessiva nos olhos; cães com muitas pregas na pele têm problemas de circulação). Cadelas e gatas “matrizes” (que geram as ninhadas que serão comercializadas) estão constantemente prenhes para alimentar a demanda por animais de estimação. Mãe e filhote são separados muito cedo, ambos sofrendo com esta separação precoce. Nas pet shops, ou mesmo nas ruas, onde são vendidos, é comum que os animais estejam sedados para não causar transtornos aos vendedores. O problema não cessa aí, porém. É muito comum que, desconhecendo as necessidades dos animais, e não dispostos a assumir toda a responsabilidade que cuidar deles requer, seus “proprietários” não observem as medidas necessárias para sua saúde e segurança ou, em alguns casos, os submetam a castigos físicos ou os abandonem nas ruas. O resultado é uma enorme população de animais de rua, expostos a doenças, a maus-tratos adicionais, a serem recolhidos por centros de controle de zoonoses ou abrigos. Como a demanda – e as fugas ou abandonos – não cessam, tais abrigos não são capazes de solucionar o problema. Pelo contrário, vivem superlotados, e as condições de vida neles dificilmente podem ser descritas como uma solução para o problema de animais abandonados, que nesses lugares vivem amontoados, em condições insalubres e mal nutridos. À medida que sua idade avança, as chances de serem adotados para receberem os cuidados devidos se tornam cada vez mais escassas. Já nos centros de controle de zoonoses a possibilidade é de que estes animais sejam mortos como medida de controle populacional e em nome da saúde pública. Fica claro, portanto, que a solução para o problema dos animais de rua é o fim do comércio, que passa pela conscientização dos seres humanos que este comércio é antiético, por ser uma negação da condição de sujeitos desses animais. Além disso, os defensores dos direitos animais estimulam a adoção de animais abandonados, e a “guarda responsável”, zelando pela saúde e segurança desses animais, para que eles tenham condições de vida dignas até a morte natural.
Não se pode ignorar também o problema da alimentação de cães e gatos domésticos, baseada em fontes de origem animal. O cão é onívoro e adapta-se bem a uma dieta vegetariana que observe todas as suas necessidades nutricionais. O gato pode se adaptar a uma dieta vegetariana, mas necessita de suplementação de taurina, uma proteína que não existe em fontes vegetais. Cinicamente, muitas pessoas questionam a ética de se alimentar cães e gatos de fontes estritamente vegetais, julgando isso “antinatural”, esquecendo-se que toda a forma como eles são criados por seres humanos é antinatural – incluindo a dieta artificial com fontes de origem animal. O que importa para esses animais é que sua alimentação lhes forneça todos os nutrientes necessários para sua saúde, e isso é possível com uma ração vegetariana cuidadosamente elaborada. Infelizmente, existe apenas uma marca de ração vegetariana para cães no Brasil. Entretanto, a conscientização do consumidor pode mudar este panorama, desde que haja uma demanda por opções mais éticas para a alimentação de animais domésticos.

* Com informações extraídas do site do Projeto Esperança Animal (www.pea.org.br)

** Revisão de Sérgio Greif


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.

Você viu?

PROTEÇÃO ANIMAL

CRUELDADE

GRATIDÃO

ESPECIAL

ALEGRIA

VÍTIMAS DA CAÇA

MAUS-TRATOS


LEIA EM PRIMEIRA MÃO AS NOTÍCIAS MAIS ANIMAIS DO MUNDO

>