Sobre o direito de escolha que não temos


A utilização da conjunção “ou” nas nossas vidas decide, em muito, se seremos menos ou mais felizes e se vamos viver ou não próximos da paz. A afirmativa não é frase de efeito: ela resume uma constatação baseada em conceitos profundos e muito importantes que estão na pauta da educação contemporânea.

A explicação é razoavelmente simples. Quando pensamos nas alternativas utilizando a conjunção “ou”, estamos exercitando o que chamamos de direito de escolha. Passamos o tempo todo decidindo se vamos correndo, ou vamos mais tarde. Se vamos vestidos de cor escura, ou clara. Se vamos sair com amigos, ou vamos ficar em casa descansando. Ou vamos à praia, ou vamos economizar dinheiro para comprar roupas. Ou vamos fazer churrasco, ou vamos fazer um almoço vegetariano. Ou transformamos alguma área em pasto, ou vamos plantar trigo, ou feijão, ou soja, ou frutas. Ou cortarmos a árvore e cimentamos, ou fazemos o quintal em torno da árvore. A questão é que, na origem da utilização de muitos desses “ous” que fazemos todos os dias, existe um modelo mental que nos afasta cada vez mais para longe da vida de paz que tanto queremos.

É um equívoco terrível a ideia de que o direito à escolha é um direito inalienável da vida humana, pois existem muitas e muitas coisas que não temos direito nenhum de escolher. Podemos decidir a roupa que vamos utilizar, se vamos passear ou não, se queremos amar ou não alguém, por exemplo. Mas temos feito muito mais do que isso: temos nos investido do poder de escolher se o outro deve ou não viver, se deve ou não sofrer.

Não há nada mais absurdo, primitivo e violento do que nos sentirmos no direito de decidir entre comer ou não a carne de um ser vivo que convive pacificamente conosco na mesma natureza.

Existem dois caminhos ao refletirmos sobre o significado da utilização da conjunção “ou” e que deveriam ser muito bem discutidos nas salas de aula. A primeira reflexão é sobre a ideia histórica de que podemos decidir sobre tudo, sobre as vidas, sobre os destinos, porque somos seres superiores. A segunda reflexão é sobre a nossa característica de sabermos planejar e de criar, que deve ser utilizada, unicamente, para fazer a gestão da natureza, como responsáveis pela preservação de todas as vidas e pelo equilíbrio do meio ambiente no qual vivemos e buscamos a felicidade, do nascimento à morte.

Se os educadores investirem um pouco mais de tempo nessas reflexões que estão contidas na conjunção “ou”, em alguns poucos anos estarão na sociedade muitas pessoas que sabem que é muito simples o caminho para a paz que queremos tanto. Que basta fazer a única escolha que realmente interessa: sob a consciência de que não somos nada disso que sempre imaginávamos ser, assumir o apaixonante papel de gestores e responsáveis por tudo isso que vemos em nossa volta.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.

Você viu?

ÓRFÃO

TRATAMENTO

PROTEÇÃO ANIMAL


LEIA EM PRIMEIRA MÃO AS NOTÍCIAS MAIS ANIMAIS DO MUNDO

>