Viviane Pereira

Um direito meio torto – 30 anos depois

Está lá na Declaração Universal dos Direitos dos Animais, proclamada no dia 27 de janeiro de 1978 em assembléia da Unesco, no artigo 1º: “Todos os animais nascem iguais perante a vida e têm o mesmo direito à existência”. Partindo do princípio de que a palavra “todos” envolve TODOS os animais, não precisaríamos de mais nenhum artigo – especialmente do que fala sobre animais criados para alimentação. Bastaria que as pessoas olhassem para todo e qualquer animal como olham para seu bichinho de estimação. Como o direito não vale para todos…

O documento prossegue no segundo artigo: “O homem, como espécie animal, não pode exterminar os outros animais ou explorá-los violando esse direito”. Leio e releio esses trechos sem saber se sou eu quem não entende exatamente o que significa ou são as pessoas que matam, cortam, esquartejam, compram carne, tiram a pele, furam o olho para fazer experiências. Será que todos esses atos não consistem em exploração dos animais?

“Se for necessário matar um animal, ele deve ser morto instantaneamente, sem dor e de modo a não provocar-lhe angústia”. Será que as pessoas acreditam que a vontade de comer um bife ou usar uma jaqueta de couro é entendida como necessidade de matar um animal? Quem pensa que é sem angústia ainda não assistiu a um vídeo mostrando a hora da morte do gado.

FAÇA PARTE DO #DiaDeDoarAgora EM 5 DE MAIO

“A experimentação animal que implique sofrimento físico ou psicológico é incompatível com os direitos do animal, quer se trate de uma experiência médica, científica, comercial ou qualquer que seja a forma de experimentação” – e os laboratórios continuam cheios de ratos, coelhos, macacos… E há quem diga que as experiências não implicam sofrimento para os animais, que são ‘muito bem tratados’ dentro de pequenas jaulas, recebendo injeções, tendo produtos testados em sua pele e seus organismos impregnados com doenças.

“Nenhum animal deve de ser explorado para divertimento do homem” – esse artigo dispensa comentários, vide circos e zoológicos que continuam atraindo visitantes que sorriem e aplaudem tigres que vivem em jaulas apertadas e lhamas que sofrem com o calor do nosso clima tropical.

A declaração completou 30 anos, atingiu a maturidade sem fazer valer seu conteúdo. Três décadas depois ainda batalhamos para criar e fazer cumprir leis básicas que proíbem a experimentação animal, exigindo o fim da tortura.

Para finalizar, cito o meu artigo preferido desta declaração, o de número 3: “Todo animal tem o direito à atenção, aos cuidados e à proteção do homem”. Ao ler esse trecho, lembro de uma frase que me disse o grande mestre Hermógenes, durante uma entrevista: “nós estamos para os animais como os anjos estão para nós. Oramos pedindo aos anjos que nos curem, nos conduzam, nos inspirem. Ficaríamos muito abalados e decepcionados se os anjos fizessem de nós bifes saborosos para comer”.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui