Educação e desenvolvimento – Henri Kobata

Jornalistas são capazes de se apaixonar

Jornalistas, como qualquer outra pessoa, ficam doentes, sentem inveja e ciúmes, felicidade e tristeza, têm dias bons e ruins, muitos sofrem de depressão e têm receio das incertezas. São assalariados como qualquer trabalhador, fazem dívidas, têm preconceitos e cometem equívocos de julgamento.

A diferença em relação às pessoas de outras profissões é que, frequentemente, muitos jornalistas vivem em um mundo que não é o deles. Acreditam na fantasia de que fazem parte do planeta dos poderosos, porque são bem recebidos e procurados pelos que detêm altas contas bancárias. Acreditam, também, que o poder da empresa de comunicação confunde-se com o poder pessoal. Assim, muitos se vestem da arrogância, alguns de forma sutil, outros abertamente, e exigem tratamento diferenciado à altura do que imaginam ser.

Muitos jornalistas são desinformados e têm o mesmo modelo mental da sociedade. Enxergam o mundo de forma fragmentada e nem sempre fazem boas conexões entre ideias, valores, circunstâncias e fatos. Por isso, não tão raramente, escrevem coisas absurdas como se fossem verdades e divulgam ideias e conclusões sem sustentação. Quem já não ouviu falar, entre muitas outras, da vergonhosa matéria do “boimate” (uma coisa que teria nascido do cruzamento de boi com tomate!), publicada como se fosse verdade na revista de maior circulação no país?

Nessas circunstâncias, é natural que eles considerem os direitos animais um assunto secundário, como muitas outras pessoas.

Jornalistas precisam de ajuda para enxergar o que acontece nas ruas. Precisam de depoimentos, de sentimentos, de histórias, de imagens e de vozes dos fatos que ocorrem no mundo e até em sua volta. Precisam ser tocados.

E para fazer bater mais forte o coração dos jornalistas, é necessário convidá-los de forma individualizada para acontecimentos não grandiosos, mas especiais, criativos, que despertem seu interesse pessoal. Algo interessante, bonito e bem feito, antenado, que seja atual e relevante para a vida das pessoas. Como qualquer pessoa, eles têm que se interessar, gostar e se apaixonar pelo assunto.

Tenho a certeza de que jornalistas são capazes de se apaixonar pela causa animal, mas temos que ter paciência e não desistir de estar ao lado deles. Como devemos fazer com todas as pessoas.

Tenho falado com muitos deles. Não será fácil tê-los ao nosso lado.

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