Socorro Ruelas -de Paris

Fundação Brigitte Bardot realiza na França campanha contra comércio de pele de animais

Em um subúrbio localizado ao norte da região parisiense, o termômetro da rua marca um grau negativo. Ali uma menina espera o ônibus 354, que naquele momento pára na frente dela.  De repente, seu olhar se volta a um anúncio colado do lado de fora do ônibus: Olhe como eu sou chique, vale a pena teu sacrifício. Um casaco = 10 focas. Comprar a pele é comprar a morte. A imagem mostra uma mulher vestindo um casaco de peles cinza sobre um lugar que poderia ser a Antártida, e na frente dela uma foca manchada de sangue jaz morta. Esta é uma das três imagens que fazem parte da campanha contra o comércio de peles idealizada pela Fundação Brigitte Bardot (FBB).
  
Conhecida como BB, Brigitte Bardot é considerada a personificação do mito erótico dos anos 50 e 60 na França e em todo o mundo. Em 1974, Bardot anunciou sua aposentadoria precoce da tela, tendo estrelado cerca de 50 filmes e gravado vários álbuns. Amante dos animais, dois anos mais tarde, em 1976, ela criou a Fundação Brigitte Bardot – dedicada a proteger os bichos. Hoje, Bardot é uma das mais influentes ativistas do movimento de defesa animal.
  
Em meados de novembro passado, representantes da indústria de pele francesa apresentaram uma denúncia contra a campanha de anti-pele da Fundação Brigitte Bardot, que atualmente esta sendo veiculada na França. Os oito membros do Conselho de Ética em Publicidade da Entidade Reguladora da Formação Profissional (ARPP) anunciaram no último dia 9 de dezembro, após ouvir as partes envolvidas, que a publicidade em questão fazia parte de uma campanha visual não-mercantilista colocada em funcionamento, por uma associação  reconhecida de utilidade pública.

A campanha que é composta por três anúncios aludindo à morte de animais colocou 1.700 cartazes nos ônibus que circulam em Paris e em seus subúrbios, assim como em cidades como Lyon, Estrasburgo, Lille, Marselha, Cannes entre outras, além da divulgação de um comercial, de 16 a 23 de dezembro passado, em pelo menos, 50 salas de cinemas na França.  A campanha de Bardot se multiplica entre várias associações francesas que se dedicam a garantir os direitos dos animais. De acordo com a FBB, a cada segundo um animal é morto pela indústria da moda no mundo.
 
Relatórios da FBB revelam que as primeiras crias de animais destinados à indústria de pele apareceram no Canadá, no final do século XIX. Desde então, as fazendas não pararam de se multiplicar. Atualmente, mais de 50 milhões de animais são mortos todos os anos para a extração de suas peles, isto sem contar os coelhos. 45 milhões desses animais provêm da criação em fazendas, 85% do comércio mundial, cinco milhões são animais selvagens capturados na natureza, capturados com armadilhas.
   
A principal espécie criada em fazendas para a indústria da pele são as martas, que é também a mais capturada na natureza com armadilhas. Isto faz com que outros animais também sejam vítimas colaterais, como cães, gatos e aves. Muitos são descartados por não ter um valor econômico. Além das martas, outras espécies são exploradas pela indústria de pele, entre elas: raposas, coelhos, castor, chinchilas, linces, sable, lobo, coiote e a doninha-fedorenta. Na França, segundo a FBB, uma nova espécie de coelho, foi criada e modificada geneticamente para ter sua pele usada.
  
Números da FBB apontam que a Europa contribui com 70% de martas e 63% de raposas. A União Européia tem 6.000 granjas familiares, distribuídas em 16 países, incluindo a Dinamarca, Finlândia, Noruega e os Países Baixos. A estes países se somam à Argentina, China, América do Norte e Rússia. A Dinamarca é o principal produtor de martas com 32% da produção mundial, enquanto a China é o maior produtor do mundo de raposas.

A FBB denuncia que no cativeiro, os instintos mais fundamentais dos animais selvagens e os seus comportamentos naturais são reprimidos. “Nunca conheceram a água dos riachos, o capim, os bosques. São confinados em pequenas gaiolas, em condições insalubres, expostas ao frio extremo, a fim de que sua pele possa desenvolver uma melhor densidade. Depois são abatidos com métodos cruéis: asfixia, estrangulamento, eletrocussão, envenenamento, afogamento, gás.
O prognóstico de um inverno glacial na Europa parece confirmar-se. O frio e a neve começam a tomar conta da cidade. O mercado de pele de animais é forte em uma das mais chiques capital da moda: Paris. Aqui, a luta contra a indústria de pele e a caça continua.   

Socorro Ruelas é uma jornalista mexicana com dez anos de experiência em mídia impressa. Atualmente reside em Paris, França. Trabalha para diversos meios de comunicação no México. Agora, junta-se ao time da ANDA.

1 COMENTÁRIO

  1. aqui em Salvador-ba trabalho tanto por essa mesma causa animais abandonados e desprezados pelos próprios donos,mas é tão dificil porque não tenho recursos so conto com ajuda de algumas pessoas e bazar que realizo todo sábado junto com duas amigas no qual o dinheiro nos pagamos castração e compramos ração,mais é tão dificil,mais o que me motiva a continuar é o olhar carinhoso e carente dos cães, eu os amo.

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