Desobediência Vegana – Ellen Augusta Valer de Freitas

De vegano para vegano

Todos sabem o quanto é difícil viver neste planeta com um mínimo de consciência de si mesmo e do mundo. Ao adquirir consciência, tendemos a ir a um caminho sem volta, e usarmos esta consciência para poder ter o melhor do mundo e sobreviver a ele. Ser vegano no planeta Terra é viver em um mundo onde o uso de animais é tão óbvio quanto respirar. E temos que conviver diariamente com pessoas que pensam dessa forma, pois foram ensinadas e condicionadas a tal.

Acontece frequentemente, mesmo entre os que já abandonaram a prática do uso de animais, entrar em discussões intermináveis sobre o que é correto ou não dentro do veganismo. Atacam os vegetarianos, criticam sua posição de ainda comerem ovos e leite. Embora seja realmente condenável comer ovos e leite pois o sofrimento dos animais é semelhante – senão maior – aos sacrificados para consumo, ainda temos que refletir que muitas pessoas não estão preparadas para viver no mundo em que, onde quer que olhemos, há uma forma de exploração aos animais. Seja no vocabulário especista, machista etc., seja na economia, seja no status que a sujeição dos animais provoca na espécie humana, andamos na rua e vemos tudo isto, sempre e todos os dias.

Não há justificativa para seguir consumindo ovos de ‘galinha feliz’, sendo que a forma exploração-comodidade ainda é evidente. E a clássica ‘exploro pois tenho direito a fazê-lo mesmo por uma necessidade pueril de meu paladar’ também não é motivo para continuarmos a ser verdugos de animais.

Mesmo assim, temos que ter um pouco de compreensão por aquelas pessoas que ainda estão tentando se informar, conhecer, agir de modo a diminuir sofrimento, pois ontem eu também estava no mesmo estágio e foi graças a quem pôde me explicar sobre esse assunto que estou hoje escrevendo sobre ele. Graças às pessoas, mas também fiz o meu esforço.

Não podemos ter o mesmo comportamento daqueles que comem carne e, quando conhecem alguém ‘diferente’, fazem questão de tripudiar com piadinhas idiotas e, obviamente, sem fundamentação. Há, entretanto, quem não mereça nossa consideração. Todos nós já cruzamos com pessoas insuportáveis, que sabemos que nunca irão mudar seu modo medíocre de viver. Para estas lhe reservamos o silêncio.

Não temos que dar satisfação para todos. Uma dica para quando temos obrigação de ir a almoços de negócios: se for mesmo necessário ir, é melhor ficar na sua. Se o ambiente é agradável, podemos falar de nossa forma de ser, pois é até uma aula interessante, que muitos nunca ouviram falar. Mas, na maioria das vezes, expor-se nesse tipo de encontro é expor-se inutilmente, e se sentir como os animais de circo, ao notar um monte de pessoas olhando de forma morbidamente curiosa para seu comportamento. Num ambiente em que não seremos bem-vindos, o máximo que vai acontecer é ficarmos sem tempo para comer, tendo que nos explicar infinitamente. A atitude, nesse caso, é saber a estratégia a usar e quando a usar. A prática me ensinou que nem todos estarão preparados para ouvir nossas considerações, então o mais sensato a fazer é preparar momentos para isso, palestras, cursos, aulas e colocar este assunto em todos os meios sérios de comunicação – não falo apenas de TV, rádio e jornais. Além da dificuldade que este tema já provoca nas pessoas, ainda temos que lidar com o fato de que muitos veganos e vegetarianos estão por aí (orkut, vida social etc.) a denegrir a imagem deste grupo, com comportamentos que acabam sendo ligados ao veganismo/vegetarianismo, então cuidado.

Se queremos ser ativistas, o bom senso e o momento certo de agir são fundamentais.
E um pouco de união entre os ativistas seria bem-vinda também.

4 COMENTÁRIOS

  1. Sou um d”aqueles que comem carne”, era melhor dizer não-vegetariano. Mas isso não teria nenhum desprezo, então não serve. Os vegetarianos ativistas se colocam do mesmo jeito que grupos religiosos radicais. Tanto um grupo como o outro veem os não-adeptos de cima de uma superioridade moral criada a partir dos preceitos de ética que eles mesmos criaram.
    O slogan desse site mostra bem o que se quer: viver em guetos. Acredito que para muitos é um desejo legítimo de um mundo melhor. Mas, para boa parte, é só a necessidade de sentir especial e pertencer a um grupo. De vegano para vegano é o slogan.
    Da mesma forma que em grupos religiosos rígidos advoga-se que não se deva andar com quem não é “da igreja”.
    É preciso considerar a forma como os animais são criados e mortos, sim. Porém, é necessário adequar esse discurso à realidade do mundo e da natureza humana. Tenho notado que alguns radicais chegam a demostrar ódio à nossa espécie, motivo pelo qual não coloquei meu e-mail nesse formulário. Se é errado matar animais para comer, digamos que um dia isso seja extinto, que esses grupos consigam impor à humanidade seu modo de vida particular. Qual será o próximo passo? Impedir que os animais o façam? Eu já vi ração para gatos vegetarianas. O fato de eles serem felinos foi esquecido…

  2. O Slogan é nos posto diantes dos olhos todos os dias,em restaurantes,mercados na mesa da maioria,e somos obrigados a entendê-los,se criticamos, agimos como fanáticos,e por que então não somos encarados como “diferentes da massa” apenas?Somos os “radicais,os lunáticos” que ao invés de espalhar pros quatro cantos do mundo um amor medíocre à vida,nos preocupamos realmente com ela.Não precisamos de frases feitas nem de trechos de músicas pra expressar a carência do cumprimento das nossas atividades como terráqueos,não precisamos nos enfeitar com dizeres nem com carinha de bom ou boa moço/a.O que queremos é cuidar dessa vida,o que queremos é podermos dizer dos nossos próprios prazeres bem supridos,e o mínimo possível de atos sejam contra esse prazer que sentimos de viver!Não fazer uso de animais é além de respeito a vida,uma maneira linda de acordar e dormir a cada dia,sabendo que estamos realmente vivendo o espaço que nos é dado,”que NOS é dado”,e cada um no seu.

  3. MICHEL, cara é dificil vc nem imágina quanto,,ñ vou ti explicar nada,,,mas tenho mais d 20 anos d vegetariana,,,9 anos vegana ,tudo somente pelos aniamais,por compaixão,,,,,agora te digo uma coisa ,nunca vc vai sentir esta coisa fabulosa k ñ sei se todos sentem,,mas eu ñ tenho volta,me tornei em uma pessoa feliz,,eu k achava k ñ existia felicidade aqui ,,agora entendo pork dizem k felicidade é interior ,,e é verdade mesmo,,,a meu amigo so vc sendo vegetariano mesmo pra entender ,abraços amo todos vcs

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