Êxodo


Jacques Derrida, filósofo dos mais instigantes do nosso tempo, e Elisabeth Roudinesco, historiadora e psicanalista, discutiram frontalmente em 2001 o assunto da violência contra animais. Roudinesco é arredia às ponderações de Derrida, que manifestou ter “simpatia de princípio por aqueles que têm razão, e boas razões, para se erguerem contra a forma como os animais são tratados”.

No vai-e-vem filosófico, a psicanalista insiste na prescrição de Freud acerca da “pulsão de destruição que é inerente ao homem”. Roudinesco acredita que a proibição de matar animais poderia inclusive gerar violências inesperadas.

Vou me meter aqui. Acredito, e isso é mesmo óbvio, que não se chegou ao ponto de que a proibição da morte de animais seria viável. Ao que parece, nem mesmo a matança de homens é algo menos confuso e pleno. Mas aí, retomando a reflexão de Derrida, há que se perceber a outra via desta mesma estrada.

Não é verdade que violência (até científica) infligida pelo homem aos animais chegou, ela própria, ao ponto de repercutir profundamente na percepção que os homens têm acerca de si? Tudo isso é cada vez menos suportável, sem dúvida, pelo próprio humano. Essa é uma genuína questão de ‘alma’ ou ‘psiquê’.

Derrida não deixou de abordar a sua opositora psicanalista sobre esses excessos cometidos ao resto da esfera da vida. Eis o diálogo.

Derrida: Se efetivamente lhe colocassem todos os dias diante dos olhos o espetáculo dessa mortandade industrial, o que a senhora faria?

Roudinesco: Não comeria mais carne ou mudaria de domicílio. Mas prefiro não ver nada, mesmo sabendo que essa coisa insuportável existe. Não acho que a visibilidade de uma situação permita conhecê-la melhor. Saber não é ver.

D: Mas se todos os dias passasse diante dos seus olhos, lentamente, sem lhe deixar tempo para se distrair, um caminhão cheio de bezerros saindo do estábulo direto para o abatedouro, a senhora ainda conseguiria comer carne de vaca por muito tempo?
R: Eu me mudaria (…).


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