Herança cultural


“Eu não tenho culpa sobre o que aconteceu. Não pedi para que essa tragédia ganhasse forma. Ninguém me deu a chance de acionar um botão mágico e fazer tudo parar na hora certa, para que ninguém tivesse que sofrer e acabar morrendo. O que eu vou fazer? Também sou ‘filho de Deus’, e qualquer um que estivesse no meu lugar faria a mesma coisa. Serei eu o trouxa que vai abdicar dessa vida? Não! Já que não tenho culpa, vou aproveitar.”

O palavrório acima se encaixa em várias situações. A que eu gostaria de enunciar hoje tem a ver com “heranças”, e me parece perfeitamente previsível que a posição tomada com base no “não tenho nada a ver com isso” é indefensável. Qualquer legado atrai certa responsabilidade.

Digamos que, hoje, você descubra que um parente seu morreu e lhe deixou todo seu patrimônio como herança. Você não tinha relações quaisquer com esse parente, mas sabe muito bem que o dinheiro todo vem de um negócio sujo que envolvia prostituição infantil, tráfico de drogas e armas etc.; enfim, um dinheiro que teve de ser bem lavado para chegar até suas mãos.

Seria, ao meu ver, um grande teste moral a decisão sobre o que fazer com a riqueza. Poder-se-ia tentar dar um destino bem útil ao montante, quem sabe empregando-o em favor de pessoas vitimadas por ações criminosas semelhantes. O certo é que não seria fácil escolher. Seria, isto sim, muito difícil decidir!

Há outros casos de heranças em que as palavras ditas são exatamente as mesmas do início deste texto, sendo igualmente censuráveis. A sorte é que a postura a ser exigida é bem mais simples, num primeiro momento: abstenção. Ao se tratar da herança cultural de exploração dos animais, já não seria um grande passo paralisar a esteira que conduz o bicho à morte?

Este cenário é, de fato, uma herança. Tal como tudo o mais que nos é deixado, também cabe refletir e decidir sobre o seu dispor. Vou ser o trouxa que vai abrir mão dessa vida? Não! Quero que essa vida permaneça viva, eis uma vida que não é minha…


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