Educação e desenvolvimento – Henri Kobata

Não há nada de estranho

Acabei de rever um documentário da ADI (Animal Defenders International), que mostra como se treinam os animais para os espetáculos de circos. Não há como não se chocar com o que se vê e o que se ouve: seres vivos gemendo e gritando de dor, sendo socados, surrados e machucados.
Lembrei de uma cena da música As Quatro Estações, composta no século XVII. Uma das cenas descritas pelo seu compositor, Antônio Vivaldi, é a da caça às raposas. Um grupo de nobres se veste e se prepara para o ritual. Segue-se uma perseguição sangrenta, a morte lenta, até que as raposas, machucadas e acuadas, são cercadas e mortas. Os caçadores festejam exibindo como um troféu seus corpos estendidos na relva.

Na minha cabeça desfilaram imagens do público dos circos aplaudindo e dos caçadores brindando diante dos corpos dos animais mortos. Prazer diante da dor de seres vivos frágeis e indefesos. Cenas de horror.

Diante daquelas imagens, fiquei me perguntado se o prazer de viver não poderia estar em fazer o bem, em conviver harmonicamente com a natureza, com todas as vidas desse planeta. É mais prazeroso tirar a vida de um pássaro, maltratar um gato ou um cachorro, do que desfrutar do amor puro e incondicional que eles nos dedicam?

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Inevitavelmente, pergunto: é mais prazeroso maltratar ou cuidar de uma criança? Ah, mas criança é gente, não é animal, disse um rapaz em uma escola pública. E qual é a diferença, perguntei a ele. Prontamente, me respondeu: matar uma criança dá cadeia. E por que maltratar um animal? Às vezes eles enchem a paciência e, nessas horas, eles têm que ser treinados a ficar longe da gente, explicou.

Entendi claramente a explicação do jovem aluno. Foi o que aconteceu com a menina Ana Carolina, que foi jogada pela janela de um prédio, e também com o bebê de 2 meses que foi deixado dormindo no carro até a morte por asfixia, enquanto a mãe fazia compras. Aquelas crianças não tinham sido “treinadas” a ficar longe dos adultos que estavam sem paciência.

Compreendi também, pela resposta do rapaz, que se não existisse lei que punisse severamente os maus-tratos e assassinato de pessoas, a violência dos seres humanos seria ilimitada. Os mais fracos seriam eliminados pelo simples fato de estarem no caminho dos mais fortes.

Esse olhar aproximando as tragédias humanas e a relação entre pessoas e animais pode parecer exagerado, mas não é. Se respeitar a vida de um ser vivo depende de qual ser vivo, matar também é algo permitido, dependendo de quem. Respeito à vida é respeito à vida, e não cabem exceções. Se existem exceções, não é nada estranho tudo o que vemos nos noticiários, todos os dias.

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