Renata Martins

Leões abandonados por circo: culpa de leis proibitivas de animais em circos?

Por Renata Martins

No texto de hoje mais uma vez retornaremos à questão dos animais em circo, tratando de uma questão bem pontual desta vez: o abandono de leões pelos circos. Muitas matérias jornalísticas já abordaram esta questão e a grande maioria chegou à conclusão de que este abandono ocorre por conta da promulgação de leis proibitivas de animais em espetáculos públicos em diversos municípios e estados do país.

Entretanto, tal conclusão definitivamente não procede. Leis específicas proibitivas de animais em circos não são responsáveis pelo abandono de leões.

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Assertiva contrárias tratam-se de afirmações falaciosas, tendo em vista que o abandono de animais, especialmente os felinos, sempre ocorreu, muito antes da promulgação de qualquer lei que fosse, bastando para tanto uma simples pesquisa em notícias publicadas e veiculadas por meio de diversos veículos de comunicação, o que hoje em dia pode ser facilmente feito por meio da internet.

Felinos, na verdade, reproduzem-se muito facilmente, onde quer que seja, inclusive em cativeiro, mesmo com as piores condições possíveis,fazendo com que a população destes animais em circos seja sempre grande. E, logicamente, animais velhos não têm mais serventia para os “espetáculos”, portanto, ao invés de ter gastos com eles, que não geram mais renda alguma, o mais fácil é realmente abandonar e continuar com os animais mais jovens (na visão dos circos, lógico!).

Também devemos lembrar que, após algunsacidentes graves envolvendo perigo à segurança pública, como, por exemplo, o caso do garoto Juninho em Pernambuco, arrastado de forma fatal para dentro da jaula de leões de um circo, diversos circos também passaram a adotar a prática do abandono, por medo de graves conseqüências como a citada, bem como por conta da pressão popular, sendo que é grande o número de pessoas que não admitem a utilização de animais como “atrações”.

Portanto, a proibição dos animais em circo é a solução SIM para o fim de uma das formas mais cruéis de exploração de animais.

Logicamente essa proibição deve ser seguida da proibição da entrada de novos animais nos circos, a esterilização daqueles em que seja possível etempo de transição para a adequada destinação de cada um dos animais, criando-se para tanto locais para recepcioná-los, qualificando-se profissionais para o adequado tratamento e manutenção desses animais tão sofridos e em grande parte mutilados e com graves problemas de saúde física e mental (comportamentais).

Continuemos nossos trabalhos em prol dos animais, pela promulgação de uma lei federal proibitiva de animais em circos. Sim ao PL n.º 7291/06!


Renata Martins é advogada da divisão de meio ambiente do departamento jurídico da CETESB – Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (agência do Governo do Estado de São Paulo, ligada à Secretaria do Meio Ambiente). No Terceiro Setor, tem atuação jurídica pela Mountarat Associação de Proteção Ambiental, além de outras associações ambientalistas. Colaboradora do Programa Ambiental “A Última Arca de Noé”, desde 1999. Consultora-colaboradora de executivos e legislativos para elaboração de leis, projetos e programas com cunho abolicionista. Idealizadora e coordenadora do projeto Cidadania em Foco – baseado no trabalho voluntário, visa à disseminação e acessibilidade a informações em comunidades, galgando-se que sejam orientadas e encaminhadas ao real exercício da cidadania e de seus direitos e obrigações. (“Os artigos publicados neste site trazem a opinião pessoal da autora e não manifestações em nome da CETESB”)

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