Oceanos de sangue


O que os japoneses têm contra as baleias? É um mistério que ninguém consegue explicar direito. Nem os japoneses.

Existem registros de que eles matam e comem baleias desde o século 8. No século 17 aperfeiçoaram a caça em grupo com arpões. Mesmo assim, pescadores mais tradicionais ainda as tratavam como divindades. No século 20, qualquer respeito acabou e os japoneses atualizaram as técnicas de matança em massa com os noruegueses.

Os oceanos do mundo passaram por mais de um século de massacre de baleias em escala industrial por dezenas de países. Enormes, eram altamente lucrativas (“Nada se perde numa baleia”, diz um antigo provérbio japonês. “Só a sua voz”). O massacre levou as maiores espécies à beira da extinção. Hoje a visão do maior animal do mundo – a baleia-azul – é um evento raríssimo.

Em 1986 a Comissão Internacional das Baleias (IWC) determinou uma moratória. A partir daquela data a caça deveria ser interrompida em todo o planeta para que a espécie pudesse se recuperar depois de tantos anos de matança indiscriminada. O Japão nunca se conformou com essa moratória.

Atualmente, todos os anos o governo japonês coloca sua frota baleeira nos mares e enfrenta a repulsa mundial. Seus seis barcos passam seis meses no oceano. Para manter a caça, o Japão a disfarça como “pesquisa científica”. Corrompe pequenas nações para que votem a seu favor na IWC. Fornece carne de baleia nas escolas primárias para convencer novas gerações a continuar o consumo da carne.

E tudo isso… para quê? A indústria baleeira no Japão gera 120 milhões de dólares por ano – uma migalha em termos comerciais. Emprega alguns poucos milhares num país de 130 milhões de habitantes. Para isso enfrenta conflitos comerciais com os países de língua inglesa que militam contra a caça – Austrália, Reino Unido, EUA, Canadá, Nova Zelândia. Enfrenta também a guerrilha de botes de borracha da organização Sea Shepherd.

Num mundo atolado numa grave crise econômica o Japão vai continuar enfiando arpões nas costas de baleias? A Sea Shepherd divulgou uma nota declarando: “Economia é a chave. Nós precisamos continuar prejudicando os lucros da frota baleeira. Nós temos que mantê-los gastando mais dinheiro e ganhando menos”. O ex-porta-voz da indústria pesqueira japonesa, Tomohiko Taniguchi, hoje assessor do governo, já está pedindo publicamente o fim da caça. A indústria baleeira tem um forte lobby no Congresso, mas pode não ser invencível.

O Japão não é o único país a matar baleias. Fazem parte da lista a Noruega, a Islândia e outros casos localizados de caça “aborígene”. Mas ninguém supera os japoneses. A cota deles para esse ano é de 850 minke e 50 fin – 900 baleias mortas para sustentar uma futilidade nacional.


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