Orientando o paciente vegetariano: uma questão de informação

silvana
dezembro 6, 2008

O vegetarianismo ganha cada vez mais adeptos no Brasil, e para orientar essas pessoas os nutricionistas precisam estar bem informados sobre o assunto. Se você é nutricionista, esteja atento às questões nutricionais críticas em uma dieta vegetariana e mantenha-se informado para não propagar mitos infundados. Se você é vegetariano e busca um nutricionista para orientá-lo, saiba o que esperar de um profissional preparado para lidar com o tema.

Apesar de ainda pouco discutido no Brasil, o tema da nutrição vegetariana produz muito material científico em todo o mundo. Conhecer os avanços e peculiaridades dessa área é condição essencial para bem atender a essa população, acima de tudo respeitando seus hábitos diferenciados.

Quem são

A população vegetariana é bastante heterogênea, tanto no que diz respeito aos motivos que levam o indivíduo a fazer a mudança alimentar quanto à diversidade de hábitos que dela resultam. Essas motivações e expressões, conjugadas com as influências culturais que definem o vegetarianismo, criam um universo de estudo bastante diverso para ser compreendido.

Vegetarianos podem ser motivados por questões éticas ou de saúde, ambientais ou espirituais. Em cada um desses grupos, há desde aqueles que consomem ovos e não se importam em utilizar couro, até aqueles que se abstêm de todo o resto, consumindo apenas os frutos das plantas na intenção de não matá-la para que esta lhe sirva de alimento. Podem ser ainda incorporados conceitos religiosos ou até mesmo energético-vibracionais (como os da medicina tradicional chinesa, por exemplo). Essas peculiaridades dietéticas tornam o planejamento nutricional bastante complexo e especializado.

É preciso conhecer

Todos aqueles que pensam em adotar uma dieta vegetariana devem idealmente fazê-lo após ter consultado um profissional especializado e capacitado a orientar a sua transição dietética. Para tal, os nutricionistas que pretendem orientar o paciente vegetariano devem estar bem informados sobre o assunto, compreendendo suas necessidades, respeitando seus hábitos e conhecendo as vantagens e possíveis erros em cada estilo de dieta vegetariana. Aqueles que não estão dispostos a estudar o assunto devem encaminhar seus pacientes a colegas especializados.

Para orientar essa população tão diversa não basta saber que há algum risco de o vegetariano desenvolver uma anemia se determinados alimentos não receberem atenção especial, estar ciente de que o tahine e o broto de alfafa são alimentos que se destinam ao consumo humano, ou ainda conhecer ao menos 5 das 57 diferentes possibilidades de preparo do tofu (queijo de soja). Mais do que conhecer os nutrientes e técnicas dietéticas, é preciso entender as motivações e anseios de cada indivíduo, pois cada vegetariano tem um hábito quase único e, se os conceitos por trás de sua opção alimentar não forem compreendidos, a orientação nutricional possivelmente será falha.

Cuidado com os mitos

Apesar de a literatura científica já apontar de maneira clara para o fato de que qualquer indivíduo, em qualquer fase da vida, pode ser vegetariano, bastando para isso que haja o devido planejamento, muitos profissionais de saúde ainda propagam os mitos que se esperaria estarem limitados à população leiga. Esse é um fato que observo de maneira recorrente, muitas vezes relatado por pacientes que tenham visitado anteriormente outros nutricionistas ou médicos, sendo que os últimos sequer estão qualificados para oferecer orientação nutricional, quanto mais orientação nutricional em dietas vegetarianas. Mulheres grávidas, lactantes, mulheres na menopausa, idosos, crianças, atletas, todos estes podem ser vegetarianos ou veganos se assim optarem. Para que eles possam fazer essa opção sem riscos, o que lhes falta é orientação qualificada.

É obrigação do profissional nutricionista orientar esses indivíduos considerando sua opção alimentar. Desmotivá-los, ao contrário, apenas atesta a falta de conhecimento sobre o assunto. Dependendo do grau de informação da pessoa e da sua dedicação em pesquisar o tema, muitos podem fazer a transição por conta própria sem correr riscos, mas a boa orientação nutricional, baseada em conhecimento científico, é a melhor maneira de assegurar uma transição dietética saudável. A função do nutricionista, respeitando a opção do paciente, nunca deve ser a de desencorajar ou propagar mitos. Ao contrário, deve ser a de oferecer soluções e esclarecer informações desencontradas.

O paciente vegetariano que procura um nutricionista não quer saber se a dieta vegetariana é saudável. Ele já sabe que ela pode ser saudável, apenas deseja saber como fazer para implementá-la sem erros, ficando apenas com as vantagens, estas a ele mais evidentes. Querer convencê-lo de que sua escolha é nociva é um desserviço ao objetivo que o levou a buscar a orientação profissional.

A melhor ferramenta para todos

Orientar bem o paciente vegetariano é trabalhar para a imagem da profissão do nutricionista e, se for o caso, também para a promoção do vegetarianismo. Se você é vegetariano, nutricionista ou, ainda, ambos, informe-se. Essa é a melhor ferramenta tanto para quem quer aprender quanto para quem quer ensinar. No que estiver ao nosso alcance, a nutriVeg e eu estamos à disposição, seja para os pacientes no consultório, para o público nas palestras ou para os profissionais nos cursos de aprimoramento.


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