Cidadania – Rosana Gnipper e Andresa Jacobs

Natal e tutela responsável de animais: exemplos de consumismo

Com a chegada do Natal muitas pessoas se esquecem do real sentido da data e confundem Natal com consumismo. Em tempos de urgência em resgatar valores solidários à Terra e a todos os terráqueos (humanos e não humanos), faz-se necessária uma reflexão sobre consumismo.  

Vamos recordar a situação dos animais considerados “de estimação”, muitas vezes encarados como meros brinquedos para crianças e adultos. Essa atitude gera conseqüências socioambientais (maus-tratos, impunidade, superpopulação de animais domésticos) e pedagógicas (o exemplo negativo dado às futuras gerações). Muitos animais são comprados em período de festas natalinas, e as pessoas, de forma inconseqüente fortalecem o comércio de vidas e as tristes fábricas de filhotes.

Sociedade consumista, visão de mundo utilitarista, que gera sérias conseqüências ao dar o exemplo de que não há problemas em pegar, comprar, ganhar e logo depois jogar fora. Há um bom tempo reproduzimos o modelo falido norte-americano que, por exemplo, descarta noventa por cento de tudo que compra em seis meses. As estimativas apontam mais de 800 milhões de gatos e cães vivendo no mundo, sendo 38 milhões deles no Brasil. Mesmo assim, há um forte mercado de animais de estimação no país, que em muitos casos é ilegal mas atua livremente, aproveitando a falta de controle e fiscalização.

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A parceria entre defensores de animais, profissionais da Saúde e Câmaras de Vereadores, por exemplo, tem gerado leis municipais para o controle e cuidados com as populações animais domesticadas. É pena que muitas dessas leis ainda não geram políticas públicas que enfrentem o problema.

O que esperar de uma criança que vive dentro dessa conjuntura, que ganha um bicho por impulso dela mesma ou de seus pais, tios ou padrinhos? A criança que, em seu dia-a-dia, convive com a visão de que tudo pode ser descartável estará replicando isso com o que ganha de presente. Ganha um filhote que, no início, é um encanto (uma “criança não humana”), com o tempo o animal cresce e “o brinquedo fica velho”, cansando e atrapalhando os pais. Estes resolvem o problema jogando o animal nas ruas ou nas casas de pessoas já sobrecarregadas de animais, que há tempos sofrem com esse círculo vicioso. Esse é o resultado da coisificação da vida. O bicho virou lixo.

Do ponto de vista pedagógico, percebemos que nossas crianças convivem com o abandono e com o descaso para com os animais e o meio ambiente como um todo. Presenciam, acompanham, fazem. Resta acreditar na mobilização de cidadãos planetários, consumidores conscientes, cientes de seus direitos e deveres, educadores ambientais, enfim, agentes transformadores da realidade.

Por isso, neste Natal, é importante repensar o que seria um bom presente para comemorar o aniversário de Jesus Cristo, que nasceu numa manjedoura, acolhido num humilde abrigo para animais e que é também chamado de “Cordeiro de Deus”. Que nesse 2009 olhemos para todas as formas de vida terrestre, humana e não humana, como olharia Jesus, que nos disse: “Amai ao próximo como a ti mesmo”. Mahatma Gandhi, humilde revolucionário da paz, que fez uma revolução sem armas, marcou a visão de mundo biocêntrica dizendo: “Tudo que vive é o teu próximo”.

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