Sexta sem pele

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Este dia 28 de novembro é a Sexta-feira Sem Pele, ou FFF – Fur Free Friday. Simultaneamente, grupos de todo o mundo protestam contra a cruel indústria de peles, em todos os continentes. Uma demonstração de repúdio à produção comercial que trata os animais como produtos para embelezamento fútil. Quem ainda acredita que milhões de guaxinins, arminhos, raposas, martas, chinchilas, coelhos e demais animais peludos entregam todos os anos sua pele de boa vontade para os humanos, ou obedecendo alguma ordem natural das coisas, deve tentar assistir a qualquer vídeo sobre o assunto, na Internet. Tentar, porque não é uma experiência agradável e fácil de ser esquecida. Animais são mantidos durante toda a vida em gaiolas, caçados ou aprisionados em armadilhas, para então ter toda a pele arrancada da carne, a seco. Fosse um cachorro, a gritaria seria geral.

Usei a expressão ‘boa vontade’ pois muitos livros infantis dão a entender que a vaca fornece seu leite para os humanos com amor, o porquinho cede o salame, o cavalo carrega peso feliz, a galinha entrega seus ovos enquanto diz ‘có-có’ para o fazendeiro, etc. Ninguém perturba essa harmonia. Mas a realidade não é essa.

Quanto às peles, não se trata apenas de peças isoladas de Armani ou Gaultier, dadas de presente por um ricaço a sua elegante esposa – ainda assim, confrontaria o direito básico ao não-esfolamento. É um mercado bilionário, com celebridades como Jennifer Lopez vendendo a idéia de que usar pele é chique. E a verdade sangrenta de como aquele pedaço felpudo chegou até aquele pescoço hollywoodiano seria interesse apenas de radicais, estraga-prazeres da moda e da beleza. E das convenções sociais.

No Brasil

Porque a pele fofa e felpuda nos remete a animais selvagens dos climas frios, não significa que a pele de outros animais não seja comercializada. Basta olhar o sapato da pessoa ao lado, talvez o seu próprio sapato. Há enormes chances de ser de couro – pense bem, é a pele de um bovino. Aqui no RS, pelego de ovelha é sinônimo de maciez e aconchego, e praticamente todo o vestuário e acessórios são produzidos em couro, com orgulho. Produto esse que, curiosamente, foi objeto de exploração antes mesmo da carne. “(…) Iniciando o comércio de couro e sebo, sendo a carne em sua maior parte desprezada”, diz um estudo sobre a ocupação do RS no século 17, feito pela UFSM.

E não, a vaca não dá sua pele de boa vontade, enquanto faz ‘mu-mu’ para o humano. Fomos enganados, quando crianças.

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