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Casey Taft

“Carta aberta aos anfitriões não-veganos das festas de fim de ano”

29 de dezembro de 2015 às 19:00

Por VeganPublishers*

Foto: Blog Qual é Sua

Foto: Blog Qual é Sua

Conforme você se prepara para ver seu membro vegano da família nas próximas festas de fim de ano, eu gostaria de dizer algumas coisas que seu ente querido pode não ser capaz de dizer. Não estou escrevendo esta carta para você sentir raiva ou vergonha, mas sim para encorajá-lo a tentar desenvolver um maior conhecimento sobre o que está acontecendo com o seu familiar.

Para preparar o caminho, permita-me envolver você em um experimento de reflexão que eu gostaria que você realmente levasse a sério. Imagine que você está indo para um evento de fim de ano que está servindo um gato assado como prato principal. Imagine que o anfitrião “prepara” o gato morto, removendo suas entranhas, inserindo migalhas de pão em sua cavidade anal e colocando seu corpo no forno. Mais tarde, quando o gato está totalmente assado, você se senta à mesa observando os outros destrinchando o gato alegremente, como se não estivessem comendo um gato na frente de você. (Estou supondo que você não vai participar jantando o gato neste cenário.)

A cena termina. O pensamento de participar deste evento é perturbador para você? Como você se sente sobre os participantes? Se você é como a maioria das pessoas, este cenário seria profundamente perturbador. Bem-vindo ao mundo de ser vegan durante uma fim de ano não-vegan.

Um aspecto importante da ética vegana é que vemos todos os animais sencientes como sendo igualmente merecedores da vida. Nós não fazemos distinções entre o valor de um peru vs. um gato. vs. um golfinho vs. um cão vs. uma vaca.

A única coisa que realmente distingue este pensamento, diferenciando os animais uns dos outros, é o que nós fomos ensinados sobre o seu “uso”. A sociedade vê matar e comer perus como aceitável, enquanto outros animais são considerados fora dos limites do consumo.

Para os veganos, todos os animais estão fora dos limites do consumo, uma vez que todos pensam e sentem; todos têm desejo de viver, assim como nós. Não há nenhuma diferença entre as espécies na mente de um vegan. Vegans desaprenderam as distinções arbitrárias entre eles, e por isso é tão perturbador testemunhar o dano feito a um peru ou a porco como é testemunhar o dano feito a um gato ou a um cão. Nós já não vemos a diferença como não-vegans vêem e muitos de nós constroem relacionamentos com animais destas espécies “de fazenda”, como os outros talvez façam com um animal doméstico tradicional.

Então, se você tem membros vegans da família vindo para seu fim de ano não-vegan, gostaria que você esteja ciente de que é provavelmente muito difícil para eles. Não só porque eles têm de testemunhar a mutilação e o consumo de um animal que queria viver, mas também porque estão observando aqueles com quem mais se importam participando disso diretamente.

Eu espero que você entenda que o seus entes queridos vegans se importam muito com você – tanto que decidiram juntar-se ao seu evento, apesar do fato de que podem ficar profundamente chateados por sua participação no sofrimento animal. Mas, para ser franco, eles também ficam provavelmente decepcionados, porque sabem que você é uma pessoa amável, mas sua participação neste crueldade contraria a grande consideração que têm por você.

Eu estou supondo que seus entes queridos vegans sentem pelo menos algum grau de rejeição por você, porque, se você realmente procurasse entender por que eles escolheram ser vegans, você também seria vegan. Não há nenhuma justificação lógica ou ética para matar e comer animais, uma vez que é biologicamente desnecessário e não-saudável para nós. Isso pode ser a coisa mais difícil em tudo para eles; eles querem tanto que você entenda a compaixão que eles têm pelos animais, porque é grande parte de quem são como pessoa.

Para muitos vegans, as festas também são agridoce porque nos lembramos com carinho das vezes anteriores, quando nos reuníamos com a família e compartilhávamos como nós mudamos e o que nós aprendemos, enquanto vivendo nossas vidas separadas, mas relacionadas. Isso pode não ser possível quando se vira vegan, já que muitos não querem ouvir sobre como nós desenvolvemos uma maior compaixão pelos animais e um desejo de promover a justiça para eles.

Eu entendo que sua resposta poderia ser “minha casa, minhas regras”, que é certamente sua prerrogativa. Você não tem nenhuma obrigação de ser obsequioso com seu ente querido vegan tendo uma festa de fim de ano vegan. No entanto, pela mesma razão, lhe peço que respeite a decisão deles de se absterem de participar de fins de ano futuros em sua casa, se isso for a escolha deles, pois podem de forma semelhante decidir o que é melhor para eles e o que são capazes de testemunhar. Para alguns vegans, simplesmente não é saudável para eles ou para seu relacionamento com eles, ser exposto a crueldade animal e eles precisam decidir isso por si mesmos. Muitos vegans preferem simplesmente passar festas de fim de ano veganas em suas próprias casas, onde eles podem evitar a exposição à crueldade animal.

Então, meu último pedido é para realmente ouvir seu ente querido vegan durante os fins de ano e tentar entender melhor como eles mudaram e por que eles são tão apaixonados por ajudar os animais. Talvez na próxima temporada de férias, você possa mostrar-lhes que você realmente entende fazendo uma festa vegana, ou melhor ainda, virar vegan por si mesmo – que seria o maior presente que você poderia dar a seu ente querido vegan e aos animais que não serão mais prejudicados.

Casey Taft é co-proprietário da Vegan Publishers, professor de psiquiatria na Escola de Medicina da Universidade de Boston. Ele é um pesquisador internacionalmente reconhecido na área de prevenção da violência, ganhando prêmios de prestígio por seu trabalho na Sociedade Internacional para Estudos de Estresse Traumático, o Instituto de Violência, Abuso e Trauma, e os Centro de Controle e Prevenção de Doenças. Ele publicou mais de 100 artigos em revistas, capítulos de livros e relatórios científicos, e tem um livro a caminho sobre prevenção de violência traumática, publicada pela American Psychological Association

Traduzido e adaptado pelo Veggi & Tal.

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