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Exploração e esquecimento

Homem se recusa a abandonar chimpanzé mesmo quando todos os outros o fizeram

29 de janeiro de 2016 às 22:00

Divulgação

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Por mais de 30 anos, o chimpanzé Ponso tem vivido em uma ilha deserta ao largo da Costa do Marfim. Ele não tem nenhuma fonte de alimento ou água, e todos os seus companheiros morreram anos atrás.

Mas, graças a um homem, ele está vivo.

Durante vários anos, um aldeão chamado Germain, apesar de sua renda limitada, passava para deixar comida para o chimpanzé solitário. Apesar de a dieta de pão e bananas não ser o suficiente para que o velho chimpanzé de cerca de 40 anos prosperasse, é o que o mantinha vivo.

No entanto, o triste destino de Ponso é nada comparado com o seu passado. Durante anos ele foi usado em testes dolorosos pelo New York Blood Center (NYBC), que conduziu uma pesquisa de hepatite usando dezenas de chimpanzés, muitos dos quais foram capturados no meio natural.

Enquanto preso nos laboratórios, os chimpanzés enfrentaram dezenas de biópsias e anestesias. Um perdeu seu olho quando os pesquisadores atiraram em seu rosto com um dardo; outro tinha apenas um braço depois de ser atingido com uma bala destinada a sua mãe – caçadores a mataram para que ele pudesse ser sequestrado e levado ao laboratório.

Algumas mães perderam bebê após bebê; outros chimpanzés estrangularam a si mesmos no centro de pesquisa, onde durante muitos anos viveram acorrentados pelo pescoço.

No entanto, quando os testes acabaram, a NYBC decidiu abandonar os chimpanzés, despejando-os em uma cadeia de ilhas perto de Liberia, como a que Ponso vive. Eles não tinham nenhuma fonte de alimentos ou de água doce, e muitos morreram logo depois, de doenças e fome.

O próprio Ponso era um dos 20 chimpanzés abandonados em 1983, mas, nas palavras de um grupo de socorro, a ilha tornou-se logo um “verdadeiro massacre”. Em poucos meses, metade dos animais estavam mortos ou desaparecidos.

Os nove sobreviventes foram realocados. Um curto espaço de tempo depois, mais cinco deles estavam mortos.
Ponso foi o único sobrevivente, junto com sua companheira e seus dois filhos. Mas o resto de sua pequena família morreu dentro de dias, um após o outro, em 2013. Germain, o aldeão que os alimentava, informou que Ponso ajudou a enterrar sua família jogando terra sobre eles.

Desde então, o chimpanzé idoso – que tem, pelo menos, 40 anos de idade – tem passado seus dias sozinho e abandonado na pacata ilha.

“Imagine-se sozinho em uma ilha que não oferece recursos, esperando ouvir o menor sinal ou ruído que indica um visitante”, SOS Ponso, um grupo dedicado a salvar o chimpanzé solitário, escreveu no Facebook. “É a isto que a vida triste de Ponso é reduzida!”

“Ele espera pela morte, sozinho, chorando e responde de forma intermitente aos gritos de chimpanzés selvagens”, acrescentou o grupo. “Mas que recompensa, após ter sido usado por anos por um grande laboratório.”

E justamente quando parecia que as coisas não poderiam ficar piores para os chimpanzés abandonados, ficou. Enquanto a NYBC aparentemente tinha desistido de Ponso há muito tempo, o grupo estava mantendo colônias maiores de chimpanzés vivos, deixando-lhes alimentos e proporcionando-lhes vacinação.

Mas no ano passado, a NYBC anunciou que estavam cortando todo o apoio aos chimpanzés, incluindo uma ilha que é o lar de 60 a 70 animais, de bom grado deixando-os morrer de fome. O centro argumentou que uma vez que não tinham a obrigação legal de cuidar deles, não havia problema em deixá-los morrer.

O movimento foi amplamente condenado pela comunidade científica. Jane Goodall chamou a decisão da NYBC de “completamente chocante e inaceitável”. A primatologista disse ao New York Times, “Nunca, nunca vi nada nem remotamente tão repugnante como isso.”

Mas a indignação caiu em ouvidos surdos. Grupos de proteção animal foram até as ilhas, onde verificaram que os chimpanzés tinham sido deixados sem água fresca, e lideram esforços para alimentar e cuidar da ilha da Libéria com a grande colônia chimpanzé.

Quanto a Ponso, o mais solitário dos chimpanzés, um grupo que se autodenomina SOS Ponso foi formado para certificar-se de que ele recebe cuidados de que precisa. Atualmente, Ponso recebe entregas de alimentos frescos vindos de doações e uma equipe de cuidadores internacionais.

Fonte: Veggi & Tal

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