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Zoológicos e Animais

27 de agosto de 2014
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Devido a fatos recentes os Zoológicos tem obtido um grande espaço na mídia, trazendo a tona a discussão de sua utilidade e função em relação aos animais e a sociedade.
Abordando essa duas visões principais que se baseiam no interesse humano x interesse dos animais, tentaremos chegar a uma constante que satisfaça as duas vertentes.
Os zoológicos foram criados na Inglaterra no início do século passado para exibir humanos, especialmente aqueles com deficiência e os de origem diferente. Para os conceitos da época era também comum e aceitável as visitas a manicômios como forma de diversão. Rapidamente, os humanos, perceberam que esse tipo de exposição era uma afronta contra a própria espécie, não sendo apropriado exibir suas deformidades e atrasos, e com o tempo os animais substituíram os humanos.
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Obviamente qualquer tipo de exploração animal é inconcebível em uma cultura mais avançada moralmente, assim o uso de animais para a exposição em troca de dinheiro, já se torna motivo suficiente para considerarmos que há exploração animal presente e sermos contra essa instituição. Mas não devemos deixar de considerar os fatores “ditos positivos” dos zoológicos: a manutenção e reprodução das espécies, o estudo e mesmo a exposição para o conhecimento e ensino das novas gerações.
Em relação a manutenção, reprodução e estudo, o zoológico se torna menos adequado que outras instituições como: “reservas ecológicas” e “santuários selvagens” onde os animais podem ter uma condição de vida mais próxima ao natural. Dando a oportunidade deles serem estudados sem interferências externas e diminuindo o estresse da “exposição pública” que provoca queda de imunidade dificultando a manutenção da saúde e a reprodução.
Imaginar que um animal irá se comportar de maneira idêntica a natureza quando exposto a visitação pública é muita ingenuidade e extrapolação viciada e corruptível. Qualquer animal que esteja exposto a um “público” barulhento e agitado, ficará estressado e inquieto.
Isso se dá com os predadores, mas principalmente com aqueles considerados presas que sentem medo e consideram todos os animais de espécies diferentes como fatores de risco.
Em relação à instrução das futuras gerações, nossas crianças aprendem muito mais através de documentários e filmes, que demonstram os animais em seu ambiente natural, vivendo suas vidas de forma cotidiana do que presenciando um animal enjaulado em um ambiente artificial e com suas características de espécie deformadas pela interferência humana.
Deste modo todo o conceito de “Zoológico” deve ser repensado. Os animais devem ser priorizados e o público considerado, no máximo, como um feliz efeito colateral. Dando condição a uma vida natural, completa e que possibilite a reprodução e o estudo daquela espécie.
Na Dinamarca já existe o projeto de uma “reserva ecológica”, um zoológico, que pretende permitir que seus visitantes passeiem entre animais soltos, estando invisíveis para eles.
No projeto futurístico do renomado arquiteto dinamarquês Bjarke Ingels, o público entrará em cápsulas espelhadas, se esconderá atrás de troncos de árvores ou debaixo da terra.
O conceito tem o objetivo de permitir a visitação em 120 hectares de habitat perturbando os animais o mínimo possível. Para isso, projetou um intrincado sistema de teleféricos, cápsulas flutuantes e esconderijos, entre eles, buracos de observação dentro de montes falsos. O Zootopia deve substituir o atual zoológico de Givskud, no sul da Dinamarca.
Outra maneira de atualizar o conceito de “Zoológico” é o uso de robôs e hologramas para criar animais virtuais que podem se comportar de maneira “programável” demonstrando suas reais reações e interações como se estivessem na natureza.
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Muito mais educativos e trazendo uma ideia mais realista, que animais reais em ambientes artificiais, esses robôs e hologramas ainda poderiam permitir uma maior e mais próxima interação entre o publico e os animais artificiais. As possibilidades são tão promissoras que poderemos incluir nesses zoológicos robóticos animais já extintos como; Mamutes e Dinossauros, criando as perspectivas de estudo e interação jamais imaginadas e que poderão ser visualizadas e compreendidas pelo publico em geral.
Deste modo o primitivo conceito de “zoológico” tende a se extinguir, pois não consegue cumprir com eficiência seus objetivos. Não é a melhor maneira de: preservar as espécies animais, reproduzir e expô-las a visitação, também não é essencial a educação das crianças já que os documentários e filmes especializados são muito mais educativos e práticos que a visitação pura e simples. E como diversão acaba entrando no conceito de exploração, e com o aumento da preocupação com os direitos dos animais, acabará entrando em conflito direto com o mesmo.
Isso sem considerarmos que muitas vezes suas instalações são precárias e improprias e improvisadas levando os animais e o público a riscos graves e desnecessários como temos visto nos últimos tempos.

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