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Sempre estranho as acusações de Francione contra Singer. Francione faz um trabalho inestimável, pois vindo do direito, acaba por dar um braço jurídico à defesa dos direitos dos animais, algo que a argumentação ética de Singer não pretende fazer.
Singer é abolicionista, embora não tenha usado tal expressão, que, se minha memória não me trai agora, foi usada apenas uma vez por Tom Regan. Essa vez eu a apanhei e passei a usar no Brasil, antes de qualquer outra pessoa.
Bem, estranho em Francione uma argumentação que não se sustenta, a não ser sobre os pilares da argumentação do Singer. Lá do alto, sentado sobre os ombros do gigante, obviamente o Francione vislumbra algo que Singer não chegou a elaborar com todas as letras, mas formatou numa matriz que Francione agora pode aplicar para fazer seus escritos.
Nunca vi Singer defendendo o onívorismo consciente. Mas, em seu livro, Ética na Alimentação, ele faz comparações entre quatro tipos diferentes de dietas. Nessas comparações, há passagens nas quais ele admite que é menos pior uma delas, do que as outras. Daí muita gente usar essas passagens para desqualificar Singer. Inclusive Francione. Lamentável.
Dizer que é menos pior passar pomada contra sarna no cão, do que deixar que ele fique sofrendo com as sarnas, não é abolicionista, obviamente, porque, o ato de passar a pomada no cão não o liberta do sistema de detenção ao qual está condenado, porque humanos gostam de eleger a espécie canina como objeto de estimação.
Mas, embora a posição abolicionista defenda a libertação total de todos os animais, e, veja, isso devemos historicamente, primeiro a Singer, e não a Francione, que só veio vinte anos depois de Singer, nenhum abolicionista genuíno condenaria qualquer pessoa que oferecesse água e comida a um cão sedento e esfomeado! Isso, é o que Singer admite, e o que fazem as protetoras de cães e gatos. Mas, isso, não é bem-estarismo, é um ato de compaixão, é “socorrismo”. Claro, se essas pessoas ficam apenas passando pomada nas áreas tomadas pela sarna, no cão, e não vão além disso, então elas não podem esperar dos abolicionistas nenhuma palmadinha de consolo no ombro.
Portanto, quando usamos o termo bem-estarismo, precisamos deixar claro que ele se destina a nomear o sistema de exploração e morte dos animais para beneficiar humanos, um sistema que aumenta as gaiolas e as correntes, fingindo que se preocupa com o bem próprio dos animais, e confundindo o bem que é específico e particular a cada indivíduo, com dar algum suprimento para que a “qualidade” do produto final não seja prejudicada.
Bem-estarismo não visa o bem dos animais, visa o lucro dos produtores e a segurança dos consumidores, por isso desperta tanta indignação nos abolicionistas. De fato, está errado usar esse termo para designar gente que não se importa com o bem próprio dos animais, gente que apenas diminui, quando o faz, o mal-estar deles.
Então, para não magoar tanto as pessoas que cuidam dos animais estragados pelas outras, poderíamos ter uma terceira categoria, que não seria referida com o termo bem-estarista, nem abolicionista, até prova em contrário, por exemplo, na falta de inspiração momentânea, “socorrista” animalista. Acho ótimo!
Temos, então, os bem-estaristas, esses que o Leon Denis, em sua Coluna Educação Vegana, [Contraponto – Parte III – A origem do mal] rudemente chamou com palavras duras, quero dizer, os que defendem o sistemão como ele está aí posto, apenas ampliando o espaço ou implementando algum alívio para os animais que seguem na fila da morte; os abolicionistas, que claramente se opõem à toda e qualquer forma de confinamento dos animais para exploração que beneficie humanos; e, finalmente, os socorristas, que cuidam dos animais estragados pelos primeiros, sem com isso dizer que são favoráveis ao confinamento e exploração dos animais. Esse último grupo não é bem-estarista, no sentido mais usado do termo, é “socorrista”. Ninguém, em sã consciência, pode criticar qualquer ser humano que venha em socorro de um animal, humano ou não-humano, ferido e em necessidade. Mas, também em sã consciência, ninguém pode parabenizar aqueles que se põem na posição bem-estarista, pois são eles quem sustentam o sistema.
Mas, que isso fique claro, nem todas as socorristas são abolicionistas. Nem todas as socorristas são bem-estaristas. Por haver uma enorme diferença na posição de umas, em relação a das outras, é que temos embates feios no movimento de defesa dos animais. Mas, esses embates, no que posso acompanhar, têm sido muito ricos, e sou uma filósofa feliz, porque introduzi esse debate teórico no Brasil e agora disponho dessa comunidade maravilhosa, da qual Gianna, Andresa, Sarah R., Vitor, Pedro, Luciano, Leon fazem parte, entre dezenas de outras pessoas, para poder aprofundar os conceitos. Devo a vocês, hoje, ter a faísca para entender que precisamos urgentemente de uma terceira categoria conceitual e ética, a de socorristas animalistas, designando as pessoas, que são milhares pelo Brasil afora, que vivem socorrendo animais feridos e abandonados pelo descaso dos demais.
Tenho muito respeito pelas socorristas. Tenho abjeção por bem-estaristas. Empenho-me pela abolição de todas as formas de exploração animal, sem especismos eletivos ou elitistas.
Resumindo:
Bem-estaristas= apoiam o sistema de exploração animal.
Abolicionistas= defendem a abolição desse sistema.
Socorristas= prestam serviço aos animais feridos ou abandonados pelo resto da sociedade, visivelmente bem-estarista, no sentido acima.
Não sou abolicionista, pois não acho que seja errado comer ovos e leite e mel, apesar de achar errada a maneira como isso se dá em termos industriais. O ser humano precisa da B12 que encontra nos ovos e leite, e isso legitima o consumo desses produtos tanto quanto é legitimo um gato comer roedores e pássaros. Também não acho errado ter bichos de estimação, respeitando-se princípios básicos. Não acho que a humanidade deva se separar radicalmente dos demais animais — e o que os abolicionistas querem, me parece, é isso: deixar as cidades puramente humanas e a natureza selvagem para os animais. Não acho que isso seja saudável para nenhuma das partes. Sou ovo-lacto-vegetariano, crio gatos que peguei na rua, alimento frequentemente gatos de rua e não acho que o veganismo (por mais que eu pessoalmente o prefira à dieta carnívora) seja a melhor opção.
Johann,
apesar de comer animais e derivados do leite, as pessoas estão sofrendo com deficiência da B12. Assim, pode ser que você esteja apenas se iludindo, ao justificar, pela necessidade da B12, a ingestão de leite e laticínios. É prudente mandar medir os níveis de sua B12 e garantir que não baixem de 550, mesmo que o laboratório diga que entre 180 e 920 está tudo bem.
quanto às suas outras escolhas, elas são suas e formam seu padrão de consciência. Você responde e responderá por elas perante a humanidade e os animais.
As cidades não são saudáveis nem para os humanos, que dirá para os não-humanos! Os cães, por exemplo, foram acostumados a ficar junto dos humanos há milênios. Mas, os humanos que os domesticaram moravam no campo e lá viviam para sempre junto com os animais que domesticaram. Que diferença, não?
Agora, não queremos abrir mão do nosso direito de possuir um animal, mas nos esquecemos da liberdade que eles podem ter no campo e não podem na cidade. Então, para exercer nosso direito, os confinamos em nossos apartamentos, garagens, porões, sótãos, gaiolas, jaulas, cercadinhos. E achamos que somos os bambambam do planeta fazendo isso! Uma lástima para os animais.
Singer é abolicionista? Acredito que você deveria ler o prefácio do livro “The future of animal farming”, o qual foi ele quem escreveu. Sob o ponto de vista filosófico, ele é utilitarista.
Boa tarde, Johann,
sou vegana e bióloga, e utilizo a B12 de origem sintética, em capsulas vegetais. Nada legitima o uso de produtos animais, que só existem para benefício deles. Leite serve para alimentar filhotes de mamíferos, ovos são recursos reprodutivos de algumas espécies, mel são produtos das abelhas e só a elas servem. Gatos foram domesticados e por isso acabam comendo pássaros e roedores, animais que também se aproximaram do ser humano. Os gatos são carnívoros, isso os legitima a comer caça. Mas humanos não sao carnívoros, são onívoros, e fazem o que fazem por completa falta de caráter.
Minha B12 antes de ser vegetariana era deficiente, quando ovolacto foi deficiente e hoje, sendo vegana está ótima, posso colar um print no meu blog para quem quiser conferir. Fiz exame de b12 na semana passada.
Vivien
Sonia Felipe é uma filósofa, e foi ela quem trouxe esse debate para o Brasil, através de seus trabalhos e livros. Ela inclusive estudou Singer e possuo alguns de seus livros sobre o trabalho desse filósofo aqui na minha estante. Ela, como ninguém, sabe do que fala, pois seus livros são muito bem escritos, e ela estudou bastante sobre o trabalho de Singer.
Sonia Felipe,
seu artigo toca num ponto muito importante na causa animal. Os diversos preconceitos acerca do que é ser bem estarista, abolicionista, etc. Temos visto muita gente que se intitula abolicionista, mas no fundo, nada faz pela causa, e outros, abolicionistas, mas que por questões estratégicas, precisam tomar atitudes socorristas, como bem descreve. Amei o termo e, como no feminismo, só quando um termo foi cunhado é que se pode saber o que se estava sentindo, por isso a importancia das palavras certas.
Não curti o livro de singer sobre a alimentação, mas com certeza o libertação animal foi o livro que fez muita gente virar vegana, pelo impacto que causou. Admiro muito Francione, e apoio imensamente os protetores de animais. Só me irrita muito alguns protetores que, numa forma de preconceito, acham que todos os veganos são isso ou aquilo, e na sua atitude do dia a dia só enxugam gelo, não mudam em nada a realidade, nem dos cães e gatos de que lutam… Mas isso não é a maioria, é apenas alguns, certamente. Ajudo protetores, ongs, até grupos religiosos, quando sei que o bem maior é revertido para os animais. Mas o abolicionismo é o caminho, senão, apenas estaremos amainando a consciência. O que fazemos deve ser pelos animais e não pela nossa ‘saúde’, por isso o veganismo é tão efetivo. Faz bem a saúde e é a única forma de ativismo que realmente liberta os animais.
Que bom ler isso. Sempre achei um desaforo a grande maioria de ataques destinados ao Peter Singer, tanto como pessoa quanto em relação a obra. Não estou dizendo que não existam falhas, mas a maioria desses ataques me parecem ser por vaidade, num sentido de destruí-lo e se apoderar num estilo plágio ou para roubar a cena se aproveitando do fenômeno alheio, por interpretação superficial do que ele coloca em perspectiva duma maneira bem complexa e que nem sempre conclui, apesar de manifestar o que entende ser mais adequado para ele em virtude de sua linha de pensamento e por aí adiante. Por exemplo, numa situação hipotética, seu eu disser que, em determinada circunstância “especial”, um animal “parece” manifestar desejo por um humano, e que para ambos “talvez” um ato sexual entre espécies diferentes não causaria danos a ninguém e “talvez” trouxesse algum benefício ou alívio seria isso defender a zoofilia ou colocar uma situação hipotética em perspectiva? Eu não tenho certeza na resposta, mas duma questão polêmica isso não deriva para um ataque contra quem colocou tal questão como defensor da zoofilia. Com o Peter Singer isso parece acontecer aos quilos ao meu ver, ataques levianos ao estilo que escrevi acima. Também me sinto contemplado na diferenciação entre não ser possível, muitas vezes, ser contra o “menos pior” versus ser defensor do bem estarismo, ainda que o limite entre um e outro seja pano pra muita manga. Abraços!
Fico aliviado com esse texto, pois eu ando incomodado com o patrulhamento que está ocorrendo em parte da causa animal. Sei de gente que já não lê a ANDA porque ela é… ‘bem-estarista’. Sabe aquela coisa da Revolução Francesa acabar guilhotinando seus próprios líderes? Por aí.
O que me fez escrever, meses atrás, o texto O que fazer com os peixes? ou ‘Cusparadas & assuntos-tabu’, constante em http://www.anda.jor.br/01/10/2011/o-que-fazer-com-os-peixes-ou-cusparadas-assuntos-tabu.
Aqui em Porto Alegre há a ONG Chicote Nunca Mais, que retira os cavalos das carroças, trata e aposenta. Socorrismo a abolicionismo – sou assessor de Imprensa lá, sei tudo o que é feito. Mas as pedras jogadas na entidade são por ela ser ‘bem-estarista’. Quem interpreta o nome da ONG comete um erro e demonstra ignorância – e dá-lhe pedrada em quem tira os cavalos da escravidão e tortura, e lhe dá a vida tão livre quanto se pode dar, hoje. Essa liberdade vigiada é a defesa contra a eventual captura desses animais para serem colocados no trabalho de novo. Há um lei que prevê o fim das carroças dentro de alguns anos, entao qualquer ajuda a esses animais – que diferente de um cachorro abandonado, trabalha pesado – seria bem-estarismo? Sempre acreditei que só seria se houvesse um OK para a continuidade dos veículos de tração animal, mas até aí algumas pedras começaram a acertar minha cabeça, também.
Essa terminologia vai facilitar muito daqui para frente. Parabéns mais uma vez, doutora Sônia, por estar abrindo os caminhos!
Vivien, não sei se foi isso o que você quis dizer, mas não há relação de oposição entre abolicionismo e utiltarismo. Abolicionismo é uma posição moral que prega a ilegitimidade do domínio dos animais não humanos pelos animais humanos, posição à qual se pode chegar por inúmeras vias éticas. Utilitarismo é uma escola ética de pensamento, que não se refere especificamente a um ou outro assunto, mas a um método de calcular e resolver questões éticas sobre quaisquer problemas, não só os relacionados à causa animal.
Quanto aos abolicionistas xiitas, que não hesitam declarar guerra aos ativistas mais diplomáticos, reforço a mensagem do Márcio: cuidado com o jacobinismo exagerado. Como dizia Lincoln, “uma casa dividida contra si mesma não pode permanecer”.
Ótimo Douglas, muito bem colocado. Principalmente com relação aos abolicionistas ‘ xiitas’ (na verdade não curto muito esta palavra), que acabam se colocando no mesmo naipe daqueles que comem carne e desdenham todo o trabalho dos ativistas. Me parece que entram aqui na ANDA apenas para diminuir o trabalho de pessoas que se dedicam a escrever e colocar em visibilidade a causa animal, que ainda bem, está a cada dia mais em voga e por isso mesmo, vem recebendo tantas ‘críticas’.
Nós que escrevemos aqui, não somos meros ‘escritores eventuais’ que nas horas vagas resolvem colocar suas emoções à flor da pele. Somos ativistas preocupados em colocar certas questões à tona, para os ativistas e para os demais interessados, principalmente para estes. Como diz Sonia Felipe, é muito bom quando alguém ‘se incomoda’ mesmo que negativamente, pois esta pessoa está com uma pontinha, uma faísca, um estopim para uma mudança que ocorreu em todos nós. Agora tem gente que gosta mesmo é de provocar briguinhas e xingar por nada, estes melhor ignorar, e infelizmente estão dentro da causa também. Já está muito comum ouvir que tudo está errado, que fulano está errado, que ciclano não presta, etc.
Mas também acho importante que exista certos questionamentos, que não devem ser considerados como ‘brigas
(continuando) mas sim como provocações que servem para estimular mudanças nas pessoas. Pois se escrevermos só sobre coisas bonitinhas e legais, as coisas ficam por isso mesmo e conheço muita gente que de tão acomodada começou a achar natural usar produtos testados, e quando viu já estava comendo carne, mas ainda se “considerava ativista”, assim não dá né gente….
Por isso, (falando do meu caso), escrevo quase sempre como provocação, com o sentido de desestabilizar os pilares da civilização, como nada modestamente diz Ezio Flavio Bazzo, escritor que sou fã.
Há quem use o termo utilitarismo sem conhecer seu sentido filosófico e ético. Essa concepção adota a dor e todos os nomes da dor, o prazer e todos os nomes do prazer, como critério para julgar se uma ação é boa ou má, do ponto de vista moral. Singer é utilitarista preferencial. Isso quer dizer que a dor e o prazer de um animal, humano ou não-humano, contam prioritariamente quando estamos julgando a natureza das nossas ações. Entre as dores mais atrozes, para qualquer animal, está o aprisionamento. Também a tortura, física ou emocional, conta como critério para desqualificar moralmente qualquer ação. E, por fim, a morte é o maior critério, porque, uma vez morto, já não será possível a nenhum animal sentir prazer e fruir sua existência.
Singer foi o primeiro filósofo a defender que todos os animais são iguais em interesses fundamentais, e que os interesses fundamentais deles não devem ser confundidos com atender aos interesses fundamentais e triviais dos humanos. Para ele, o ser humano só se tornará ético no dia em que libertar todos os animais. Foi a partir desse modelo ou proposta que Francione elaborou sua teoria da abolição de todas as formas de propriedade sobre os animais. Libertação animal! Com a diferença de que Francione afirma essa libertação como um direito animal, enquanto Singer afirma essa libertação como um dever humano. Um usa a linguagem dos direitos. Outro, a dos deveres. Mas, no fim das contas, o que importa, para Singer, são as consequências das ações humanas. Se as ações levam à libertação dos animais, elas são éticas em relação a eles. Se não levam, não são. O que conta, sempre, é a perspectiva do animal, não os interesses humanos.
Amei o texto, extremamente necessário, bem como todos os comentários, sem exceção (tirando o de achar que a necessidade de b12 legitima leite e ovos – esse não amei mas acho pertinente, pois dá oportunidade de colocarmos argumentos contrários e quem sabe, com educação e respeito, convencer o colega do contrário).
Ao contrário de algumas pessoas que estão deixando de ler ANDA porque seria supostamente bem-estarista, eu estive pensando seriamente em não abrir mais o site por conta de tantas agressões pessoais e baixarias a pessoas supostamente-não-tão-abolicionistas quanto os agressores, ainda que se tratem de pessoas que estão procurando fazer o que acham que podem pelos animais, caso contrário não estariam aqui discutindo e se informando sobre o tema. Em vez dos abolicionistas ficarem extremamente felizes com a oportunidade fácil de convencer mais uma pessoa com nossos argumentos inabaláveis, eles frequentemente estão enxotando e maltratando a pessoa. Podem ver que é verdade, leiam os posts de outras reportagens e colunas que irão observar isso. E posso garantir que essa não é a melhor maneira de conseguir adeptos (quem gosta de ser xingado, desconsiderado, agredido?), e se não convencermos as pessoas, os animais irão continuar a sofrer. Tom Regan (sim, o nosso papa!) avisa sobre esses perigos que estão acontecendo aqui e em outros lugares, pois afasta os relutantes e desencoraja a população a defender os animais. Ele chama de: “o chega-pra-lá da ‘certeza exagerada da própria virtude’”. Cito os seguintes trechos: “Alguns relutantes são desencorajados pela certeza exagerada da própria virtude com que se deparam. ‘sim, direitos animais é uma nobre idéia’, dizem eles, “mas veja o que essa idéia faz com as pessoas; faz com que pensem que são TÃO boas, TÃO puras. Quem quer ser assim?’ Eu consigo me identificar com essa reação. (,,,) Eu conheço alguns desses defensores que QUEREM QUE VOCÊ SAIBA o quanto você é mau e o quanto eles são bons.(…) Portanto, não, os defensores dos direitos animais não tem razão para se considerarem perfeitos exemplos de virtude, como se o mundo fosse dividido entre Puros e Impuros. Moralmente, somos todos matizes de cinza”.
Além de esse brilhante aviso de Regan, podemos pensar de outra forma. Direitos dos animais é ampliar o nosso círculo moral. Como se, para ver mais longe subíssemos em um mirante e animais e pessoas estivessem em nosso capo de visão e não, utilizando binóculos, mudar o foco moral das pessoas para os animais. Ou seja, respeitemos pessoas (especialmente as que estão aqui, procurando informações e formas de ajudar) e animais, SEMPRE. Se não for por simples civilidade, ética e educação, que seja pela efetividade da causa.
Ah, agradeço à Sônia pela lembrança de citar meu nome como participante do debate que ajudou a formar essa nova categoria, esse novo conceito.
Quanto à ANDA “ser bem-estarista”, acho que as pessoas julgam assim, porque o tema dos maus-tratos a cães e gatos acaba sendo a notícia mais constante em suas páginas.
Mas, se derem um pouco de atenção, verão que a ANDA dá notícia de todos os animais que viraram notícia. A ANDA posta as notícias que existem na imprensa ao redor do mundo, a cada dia, e que são captadas por ela, ou enviadas pelos “repórteres” voluntários. E a maioria relata csos de “socorro” às vítimas da violência somatofóbica.
sonia felipe você que criou o termo Socorrista?
Acho que os “socorristas” devem ser chamados apenas como, desde sempre, “protetores de animais”.
Existem protetores de animais que comem carne e existem protetores de animais vegetarianos e veganos. Existem protetores de animais ativistas, que é a militância com vistas a uma mudança social em relação à coisificação dos animais e à guarda responsável, e pela criação de políticas públicas pelos animais. E existem protetores de animais que não se interessam por assuntos relacionados a esses temas.
Da mesma, forma existem abolicionistas que se unem aos protetores de animais na militância, e outros que são capazes de passar por um animal em extremo sofrimento e nada fazer.
Dra. Sônia, apenas discordo quanto ao fato da morte ser o maior critério. Certamente, se um animal morre, não sentirá prazer futuro algum – mas este argumento, levado a um extremo, declives escorregadios à parte, pode permitir concluir que impedir a reprodução de um animal, pela castração, por exemplo, é um ato imoral porque não permite que os filhotes em potencial usufruam o prazer potencial que teriam se nascessem. Ou que um humano, ao decidir não ter filhos, está cometendo um ato imoral pois está privando o seu filho potencial do prazer potencial da vida. São exemplos absurdos, mas acho que servem para ilustrar meu ponto: a vida futura e seus prazeres só representam um prazer concreto se, de fato, se realizam. No nosso caso, morrer afeta nossos interesses porque desejamos, todos, usufruir o futuro, e antecipamos conscientemente isso. Mas como isso poderia ter a mesma densidade de interesse em um ser, por exemplo, que não trabalha com o conceito de “futuro”?
O sofrimento concreto, para mim, ainda é o maior critério. Sofrimento concreto e presente fere interesses de densidade muito maior, em um animal, do que a privação da continuidade de sua vida. Obviamente, isso não encerra a questão nem legitima que matemos o animal: ao matar, ainda estamos cometendo um ato imoral, por estabelecer uma prioridade sem fundamento (de que o conforto de “nós” possui, unicamente por ser de “nós”, preferência sobre a liberdade de “eles”) e por não ser compatível com a natureza racional do homem, que o vincula e obriga a uma série de obrigações morais às quais pode chegar pela análise racional, independente do impacto que isso tenha no nosso conforto.
Sou pela abolição total dos animais,mas realista,devemos admitir que isto é uma utopia ainda.Talvez demore centenas de anos para que aconteça de fato,pois depende diretamente da evolução humana.Para chegarmos a este objetivo nossa especie deve aderir ao vegetarianismo/veganismo…somos 9% atualmente…
Lutarei sempre pela conscientização e por leis de defesa aos animais,mas nunca deixarei de prestar socorro,como puder, aos que sofrem por conta da covardia,maldade e descaso humano…isto é apagar incêndio,enxugar gelo,não importa,o que não podemos é fechar os olhos para tanto sofrimento.
A união de todos que visam de alguma maneira o bem estar animal é a solução mais correta no momento,pois agrega valores a causa.
Sônia, agradeço a citação de meu nome em seu texto, e assim como o Marcio, fiquei muito satisfeita com o termo “socorrista”. Isto porque, como você já citou aqui na ANDA, não dá para manter a designação “protetor de animais” para pessoas que elegem somente cães e gatos como dignos de defesa. Iniciei minha jornada de consciência animal através do socorrismo a cães e gatos. Porém, a partir disso, conhecendo pessoas e grupos tanto bem estaristas como abolicionistas, assistindo documentários do lendo autores como Singer e Regan, você mesma, tendo o prazer de sua companhia aqui em Ponta Grossa e Curitiba, participando dos Encontros Nacionais de Direitos Animais (marco histórico) e outros eventos, assumi minha identidade vegana, abolicionista, e quando se faz necessário a um inocente, socorrista. Não faço mais parte de uma entidade de proteção de cães e gatos, faço isso por conta própria. Faço parte de um Movimento, do qual tenho prazer de tê-los todos como companheiros, do qual o veganismo é o primeiro despertar da real consciência animal. Abraços libertários.
Digo, assistindo documentários e lendo autores …
Li o artigo da Sra. Sônia Felipe, assim como todos os demais comentários. Confesso que estou atônito, em grande parte por ter, sem querer, adentrado em um mundo filosófico para o qual me faltam teoria e convivência.
Pretendo ler tudo novamente, desta vez com mais vagar, pois sei que deixei escapar muito na primeira leitura. Estou louco para participar de algumas destas discussões, pois me enquadro em diversas das “categorias” comentadas.
Sou carnívoro desde criancinha, tentando deixar de sê-lo há menos de 6 meses. Adoro carne, de todos os tipos, apesar de não comê-las mais com frequência, por sentimento de culpa. Tornei-me um socorrista de cães e gatos, e um ferrenho defensor de baleias, golfinhos e diversos outros animais, principalmente mamíferos. Mas, contraditoriamente, nada faço — inclusive, ainda como-os — para acabar com a matança de gado e aves para consumo da sociedade “moderna”. Tenho muitas contradições, mas em meu íntimo gostaria que animais humanos, espécie que tanto desprezo, deixassem os animais não-humanos livres e em paz.
Longe de querer me tornar apto em filosofia, por entender não ser capaz, quero me aprofundar sobre tudo isto que estão discutindo aqui. Peço sua paciência desde já.
Lilian, comentário 15, não gosto de usar o termo “protetores de animais”, porque a maioria absoluta desse grupo “não protege animais”, protege apenas uma ou duas espécies, geralmente cães e gatos, ou cães e cavalos, ou gatos e baleias, ou tartarugas e baleias… isso é especismo eletivo.
Os socorristas, por outro lado, não são necessariamente protetores dos animais, também, porque, a exemplo dos que se dizem protetores, podem apenas socorrer alguns indivíduos feridos, abandonados ou ameaçados, mas isso não quer dizer que tenham qualquer projeto de vida no sentido de contribuírem para que o sistema de excravização e matança de animais seja abolido.
Então, socorrista, é ainda um termo mais enxuto, não deixa abertura para a hipocrisia. Quando alguém se diz “protetor de animais”, mas põe no prato pedaços de animais mortos de tudo que não for cão, gato, cavalo… abre brecha para disponibilizar uma imagem de si que não corresponde à verdade. Quem “protege os animais”, não discrimina nenhum deles, portanto, não pode comer nenhum deles. Como é que você protege um porco, um frango, um boi, comendo-os?
Ainda seria mais sincero declarar-se apenas como “protetor de cães”, “protetor de gatos”, ou de uma outra espécie qualquer. Mas, isso também não corresponde à verdade, porque a pessoa nunca pode proteger os cães que estão distante de seus olhos, nem os que são maltratados na parede ao lado mas que ela não pode alcançar.
Enfim, socorrista é alguém que age no momento que algum animal aparece aos seus olhos destruído pela violência doméstica, a de alguém da família que detinha o animal em sua companhia.
Somente os veganos de fato protegem todos os animais, da morte. E mesmo os veganos sabem que precisam lutar sua vida inteira para conseguir proteger os animais de qualquer espécie, de todas as formas de crueldade às quais estão condenados, seja no sistema de criação para o abate e extração de leite e ovos, seja no da experimentação, lazer, e moda.
Thassio, comentário 14
o termo socorrista já existe para designar os que atendem às pessoas vítimas de acidentes. Agora achei que ele servia também para designar as pessoas que atendem animais vitimados pelo abandono e maus-tratos. Com ele, essas pessoas podem ser vistas pelo que fazem, sem que se interprete seu gesto como uma defesa do sistema de exploração e confinamento geral de animais que acaba resultando na crueldade contra eles. Obviamente, há muita gente que socorre animais e não está nem aí para o sofrimento das vacas, galinhas, porcos, vitelos e porcos que come todo dia.
Às vezes isso revolta dos abolicionistas e veganos, porque muito socorrista se diz “defensor dos animais”, e, convenhamos, você não pode dizer isso de alguém que come carne de animais.
Pode haver socorrista abolicionista. Essa ou esse, então, já saiu da dieta onívoro-carnista, e caminha na direção da dieta vegano-abolicionista, quer dizer, tira do prato e de qualquer lanche todos os produtos que contenham derivados de animais, de leite, ovos e mel. Sendo radical, não dá aflição. Pode dar alguma fome, porque o mundo vive a ditadura alimentar animalizada. Mas, pelo menos, com a decisão vegana, sabemos o que não queremos mais comer, e pronto!
Marcus,
Filosofia ética não é um bicho de sete cabeças. Inclusive, eu considero um dos ramos mais acessíveis da filosofia. Para facilitar, existem obras voltadas ao público não especializado, como o próprio “Ética Prática”, do Peter Singer (e eu ainda acredito que o utilitarismo, de todas as concepções éticas, é a mais acessível, por tratar de temas concretos, palpáveis e utilizando conceitos de fácil identificação).
Quanto a comer carne. Eu também adoro carne. Mas, por mais que adore, não sinto falta. Um dia simplesmente me senti “sujo” com esta contradição, e percebi, tive uma epifania, que sempre, voluntariamente, mascarei o meu dever por trás de várias camadas de fantasias e argumentos frágeis – que eu sabia perfeitamente ser frágeis – para “desculpar” minha conduta e não me sentir tão mal em proteger com unhas e dentes o meu conforto. Mas não tive outra saída, um dia, quando encarei o problema de frente e com coragem, simplesmente parei e pronto. E me surpreendi com quão pouca falta, em termos de alimento, me faz. É pouco prático, sim; seus familiares e amigos provavelmente não vão gostar, sim; você vai ser considerado “chato”, sim. Tudo isso diminui o seu conforto, principalmente o conforto social. Mas você tem que escolher entre o seu conforto e sua integridade. Eu simplesmente percebi que, independente da perda de conforto social – o alimentar nem é tão atingido assim, pois os substitutos são bem próximos – não podia viver mais ignorando meu dever de integridade.
Observo que aqui algumas vezes as pessoas acabam sendo mal educadas com os visitantes por preguiça de rebater mitos antigos e “primários”. O visitante joga o senso comum, a gente não deveria responder colocando dúvida sobre a capacidade da pessoa pensar ou ler. Pelo menos um link relevante cairia bem!
Entendo que estamos fartos de responder as mesmas coisas, mas faz parte do ativismo.
Sobre o novo termo, gostei muito! Creio que o movimento vai ficar mais unido!
Sônia, o Fernando tem razão, você abriu portas para uma possível união ao movimento, se for mantida a coerência. Isso aí, Fernando, é preciso paciência, serenidade. Coisa que nós, humanos, falíveis, precisamos exercitar sempre.
Ótimo, Gianna. Sua citação de Tom Regan sobre a certeza exagerada da própria virtude não pode ser esquecida. Esteja sempre por aqui.
Sonia T Felipe, comentário 21, sou contra rotular as pessoas dentro do movimento.
Acredito que o movimento de proteção e defesa dos animais necessita muito mais de união do que de divisão por categoria e sub categoria.
Ninguém dentro do movimento é mais importante do que o outro, cada um tem sua parcela de contribuição e de importância. Protetores de cães, protetores de gatos, protetores de cavalos e protetores de baleias tem seu papel que é fundamental na vida dos animais que protegem.
Não podemos desviar o foco que é a proteção à vida.
Até mesmo o protetor de internet, aquele que não levanta do computador pra nada, tem sua importância dentro do movimento…
Parar de comer carne, de usar produtos de origem animal, ou testados em animais, deve ser uma busca pessoal de cada um, e não uma coisa imposta por pessoas que se acham no direito de apontar o dedo a outros que sequer conhecem. Cada um dentro do movimento está em um estágio de evolução em busca do abolicionismo, e deve ser respeitado.
Penso que deveríamos nos preocupar mais em nos unir pelo mesmo ideal, do que nos separar em grupos que tem a pretensão de criar uma hierarquia num movimento que é totalmente voluntário.
Também concordo com a citação de Tom Regan. Ninguém é 100% certo ou errado, puro ou impuro. Conheço aqueles que se denominam “abolicionistas” que não socorrem animais nas ruas, nem mesmo um único, ainda que tenham condições financeiras, e “protetores de animais” que fazem churrasco e feijoada para arrecadar ração. É contraproducente essa batalha interna do movimento, dizendo que sou mais claro ou ou mais escuro do que você, sendo que somos todos cinzas. Ultimamente tenho visto muito o que o Fernando, a Gina e a Andresa e outros estão citando aqui na ANDA. Muitas pessoas, inclusive pessoas publicamente conhecidas por seus trabalhos sérios pelos animais, estão infelizmente cometendo esse equívoco destacado por Regan.
“porque o mundo vive a ditadura alimentar animalizada”, uau! que frase!
Lilian Rockenbach, você merece uma coluna só para destacar e divulgar seu comentário, pois é exatamente o que eu sinto. Chega de apontarmos o dedo para os outros com tanta persistência, vamos apontar o dedo para o caminho do bem para que mais pessoas possam enxergá-lo.
Gente, sejamos sensatos, existem diferenças. A Sônia tem contribuído no Brasil por anos e anos na sistematização de coisas que antes estavam todas no mesmo balaio. Tom Regan é um que diferencia de forma taxativa as formas de atuação, entre DDAs (entenda-se ativistas que partem do seu cotidiano vegano para agir, sim, em prol de todos os animais) e os exploradores de animais e pessoas que vão no embalo destes últimos. É importante, sim, toda esta produção, elaboração e reelaboração. O marco deste texto foi a elaboração de mais uma vertente, o socorrista, que pode ser tanto achar correto investir em práticas bem estaristas como aqueles que buscam em suas ações individuais e coletivas a abolição da exploração animal. A sociedade precisa entender esses matizes de cinza. Agora, tudo depende da abordagem, que precisa ser integradora, mas sem tapinhas nas costas de falácias. Se não, cada um continua como está sem este sentimento tão importante de eterno desequilíbrio. Não nasci vegetariana nem vegana, optei por isso após 30 anos de vida alienada, e sei que muito de vida se poupa sendo vegano. Mas isso eu tive que aprender a duras penas, quando se chega a um ponto que não se consegue mais dormir em paz continuando com práticas que mantém a exploração animal. Isso não tem fim! Abraços e estejamos em eterno diálogo, mas com uma meta à frente.
Lilian há tempos tentei deixar comentário no seu site, no novo, aquele em que tem cão vira lata, não me refiro ao antigo em que você posava com o cão da mais bela e pura raça, exuberante e esplendoroso. só que o site exige que se conecte por alguma conta, coisa que não possuo. qual a importancia do protetor que nao levanta da internet por nada? no twitter disseram que a febre das petições online são o retrato da crise de representação política em que vivemos. não sei o que isso significa. o que talvez faça de mim um analfabeto funcional. mas você é, veja bem, ASSESSORA DE DEPUTADO. a você não é concedido jogar frases no ar para que somente os intelectuais dentro do movimento comprrendam. não estou comentando o post em si, o qual não me diz respeito. não sou nada dentro do movimento. nem mesmo simpatizante. nem mesmo minha dieta é vegetariana. mas quem sou eu. mas você sim, você apesar de não gostar de rotulos deve ser pesco-pollo-carne-ovo-lacto-mel-vegetariana. lembra da carta aberta na rede bichos que a advogada e biologa lhe dirigiu? fiquei triste que após todas aqueles preciosos conselhos você tenha postado tudo que postou usando o nome do Ariel como isca. Por favor me explique como as pessoas podem se unir pelo mesmo ideal e ao mesmo tempo respeitar que cada um tem seu tempo? por exemplo, no momento em que o Ariel precisava de ajuda, você atacou o instituto ariel. desviou o foco. mas continua comentando, faz isso. vocês dentro do movimento são assim. abolicionistas que vivem em casas com jardim. já ouviram falar em bnh sem elevador? largar mão da intelectualidade e viver de forma genuinamente sustentavel no mato feito indio? no dicionário do lado da palavra forjado tem a foto de alguns de voces. até dois dias atras, sem exagero, dois dias, eram contra salvar bolinhos de bacalhau, afinal estão mortos, são cadaveres com farinha. aí aparecem forjando toda uma situação vamos salvar os bolinhos, atirem no mar que vão crescer e virar peixões. cães? são vadios, vivem muito bem no abandono! hoje, não, vejam se não fossem os abolicionistas, se nao fossem eles, ja teriam morrido. ajudar na questão da eurocopa, falar com o vaticano que coisificou os caes como voce diz Lilian, não podem. agora descobriram esse nicho e vem atacar os defensores sem nunca terem feito um resgate. certo estava o esteve jobs. pessoas inteligentes copiam ideias. pessoas geniais, roubam. parabens a todos voces intelectuais geniais. fica ai no debate do post, da coluna, lilian, você está entre os seus.
Lillian,
Permita-me discordar, mas não acredito nesta frase, “ninguém é mais importante que ninguém”. Acredito que dado um fim (a proteção da vida animal), as pessoas se diferenciam em importância, perante e em relação a este fim, de acordo com a efetividade da sua conduta. Não há como dizer que Tom Regan ou Peter Singer, por tudo o que já contribuíram, têm a mesma importância de alguém que repassou uma corrente no Facebook. Obviamente, isso exclusivamente em relação à causa em comum. Temos um afã pós-moderno, politicamente correto, de distribuir prêmios de consolação a todos com a ideia de que “todos são importantes do mesmo jeito”, mas não é bem assim.
A questão é que é altamente incoerente, por exemplo, se dizer “defensor dos animais” e comemorar na churrascaria o fato de ter salvo um cãozinho. A pessoa poderia se dizer “defensora dos cãezinhos”, com uma carga muito menor de incoerência, já que não parece muito estar preocupada com os animais em geral, mas somente com aqueles que interessam emocionalmente a ela. Isso não desmerece a pessoa, apenas coloca a sua ação em uma perspectiva. Não estaria ela classificando mal sua ação? Ou melhor: ela realmente está defendendo os cães, ou está defendendo seus próprios sentimentos (sou consequencialista, então não acredito que a moralidade de um ato seja dada pela intenção, mas percebo que muitos “defensores” simplesmente defendem o seu próprio bem-estar psicológico. Por exemplo, se negam a doar animais resgatados, que vivem em condições precárias, porque não querem se desfazer deles).
Não estamos com isso exigindo que os defensores dos cãezinhos parem imediatamente de comer carne – isso é uma questão moral entre eles e os animais que matam. O fato é que a incoerência, por ser incoerência, deve sempre ser apontada e pintada, de preferência, com cores berrantes – e você não machuca ninguém ao fazer isso, embora as pessoas possam se machucar ao se descobrirem incoerentes. Mas o erro todo, aqui, é que em vez de se apontar incoerências, há os que estão discriminando pessoas, porque elas não tiveram a coragem, a visão, ou simplesmente não acharam necessário, “ir todo o caminho” que o discriminador foi.
Isso me lembra o relato de uma amiga, psicóloga, que trabalhava com um grupo do movimento gay, na época que este movimento ainda tinha a alcunha “gays e simpatizantes”. Pois uma parcela mais agressiva do movimento decidiu declarar guerra aos “simpatizantes”, dizendo que não precisavam de “simpatia” dos heterossexuais: se não fossem gays, eram inimigos e pronto; aliás, os “simpatizantes” eram inimigos até mais perniciosos, porque “eram falsos e sem coragem de se assumir gays”. Alguns abolicionistas estão tomando o mesmo rumo: estão se isolando, discriminando, julgando e tratando de forma mais ríspida os que recém começaram, com passos tímidos, a modificar sua conduta na direção ao respeito aos animais.
sonia felipe você acha que todo vegano é abolicionista? se não qual a diferença?
Ninguém, postagem 32, costumo discutir apenas com pessoas que não se escondem, que não têm vergonha de dizer quem são, pessoas que não têm nada a esconder. Me desculpe mas você falou, falou e e somente deixou claro que o fato de eu ser assessora de deputado te incomoda.
Percebo que este incômodo o leva a me acompanhar por anos e ler o que escrevo e saber onde trabalho, sobre o que me manifesto contra ou a favor, ótimo, pena que conforme suas palavras é analfabeto funcional.
O cão da mais bela e pura raça, do meu blog anterior, sofria de osteosarcoma e já morreu. Obrigada por me lembrar dele. Foi resgatado juntamente com sua mãe e apenas dois irmão vivos, os outros sete haviam sido afogados no balde pelo tutor, só encontramos os corpos.
E quanto ao leão Ariel, leia minha postagem aqui http://www.anda.jor.br/01/08/2011/tutores-do-leao-ariel-sao-investigados-pelo-ibama , perceba que apenas escrevi depois que ele morreu e saiba que o Instituto Nina Rosa enviou uma representação ao MP de Maringá.
De resto não entendi nada do que escreveu, mas apesar de tentar ser ninguém… eu sei quem você é, e tudo o que quer, como sempre, é polêmica e atenção. Sumiu das listas?
Ao invés de se preocupar tanto com minha vida, já que você nem é simpatizante do movimento de proteção e defesa dos animais, procure abraçar uma causa, qualquer causa, faça isso com amor e responsabilidade e verá como é bom fazer algo diferente de apenas existir.
Copiando a Nina Rosa…
Luz
Há casos e casos. Tem muito ovolacto que não pretende aderir ao veganismo, mesmo depois de assistir aqueles documentários clássicos. A beleza do termo socorrista é que não diz respeito ao que ele come. Antes deste termo, os veganos muitas vezes se referiam a estas pessoas com termos bem mais depreciativos. O que é melhor, ser chamado de socorrista ou de hipócrita?
É neste sentido que prevejo um aumento de união. Chamar de socorrista é mais respeitoso e reconhece com justiça qual o mérito da pessoa.
Já tem tanto atrito entre os próprios veganos, não seria ótimo, pelo menos, nunca mais ter que ouvir de novo “você é defensor dos cães, não dos animais!”. Diferenças existem e devemos reconhecê-las, para então começar o jogo de saber criticar e saber ser criticado.
Sabe, tem gente que se afeta tanto com uma crítica… Eu, claro, até hoje sou alguém limitado e algumas vezes insuportável. Mas sem dúvida eu não teria tanto amor próprio hoje se nunca tivesse ninguém me apontando o dedo.
Eu quero sempre me reconstruir e para isso preciso encarar meus defeitos sendo arrancado da minha zona de conforto por amigos que não hesitam em me falar a verdade.
Ainda sonho com o dia em que todos do movimento sejam veganos ou veganas.
Douglas Donin, postagem 33.
O mundo é feito de ações e não de palavras.
Ninguém é capaz de mudar a realidade que envolve o movimento sozinho. De nada adianta filosofar e não agir. Os “formadores de opinião” de nada servem sozinhos.
Coloque qualquer pessoa considerada “mais importante do que outra”, de qualquer movimento, para lutar sozinha contra o sistema e verá onde ela chega. E nesse ponto, quando defendemos uma causa, somos todos iguais e precisamos uns dos outros sim.
Discriminação para mim é um subtitulo para falta de respeito ao próximo.
Lilian,
Se apenas a prática, e não a teoria, fosse relevante, poderíamos dizer que todas as ações seriam moralmente equivalentes, pois o que as diferencia são justamente as idéias subjacentes, as quais lhes orientam e dão finalidade. Perder-se-ia o único critério do julgamento moral: bastaria agir, não importa como.
O problema central da ética é justamente o oposto: dentre as inúmeras possibilidades de ação, qual a correta? Desprezar o valor da filosofia – principalmente o valor da filosofia moral – é um atalho para o desastre: não é importante mais a “ação correta”, somente agir cegamente.
Douglas nao entendi seu outro post na coluna do leon. mas esse seu foi excelente. ótimas ponderações. do início ao fim. só a verdade liberta. “iguais”. quanta hipocrisia. 1 abraço e parabens pela lucidez. a mim ajudou muito. (queria ter ouvido isso antes, em anos anteriores. teria ajudado mais)
“O mal de se tratar um inferior como igual é que ele logo se julga superior.” (Millôr Fernandes)
“Se alguém nota e sente uma grande superioridade intelectual naquele com quem fala, então conclui tacitamente e sem consciência clara que este, em igual medida, notará e sentirá a sua inferioridade e a sua limitação. Essa conclusão desperta o ódio, o rancor e a raiva mais amarga.”
(Arthur Schopenhauer)
“Os inferiores rebelam-se para serem iguais, e os iguais rebelam-se para serem superiores. Esse é o estado de espírito que gera as revoluções.” (Aristóteles)
“perante a lei, todos são iguais. mas um são mais iguais que outros”. (?)
“Os superiores nunca perdoam aos inferiores que ostentam a aparência da sua grandeza.” (Honoré de Balzac)
Considero-me vegana…não consumo nada de origem animal, não uso roupas nem acessórios de origem animal, estou sempre atenta aos produtos não testados em animais, não como comida industrializada, produtos de limpeza sem petroquímicos e não testados em animais. E agora? Considero-me hipócrita. Meu tendão de Aquiles está sempre torcido quando compro ração feita de restos de animais mortos e sabe-se mais o que, para os animais que, no papel de “socorrista”, resgatei de situações de risco e tratei com medicamentos testados em animais. Evito comer soja. Os comedores de soja, na realidade, estão matando animais…aqueles que foram dizimados na destruição do seu habitat para se fazer os campos de cultivo. E agora? Como escapar deste círculo infernal? Tornar meus cães e gatos vegetarianos? A soja que compõe as rações, a que os veganos se orgulham em consumir, é dos mesmos produtores que vendem seu produto para alimentar animais para abate. Meu dinheiro também contribui para enriquecê-los. E agora, pergunto eu…Sou vegana, abolicionista, socorrista, comodista com a bunda pregada na cadeira frente à internet, com uma pitada de hipocrisia…
Monika, existe ração vegana de qualidade para cães, inclusive é high premium, produzida pela fri-dog. Eu dou somente essa ração para meus dois cães adotados e eles estão ótimo, o pêlo brilhando. Para gatos infelizmente só tem na europa, pelo que eu vi em uma reportagem da revista dos vegetarianos.
Concordo que Peter Singer e Tom Regan são mais importantes para o movimento do qualquer outra pessoa, mas o ponto não é esse. O ponto é: qual a vantagem em se ficar comparando e depreciando as pessoas? Seria produtivo eu chegar para qualquer um dos nossos pensadores e ficar criticando sua conduta por compará-los com Tom Regan? Cada um é importante para o movimento, como disse a Lilian, e cada um tem seu ritmo. Vários de nós nos tornamos veganos com 30, 40, 50 anos… qual a moral que temos para criticar pessoas com 20 anos que são vegetarianas, por exemplo? Esclareço que criticar é diferente de aconselhar e conversar. Mas tenho lido frases aqui que possuem como único resultado machucar a pessoa, sem ao menos indicar o caminho.
Sem entrar no mérito do conteúdo da postagem 32, minha opinião é que somente deveriam ser publicadas mensagens com o nome e sobrenome do(a) autor(a). Ora, alguém — no caso, “Ninguém” — escreve o que quer e não dá nome aos bois? Por que este anonimato? Não têm nome, são filhos de rato? Se o portal não concordar, é simples: não lerei postagens de quem não fornecer seu nome. Convido todos que concordam comigo a fazer o mesmo.
Monika Schorr: relaxe. Eu sou vegano, abolicionista linha-dura, ativista pé-na-porta, já fui detido pela policia em protestos, não tenho orgulho de comer soja tanto que estou zerando o consumo, não consumo alimentos ‘com traços’, etc. Cada vez que vou ao DENTISTA, acabou-se tudo. Então, o que resto é lutarmos para mudar esse sistema que usa a dor animal como pilar, pois com dentes destruídos eu não vou convencer ninguém a aderir à causa.
Louise,
segundo a professora Marilena Chaui:” A palavra crítica vem do grego e possui três sentidos principais: 1) capacidade para julgar, discernir e decidir corretamente; 2) exame racional de todas as coisas sem preconceito e sem pré julgamento; 3)atividade de examinar e avaliar detalhadamente uma ideia, um valor, um costume, um comportamento, uma obra artística ou científica.”
Convite a filosofia. Ática, 2005, p. 18.
“Discriminação para mim é um subtitulo para falta de respeito ao próximo.” – exatamente.
Tom Regan faz sim diferenciações, mas como a Andressa colocou, entre DDA e exploradores de animais. Ora, a diferença nesse caso é óbvia e na verdade dificilmente alguém sensato iria confundir. Ele chama de dito desconexo, como os organizadores de um rodeio falar que os animais são bem-tratados ou um caçador falar que respeita os animais que mata. Agora, o que está acontecendo é diferente, um protetor de cachorros bem-intencionado não é um explorador de animais. Na maioria das vezes, se ele faz um churrasco para arrecadar fundos, é por um de dois motivos: 1. Nunca pensou nisso e refletiu com profundidade, e muitos de nós já estivemos nesse estado. 2. Sabe que é errado, na realidade é contra a exploração, mas não consegue, assim como fumantes não conseguem, se livrar do hábito de comer carne. Ora, para mim é compreensível os dois pontos, e eu já me encontrei nos dois, felizmente agora não como mais derivados. Qual é mais efetivo? A) Chamar essa pessoa e, após louvar o seu trabalho importante juntos aos cãezinhos, sugerir uma refeição vegana no próximo evento, explicando os motivos? B) chamá-la, inclusive publicamente, de hipócrita, nojenta, assassina, etc… Qual atitude fará com que ela mude seu comportamento mais rápido, qual trará melhor resultado para a comunidade ao redor dessa protetora, resultados mais rápidos para a sociedade e para os animais?
Ah, outro ponto que eu queria colocar é que não só os protetores de cães e gatos são exacrados (muitas vezes) de forma injusta. Vocês assistiram “bold native”? Lá mostra uma personagem que luta por mudanças no bem-estar dos animais de produção, desejando de todo o coração, entretanto, o abolicionismo. Imaginemos que estamos de volta à época da escravidão humana. Você é um abolicionista radical. Surge a oportunidade de sancionar uma lei limitando o máximo de chicotadas como castigo como apenas 10 chibatadas, bem como ficam proibidas as mutilações como cortar orelhas, e também marcar a ferro quente os escravos. Você seria contra essa lei e chamaria as pessoas que propuseram a Lei de hipócritas e inimigos nº 1 do abolicionismo? Se sim, e a lei não fosse feita, como você sentiria a ver crianças marcadas com ferro quente na testa, mulheres com seios arrancados, estaria passando pela praça e veria um homem quase morrendo recebendo 100 chibatadas… É claro que essa lei não iria abolir a escravidão. Mas eu jamais seria contra ela. Os que então eram escravos jamais seriam contra ela. Já uma lei falando que em vez de correntes de metal no pescoço, só poderiam ser colocadas correntes de ouro, daí sim eu seria contra e chamaria de hipócritas. Eu acho que precisa diferenciar o que faz diferença e o que não faz para os animais. Ressaltando que, se a maioria dos políticos e pessoas da época fossem contra as mutilações e marcações a ferro, demonstrariam que reconhecem que as pessoas que eram escravas não eram meros objetos, e isso é o primeiro passo para a abolição. Eu não vejo incongruência ou hipocrisia em um abolicionista humano lutar contra a marcação a ferro ou limitar os abusos, enquanto continua lutando pelo abolicionismo da escravidão em si. Eu não acho que com uma lei assim as pessoas iriam dormir com a consciência tranquila porque poderiam explorar escravos eticamente. Acho que as pessoas iriam ficar ainda mais preocupadas com a questão e refletir cada vez mais ao ver que segmentos importantes da sociedade se importam com as pessoas então escravas. Resumindo, acho que apenas o termo socorrista não resolve toda a questão. Resolve a questão dos protetores de cães e gatos, mas não de abolicionistas que apoiam iniciativas que restringem o comércio de animais, por exemplo.
** “Já uma lei falando que em vez de correntes de ferro no pescoço, só poderiam ser colocadas correntes de ouro, daí sim eu seria contra e chamaria de hipócritas” ** – correção.
Ora, ora, ora, que texto! E quanta conversa, isso aqui já merecia um fórum com busca, vamos doar, galera!
vitor aofacy, sim, a anda merece muitas doações, mas veja que a wikipedia, o google tambem estão em processo de pedir doações. só que nem da pra acreditar que com tanta propaganda o google precise mesmo de doações. o problema é que na wikipedia mostra as pessoas que fazem a wikipedia. elas e anda merecem doações com certeza. e quanto a “quanta conversa”. é. as vezes é melhor ficar calado. discutir é pros fortes de espirito.
Os termos que tenho aprendido e como tenho usado.
“Socorrista”. Ótimo termo, o conteúdo de ideias presentes nele. Adorei. Eu, moradora de casa com jardim, pago o preço disso: gatos e gatos e gatos abandonados na minha calçada. E eu vou em socorro deles. Pois sou isso: “socorrista”. E quanto trabalho!
“Abolicionista”, pois é isso o que fazemos. E todo mundo, letrado ou não, conhece o conteúdo ideológico presente na palavra: a libertação dos escravos negros. E a mente faz uma reflexão mais ou menos assim: “então há quem pense que estou fazendo com os animais o mesmo que faziam com os escravos, estão comparando o tratamento dos negros ao tratamento dos animais”. Eu mesma já disse de mim: “Em relação aos animais, eu sou uma abolicionista” e a mensagem foi compreendida e ela será ou não objeto de reflexão se a pessoa tiver ou não interesse em se aperfeiçoar moralmente. E, uma vez que fazer a reflexão vai depender de cada um, aqui termina o nosso trabalho. “Vegano”. Esse termo me dá trabalho usar porque sua compreensão não acontece imediatamente, necessita de uma explicação posterior e nem sempre nos dão a chance disso. Por isso, eu gosto dos termos que, por si, veiculam um conjunto de ideias. Porque tem gente que não está nem aí e, às vezes, tem gente que está, na mesma rodinha. Então, por aí, com os vizinhos, uso mais “vegetariana” que “vegana”, mas não acho que está bom. Queria um termo que significasse: “É imoral fazer sofrer”. O que eu gosto de “carnista” é que vai direto na “carne” e, na “carne”, há a ideia de sangue. e sangue tem a ver com dor. Se tivéssemos um termo que designasse, imediatamente, o sangue e dor, eu usaria. Será que há? Falar ao coração das pessoas, nesse terreno, é mais eficiente do que falar à razão. E as pessoas não gostam de causar sofrimento. “Carniceiros”, de que a profa fala, eu sempre uso, pois só uso no Brasil e “carniceiro” é imediatamente associado à “carniça” e, num nível de consciência abafada, eles sabem que comem carniça. E se me dão a chance de falar, eu explico: “carnívoros matam a sua vítima e carniceiros comem o resto do que o outro matou”. Só que “carniceiros” soa agressivo, parece um ataque aí não sei se é bom usar ou não.
Há um termo que designe as pessoas que maltratam, usam, desprezam os animais? um termo que designe as pessoas que não estão nem aí para os bichos? que comem, que testam, que matam? Eu queria usar um termo assim, que possibilitasse uma reflexão “é mesmo, eu imponho, desnecessariamente, o sofrimento”.
Então é isso. Pensar até nos termos, construir o vocabulário, pensar no conteúdo ideológico que queremos transmitir, trabalhar até na área da linguistica, conquistar, trazer para perto e explicar. Um trabalho sem fim.
Oi, Mateus, meu “quanta conversa” foi CEM POR CENTO 100% elogioso. Os debates estão crescendo, as colunas e notícias estão repercutindo cada vez mais e talvez o site já mereça um fórum com busca, mas isso requer investimento.
POR FAVOR, mateus, não nos faça ler qualquer coisa, pensa uma vez e meia antes de postar: a google é uma empresa com ganho líquido anual na casa dos BILHÕES de dólares, mané doação!
E é bom se acostumar a não se calar, porque defender direitos animais é pros fortes de espírito mesmo ; ))
Thassio, comentário 34
nem todo vegano é abolicionista. Conheço vegan a e vegano que defende a segunda sem carne! De abolicionista não tem nada. Explico por que: como é que se pode explicar e fundamentar a escolha ética de que os animais mortos para irem ao prato dos comedores nas segundas são mais importantes na vida do que os animais mortos para irem ao prato dos comedores humanos nas terças, quartas, quintas, sextas, sábados e domingos?
Basta se colocar na fila do abate, com a senha na mão, e dali presenciar alguns companheiros sendo tirados da fila, porque sua morte seria para encher de carne o prato dos onívoros carnistas nas segundas, enquanto você, cuja carne ficaria para ser comida pelos onívoros carnistas nos demais dias da semana, seria degolado no minuto seguinte. Tem algum argumento que consolaria você? Pois bem, olho as coisas sempre da perspectiva do animal, e nesse caso, não consigo ver como esse animal possa valer mais do que os outros, ou os outros possam valer mais do que ele. Por isso, além de ser vegana, sou abolicionista, justamente porque não posso rifar a vida de nenhum deles, defendo o fim do sistema no qual “alguns animais são mais do que os outros” (George Orwell, A revolução dos bichos)
São essas incoerências que me levam a usar o termo grego hipocrisia. São essas incoerências que, em vez de levar luz à mente de todas as pessoas que estão intrigadas com a questão do estatuto moral dos animais em nossa cultura, acabam por levar mais escuridão a elas.
Por isso, é importante usar termos para designar o que as pessoas fazem. Isso não diz que uma é mais importante do que a outra. Apenas mostra uma diferença que pode ser muito, mas muito grande mesmo, entre o que uma faz, e o que a outra faz! Isso já basta. Depois, o que cada um vai fazer com a clareza que teve, por ler textos que expõem tais diferenças, é da responsabilidade de cada um. Mas, que há diferenças, há! E elas atrasam muito a libertação dos animais!
Parece que há quem entre no movimento, como bem foi escrito por muitos comentadores acima, só para proteger seus animaizinhos, portanto, para fins ególatras, mais uma vez. E há quem desencadeie o movimento, como o fizeram Singer e Regan, sem ficar agarrados a seus animaizinhos de estimação. Singer, por exemplo, quando escreveu seus primeiros livros, não tinha animais para estima em casa.
Estimava a todos, onde estivessem. E escreveu livros e livros de filosofia, sem os quais estaríamos ainda no limbo moral no qual nossa civilização antropocêntrica e hipócrita nos colocou até lermos sua filosofia.
Há quem faça coisa muito relevantes e não se envaideça com isso, justamente por compreender que ainda não é o bastante para libertar todos os animais das cadeias nas quais nossa mente hipócrita os colocaram.
E há quem faça uma coisinha, que mais beneficia a si do que aos animais, e passe a se achar mair do que quem passa vinte anos lendo e escrevendo para iluminar um pouco, do sótão ao porão.
(Aproveito para desculpar-me pelo erro no comentário 21: estava a escrever exploração e acabei por escrever ex cravização. Deixei um x no lugar do s: escravização!)
Gianna: sim, sim, a distinção de Tom Regan neste momento é primária, mas não podemos esquecer do tema do qual ele introduz seu livro, o prólogo “O Gato”. Ali, eu estremeci quando li pela primeira vez e não dormi mais direito. Veja que tudo isso é minha opinião, estamos tendo o privilégio de ter um espaço para conversar. Imagine uma lei que busque proibir maus tratos e dentro dela inserir um artigo que autoriza a eutanásia em casos de doença que atinja humanos, mas essa eutanásia seja considerada com “o mínimo de sofrimento”. Olha o tamanho da brecha. Tenho feito este exercício (reviso e elaboro projetos de lei e resoluções sobre animais há 10 anos como ativista, junto com outras pessoas). Brecha que fatalmente poderá ser utilizada para quem quiser (órgãos públicos financiados pelos privados) matar depois, com respaldo legal. É uma questão delicada e de grande responsabilidade. A questão dos animais usados como comida, sem tirar o mérito dos socorristas, pois quando é necessário não deixo de amparar inocentes violentados (tenho um asilo em casa), é mais delicada ainda, pois é preciso avaliar sua consequência prática, pois muitas vezes ao se firmar o pé numa regulamentação de uso se estaciona para o investimento na abolição do uso. Creio que o nosso papel, como firmei na audiência pública sobre vivissecção, é cobrar os dados, a realidade do holocausto animal, divulgá-la, jogar no ventilador, para que todos saibam. Sinceramente, me sinto orgulhosa se me chamarem de socorrista, além de vegana. Concordo que precisamos mostrar as incoerências sem agressões pessoais, mas com pé firme e mentes esclarecidas, como já frisei. Quanto ao problema dos “abolicionistas que restringem o comércio de animais, por exemplo”, preciso refletir melhor sobre isso. Seria um tema de debate presencial. Todas as propostas de leis e resoluções, portarias, que tenho mexido nos últimos anos buscam a abolição, ou ao menos, não levantar a bola da regulamentação. Um baita exercício que funde a cabeça muitas vezes, mas é um baita aprendizado.
Evely, um vegano não precisa ser necessariamente um ativista. Se assim o for, se é vegano pelo motivo essencial que é não colaborar com o holocausto animal, será abolicionista. Minha leitura.
Estamos levantando desdobramentos. Precisamos conversar pessoalmente pessoal, escrever, pesquisar, produzir. Tudo com base na ação que já realizamos. Ninguém aqui fala por falar. Fazemos o que Paulo Freire chama de práxis.
Prezada Andresa, admiro muito seu trabalho e realmente seu posicionamento firmado na audiência pública foi genial. Imagino que não se incomode que eu transcreva textualmente:
“Sabemos que a grande maioria das instituições públicas são públicas, tem financiamento público, tem acesso às informações sobre os gastos e investimentos públicos voltados para experimentação animal. Não temos esses dados hoje de forma clara. Precisamos, enquanto consumidores, enquanto cidadãos que pagam seus impostos, de ter acesso, por exemplo, quanto se financia em equipamentos hoje para práticas que usam animais? Quantas pesquisas são realizadas por ano em cada universidade? Quanto que o CNPq está destinando de equipamentos, bolsas e todos os investimentos em pesquisa para esse caso envolvendo uso de animais. Quais animais são utilizados? Quantos por instituição? Creio que isso é um avanço em termos de Europa, que já existe uma luta muito grande para ter acesso a essa informação. No que tange à pesquisa em universidades, laboratórios, é uma questão a ser reivindicada enquanto política pública.” E em outro momento: “O que é importante, inclusive vai ser parte da nossa reivindicação depois, um levantamento claro e rápido de quantos animais, quais animais, quais espécies, as procedências, são utilizados nas universidades. Esses dados nos interessam, além do financiamento público. E quais os protocolos de pesquisas.”.
A resposta do Deputado é clara e positiva à sugestão da Andresa: “Me comprometo com todos, até mesmo com pesquisadores, professores, propor esse requerimento com todos esses dados para que possamos receber, o mais rápido possível, todas as informações necessárias.”. Esperamos que o Deputado Marcelo Rangel realmente cumpra o que prometeu.
Eu gostaria de frisar que também não falo por falar. É verdade que estou há pouco tempo vegana, mas me tornei vegetariana com 12 anos, há vários anos atrás. Eu estava na audiência pública que vc citou a trabalho, bem como estava no Congresso de Bioética e Direitos dos Animais do IAA/OAB-PR a trabalho. Eu também reviso leis e regulamentações sobre animais algumas vezes, a trabalho, bem como proponho alterações. E eu tenho alguma colocações que entendo que possam ser úteis a algumas pessoas, e gostaria de perguntar a outras pessoas sobre os posicionamentos delas. Porém, a ANDA tem censura. Várias vezes já fiquei 20, 40 minutos escrevendo um comentário mais elaborado, sempre educado porque para mim isso é fundamental, e mesmo assim o comentário foi deletado sem explicações. Ontem aconteceu de novo. Sou totalmente a favor da censura sobre comentários agressivos e pessoais, que não trazem benefícios à discussão, ou que não sejam pertinentes ao tema. Agora, não compensa entrar em uma troca de idéias se as outras pessoas sempre terão a última palavra e minha réplica ou tréplica será deletada. Acho que é pior do que não colocar nada, pois vai parecer que eu concordei com o que está escrito ou que me retirei da discussão por falta de argumentos. Portanto, boa sorte para vocês que estão discutindo, mas saibam que o que estão lendo passou por um filtro e que idéias contrárias foram deletadas. Se alguém se interessar para continuar conversando em outros meios, meu e-mail é giannadsil@gmail.com.
Você nunca foi censurada. Não plante discórdias.
sonia felipe,eu sou vegano mas não sou ativista pelo direito animal.mesmo sendo contra qualquer exploração animal eu não sou abolicionista?
Namastê professora,
Neste comentário gostaria especificamente de agradecer seu empenho na defesa dos animais.
Tenho 31 anos, e desde os 17 me considero pró animal(ovo lacto, depois lacto, e hoje VEGAN radical, se posso pegar carona em repetir sobre a raiz das coisas…). Também “militei” no movimento punk na adolescência e pré adultez, e sei como é dificil conviver com falácias e agressões.
Além disso, sou internauta assíduo e atualmente professor, e sei que falar “nas coxas”, ou seja, se lixando pra sintaxe, bem como redigir sem cuidado, é comum. Talvez porque a maioria – opinião particular, tá? – não se importe com amor à sabedoria…
Por isso, antes de diminuir os que não se dedicam aos animais, quero engrandecer quem faz o oposto.
Responder com atenção cada debate, madrugar estudando, gastar do proprio bolso para compensar o que exploradores causaram, viajar milhares de km para fundar instituições que representam os que não falam nossa lingua humana, correr risco …de perda da integridade física(protesto,passeatas..)… de morte.
Isso é o motivo do meu elogio!
São as “Sonias”, os “Leons”, os “Laertes”, os “Paul Watsons”, os “Donald Wtsons”, “as Ninas” que me inspiram pra além de viver veganamente, combater o anti veganismo das Sadias, Nestles, Eurofarmas, programas culinarios, programas pedagógicos!. . .
Obrigado professora.
NMST!
Para quem tem dúvidas sobre se é ou não abolicionista, dado que não consome nenhum produto de origem animal, ainda que não seja um ativista, lá vai minha opinião:
Quando colocamos um “ismo” atrás de qualquer conceito, indicamos que há uma concepção que ajudamos a disseminar junto à sociedade. Por exemplo: budismo, cristianismo, dadaísmo, marxismo, chauvinismo, nazismo, facismo….
Então, se alguém abole do consumo pessoal tudo o que contém ingredientes de origem animal, incluindo idas a zoos, circos, rodeios, parques de diversões, que usam animais, e cosméticos ou acessórios feitos às custas do sofrimento e morte dos animais, essa pessoa é vegana. [Aproveito para sugerir a leitura do Livro VEGANA, história em quadrinhos, do Instituto Nina Rosa, editado em dezembro de 2011]
Se, além disso, a pessoa discute essas questões e propõe claramente que sejam abolidas todas as formas de aprisionamento, exploração e morte de animais que hoje beneficiam humanos, ela é abolicionista animalista.
Esse “ista” dá ideia de uma atividade política, isto é, pública, debates, bate-bocas, defesa com argumentos, e assim por diante. Você é quem se enquadra, agora, como abolicionista, ou não.
Por isso é possível alguém ser vegano e não ser abolicionista. Também é possível, da boca para fora, ser abolicionista, mas comer e consumir produtos de origem animal, o que chamo então de “fazer-se passar pelo que de fato não é” (do grego hipocrisia).
Gianna,
não tenho a menor ideia de quem você é, tenho tratado você com respeito aqui nesse forum, mas, sinceramente, se você vem aqui para espalhar maledicências para os demais comentadores que também não sabem quem você é, e visitam a página há pouco tempo, acho bom que você fique discutindo mesmo só em privado, no seu endereço particular. Uma pena, para você. Tão jovem e já tão cheia de si! Falta-lhe algo para merecer mais respeito do que tem recebido: sabedoria. Essa vem somente com quilometragem teórica, te asseguro!
Você veio cá, entrou no debate, e agora se retira dando seu e-mail particular, para levar consigo quem está interessado em debater nessa mesa-redonda? Vá, então, e fique em paz no seu cubiculozinho privado! É assim que as mentes se encolhem.
Eu, se fosse a ANDA, nem postaria mais nada seu. E, aproveito para esclarecer, a ANDA tem todo direito de não postar mensagens maledicentes, difamatórias, incitando ao crime (nada pessoal, refiro-me a muito comentário que tenho lido e que eu dispensaria num delete rápido! ).
A ANDA não é um mural mágico onde todo mundo tem o “direito” de escrever o que quiser, inclusive desqualificando o trabalho da ANDA, e mesmo assim ser postado!
Era o que faltava!
Se quer desfazer o trabalho da ANDA, crie um espaço para isso e mostre sua cara. Vamos ver quantos seguidores do ácido destilado ficarão com você, e por quanto tempo! Sabe o que parece? Que seu ego tá sufocado de inveja do trabalho da ANDA, porque você é tão mais eficiente no seu, mas não parece ter convencido muita gente até agora!
Só escrevo isso porque você se separou do debate ao convidar toda gente para continuar a debater com você, em privado! Um erro seu. Só se cresce no debate público. Mas, claro, para isso tem que seguir certas regras.
Sem a ANDA, nossa sociedade estaria nos porões escuros, cega totalmente, em relação à crueldade e destruição dos animais eleitos para estima por essa gente somatofóbica que anda à solta por aí. O trabalho dos colunistas procura manter a lanterna acesa no fundo desse poção! O que você está fazendo é desviar a atenção das pessoas para projetar-se pessoalmente. Espero que milhões usem seu e-mail para continuar o debate com você.
Gianna, como você conseguiu essas gravações da audiência, se é material da Assembléia Legislativa do Paraná? Nem eu tenho isso! Gostaria de ter.
E eis que eu volto à página da Anda e nem dá para saber direito o que está acontecendo. Apareceu uma pessoa que não deu nome e sobrenome e que tem poderes dentro da Assembléia Legislativa do Paraná. Sei lá, coisa de suspense. O que estará acontecendo?
Eu só quero dizer é que a Anda me salva, no meu dia a dia, na vida de ver tanta crueldade com os bichos, tanto sofrimento. Eu fico tão mal que penso que posso enlouquecer. Tenho o defeito de ser sensível demais, e não sei como não ser, com tanta dor disseminada por aí. Aí, eu venho aqui e leio e escrevo e tenho a atenção da profa. e de vocês e então fico mais leve. “Se eles aguentam, eu também posso aguentar”, eu penso. Porque se pede uma força que nem sempre eu tenho. Então venho aqui me fortalecer, aprender com filosofia, com a profa, com vocês veganos. Eu admiro vocês muito e vou deixar pra lá indivíduos que nem se identificam.
Quem é Gianna? Quem é Mateus? Institucionalmente falando. Nós, da ANDA, temos nosso currículo exposto para todos verem aqui. Precisamos, no mínimo, disso, ainda mais se está se levantando o desejo de criação de mais uma coluna. Mateus, parece que seu comentário acima poderia ter sido um email pessoal à Gianna. Qual seria o motivo de jogar isso aqui?
Andresa, Gianna já se despediu da ANDA, ao anunciar seu endereço de e-mail privado para continuar a debater com quem quiser inteirar-se sobre o bem-estarismo e o quanto ele ajuda os animais a serem libertados do cativeiro e do inferno aos quais estão condenados. Então, já não importa saber mais nada sobre ela. Ela cansou-se e se foi. E será que Mateus é um Mateus, mesmo? Ora é Mateus, ora é ninguem… acho mesmo que não deveríamos mais dar atenção a quem não se identifica, pois nós estamos aqui, com nome e curriculum abertos ao público que nos lê. E os outros, que não se apresentam? Apenas pegam carona, escrevem muita coisa ruim, e ainda saem de bacanas, rindo-se do nosso trabalho sério!
Tem razão, Sônia. Veja que tem gravação da Assembléia Legislativa do Paraná dentro disso.
Ventura,
ciente!
andresa o motivo receei ter falado besteira de dar ideia dela ter uma coluna, e assim, passando pela aprovação da anda, significa que não falei nada tão absurdo assim. imagina se eu mando um email pessoal pra Gianna sugerindo isso e ela diz “sim gostei da ideia, vou agora mesmo falar com a direção da anda” e no entanto a anda jamais aprovaria esse tipo de sugestão que eu dei? não sei se eu consegui explicar direito. espero que sim. . intitucionalmente quem sou. nada por assim dizer. dentro da causa. mas eu sou um cidadão brasileiro. uso pouca a internet, e esse ano que conheci a anda passei a acessar o jornal com as noticias diarias. eu não pedi pra ser colunista, mas mesmo assim tenho que dizer onde ja trabalhei? eu não entendi o que você espera. tenho otimo 2 grau. eu nunca disse: ah o fulano, o singer disse tal coisa. nunca me meti a fazer esse tipo de comentario. não entendo nada disso. acho que voces é que tinham que fazer esses questionamento da gravação “por email”. existe um canal de televisão que passa tudo dos politicos enquanto eles trabalham? inclusive, ja houve um convite na anda pras pessoas compareceram na tal plenaria, o convite foi feito por uma assessora de deputado, e ela dizia que todos podiam se manifestar, que podia mesmo abrir a boca e falar la com os politicos. ou seja, deve estar havendo algum engano nisso tudo. acho que está tudo bem, tudo certo sim com a conduta da Gianna. não vou mais comentar em coluna nenhuma. se uma pessoa vem e se retira como disse a prof sonia deve ter motivos. quem vai desprezar o grande site que é a anda e querer discutir isso num blog com, se muito,15 acessos por mes? tem colunistas que pelos motivos deles esqueceram que tem coluna e nunca mais escreveram. eles devem ter o motivo deles com certeza, inclusive com motivos pessoais ou de trabalho etc. no caso da gianna inclusive ela disse que tinha que ler umas coisas do Luciano deve ser algum autor da causa. ela não falou pra mim. ela disse isso acho que foi com o Leon. com todo respeito, acho que voces podiam ajudar nos casos do voce é o reporter. apadrinhar algum caso ou ajudar na “vakinha”. mas desconheço o trabalho de vocês com relação a essa questão socorrista. realmente não vou comentar mais nada em coluna nenhuma, alias nem vou ler. a gente entra no site pra ler o jornal e vê as colunas, acaba clicando. vejam que o prof leon forneceu o email dele pra Gianna. deve ser esse o motivo dela ter por acaso tambem dito o email dela. por favor não misture mateus e gianna, eu realmente não quero estar influenciando uma atitude hostil de voces com ela. eu nao pedi pra falar com voces, ou aprender de voces. me desculpe, mas nao achem que comentar numa coluna a pessoa é obrigada a conhecer a causa, o trabalho de cada um de voces, ou de ter vontade de fazer parte da causa e aprender. é assim em outros sites igualmente serios e respeitados por exemplo o uol. a pessoa le o artigo e comenta. só. inclusive se conectando pelo facebook ou não. ja falei muito. não vou mais falar nada. obrigado. bom 2012 pra voces, a gianna e a anda.
Olha, não estou dizendo que essa pessoa com nome Gianna está certa ou errada. Mas eu já tive um comentário meu censurado aqui. Foi na coluna da moça que defende homeopatia, acupuntura, florais e outras pseudo-ciências nos animais. E foi justamente por isso e mais algumas coisinhas (mais gerais como meu profundo distanciamento do veganismo) que eu fiquei um bom tempo sem comentar aqui, só voltei para comentar as colunas do Leon que é a personificação de tudo o que eu menos acredito que deveria estar associado aos Direitos Animais. E mais alguns comentários em alguns artigos do Bruno Miller como foi a questão dos casos marginais.
Aliás, eu já fiz alguns críticas em comentários pela net sobre você Sônia e farei agora, pessoalmente, diretamente a você. Eu acho que seus textos ficariam melhores se eles fossem laicos-seculares. Eu vi inúmeros artigos com certa influência do misticismo oriental e alguns até mesmo reencarnacionismo, talvez, espirita. Não há problema algum em você ser o que você quer ser, mas quando você passa a usar dos fundamentos da esfera religiosa-mistica ou crenças como fatos reais e amplamente aceito aí complica. È claro que enquanto valores, católicos vão defender seus valores, ateus o seus e espiritas e misticos orientais , os seus. Mas a questão gira em torno dos fundamentos que deve ser laico-secular. Pois só assim há progresso.
____
Bom, obrigado por lembrar de mim no seu texto e minha opinião é…, eu pessoalmente não gosto muito de neologismos. Mas é claro que “se pegar”, pegou – e eu não serei o do contra. Bom, eu acho que a questão central e mais importante gira em torno do “especismo” e “não especismo”. Por momento me contento com essa divisão, o resto são meras críticas e posições especulativas, especificações secundárias NÃO NECESSARIAMENTE contrárias entre sí.
Até
sonia felipe você acha que existe vegano especista ?
Especista é alguém que cultiva preconceito contra certos animais, ou que não defende direitos para todos os animais, apenas para os que elege como seus prediletos para estima. Pode haver vegano especista, se ele agarrar-se a um determinado animal, defendendo que esse tipo de animal não deve sofrer maus-tratos, confinamento e abandono, e, ao mesmo tempo, não dizer nem fazer nada para que outros animais que sofrem os mesmos maus-tratos e abandono sejam “socorridos” ou resgatados. Estou pensando hipoteticamente, porque sua pergunta provoca esse tipo de reflexão.
Mas, os veganos costumam adotar o princípio do não direito humano de possuir, confinar, explorar, abandonar ou matar qualquer animal, sem discriminação de espécies, sexos, raça, região ou utilidade para os interesses humanos. Teoricamente, uma pessoa vegana não discrimina animais por conta da espécie, seja útil, ou não, bonitinho ou não, domesticado ou não.
No entanto, como em todas as concepções teóricas, cada indivíduo, na sua prática diária, pode escorregar.
Mas, segundo Aristóteles, essa escorregada só se torna uma marca da pessoa, se ela se acostuma a isso e nada faz para impedir que seu ato se repita. A repetição é que forma a segunda natureza humana, que chamamos moralidade.
sonia felipe fico feliz por minha pergunta te trazer reflexão. hipótese pode virar teoria.desde quando você é vegana?
Há quase 14 anos! E antes,por outros dez anos, já deixara de comer carnes, mas isso não pode ser considerado vegetarianismo, pois comia tudo o que vinha de bicho. Não havia ninguém no Brasil que escrevesse algo sobre o vegetarianismo, que não fosse ameaçar quem parasse de comer proteína animal, com “anemia”, falta de proteína, perda da inteligência, e todas as doenças que hoje são associadas justamente ao consumo da carne e de laticínios!
Enfim, parei com as carnes, não me aconteceu nada de ruim. Feita a experiência, parei com todo o resto, e só me aconteceu de curar-me de mazelas que haviam me acompanhado a vida toda, especialmente as causadas pela ingestão de leite e laticínios! E você? Tá pensando no assunto, ou já fez a virada?
eu virei vegano a dois anos.meu relacionamento com os animais é de respeito não é um relacionamento de amor.se eu não fosse vegano eu me sentiria hipócrita em dizer que sou contra a crueldade animal,o problema não esta no método da exploração esta na ideia que o ser humano tem direito sobre os animais.
Ai ai, esses “ninguéns” da vida não cansam.
Sônia gostei do termo socorrista. Obrigado por me mencionar no texto.
Abraços
thassio lemos e Sônia T. Felipe: aqui no RS já tivemos que lidar com veganos auto-intitulados abolicionistas, que defendem zoofilia e carroças. A Vanguarda Abolicionista até publicou nota de repúdio em http://www.anda.jor.br/31/03/2010/nota-de-repudio.
mateus: “ética, cada um tem a sua”, eu citei como exemplo de pior raciocínio e frase-feira que são passadas adiante, e os incautos repetem, tal como ‘mãe é mãe’, ‘deus fez o homem e a mulher’, ‘humano é carnívoro’, ‘gato preto dá azar’ e outras tolices. Largue os sites de citações e leia um livro, é o melhor 2012 que você poderá ter.
Primeiro, não sei como é possível Peter Singer ser abolicionista se ele diz que ainda participa da exploração animal diretamente:
“Não como carne. Sou vegetariano desde 1971. Tornei-me vegano gradualmente. De um modo geral sou vegano, mas um vegano flexível. Não compro coisas não-veganas para mim, no supermercado. Mas, durante minhas viagens, ou nas casas dos outros, terei muito prazer em comer uma comida vegetariana, em vez de vegana”.
http://www.abolitionistapproach.com/media/links/p23/interview-in.pdf
Segundo, ele defende o onívoro consciente ao dizer que não acha errado as pessoas não serem veganas quando vão a um restaurante, por exemplo:
“Há um lugarzinho para um pouco de indulgência em todas as nossas vidas. Conheço pessoas que são veganas em seus lares mas que, quando saem para comer num restaurante chique, permitem-se o luxo de não ser veganas naquela noite. Não vejo nada de realmente errado nisso”.
E também apóia a exploração e morte humanitária de animais:
“Para evitar infligir sofrimento aos animais—fora os custos ambientais da produção animal intensiva— precisamos cortar drasticamente a quantidade de produtos animais que consumimos. Mas isso significa um mundo vegano? É uma solução, mas não necessariamente a única. Se é com o fato de infligir sofrimento que estamos preocupados, e não com o fato de matar, então eu também posso imaginar um mundo em que as pessoas consomem principalmente alimentos à base de plantas, mas de vez em quando se dão o luxo de comer ovos de aves criadas soltas, ou possivelmente até carnes de animais que vivem uma boa vida em condições naturais para suas espécies e depois são mortos humanitariamente na fazenda”. (The Vegan, outono de 2006.)” http://www.anima.org.ar/libertacao/abordagens/o-luxo-da-morte.html
“A dieta vegana, especialmente se a pessoa comprar alimentos baseados em plantas que sejam produzidos organicamente, de fato resolve mais problemas éticos relacionados à alimentação do que qualquer outra. Mas eu admito que ela não é para todo mundo, e ainda vai levar muito tempo para se disseminar amplamente. Então eu não quero dar a impressão de que essa seja a única coisa que a gente pode fazer para comer eticamente. Só evitar os produtos das fazendas industriais já é um grande passo na direção certa, mesmo que você continue a comer uma quantidade moderada de produtos orgânicos feitos a partir de animais criados no pasto.”
http://www.anima.org.ar/libertacao/abordagens/peter-singer-carne-feliz-e-veganos-fanaticos.html
A posição do “pai dos direitos animais” é realmente lastimável. E esses são só alguns exemplos.
Pena que nenhum dos trechos que você buscou acima esteja em qualquer dos livros dele. E, fiquei na dúvida, dado que a internet não é minha fonte de buscas, se este site é dele.
Bem, conheço bastante gente que vive buscando frases do Singer, muitas vezes fora dos parágrafos anteriores e posteriores às passagens, para mostrar que ele apoia escolhas não veganas. Sem o contexto do capítulo do livro, nenhuma das frases do Singer tem garantia de manter seu sentido final.
Conceder que “ainda” não se pode dizer que “todo mundo” vá virar vegano, não é o mesmo que desistir do princípio. Aliás, é apenas manter-se com os pés no chão.
Conceder que há veganos que cedem ao impulso de uma vez ou outra comer laticínios, também não é o mesmo que dizer que isso deve virar um hábito. É apenas constatar como algumas pessoas vivem e como em algum momento elas podem consumir algo, mesmo contrariando sua vontade ou seu desejo de não consumir. Quantos de nós já não comeu sorvete “vegano”, e depois de dois anos veio a descobrir que aquele sorvete, embora não contenha lactose, contèm caseinatos, derivados da proteína do leite? Quem imagina isso? O mesmo se dá com chocolates ou outros artigos nos quais está escrito: “pode conter traços de leite”. Bem, somente agora, com a pesquisa que fiz sobre o leite, é que descobri que esses “traços” na verdade são os tais dos derivados da caseína, ou mesmo do soro do leite, ainda que os fabricante não escrevam isso claramente nos rótulos.
Enfim, quando me refiro a um autor, uso o que está impresso nos livros, e não gosto de citar o que aparece nos sítios, porque, conforme escrevi, as pessoas vivem jogando armadilhas contra o Singer para obter deles declarações que não são sua marca fundamental, que é a defesa da abolição de todas as formas de uso e exploração dos animais. Singer é um filósofo que não tem medo de encarar as falhas humanas. Ele fala a partir de uma dessas rachaduras, que fazem parte da vida de todos os veganos, mesmo que a maioria deles jamais toque em qualquer comida que contenha restos de animais, mesmo que seja num restaurante chique! Mas, se há quem o faça, ele fala dessa falha!
Quando ele viaja, se ficar fora por uma semana, vai passar fome, caso não coma nenhum chocolate com “traços”, se não tiver os amargos sem qualquer traço de leite, porque o mundo, conforme escrevi em outro comentário, é a mais pura ditadura alimentar animalizada, especialmente nos países com fortes tradições alimentares europeias, onde o leite cobre qualquer iguaria, direta e indiretamente.
Quanto às fazendas orgãnicas, que Singer diz serem ainda a opção menor pior, para aqueles que têm tanto apego a carne, leite e ovos que julgam que a vida perderia o sentido completamente, caso não pudessem mais comer essa coisarada, se você ler o Etica na Alimentação com atenção, verá que ele afirma que “fazendas orgânicas” não existem, porque ao final do período útil do animal, seja vaca ou galinha, todos vão para o abate, sem dó nem piedade! Nenhuma galinha, após parar de botar ovos, é mantida viva até morrer de velhinha, porque custaria meia tonelada de milho, fora outros gastos, e nenhum ovo das jovens conseguiria cobrir os custos da vida das galinhas velhas…
Então, para bom entendedor, se meia palavra basta, a conclusão a ser tirada é: não existe de fato lugar onde os animais sejam tratados de modo ético, ainda que muitos desses produtos recebam o rótulo de orgânicos.
Ás vezes, Singer escreve também de forma muito sutil, especialmente quando o livro é a quatro mãos, como esse da ética na alimentação, que escreveu com Jim Mason, repetindo uma parceria iniciada há 30 anos.
De qualquer modo, agradeço seu empenho em clipar todas essas passagens e disponibilizá-las para todos. Leiam também os livros do Singer, além de visitar o sitío anima. Há bem-estaristas felizes com essas clipagens fora do texto integral da obra do autor. Mas, vale o debate, mesmo o que mostra que devemos ter cuidado ao tentar minimizar os gestos e atos humanos, especialmente esses de se permitir comer coisas que representaram a morte ou sofrimento para os animais.
Essas passagens, se foram mesmo textuais do Singer, só me fazem compreender ainda mais o quanto precisamos cuidar das teses defendidas e difundidas, quando elas têm implicações nefastas para os animais.
Pessoalmente, não abro exceção. Passo fome, mas não como nada que contenha algo derivado de animais. Nem sempre é fácil. Nunca é confortável. Se alguma vez comi, é porque me enganaram. Atualmente, quando desconfio que estão me enganando, digo que sofro de alergia e vou parar o hospital com edema de glotea. É na hora que correm a confirmar na cozinha. Geralmente a resposta é: de fato, é feito com…
Então, em nosso país, onde os direitos dos consumidores não são respeitados, precisamos ser mais radicais conosco mesmos, porque sabemos que mesmo sem querer, há coisas de animais escondidas em praticamente todos os alimentos ofertados. De fato, por conta dessa ditadura, estamos já suficientemente impedidos de seguirmos nossa biografia de modo absolutamente vegano. BAsta isso. Nâo precisamos abrir ainda mais exceções. Essa é minha opinião. Diferente da do Singer clipado nessas passagens.
Desculpe, esqueci de comentar sua última frase: Singer jamais foi ou será pai dos direitos animais! Ele jamais fundou seu conceito sobre a categoria dos direitos. Quem faz isso é Tom Regan e Gary Francione. Singer sabe que não precisamos falar disso para nos obrigar a respeitar os animais. Se falar de direito fosse alguma garantia, teríamos nossos direitos humanos respeitados. Ele entendeu isso e não gastou energia nessa direção. Não quer dizer que sua contribuição não tenha sido a mais importante para a causa animal, no século XX.
Que demos a nossa, no século XXI, não?
Bom dia, feliz 2012!
Sobre as contribuições do singer, é importante lembrar um fato memorável: nos anos 80, o PETA distribuiu cerca de 70 mil exemplares de animal liberation aos seus membros. SETENTA MIL LIVROS!
Já pensaram se a SVB fizesse algo remotamente parecido com escritores brasileiros? Eu doaria meu dinheirinho se ela se tornasse abolicionista…
Eu não estou lembrado se singer apoia iniciativas como a segunda sem carne (alguém sabe?), mas acabei de rever um comercial australiano, com o aclamado Sam Neil, que termina assim:
“3 to 4 times a week, RED MEAT, we were meant to eat it”.
Ou seja, iniciativas como a segunda sem carne não ameaçam em nada o carnismo, e a indústria de ovos e laticínios ainda agradece, como acontece na Bélgica, onde a segunda sem carne acontece há mais tempo, apoiada pelos produtores de queijo locais.
É claro que acreditamos todos no poder de um raciocínio ético bem feito, mas as ideias abolicionistas precisam de plataformas sociais, como o PETA fez pelo singer nos anos 80. Curiosamente, quem faz isso em nível nacional, no brasil, é uma agência de notícias!
Olá Sônia,
Tudo bem? Creio que alguns pontos deveriam ser considerados na nossa reflexão sobre esse tema e gostaria de comentar a sua resposta ao comentário 74 de Vera:
1) Sem dúvida, fonte confiável é fundamental para uma análise criteriosa de qualquer autor. Há fontes confiáveis na internet e até mesmo mais confiáveis do que outros instrumentos de comunicação como livros. Temos sites evidenciados na mídia e alguns de âmbito mundial (por ex. na política e na economia) que fazem bem o seu papel de permitir ao público não só acompanhar as ações de seus tidos representantes (acesso a informação) como também o de construir uma crítica fundamentada e criteriosa.
2) Se o primeiro passo é conhecer bem o pensamento do autor seja ele quem for, um outro passo igualmente importante é o de formar um pensamento crítico sobre a obra dele. Evidentemente não somos o próprio autor ou a sua obra e portanto o nosso esforço é e será o de nos aproximarmos das suas idéias e conceitos tentando compreendê-los … tentando interpretá-los. Um exercício belíssimo ofertado a todos e que é o trabalho árduo e profundo do filósofo.
3) Outro aspecto além do interpretativo da obra de um autor é de que a obra de temática ética não necessariamente espelha a vida cotidiana do autor. Pode haver um conjunto de evidências que demonstram que o autor (seja ele quem for) na melhor das hipóteses entrou em contradição entre a sua obra e a sua prática. Em um Movimento de Direitos Animais (pela própria situação de urgência e injustiça) seria óbvio de se esperar que o autor se igualasse ou até mesmo superasse a sua própria obra no ativismo de Direitos Animais ou no mínimo na sua vida cotidiana e que o discurso não se limitasse na melhor das hipóteses ao próprio discurso.
4) É muito evidente que Peter Singer não é o “pai dos Direitos Animais” como Sônia bem explicou, mas ele é taxado como tal em nosso meio. Há muita confusão sobre a obra desse autor e sugiro que as pessoas leiam obras não só sobre ele, mas também de Tom Regan e principalmente Gary Francione.
5) Conceitualmente discordo de que Peter Singer seja abolicionista. Um vegano abolicinista tenta o tempo todo ser vegano abolicionista. Quando não consegue é porque não teve escolha. Repito o critério é não ter escolha. As concessões (em não ser vegano) não podem se avolumarem porque se não elas podem se transformar em regra. Creio que Singer não apenas enumera dificuldades de uma pessoa no veganismo, mas considera justificável moralmente o “veganismo flexível”(vide citações de Singer do Comentário 74).
6) Como há um conjunto de evidências desse tipo de pensamento de Singer em sites confiáveis e de crítica construtiva e de pessoas vegano abolicionistas tanto no discurso como na prática, creio que deveríamos adotar uma postura mais coerente ao Movimento de Direitos Animais e entender as dificuldades no veganismo como dificuldades a serem vencidas e não entender as dificuldades como uma justificativa para agirmos de outra forma não vegana em eventos sociais ou qualquer outra situação. Portanto, se a intenção de Singer foi apenas expor (e enumerar) as dificuldades de um vegano em um mundo não vegano, ok. Entretanto, se ele não foi claro, objetivo em sua intenção ou pior se ele está tentando deixar as pessoas mais confortáveis (moralmente e psicologicamente) para consumir produtos de origem animal… ele deveria rever esses seus escritos.
7) Evidentemente todos esses filósofos e só para citar alguns… Bentham, Singer, Regan e Francione têm dado as suas contribuições conceituais e acadêmicas. Portanto, dentro da perspectiva do pensamento crítico fundamental a um Movimento de Direitos Animais que pretenda amadurecer é valido, já que o nosso objetivo maior não é apenas de cunho intelectual, mas de realmente ajudar os animais não humanos para saírem da condição de propriedade, de coisas… a abolição da escravidão animal.
Abs
Cara Sônia, antes de mais nada quero elogiá-la pelo pioneiro e brilhante trabalho dedicado à causa animal, como filósofa e ativista. Em minha dissertação dedicada a aporia animal, no capítulo dedicado a Peter Singer, onde muito me utilizei de seus escritos, digo que: para além de Singer (e por tantas vezes contra Singer), mas não mais sem Singer, cabe a todos os homens de “boa-vontade” prosseguirem na “melhor” defesa ética dos animais não humanos.
Quanto ao citado por um dos amigos acima, a frase que se refere a “uma casa dividida” foi apenas citada por Abraham Lincoln a origem dela vem do Novo Testamento, como pode ser conferido abaixo, mas de qualquer forma foi muito oportuna a citação:
“E, se uma casa se dividir contra si mesma, tal casa não pode subsistir. (Marcos 3:25).”
“Jesus, porém, conhecendo os seus pensamentos, disse-lhes: Todo o reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda a cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá. (Mateus 12:25).”
È isso ai Sônia, cabe a cada um de nós fazer a nossa parte e a favor dos animais, não em retóricas intermináveis.
Por um ano melhor para os animais, e por melhores humanos neste novo ano.
Agradeço por ter você aqui, Sônia, uma referência em todos os sentidos, para nós ativistas e educadores. Que privilégio o nosso podermos conversar contigo através da ANDA. Tem gente que não tem noção do que isso significa. Abraços.
Obrigada, Luis, Vitor, Andresa, Cristina
O mundo seguia uma rotina onívoro-galacto-carnista hegemônica até o último quartel do século XX. Com Singer e os demais que o leram e estavam naquela sintonia, essa hegemonia foi quebrada.
Não costumo usar a bíblia para fundamentar nada. As vezes as pessoas confundem, quando a cito, porque o faço apenas para usar uma fonte que as pessoas gostam muito de usar como referência. Daí, muitas pensam que busco na bíblia respaldo para o que escrevo. Não busco.
Mas, gostei muito do trecho que Cristina nos ofereceu, sobre a impossibilidade de uma casa rachada permanecer de pé. Os animais só poderão ser libertados se ampliarmos a rachadura na ditadura alimentar animalizada que nos impuseram. Quanto mais veganos a debater e a se debater nesse mar de cadáveres, mostrando que se pode viver com qualidade sem ingerir carnes e secreções hormonais de fêmeas de outras espécies, mais a hegemonia da animalização da dieta humana será questionada.
Cada pessoa toma suas decisões morais. Parar de comer animais e secreções hormonais ou quaisquer derivados feitos a partir de matéria animal é, hoje, uma das decisões éticas mais graves, à qual ninguém pode esquivar-se.
Não decidir, conforme disse Sartre, já é fazer uma escolha. Há quem escolha não se desviar do padrão alimentar hegemônico. Essa escolha implica em não rever conceito algum da moralidade vigente. Ela tem implicações profundas, não apenas na mente da pessoa, mas também em sua saúde, no bem próprio dos animais, e na defesa dos escossistemas naturais.
Que 2012 seja um tempo de decisões morais desanimalizantes para toda gente!
vitor (aofacy) marinho: por aqui, a Vanguarda Abolicionisa honrosamente tem distribuído e doado a bibliotecas os livros e DVDs que con$egue. De outra sorte, sei que o livreto ‘Paz e amor, bicho!’, do pessoal veg-espírita, está com um milhão de cópias em distribuição nacional gratuita, recebemos uma caixa na semana passada.
Obrigada pela resposta, Sônia.
As fontes são entrevistas e são declarações de Singer e é possível ler as frases ditas antes e depois das que foram citadas, o que é ainda mais lastimável porque em uma delas ele diz que não é a posição dele, mas que não criticaria um onívoro consciente que se alimenta de animais que viveram uma vida “feliz” e foram abatidos “humanitariamente”, isso porque ele não acredita que a morte seja um mal para os animais a menos que seja acompanhada de dor e sofrimento. As entrevistas são interessantes porque pode ocorrer uma mudança no pensamento do autor após a publicação de seus livros e ele pode retificar um erro, mas esse, pelo visto, não é o caso de Singer. Além do mais, eu acho que exatamente por vivermos num mundo de ditadura alimentar animalizada, meias palavras não bastam e a mensagem deveria ser a mais clara possível de que não há nenhuma justificativa moral para continuarmos usando os animais como escravos, sejam eles explorados e mortos “humanitariamente” ou não. A meu ver, quem está lá no alto, sentado nos ombros de um gigante, são aqueles que como Singer, mesmo sabendo dos fatos, continuam explorando e matando os animais.
Como você estranha as acusações de Francione contra Singer, eu proponho que discuta essas questões com o próprio Francione e dê chance a ele de refutar as acusações que fez nesse seu artigo.
Podemos marcar um dia para vocês discutirem essas questões?
É isso aí, Vera! Exatamente o que escrevi: se o Singer afirma tais coisas, mesmo tendo certos princípios éticos libertadores para todos os animais, o que devemos aprender com ele não é a abrir exceção a todo momento, mas a cuidar das teses defendidas e das afirmações que possam levar as pessoas a achar que se pode mudar de posição a cada momento.
Quanto aos textos do Francione, li seus três livros, que também tive a oportunidade de introduzir no debate brasileiro, onde ninguém sequer o conhecia, e por isso acho que posso criticar algo de seu modo de criticar o Singer. Acompanhei por um tempo os textos que ele enviava para postar na Pensata Animal, mas eles foram caindo tanto de nível que a Pensata parecia ter virado o blogo dele. Então, desisti de ler suas coisas pela rede.
Gosto mesmo dos livros, porque para escrever o livro o autor tem que parar e pensar cada frase. Numa entrevista, se a pessoa está mais cansada ou aborrecida, pode dizer coisas que depois fica difícil corrigir.
Singer faz muitas afirmações do tipo dessa que você destacou acima. Ele olha uma posição “que não é a dele”, e procura avaliar, com o princípio da dor e do prazer (princípios utilitaristas), se um ato humano tem ou não qualquer implicação moral, quando praticado contra um animal não-humano. Para o utilitarismo, só tem valor moral o ato que beneficia o afetado.
Quanto à morte, para o utilitarismo, mais uma vez, ela só tem valor moral se for um gesto oferecido para atender a um interesse maior do próprio animal, humano, ou não-humano: por exemplo, acabar com a agonia de uma morte arrastada e dolorosa (distanásia ou kakotanásia).
Singer, realmente, admite que todos temos liberdade de fazer escolhas e ele não se põe a criticar ou julgar as escolhas alheias. Seu maior esforço é sempre no sentido de oferecer uma possibilidade de analisar tudo à luz do utilitarismo de preferências. Para ele, há animais, e inclusive humanos, que não têm preferência alguma por qualquer coisa que seja posta com o nome de “estar vivo”, “deixar de viver”, porque lhes faltaria consciência de si.
MAS, já em seus livros da década de 70, ele adverte que, não sabendo o que há na mente de um animal, é melhor conceder-lhe o “benefício da dúvida”. Quer dizer: tratar o animal “como se” fosse um ser senciente, e não fazer a ele nada que não aprovamos que seja feito a nós próprios. Esse é o “princípío da igual consideração de interesses semelhantes”, elaborado por Singer, mas criado por Humphy Primatt em 1776, na obra, The Duty of Mercy.
Todos os autores têm alcances e limites em sua forma de exposição, porque a mente deles também tem limites, igualzinha à nossa. Gosto de aproveitar o alcance, pois é nesse ponto que eles me permitem pensar coisas que não conseguiria pensar sem a ajuda deles.
Mas, ao fazer isso, também percebo os limites de seus argumentos e o tempo todo aponto isso, em relação a qualquer deles. Só não gosto de um certo modo, adotado por Francione, que chegou ao movimento vinte anos depois de Singer e se acha o tal. Sem Singer, Francione ainda estaria a elaborar o conceito de interesses, por exemplo, sem o qual não há como falar de direitos, nem humanos, nem não-humanos.
Sônia! Obrigado pelos insights, é uma delícia ter uma visão compreensiva do todo para fazer justiça às partes, agradecido ; ))
Gostaria de comentar estas quatro (+ -) linhas à luz de um caso concreto:
“Seu maior esforço é sempre no sentido de oferecer uma possibilidade de analisar tudo à luz do utilitarismo de preferências. Para ele, há animais, e inclusive humanos, que não têm preferência alguma por qualquer coisa que seja posta com o nome de “estar vivo”, “deixar de viver”, porque lhes faltaria consciência de si.”
Na abertura do 2008-09 Amherst College Colloquium Series, singer debateu sobre as implicações éticas das biotecnologias com michael sandel. Ao longo das intervenções, sandel tentou persuadir singer sobre a necessidade da crítica dos valores aceitos pela maioria em situações de impasse moral. Singer resistiu oferecendo como resposta a descrição de consequências que poderiam ser aceitas ou rejeitadas por todas as partes envolvidas, independentemente de outras discordâncias. Curiosamente, sandel acabou desarmando singer de uma maneira incrivelmente simples:
E se zootecnólogos perversos criassem, digamos, uma variedade de aves para consumo humano desprovidas dos instintos básicos de bater asas, ciscar, socializar etc, de tal forma que seus interesses pudessem ser plenamente satisfeitos num sistema de baterias, teríamos alguma razão forte para condenar um tal sistema nessas condições?
Singer tentou oferecer uma razão utilitarista, mas acabou reconhecendo que seria mesmo preciso atacar a própria ideia de reengenharia, e de um outro ponto de vista.
Nesse debate, é possível assistir a esse esforço de sempre “oferecer uma possibilidade de analisar tudo à luz do utilitarismo de preferências”; é seu modo de proceder e ele conhece muito bem suas limitações, mas prefere insistir numa teoria a correr o risco de acabar sem nenhuma.
É verdade que singer escreve e diz que não criticaria um onívoro consciente ou um ovo-lacto em tais e tais condições, mas, quando fala assim, ele NAO está afirmando que “podemos mudar de posição a cada momento” ou que não é capaz de “retificar um erro”. Ele parece dizer, ao contrário, o seguinte: que enquanto filósofo, enquanto pessoa responsável por oferecer uma teoria da prática ética, ele não pode criticar essas pessoas em tais e tais situações, porque sua teoria não oferece uma razão consistente para tanto, seria arbitrário, seria não ser filosófico nem filósofo segundo sua concepção de filosofia!
Por outro lado, o que isso tudo significa para quem não é ou não quer ser filósofo à maneira do singer, que podemos abrir exceção a todo momento? NAO, significa outras duas coisas: (1) que se nosso compromisso cidadão for sincero, não podemos ceder brecha às práticas animalizadas onde quer que estejam; e (2) se nosso compromisso intelectual for sincero, devemos procurar razões fortes em outros lugares além de singer.
Mas não é o que tanta gente já faz? É!! Por isso que algumas críticas do francione me parecem inócuas ou simplesmente errar de alvo. Elas são ótimas contra o bem-estarismo, mas parecem irrelevantes para quem quer compreender singer sem se tornar singeriano.
Olá, Bueno, 1 milhão é impressionante!
Confesso que a ideia de que os animais são nossos irmãos menores, porque em via de se tornarem o que já somos, NAO ME APETECE. Penso como henry beston, que os animais não são nossos irmãos nem nossos subordinados, eles são outras nações.
Mas 1 milhão é impressionante! Eu não conhecia o livreto, muito interessante, obrigado pelo alerta.
Não sei se deveria dizer isso aqui, mas… Existe uma rede de pessoas que escaneiam livros impressos e distribuem pela internet: livros em pdf, epub, com paginação idêntica ao volume impresso etc. Farta literatura sobre ética animal disponível a quem tem acesso aos meios digitais — infelizmente, para ESTA finalidade, uma minoria.
Vitor, você postou um recado para o Bueno aqui, talvez ele não chegue a ler!
Opa, verdade, vlw ; )))
Sônia,
Levando em consideração que existem centenas de milhares de cães e gatos abandonados nas ruas desse Brasil, criar estes animais ” em nossos apartamentos, garagens, porões, sótãos, gaiolas, jaulas, cercadinhos”, não seria uma forma paliativa de amenizar o sofrimento deles? Eu sei que vc acha que o problema deve ser combatido na origem, que é a comercialização dessas vidas, e concordo plenamente contigo, mas, até lá o que fazemos?
SOU SUA FÂ N. 1
Vitor,
Se a engenharia genética, assim como já faz ratos sem o sistema imune, produzir porcos sem comportamentos instintivos como choro, e expressão de dor(para evitar a dor nos outros pela sensibilização), assim como sua própria capacidade de dor e sofrimento. E vamos piorar ainda, para não dar margem para controversas sobre outros interesses, e que seja desprovido de total e qualquer forma de subjetividade, incluso de racionalidade e livre-escolha. Esse porco ficaria totalmente imóvel, jamais veria o sol, num cubículo por toda sua vida de engorda, restando-lhe um único movimento a de sugar um composto alimentar(sopão) e mais nada, seria definitivamente um “zumbi”. E vamos supor que não houve erros de métodos, o porco seria de fato e com conformidade sem subjetividade.
Pergunto. Porque seria errado produzir e explorar tais organismos? Redireciono esse desafio a todos os veganos. Utilitarismo e o Singer jamais poderia dizer que isso é errado, salvo se, indiretamente esse fato produzir algum mal social, mas se produzir um bem-estar então mais justificado ainda será. A resposta para isso, seria uma retórica: “E que mal há de produzir tais organismos zumbis”? E o motivo desta pergunta é óbvio, o “telos” que incide, como valoramos, a moralidade nos outros seres está ausente. Ao menos, no utilitarismo e provavelmente na maioria dos sistemas éticos já que a subjetividade é um pressuposto para moralidade. Eu poderia perguntar também…. Afinal, que mal há em um escravo feliz junto com os senhores e a própria sociedade???? Se eu fosse utilitário, diria que não há problema algum, e de fato, será que há? È difícil argumentar, mesmo não sendo utilitário, porque um escravo feliz é errado. Talvez com kant isso seria possível, mas também sabemos que para kant não devemos mentir nem para um assassino que está prestes a matar sua filha e pergunta a você, onde ela se encontra.
A falácia:
Esse tipo de questão levanta uma falácia bem comum no meio vegano. A falácia petição de princípio, significa que a conclusão já tinha sido feita antes da investigação. È uma falácia típica que pode passar desapercebida, devido as pessoas serem influenciadas por algumas paixões pessoais morais préestabelecidas e outras crenças morais, e por isso se dão ao direito de ter uma premissa prescritiva dada antes mesmo da investigação, fazendo da investigação um mero meio de sofismo e não investigativo prescricional – o certo a fazer. Portanto, se Singer não consegue dizer o porquê matar zumbi é errado, ele, óbviamente não levou uma surra, pois essa questão se trata de uma falácia. Se Sandel colocou dessa forma, ele cometeu uma falácia. Ou colocou que a teoria de Singer tem consequência diferente a teoria outra, o que não implica que Singer está errado, pois Singer não pode estar errado na perspectiva de outra ética, e sim somente na dele mesma por motivos de métodos e epistêmicos mais que óbvio. È igual o Papa Francione faz com Singer. Francione e Regan também, interpretam Singer conforme suas teorias veganas e não conforme a teoria do próprio Peter Singer o que além de ser uma preguiça intelectual, para não dizer burrice, é um pouco de picaretagem.
Falarei mais sobre essa falácia abaixo.
Até lá, continue a oferecer seu trabalho de socorrista voluntária, sem jamais perder a noção de que esse trabalho (do ponto de vista de qualquer expectativa de aperfeiçoamento moral dos que continuam a achar que animais podem ser objetos de propriedade, seja lá para estima ou consumo), não resulta em muita transformação, mais se parece com o de “enxugar gelo”.
Se não fizermos outras intervenções, pedagógicas, morais, jurídicas e políticas, daqui a vinte anos as socorristas continuarão a recolher animais atirados fora como bagaços descartáveis, porque as mentes dos que se dizem amantes desses animais e os compram num impulso tão volúvel quanto o é o de descartá-los, continuarão no mesmo formato de hoje.
Costumes ruins são formatados nas mentes das gerações seguintes. E, infelizmente, nossas crianças e jovens estão sendo formatados na mentalidade somatofóbica reinante.
Por sorte, o movimento de defesa dos direitos animais também está crescendo. Pelo menos essas crianças não poderão dizer, mais tarde, que não havia ninguém ensinando a elas a respeitarem os animais, sem discriminar espécies ou aparência externa.
vitor (aofacy) marinho: a gente recebe caixas de materiais de todas as matizes, e esess com tendência religiosa usamos para desarmar/contrapor os muito religiosos dogmáticos que aparecem em nossas atividades, para aporrinhar ou mesmo com dúvidas. cito como exemplo o alemão ‘vida universal’, que também nos manda muitos livros, na corrente vegana-cristã. voce sabe, quem está na linha de frente do ativismo tem que lidar com públicos os mais diversos, ‘do contra’, e aí vale a guerrilha.
Não sou socorrista, sou protetora. Aliás, sou socorrista tbm prq acredito que uma leva a outra.
cont… Para o pessoal aí de cima[coment. 74, 78, 83 etc]; veganismo a priori é uma falácia! Julgar algum autor e seus pensamentos porque ele não é ou não desemboca necessariamente no “veganismo abolicionista” é um erro de lógica. Salvo para quem acha que o “veganismo” é um tipo de revelação divina dada por algum guru, daí que qualquer coisa contra essa “incrível verdade que só faz sentido para os revelados” é errado.
Dizer que Singer está errado, pois não consegue justificar o porquê matar galinhas geneticamente modificadas é errado, é colocar que matar galinha como axioma negativo. A premissa é a própria conclusão: “matar galinhas geneticamente modificado é errado”.È falácia porque a teoria ética está justamente querendo concluir se matar galinha modificado é errado ou não. No que tange a ética isso é um absurdo, pois recai no conservadorismo, tudo o que você considera errado, sempre estará errado pois as teorias que não dizer que não é errado, estarão erradas. Da mesma forma os comentários que colocam Singer como errado aí acima, sendo a premissa e sua própria conclusão de que os atos de Singer não é de um vegano abolicionista. Essa falácia poderia ser usado pelos próprios especistas comedores de carne: “O veganismo está errado pois rejeitam comer carne.” – Falácia, especificamente petição de princípio.
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Quando a discussão paralela que se iniciou acima. Pode-se dizer que Singer é sim pai dos “Direitos Animais’(Animal Rights) contemporâneo, pois Direitos Animais, assim como ‘Direitos Humanos’ não desempenha somente uma teoria jusfilosófica ou meramente jurídica, tanto que o próprio Singer diz isso e usa essa expressão várias vezes por conveniência. Além disso Peter Singer está longe, muito longe de explorar ou justificar a exploração de animais “sabendo dos fatos” como falaram. Explorar animais esclarecidamente significa que tais animais possuem qualidades respeitável para um determinado sistema ético(possui direitos), a pessoa com esse det. ética tem consciência disso, mas prefere transgredir tal direito ou dever negativo. A questão é mais profundamente além do pão nosso do “abolicionismo de todos os animais – seja vegano” de todos os dias que tanto limita o pensamento das pessoas, proibindo-as de pensar algo além do que esse estreito e preguiçoso modo de ver a situação dos animais não-humanos em relação a nossos atos.
Não dá para dizer como verdade pré estabelecida que alguém explora animais, se o fato dela supostamente ter alguma conduta que veganos interpretam como exploração advém da justificação de que não há nada a ser respeitado. E não, o fato do animal pertencer ao reino animal não diz absolutamente nada. Então não faz o menor sentido espalhar essa fama de que Singer mesmo “conhecendo os fatos”, explora animais, sobre o ponto de vista preguiçoso vegano e sem contra-argumentar Singer caso algum abate humanitário de algum tipo de animal seja justificado pelo utilitarismo.
As vezes as pessoas não concordam com o utilitarismo- e refutá-lo não é para qualquer um, mas ao invés de contra-argumentar o utilitarismo preferem o caminho mais fácil, que é taxar seu autor como “explorador de animais” sob o ponto de vista vegano e o ópio de todos os males veganos. E o mais chocante de tudo é saber que essas mesmas pessoas que mancham a imagem de Singer e todos seus bons argumentos(principalmente sobre os testes em animais que foi o único até agora que conseguiu incomodar a sociedade e cientistas – apesar de que o utilitarismo pode tanto justificar ou não tais testes), ao mesmo tempo coloca Regan como um grande nome depois de Francione. Mas até onde eu me lembro bem, Regan sempre foi extremamente claro, sua teoria moral é relativo somente aos mamíferos[e isso poucos colunistas, talvez por amor ao veganismo, seja da anda, ou blogs afins divulgam. Na verdade, a maioria esmagadora dos veganos diriam, como já me disseram em outrora, que sujeitos-de-uma-vida é um valor que um animal tem por ter uma vida,--- Regan virou um biocentrista e nem o informaram disso- coitado], e só recentemente ele abrangeu as aves e mais alguns vertebrados pelo princípio da duvida(que é bem deturbado pelos DDAs e principalmente veganos).
Dessa forma a teoria gradualista de Singer é bem mais abrangente que a de Tom Regan e protege de mesma forma-qualidade que Regan os mamíferos e aves. Porém, a morte de animais não é todas as vezes injustificadas e nem para Singer, e nem para Regan que já disse que mataria um milhão de chimpanzé para salvar um bebê humano como bem critica S. Best, só não pelos mesmos motivos. Ainda assim fica difícil promover algum tipo de julgamento como “pessoas como Singer explora animais”. Pois se está atribuindo intenção de transgressão da ética animal ou do Direitos Animais(que talvez sua única base em comum acordo é não ser especista o que desemboca na igual consideração) que não é verdade, ou se é, a questão é bem mais complicada e tais linha de raciocínio não aparece com esses julgamentos contra Singer e quando iniciamos uma discussão, logo, vemos que é um pré-conceito, fruto do mito, que como coloquei no comentário do artigo do Leon Denis, “ouvi dizer que…”. Um ex. disso são comentário que vemos por aí, olha só esse aqui que eu ri alto:”Tinha grande admiração por P. Singer até descobrir que ele quer esterilizar toda humanidade…Não concordo com sua teoria abortiva e eutanasiar seres humanos…Todos NÓS animais precisamos de proteção…Todo radicalismo é muito perigoso e temos que ter o senso crítico em relação ao que vemos e lemos.” http://pensataanimal.net/index.php?option=com_content&view=article&id=367:os-conflitos-etico-ambientais-sob-as-perspectivas-utilitaristas-de-p-singer-e-r-m-hare
Realmente….Singer é o autor mais mal-interpretado. Talvez não muito surpreendente, o menos lido também. Eu fico impressionado por veganos divulgando mitos por aí. Cada dia que passa, eu noto que a pior coisa que ocorreu para libertação animal, não são os comedores de carne, são os veganos. Por favor, salvem a libertação animal dos vegans. Mas,para fundamentar isso, eu deixo para outra hora. Até +
Sônia, eu entendo que alguém queira defender as limitações expostas nas visões de Singer ao dizer que uma pessoa pode expressar certas coisas por estar mais cansado ou aborrecido durante uma entrevista, mas posso garantir que nenhum abolicionista, que compartilha as ideias do significado real da palavra abolicionista como desenvolvido por Francione, mesmo cansado, aborrecido, ou até acometido por uma crise de sonambulismo diria que “em suas viagens teria prazer em comer comida vegetariana, em vez de vegana” ou dizer que ao irem a um restaurante as pessoas “permitem-se o luxo de não ser veganas naquela noite. Não vejo nada de realmente errado nisso”, ou assinaria um documento bem-estarista dessa proporção expressando “apreciação e apoio ao Whole Foods que passou a vender ‘carne feliz’ (http://tiny.cc/w2vei)”, mesmo sabendo que fazendas orgânicas não existem e que animais são, da mesma forma, mortos e que mesmo nelas não há nenhum tipo de bem-estar significativo aos animais por ainda serem confinados, explorados, e servirem de recurso aos humanos, enfim, ainda na posição de escravos. Um abolicionista defende a ideia de que não há nenhuma justificativa moral para explorarmos os animais claramente e a todo instante, quer seja em livros, em entrevistas, em conversas informais ou em qualquer outra situação.
Os menos avisados que se deparam com as ideias de Singer, são influenciados por elas e continuam a achar que o que importa é o sofrimento do animal e não também a sua morte e continuam a explorá-los “humanitariamente” por se sentirem confortáveis em ser onívoros conscientes e até formam organizações de defesa animal sem uma base moral forte, como é o caso da PETA que mata 90% dos animais que resgata (http://tiny.cc/1728v). Por isso a crítica de Francione contra Singer não só é pertinente como também necessária.
pedro gabriel,
Há um problema na sua intervenção que deixa escapar o que há de mais interessante no que foi debatido:
Você traz para o debate a sua compreensão do que significa fazer filosofia e julga de preguiçoso e defeituoso o que se distancia dessa compreensão. Você entende que a boa análise apresenta e destrincha os prós e contras das diversas soluções apresentadas pelos filósofos, e que não devemos projetar nossas próprias premissas morais no processo, sob risco de petição de princípio. Muito justo!, mas é apenas parte da história:
Quem se limita à análise prescricional das premissas filosóficas dos outros é o comentarista, e o comentário pode ser a sua compreensão da tarefa filosófica, mas certamente não é a minha e pode não ser a de outras pessoas. Não me entenda mal, eu entendo que essa tarefa seja fundamental, é uma lição básica da filosofia: compreender a internalidade do pensamento do outro, é o que fazemos toda vez que compreendemos descartes sem nos tornarmos cartesianos, ou singer sem virarmos singerianos. Deste pondo de vista, achei ótimas as suas críticas aos mitos reproduzidos em torno de singer e regan, bons esclarecimentos!, mas ao absolutizar a visão de comentarista, você deixou escapar uma lição valiosa, além de reproduzir outros tantos mitos sobre o papel dos pré-conceitos. Brevemente:
Há uma lição valiosa que dificilmente extraímos dos textos, mas que saltam aos olhos em debates vivos: o alcance prescricional de uma teoria não abarca a totalidade das intuições morais e premissas prescritivas ATIVAS de quem a escreveu. Michael sandel nem por um momento pensou estar dando uma “uma surra” lógica em singer, nem tampouco estava reproduzindo uma falácia, pelo simples fato de não ter ido lá para apenas comentar a internalidade do pensamento de outra pessoa. O próprio singer poderia ter respondido algo no sentido de dizer: “minha teoria oferece boas razões para não criticar o zootecnólogo perverso”, mas, ao invés disto, ele respondeu algo no sentido de dizer: “minha teoria não oferece boas razões para criticar o zootecnólogo perverso”, ou seja, ele reconheceu que desaprova, mas não vislumbra uma alternativa melhor condizente com seus próprios padrões de exigência. Isso é muito comum: se você conversar com habermas até a exaustão, como fez, por ex, rorty, vai acabar extraindo do grande filósofo alemão a opinião de que todo seu esforço sistematizador surge da vontade moral de que o holocausto nunca se repita: é uma petição de princípio vivida dia após dia.
Suas críticas somam bastante, são as críticas que descobrimos, por ex, em sala de aula, onde podemos esmiuçar a internalidade do pensamento de alguém (aqui já não funciona muito bem), mas tropeçou no final e deixou de entender completamente (por reduzir o papel do preconceito ao significado lógico de petição de princípio) que os veganos fazem pelo movimento o que nenhum comentarista estrito é capaz de fazer: transformar em fatos do mundo novos valores.
Oi, Marcio Bueno, sem dúvida que vale a guerrilha! No seu lugar (na linha de frente do ativismo), eu faria o mesmo ; )) Não me apeteceria, mas tem muitos méritos relativos, não é nenhuma brochura bem-estarista rs
Vitor,
Eu não disse que o que distância da minha compreensão do fazer filosofia é preguiçoso e defeituoso. Eu realmente não vi uma mínima virgula que leve a entender isso. Eu disse que o veganismo leva a pensamentos preguiçosos e limitam pensamentos – isso foi o que eu vi em todos meus anos de veganismo e o que se pode notar em qualquer grupo vegano, incluso em congressos e seminários e blábláblá. O veganismo destrói o senso crítico das pessoas. E sua frase coloca o veganismo como um “fazer filosofia”, mas veganismo não é “fazer filosofia”, são meras práticas de interesses dogmatizados submisso a uma associação sem embasamento algum, se não em idéias arbitrárias associadas e por isso eu disse o que disse quanto ao veganismo e suas imposturas. E tecer essa crítica até mesmo grosseiro, sim eu sei que foi e foi proposital, não é absolutizar meu ponto de vista e tão menos além de reproduzir outros tantos mitos sobre o papel dos pré-conceitos. Bom, enfim, talvez em outrora(não uso mais orkut, mas facebook podemos continuar essa questão).
vc disse:
“O próprio singer poderia ter respondido algo no sentido de dizer: “minha teoria oferece boas razões para não criticar o zootecnólogo perverso”, mas, ao invés disto, ele respondeu algo no sentido de dizer: “minha teoria não oferece boas razões para criticar o zootecnólogo perverso”, ou seja, ele reconheceu que desaprova, mas não vislumbra uma alternativa melhor condizente com seus próprios padrões de exigência.”
Eu realmente terei que ver esse video no youtube, pois estou comentando em condição apenas sobre o que você escreveu. Bom, o fato do Singer desaprovar ou não a questão é o de menos. Vou explicar o porquê. Eu desaprovo andar sobre uma trilha de formigas. Desaprovo colocar ostras em água fervente. No entanto, o fato d’eu desaprovar isso não significa que sobre essa questão eu tenho o direito de impor [e tão pouco que vou tentar persuadir] isso aos outros porque acredito que tais seres são ausentes de consciência de forma complexa o suficiente para terem uma visão de futuro sobre eles mesmos, além de outras subjetividades apreciáveis para uma ética mínima de respeito a vida e a liberdade cujo chamamos de abolicionismo. Vou continuar desaprovando andar sobre formigas, mas quem o faz – não diz ao meu respeito. Quem come mel e corante vermelho não diz ao meu respeito. O mesmo seria para com vacas e galinhas caso eu acreditasse que elas não possuíssem essa determinada subjetividade. Eu desaprovo, mas não posso fazer disso uma obrigação a terceiros. Eu não tenho o direito de exigir que as pessoas agem conforme meus valores pessoais injustificadas.
Enfim, eu desaprovo tantas coisas, assim como tem gente que desaprova a homossexualidade, mas isso não incorpora a possibilidade dessa gente coagir outros éticamente. Acredito que essa seja a questão de Singer. E eu tenho motivo para crer nisso. Ele faz isso constantemente em relação a sua ética utilitária, isso porque o utilitarismo são em algumas vezes anti-intuitivo. Até mesmo porque boa parte de nossa intuição é em relação a nossa cultura regente. O utilitarismo poderia justificar testes em crianças e deficientes mentais e salvar um chimpanzé adulto e sadio, porém, ele desaprova tal questão-valor. Ao menos foi isso que ele deixou claro lá no “pos scriptum” do Ètica Prática onde ele diz o quanto as pessoas o mal interpretaram sobre essa questão dos deficientes mentais, cujo o qual ele não desejaria diminuir o status moral dessas pessoas humanas e sim aumentar o status desses animais. Se Singer respondeu isso: “minha teoria não oferece boas razões para criticar o zootecnólogo perverso” então sua resposta foi bem direta a essa possível falácia de Sandel.[que aliás, o livro dele parece deixar claro sua atração ao intuitivismo-teleologismo. Singer tem essa mesma intuição que Sandel de que é errado ou supostamente haveria[sentiríamos] de ser errado levando em conta outros valores em questão. A diferença é que para Singer, intuição não nos diz o certo a fazer, por mais que no dia a dia nós a sigamos como ele mesmo coloca em Ètica Prática, incluso com analogia a um jogador de tênis. Ela[jogadora] pode seguir suas intuições e pode ganhar, mas aquela jogadora que usa as técnicas aplicadas, certamente, terá probabilidades de ganhar em inumeras vezes a mais que o intuitivista. Ele diz isso sobre uma das questões do porque não matar alguns tipos de animais, pois a “vida” não é um bem garantido por sí só no utilitarismo. Ele diz podemos seguir nossas intuições, só não podemos fazer disso uma regra prescritiva e soberana. Singer não caiu na falácia petição de princípio de Sandel. Ao contrário foi respeitoso a liberdade alheia, mesmo contra suas intuições, que por ventura poderá vir a ter como sua liberdade usar desse tipo de técnica genética que contorne questões éticas para maximizar sua felicidade e prazer. Essa questão é aquela velha questão. O que é, não significa dever ser. O que gostamos ou deixamos de gostar não significa dever ser.
A petição de princípio não significa que devemos estar ausentes de valores ao pensar, até mesmo porque isenção de valores é uma hipótese impossível devido nossa natureza cognitiva. Porém, ter nossos valores coincidentes a nossa investigação moral e até na feitura de nosso sistema ético não significa “petição de princípio” .
Petição de princípio é quando tentamos provar algo cujo o argumento tem esse algo como verdadeiro. Isso é um erro de lógica, pois o que tentamos provar não pode ser sua própria prova. Isso não torna errado o fato de termos algum valor e achar um raciocínio que embase condenando ou não tal valor, isso não significa que devemos afastar nossas intenções valorativas emocionais, intuitivas etc. Pois como já disse, seria uma hipótese impossível. O Juiz imparcial no Direito, minha área, por ex. não significa que o juiz será ausente de valores pessoais e sim que o seu embasamento deve ser pela lógica e lei, mesmo que em direção de seus valores na medida que não contrarie a norma e os princípios constitucionais do direito. Não há o que falar em petição de princípio ai. E não fosse assim, até mesmo eu cairia na petição de principio e acredito que a maioria dos pró direitos animais que primeiro teve um processo emocional que o impulsionou para essa questão que se pode argumentar de inúmeros meios – seja por teorias em sí – ou por apenas imparcialidade e coerência argumentativa das teorias e argumentos regente sobre as relações humanos. Porém, dependendo a forma que ele leva esse dilema emocional-racional pode incorporar em outras falácias e dogmatismo.
Logo, não tropecei e nem deixei de entender o que veganos supostamente fazem pelo movimento. Aliás, se há algo que veganos sabem fazer bem é piorar a questão com seu fundamentalismo e circularismo e dogmas, além de imposturas já citadas e outras mais. Mas enfim, isso já são outros 500.
pedro gabriel,
Vou tentar resumir rapidamente meu ponto de vista à luz da sua descrição de um juiz imparcial:
“O Juiz imparcial no Direito, minha área, por ex. não significa que o juiz será ausente de valores pessoais e sim que o seu embasamento deve ser pela lógica e lei, mesmo que em direção de seus valores na medida que não contrarie a norma e os princípios constitucionais do direito.”
Você disse que o embasamento do juiz imparcial é a lógica e a lei. Podemos redescrever isto da seguinte forma: um juiz é imparcial à medida que expressa coerência interna com a lógica e coerência externa com um referencial normativo dado, as leis. Reconhecemos a “imparcialidade” (“ela foi imparcial…”) quando esses dois requisitos são suficientemente articulados. Um dos elementos é vazio e abstrato, o outro é carregado de valor. É também isto que faz o comentador de uma teoria ética: ele faz a análise prescricional (lógica) de um referente normativo dado (uma teoria, um autor, uma tradição).
A sua crítica assumiu a forma de comentário nesse sentido, e foi muito boa, basicamente repetiu o que a sônia já havia dito no artigo e comentários. Mas você confundiu a sua razão de ter razão, a boa referência à teoria do singer, com razão lógica: os outros são fundamentalistas dogmáticos e falaciosos, como se o que disseram não fizesse sentido. É claro que faz, e você entenderia como se conseguisse sair do “modo comentarista” e percebesse que existem outras intenções em jogo. Talvez porque seja do direito, só consiga pensar o debate como um disputatio em que só um pode ter razão sobre um referencial fixo, que você confundiu com a lógica, mas não é. Toda a questão é demolir e reformar os pressupostos especistas e antropocêntricos da ética tradicional, e não levar às ultimas consequências os pressupostos de um autor, o que seria apenas instrumental. Um bom comentador é um bom reformador, no sentido de que consegue, por ex, “levar às ultimas consequências” uma teoria abolicionista e convencer os outros a PENSAR como ele no contexto de uma conversa; mas só abolicionistas encarnados, que existem segundo os valores abolicionistas, conseguem obrigar os outros a AGIR como se esses valores fossem tão reais quanto as árvores, os prédios, o asfalto.
Singer elaborou uma ética prática fundada no princípio da igual consideração de interesses semelhantes. Essa frase simples põe definições precisas sobre o que ele pretende e o que ele não pretende fazer quando fala de ética animal.
Se há interesses, e se tais interesses são considerados dignos de respeito no caso dos humanos, então esses mesmos interesses não podem ser desconsiderados quando existem em animais não-humanos.
O aborto e a eutanásia, para Singer, entram exatamente nessa brecha: se há interesse em estar vivo, o que não se pode dizer de um embrião nem de alguém que faz um testamento pedindo eutanásia para o momento em que sua vida não tiver mais qualquer interesse, então haverá um dever de preservar essa vida. Se não há interesse em estar vivo, nem em estar morto, porque tal mente sequer tem noção do que seja viver ou morrer, então não podemos considerar que ali há algo semelhante ao que ocorre à mente dos humanos conscientes e saudáveis.
Bem, Singer não diz que se não há tal interesse então a gente deve sair matando. Esse filósofo dá muito trabalho de ler e de compreender, porque nossos juízos morais intuitivos são formatados segundo a pouca lógica que Aristóteles nos legou, através de Tomás de Aquino.
Quanto a Singer reconhecer que mesmo os que se dizem veganos vão alguma vez a um restaurante e comem coisas que contêm derivados de animais, isso não quer dizer que ele incentive o hábito! Apenas nos diz que ele entende que os seres humanos estão em um mundo de padrões alimentares animalizados, do qual por vezes é muito difícil escapar. Se ele considerasse essas derrapadas como normais,no sentido de desejáveis ou louváveis, então mereceria críticas.
Ele aponta para uma realidade constrangedora, que afeta todos os veganos: mesmo os veganos comem coisas feitas com derivados animais sem o saber, pois os nomes constantes dos rótulos não revelam sua origem animal. Dou um exemplo, e não é o da lanolina ou o do carmin. Caseinatos. Corante caramelo. Alguém sempre soube que são derivados da proteína do leite? Pois eu só descobri isso com minha pesquisa de dez anos sobre o leite.
Admitir que uma vez um vegano saia do sério e coma algo derivado de animais não é o mesmo que admitir que, dado que uma vez se sai do sério, então, o certo é sair do sério todas as vezes, o dia todo, em qualquer refeição, agarrando-se a um tipo de comida derivada de animais, por exemplo, carne, queijo, iogurte, manteiga, sorvetes… com o argumento do tipo: “Já que…” Já que não tenho um mundo vegano à minha volta, então sucumbo e me locupleto nesse que aí está. Singer faz isso? Não faz!
Veja, Singer tem sido tão coerente em seu veganismo, que até agora, a menos que eu tenha perdido mais essa revelação, não vi um gesto dele apoiando a segunda sem carne!
Quanto aos veganos perderem o senso crítico, conforme foi escrito acima, penso que esse juízo é tão raso que nem mereceria comentar. Mas, deixar que passe assim, também não é a melhor forma de fertilizar o debate.
Então, vamos lá: se não fossem os veganos, em nosso país, a questão dos direitos animais jamais teria sido levantada! Cito, para que todos os que acompanham possam ler, alguns nomes, pioneiros e críticos da moralidade vigente, sem os quais nada teria saído do lugar onde a religião alojou todos os animais para facilitar sua exploração. Nina Rosa, Silvana Andrade, Paula Brugger, Maurício Varallo, Leon Denis, Marcela Godoy, Andresa Jacobs, Marcio Bueno, Marcia Chaplin, Luciano Cunha, Daniela Rosendo, Rafael Mendonça, são apenas alguns dos abolicionistas veganos que conheço, e todos com um senso crítico bem evoluído.
Há quem pense que ter senso crítico é ficar criticando! Dá arrepio!
Ter senso crítico é ficar analisando até a raiz a razão pela qual os humanos fazem o que fazem com os animais, e, além disso, tomar a palavra para desmascarar a hipocrisia de quem se agarra apenas a seu animalizinho de estimação, enquanto passa a faca em todos os outros que o abatedouro disponibiliza acondicionados em sacos plásticos, aliás, o mesmo material que o IML usa para empacotar os cadáveres.
Acho ótimo que Singer tenha fraturas expostas. Agora, quero ver como ir além delas, pegar essas fraturas e fazer o que puder para não me fraturar como ele, nos mesmos pontos. Isso é o que ele nos ensina.
Então, se ele diz que uma vez um vegano acaba comendo derivados de animais, ao fazer isso ele apenas nos dá a chance de avaliarmos não o ato desse suposto vegano, mas a fratura exposta a todo vegano.
Vai ter um dia, em meio a essa ditadura alimentar animalizada, em que o vegano pode ficar sem comida, porque até mesmo naquela salada de cenoura, beterraba e alfaces, tiveram a ideia genial de ralar queijo por cima! E agora?
Singer diz que até os veganos por vezes estão lá dentro dessa arapuca. Se é verdade o que ele diz, então a lição que isso nos dá é: como eu, vegana e abolicionista, sairia dessa armadilha da ditadura animalizada? Acho isso fantástico, porque, sendo filósofo, Singer jamais teve a pretensão de ser juiz. Ele mostra o lugar exato onde qualquer vegano pode se machucar moralmente.
Mesmo assim, ele não manda todo mundo cair nessa armadilha, apenas avisa que ela está lá, montada, pra nos atormentar!
Agora, perverso seria então passar a se entregar à ditadura e deixar-se alimentar por derivados de animais, porque Singer admitiu que há veganos que por vezes fazem isso.
Perguntemos à teoria dele se os que o fazem sempre são louváveis!
Sônia (100.),
Essa ideia de que “senso crítico” é analisar até a raiz a razão de alguma coisa é muito comum nas conversas e tem sérias limitações. Neste sentido isolado, senso crítico é uma capacidade computacional: extrair o máximo de desdobramentos do mínimo de pistas: se alguém conseguisse jogar inputs o suficiente num computador, ele também teria senso crítico nesse sentido. E digo “sérias limitações” porque se insistirmos apenas nessa dimensão do senso crítico, como tantas vezes fazemos, podemos nos iludir de que o problema dos outros (os outros de uma disputa) é um defeito de raciocínio, e eu não acredito nisso. Quantas vezes não ouvimos, numa conversa entre veganos, alguém dizer: “as pessoas precisam aprender a raciocinar corretamente, se aprendessem, o mundo seria outro…”?
É por isso que adorei a imagem da “fratura exposta”. Para mim, a dimensão mais interessante e consequente do pensamento crítico não é o cálculo, é a capacidade de se colocar em risco na comunicação, de colocar nossas preconcepções em risco a partir das preconcepções vividas pelo outro de uma conversa. É exatamente o que você disse que singer oferece: “Ele mostra o lugar exato onde qualquer vegano pode se machucar moralmente”. Ter senso crítico é descobrir e oferecer fraturas expostas! Acho que é isto que nos falta e falta às pessoas que escolhem ignorar os problemas do mundo: a capacidade de arriscar suas preconcepções na comunicação. É também isso que ensinam três filósofos que eu admiro e que NAO SÃO/FORAM VEGANOS: Gadamer, Michael Sandel e Tu Wei-Ming.
Bom, perguntemos, então, se o utilitarismo de preferências considera louvável quem faz do escorregão um hábito… Eu acho que já está muito claro, como você elegantemente argumentou, que NAO!
Alguém teve uma impressão completamente diferente? Eu adoraria ouvir rs ; ))
Vitor e Pedro, o meu “alcance” de entendimentos não conseguiu captar muitos dos elementos do diálogo de vocês, talvez até por cansaço da minha parte, mas achei vários pontos interessantes e queria destacar algumas palavras chave comentadas por vocês para colocá-las em mais perspectivas, bem rapidamente. Meu erro vai ser em não adotar nenhuma tradução ou definição mais precisa para elas, algo como não investigar sua origem, a etimologia, o que pode invalidar, talvez, essa perspectiva. Então, “dogmatismo”, “circularismo”, “dogmas” e “imposturas” por exemplo (no final de um comentário do Pedro) parecem condições dentro de um dado contexto que quem está presente ou transitando nele e principalmente quem está dentro de outro contexto consegue apontar como forma de denúncia, pois por estar “de fora” ou “em outro contexto” proporcionaria uma visibilidade melhor do que acontece alí do outro lado que não o nosso. “Isso é fundamentalismo de tal grupo”, “Aquilo é imposição” etc. Parece bem verdade, inclusive faz sentido e é realmente perigoso não estar o tempo todo se vigiando e com uma mente porosa para analisar a dinâmica, para não apenas reproduzir mantras, pois não podem ser mantras, são situações dinâmicas, como tudo o que acontece dentro daquilo que foi nomeado como veganismo (e que faço parte). É justamente por esse “encabrestamento” mental que o Singer (ele como pessoa e obra) acaba por ser atacado por alguns e um bando todo vai atrás, pois o “mantra-ataque” partiu de “um ou outro” que “saberia” o que está dizendo e os que são vinculados com ele(s), sem já muita crítica, sem analisar por seu próprio esforço, vão atrás, mergulham num estilo maria-vai-com-as-outras. Aí parece um dogmatismo talvez e acontece bastante e justificaria, quem sabe, o que o Pedro diz sobre alguns veganos serem o perigo para esse movimento de justiça, basta ver a extensão desse debate, o que é bom. Voltando para as palavras que pincei, o que vou dizer agora é um clichê, mas quando apontamos para algo dizendo que é um dogmatismo ou fundamentalismo não estaríamos nós defendendo o fundamentalismo ou dogmatismo da “normalidade”, do padrão? Quando atacamos o valor de determinado grupo não estamos balizando com outro valor que nos parece mais aceitável, seja por qual motivo nos parece mais aceitável? Um exemplo bem prático voltado às consequências do veganismo no âmbito da alimentação: ao criticar o não consumo de “carne” (padrão normal no nosso contexto) como algo não normal estou defendendo de forma implícita o meu modelo. E que nome ele tem? Não seria um fundamentalismo? Um dogma? Mas seu eu digo que ‘tudo bem, eu respeito teu modo que não é igual ao meu”, não estaria acionando um mecanismo de fuga para relativizar algo que não deve ser relativizado por não considerar todos os afetados, bem praticamente, por não considerar a vítima. Claro, nesse momento estou eu aqui também resumindo o debate, repetindo os “mantras” do veganismo, me esquivando de uma discussão que se alongada corre o risco de escorregar num niilismo moral, vai saber. Por fim, se isso que digo, meio papagaiando outros diálogos que já participei, faz algum sentido, será que não deveríamos optar e até forçar essa opção em outros, já que a palavra imposição é tão recorrente, em fazer parte de um dogmatismo ou fundamentalismo com bases éticas mais amplas como essas que esse movimento de justiça tem tentado revelar?
Oi, Juliano, tudo bem?
É claro que ao criticar o consumo de carne, afirmamos a alternativa — o veganismo –, mas qual é o problema? Você realmente pensa que verbalizar nossas convicções é ser dogmático?
A mente dogmática, para mim, é aquela que tenta proteger a qualquer custo os pressupostos fundamentais das próprias opiniões; é aquela que, ao invés de expor seus preconceitos ao risco do contato com os preconceitos dos outros, evita esse contato a qualquer custo. Eu tenho preferências e opiniões fortes, mas, ao mesmo tempo, eu aceito e desejo o contato! Olha a sua volta e me diz: quem é que mais avalia criticamente as próprias opiniões, veganos ou carnistas?
Quanto à ideia de que os veganos são um perigo ao movimento animal, eu tentei extrair o que me pareceu interessante pensar, mas, se tomada ao pé da letra, é uma afirmação tão boba que todo o ônus da explicação recai sobre quem pensa assim, não sobre mim, não sobre você. O que acha?
Abs!
nmst prof,
Quando li sobre aquela questão de pegar carona no erro usando o “Já que…” , lembrei do pensamento:
“Se um erro justificasse outro, teríamos um acerto”
nmst
É, ser vegana em uma cultura totalmente animalizada é muito difícil. Se não tiver força de vontade acaba tropeçando. Quando se trata de lanches então, nem se fala, o pão integral que comia até pouco tempo tem traços de leite, ontem estive em uma loja de produto naturais, e, para minha surpresa havia uma quantidade enorme de produtos veganos, fui em busca de um pão que não tivesse traços de leite, rsrs, e encontrei um muito bom por sinal. Não havia muito tempo que tive nessa loja e não encontrei nenhum produto vegano, é isso aí eles já vem com rótulos vegano, muito bom, pena que são muito caros.
Quando expressamos nossa posição contra a dos onívoros carnistas e os galactômanos e galactólatras, por exemplo, não há dogmatismo algum.
Dogmatismo é a posição que se coloca como a verdadeira e não apresenta qualquer argumento para justificar-se perante os que são afetados negativamente por aquelas ações, nesse caso, os animais.
Os veganos que conheço têm argumentos e os apresentam sempre aos interlocutores que os atacam. Bem, quando apresentamos argumentos, baseados no princípio ético de não gozar a própria vida às custas da morte e do sofrimento ou escravização dos animais, demolimos qualquer acusação de dogmatismo.
Mas, compreendo que, em nossa cultura autoritária, toda pessoa que apresenta argumentos para suas posições seja considerada dogmática. As pessoas confundem uma posição eticamente irrefutável com dogmatismo, porque elas não encontram argumentos para derrubar os argumentos veganos. Isso irrita muito os conservadores. E quando falo em conservadores, estou me referindo até mesmo a muito adolescente de 14 anos. Há muita gente mais conservadora em muitas questões do que seus próprios pais o seriam. São uma espécie de “avós de si mesmos”, quer dizer, mais retrógrados do que os pais dos pais deles. Nas convicções dietéticas isso é muito comum.
Mas, dogmáticos são os que não querem pôr em questão suas convicções, e se as têm elas sequer são suas, foram incorporadas, simplesmente, sem qualquer reflexão. Comer é uma das áreas mais propícias para alimentar posições conservadoras. Elas nem chegam a ser escolhas, porque, de fato, as pessoas nunca escolheram comer o que comem, simplesmente foram engolindo o que lhes foi colocado no prato pela mãe, empregadas, lanchonetes, restaurantes.
Os veganos, pelo menos, decidiram que vão escolher ou desescolher cada item considerado normal de suas refeições. É um trabalho de consciência não apenas diária, mas a cada vez que temos fome e levamos algo à boca. Sempre estamos conscientes de que isso que será enfiado na boca não derive de animais. Um exercício de consciência e de escolhas sem igual. Mas isso não é dogmatismo. Dogmatismo seria se não tivéssemos argumentos para apresentar aos outros que nos questionam. Mas nós temos argumentos. E quando digo argumentos, não me refiro a simples pretextos pelos quais apenas apresentamos aos outros nossas preferências pessoais.
Argumentos morais implicam em apresentar uma razão que justifica a ação sem que sejamos nós os beneficiários diretos dela. Isso é o que a ética exige. Como é que se beneficia os animais comendo-os? Escravizando-os? Confianando-os?
Quando as pessoas não conseguem responder a tais perguntas, dizem que somos dogmáticos, porque o argumento que apresentamos não pode ser refutado. Mas dogmáticas são elas, que firmam posição e não têm como justificar o que fazem perante os animais que matam e tratam de forma cruel para comê-los. Isso é dogmatismo. O onivorismo é dogmático, não o veganismo.
Sônia, eu luto o ano letivo inteiro com esses conservadores de 14 anos, depois de algum tempo trabalhando com eles ainda consigo me surpreender com uma turma nova a cada ano, a maioria é mais conservadora que os pais de seus pais, principalmente com o que colocam no prato. É impressionante como em tão pouco tempo (14 anos) as “disposições incorporadas” são inculcadas de maneira tão forte, assim formamos o habitus especista.
“Argumentos morais implicam em apresentar uma razão que justifica a ação sem que sejamos nós os beneficiários diretos dela.”
Como assim? Se estou sofrendo de uma morte lenta e dolorosa, e preciso argumentar pra conseguir me retirar da vida, meu argumento não é de natureza moral só pq serei o beneficiário direto? E para meu interlocutor, para ele é de natureza moral pq diz respeito a outra pessoa? Estarão duas pessoas a conversar, uma sobre moral e outra não?
É Vitor, se você só argumentar em favor do “seu” caso particular, isso jamais poderá tornar-se um princípio ético, quer dizer, que possa ser válido para ajudar outras pessoas a tomarem decisões quando não se trata de atender a seus interesses pessoais. É só não confundir premissas com conclusões! Você pode usar um argumento ético para mostrar ao seu médico que você tem razões fortes (baseadas em princípios morais válidos universalmente, justos, éticos e possíveis de serem seguidos) para pedir ajuda para morrer. Isso não quer dizer que o que você está fazendo perde o valor moral. Mas você precisa apresentar o argumento que daria sustentação ao seu ato, mas não porque o “benefíciário ” é você, e sim porque o ato pode ser fundamentado em razões ou valores que estão além do seu próprio umbigo.
Um desses argumentos possíveis é o utilitarista: a vida só tem valor, para você, caso você a possa viver com autonomia, consciência de si, e possibilidade de realizar propósitos pessoais. No caso de um mal degenerativo irreversível e doloroso, para o qual não há lenitivo, seguindo esse argumento utilitarista, a vida perderia qualquer sentido. Assim, em nome de um princípio como esse, você pode argumentar em defesa de sua eutanásia. Aliás, isso é o que os cidadãos canadenses, holandeses, australianos já podem fazer. E o fazem indo ao cartório e registrando sua vontade, detalhando inclusive o ponto degenerativo da doença no qual devem ser mortos com ajuda de uma injeção.
Mas, veja, para formular o princípio ético que dá sustentação ao seu argumento, não foi tomado como ponto de partida nenhum interesse pessoal seu. O valor da vida sem sofrimento grave e degenerativo é que sustenta a hipótese da eutanásia, a da “morte boa”, “serena”, “sem agonia”. Isso não interessa apenas a nós. Interessa a todos os seres sencientes, quando não há meios para sarar e a doença chega a degenerar para a perda da consciência e da autodeterminação.
Mas, nada disso vale para pedirmos a morte quando ela não está na pauta moral de outro. Por isso, usar o termo eutanásia para denominar o extermínio dos animais usados em experimentos científicos é um cinismo puro. Mas isso já expliquei lá no meu livro, Ética e Experimentação Animal: Fundamentos Abolicionistas.
Ética e Experimentação Animal: Fundamentos Abolicionistas. Quero muito ler este livro.
Sônia T. Felipe, suas argumentações são perfeitas, quando “crescer” quero ser igual a vc.
Oi, Sônia. Certo, então não é exatamente que a argumentação moral implica uma razão para a qual não somos os beneficiários diretos, e sim uma razão para a qual não podemos ser os únicos beneficiários virtuais da ação. Entendi.
Você diz que isso não vale quando a alternativa não se encontra na pauta moral do outro. Quando esse outro é um animal não-humano, é fácil descartar o termo eutanásia, mas e quando o outro é um animal humano cujas premissas morais não suportam qualquer forma de suicídio assistido? Como fazemos para modificar as pautas morais uns dos outros? Basta pensar que a razão leva indubitavelmente à uma pauta moral comum?
Eu li seu livro, ganhei de aniversário anos atrás e dei algumas vezes de aniversário tbm ; ))
Não me entenda mal, eu sei que a eutanásia já faz parte da norma jurídica de alguns países, mas o que me intriga é como isso acontece?
O filósofo purifica as razões, determina o que conta e o que não conta como pauta moral de um Outro, e aos poucos a sociedade atualiza seus achados em grande escala? Muitas conversas dão a entender que se passa mais ou menos assim, mas isso me parece tão pouco crível…
Como modificamos as pautas morais uns dos outros? rs = ///
Discordo que Singer não esteja incentivando o hábito de comer produtos animais, como colocado pela Sônia, quando ele diz que não vê nada realmente de errado quando veganos saem para comer num restaurante chique e permitem-se o luxo de não ser veganos naquela noite. Ele está sim, e muito. Além disso, evitar produtos animais em restaurantes não é nem um pouco difícil. É, na realidade, muito fácil. É só não comê-los e lembrar que qualquer produto de origem animal é fonte de exploração, sofrimento e morte e é isso que Singer deveria dizer e não que não vê nada de errado nisso.
Quanto a Singer ter elaborado uma ética prática fundada no princípio da igual consideração de interesses semelhantes, enquanto os animais não-humanos forem escravos, não há como esse princípio ser aplicado efetivamente aos interesses deles porque, sem dúvida alguma, o interesse do dono do escravo sempre se sobreporá ao interesse do escravo.
Esse ensaio explica as implicações das visões de Singer.
(Como havia outra Vera postando comentários, resolvi colocar meu sobrenome também.)
Oi, Vera Cristofani, isso também foi discutido de maneira interessante aqui:
http://www.anda.jor.br/19/12/2011/contraponto-%E2%80%93-parte-iii-%E2%80%93-a-origem-do-mal
Também acho que o Singer gasta energia demais tentando reconciliar seu utilitarismo com as crenças especistas já existentes: se alguém, apesar de tudo!, insistir em comer animais, sempre poderá encontrar alternativas do tipo “caminho do meio” nas articulações dele.
Não é um problema de teoria, ele poderia muito bem rejeitar todo o carnismo com base no utilitarismo, mas prefere lançar mão de outros meios…
Talvez Singer seja mesmo culpado de produzir conformismo, mas sabe como é, a melhor forma de ler o livro gostaríamos que fosse escrito é escrevendo ; ))
Me parece que esse “movimento de justiça” que ainda é nomeado como veganismo (e que faço parte) é tão prático quanto virtual. Ainda assim, suas inevitáveis “virtualidades” não são indicações de que deveríamos usá-las como desculpas para endossar ou justificar atos que podemos perfeitamente evitar com mais facilidade do que outros na esfera prática.
Nisso que disse, e que estou reproduzindo de outras fontes e conversas, quero expor o seguinte, e me parece estar enquadrado com a discussão: a gente sempre, ou quase sempre consegue evitar o consumo, no âmbito da alimentação, de derivados de animais, e exemplos ou afirmações alheias como as que estão sendo apontadas como originárias do Singer não deveriam servir de consolo para qualquer escorregão. E mais, algumas pessoas, como ele, teriam muito mais responsabilidade em cada palavra articulada para além do próprio pensamento, exteriorizada uma vez que poderia resultar justamente nisso que estamos aqui discutindo. De qualquer forma, tenha ele dito isso ou não, e isso é uma questão minha, não me atreveria atacá-lo da forma como tenho visto nos textos do Francione e por outros que o seguem em estilo e os motivos são vários e entre esses motivos me sinto contemplado por todas as complementações em forma de comentários que a Sônia apontou aqui. Isso não é sinônimo de dizer amém para o que não concordo.
Sobre o que chamei de “virtualidades” e que obtive de outras conversas e reproduzo, (e não vou usar como justificativa pra nada, mas apenas para por em perspectiva, pois também não suporto esse tipo de manobra que o que vou dizer adiante vai parecer) numa experiência mental – e estou falando das tais virtualidades – imagino alguém aqui entre os acusadores de Singer com um sentimento de que não existe nada de tão errado em ligar o computador para escrever um comentário ou comprar um produto vegano na padaria, pois se fosse tão errado ou tão “não vegano” não faria isso. Mas provavelmente o valor pago para o proprietário da padaria para obter o produto vegano poderá ser usado por ele para adquirir um pedaço de carne para o churrasco de domingo, caso ele não seja vegano – a hidrelétrica para gerar energia para o computador afogou milhares de animais – uma experiência mental que me parece fazer sentido. Não me interpretem mal, não estou dizendo que 2 errados fazem 1 certo nem que esses exemplos tem comparação com os que estão mais ao nosso alcance num restaurante chique, por isso quis dizer que são as tais virtualidades do veganismo que temos que desdobrar e revelar e tentar minimizar os impactos. Não nascemos numa era em que é possível superar todas as virtualidades.
Mas principalmente, não vejo função nem decência em destruir Singer sem entendê-lo devidamente. Como diz a Sônia, sobre os limites e os alcances, não precisamos desse tipo de atitude para aprimorar o legado que ele nos deixou.
Vitor,
sobre como poderíamos mudar a perspectiva do outro para incluir sua eutanásia na agenda (dele) não há muita saída. O utilitarismo só pode tomar posição em defesa de seres sencientes, mas não tem proposta para tratar com igualdade seres destituídos de senciência. A eutanásia seria admissível no caso de bebês, senis, animais que não têm qualquer perspectiva de poderem viver de modo minimamente prazeroso, ou no caso de a prorrogação da vida represente maiores danos do que sua eliminação. De qualquer modo, muita gente está chegando à morte por decisões que não são pessoais e sim alheias, especialmente em nosso país, onde a eutanásia não é discutida publicamente, porque todo mundo pensa que é um assunto de médicos, padres, juízes e polícia. Ningue´m pensa que a eutanásia é uma questão que todos os seres humanos deveriam pensar e sobre ela tomar algumas decisões. Mas, todo mundo deixa para pensar no assunto somente quando está na porta da UTI por meses, anos… à espera de uma vida que não pode mais ser.
Quanto a Singer, se sua argumentação bastasse, certamente eu não teria introduzido Regan (direitos morais para animais sujeitos de suas vidas) no debate brasileiro, nem Steve Wise (direitos constitucionais para “certos animais”) nem teria introduzido Francione (direitos jurídicos para animais), nem Taylor (respeito por todos os seres que em suas vidas têm um valor próprio, independente do quanto sejam valorizados pela estima humana ou pelo mercado, tese biocêntrica).
Conheço bem o alcance e os limites da argumentação de Singer. Por isso dei o subtítulo ao meu livro sobre sua ética frisando exatamente isso. (Ver Por uma questão de princípios: alcance e limites da ética de Peter Singer em defesa dos animais, Boiteux, 2003). Essa foi a primeira crítica a Singer escrita no Brasil.
Sônia, acredita que tbm já ganhei esse seu livro de presente? São os dois que eu tenho rs Ainda não li, mas já já começo ; ))))
Quanto à ANDA, presta um grande serviço à causa animal, pois seleciona e retransmite as notícias relacionadas aos direitos animais. Vê-la como bem estarista ou não é uma questão de interpretação e interpretação certamente equivocada na medida em que quem lança essa visão sobre a ANDA está valorando muito mais as notícias relacionadas ao “socorrismo” de cães e gatos.
No mais, EU SOU UM CRIMINOSO, pois o sistema de convivência em sociedade regrado pelas normas jurídicas criadas por HUMANOS me limitam a buscar o abolicionismo apenas por meio de atos permitidos na sociedade humana, fato que me torna omisso quando minha consciência me faz lembrar que a todo momento animais estão sendo aniquilados e cruelmente massacrados em todos os cantos dos segmentos da sociedade humana organizada. Qualquer crime legitima a defesa, ainda que de outrem. E o omisso é considerado criminoso pelas leis humanas. Portanto, não consigo, nem mesmo com as normas jurídicas formuladas pelos humanos, justificar minha omissão em relação aos crimes cometidos contra os animais, o que faz de mim um CRIMINOSO, queiram ou não queiram. Infelizmente. E mesmo que de forma anárquica eu conseguisse me libertar dessa omissão, ainda assim não deixaria de ser um criminoso já que estaria o sendo de forma ativa (invadindo uma propriedade e libertando animais em um laboratório, por exemplo).
Assim, diante das normas que disciplinam a convivência em sociedade humana EU SOU UM CRIMINOSO.
Vitor, eu dei minha opinião ao veganismo em razão das deturpações que ocorre no meio libertação animal, ou Direitos Animais etc. Sim, eu culpei, a priori, o veganismo. No entanto, eu não argumentei sobre isso, passei essa discussão para o mais tardar. È por isso que a crítica da Sônia a mim, dizendo que o meu argumento sobre o veganismo foi raso não faz sentido pois eu não argumentei, apenas dei minha opinião. Novamente eu repito, não disse “os outros”, eu disse “o veganismo”. Se “outros”, que você coloca, significa filosofia ou razão contrárias a minhas ideias pouco provável eu cometer uma falácia ad hominem. Veganismo não é posição filosófica e menos ainda tem uma lógica justificável como eu já disse. Pessoas contrárias as minha idéias eu respeito e não o julgo dessa forma que você colocou. Parece haver uma confusão aqui. Uma confusão que se vê nas ciências médicas e biológicas em relação as pseudo-ciências como acumputura, florais de bach, homeopatia etc. Pseudo-ciências não são ciências, logo, não podem ser considerados “outros” no sentido de ser uma teoria cientifica diversa apenas para criticar que pessoas julgam tais pseudo-ciências como dogmáticos, falaciosos, que distorcem os fatos etc. Até mesmo porque, não são argumentos vazios e soltos, é uma constatação sobre [im]posturas de grupos, como o veganismo, com interesses além do ético/justiça como será mostrado no comments adiante.
Se ser abolicionista é defender animais que possuem adjetivos para defender sua vida e/ou liberdade, então eu sou um abolicionista seja para alguns animais, seja para todos os animais e até para não animais na medida do princípio do Estado de Necessidade. Muitos veganos não defenderia isso, pois como muitos já me falaram, comem plantas porque não são animais,oras…. Como eu havia dito, não tenho problema em pessoas que defendem ou tentam defender seus valores naturais, culturais ou pessoais pela experiência de sua vida. E isso não é falácia petição de princípio como Sandel fez, e agora que eu assisti o vídeo, o Singer notou isso e deixou claro que Sandel deveria mostrar porquê fazer isso com as galinhas é monstruoso. Caso ao contrário, não haveria nenhum impedimento ético préestabelecido a ponto de Sandel colocar tal questão como uma “falha” na ética de Singer. Ou seja, Singer como um bom consequencialista que é, não veria problema em quem participasse dessa atividade de exploração, então essas “extensões” das teorias de Singer que justifica não comer determinado animal é limitado.
Se por um lado o veganismo, tirando algumas pessoas um pouco mais letrada em relação a suas próprias ideologia, acha que Singer “come com carinho e blábláblá” que a anos eu venho debatendo com veganos e antiveganos e dizendo que eles interpretam totalmente errado Singer. Por outro lado, é tão errado e absurdo interpretar Singer com idéias limitadas ao veganismo. Singer não é vegano e nem defende o veganismo no ponto de vista vegano, apesar dele se dizer vegetariano ou vegano flexível!. Singer come, assumidamente, ostras e não vê problema algum nas pessoas comerem animais bivalves deliberadamente. Singer não veria problema em quem quiser comer animais cuja técnica genética lhes impedem de ter subjetividade apreciáveis pelo utilitarismo de preferências. Novamente, se antes eu defendia Singer das interpretações estúpidas de veganos que achavam que ele “estuprava com carinho”, terei que novamente defender o consequencialismo de Singer[até mesmo porque eu sou consequencialista] e dizer que Singer não defende o veganismo, se veganismo é não comer nenhum tipo de animais ou usar seus produtos. Singer é consequencialista ao contrário de Kant, Aristóteles que julgam a ato por sí, dizendo ser ela certo ou errado independentemente da sua consequência. Singer julga essa própria consequência e não o ato inicial que, essa por sua vez, fica em avaliação condicional a avaliação de sua consequência.
O problema dessa questão que não é possível nos distanciar porque os valores sempre estarão conosco a partir do momento que nascemos, é que ela pode acabar em dogmas. Se uma pessoa não consegue separar nossos valores pessoais com valores imperativos éticos, não consegue mudar de opinião diante os fatos isso acaba em imposturas que se vê claramente no veganismo e outros grupos. È por isso que se vê algumas falácias bem comum no meio vegano, entre elas o “veganismo a priori” que eu critico. Essa é a questão que ressaltei, e não só o fato de termos alguns valores, e sim a forma que conduzimos tais valores. Algumas pessoas resolvem seus conflitos de valores e crenças de forma desonesta outros de forma honesta,mesmo que errada. A pouco tempo atrás, estive numa discussão onde um vegano tentava usar a ciências para defender suas idéias[do veganismo é mais saudável e comer animais não é saudável - isto é insustentável], mas ele o fez até quando isso foi util, depois ele passou a atacar a ciências e dizer que ela não presta para nada. Isso é uma resolução de conflitos internos desonestamente. E isso ocorre com frequência no veganismo e em outro grupos como criacionismo cristão.
Sônia:
você disse:
“Bem, Singer não diz que se não há tal interesse então a gente deve sair matando.”
Sim, claro, eu sei disso, conheço bem a teoria de Singer e outros. Singer não defende-diz isso em partes[em partes porque é difícil falar sobre Singer de forma tão generalizadora e absoluta assim], mas eu digo isso. Não digo que deve sair matando, mas digo, que quem sair matando é da liberdade dele e eu já não posso fazer nada. O que não significa que isso não deve ser regulamentado por motivos antropocêntricos. Eu defendo Singer das distorções veganas tão viróticas por aí e outros tipos de bobagens que falam sobre o nome de Singer como o Leon aqui do ANDA espalha com sua “pedagogia vegana” e outros blogueiros e “artigueiros” que fazem grandes desserviço para causa, isso não significa que eu concordo com ele em tudo e tão pouco que eu o sigo. Oras bolas! Logo sua crítica sobre mim não faz muito sentido, imputa a mim, pré-concebidamente, algo que eu não sou e não faço e tão pouco dei motivos para pensar isso. Aliás, tenho boas críticas a Singer que por enquanto não vi em nenhum lugar. Em especial duas. A primeira é quando o uso da igual-consideração que ele faz quanto a dor, que é de uma inocência mais que infantil. Se a questão é tão somente a dor, isso não me obriga deixar de matar, antes, cessando a possibilidade dessa dor. Singer usa a “igual consideração de interesse” lamentável e talvez só faz sentido numa cabeça de um bioético. Com nós humanos, não respeitamos só prazer e dor, esse é o acessório que só se torna importante devido a questões anteriores e principais como a biografia. Esse é o problema do utilitarismo de preferências de Singer subjuga outras questões importantes ao isolar os prazeres e dores e colocar isso como um dever de igual consideração de interesses semelhantes. Crítica parecida com essa Nozick faz muito bem feito a Singer. A minha segunda crítica a Singer é a mesma crítica que recai sobre a democracia que só foi resolvido com a questão externa a democracia que é a imposição jurídica dos direitos fundamentais e no Singer só foi resolvido, também , por uma questão externa ao utilitarismo seja por S. Mill, apesar de que ele acreditava que era compatível com o utilitarismo, seja considerando outras questões cujo o qual o utilitarismo clássico desconsiderava como a autonomia. O problema é que dependendo dos valores por baixo do sistema ético, esse sistema pode acabar em tragédia. Singer não queria justificar a diminuição do Status de alguns tipos de pessoas – como ele mesmo disse, mas sua teoria justifica. È por isso que a teoria de Singer é, antes de tudo, condicional. Note o uso que Singer faz constantemente da condição “SE” em seus livros. Os testes em animais seria facilmente justificado na teoria de Singer, incluso em chimpanzés – cujo em ética prática Singer diz que seria mais lógico fazer em certos tipos de humanos já adoecidos, se de fato ao invés de deixar de fazer testes em chimpanzés, começarmos a fazer em certos tipos de humanos. È claro que a “extensão” da teoria do Singer leva em conta que JAMAIS iríamos fazer testes em humanos, só sobrando nós acabar com testes em chimpanzés tendo outras alternativas ou não. Apesar de que isso pode ser válido com chimpanzés, mas não necessariamente é com ouros tipos de animais como ratos. Singer é macaco velho! Se formos ler seus artigos com leitura superficial, sem essa malícia que ele aplica, não iremos entender o quanto “libertação animal” é suas obras e é bem claro nas obras de Singer – ao menos para quem leu, porém, é bem menos do que o veganismo gostaria que fosse
você disse:
“Admitir que uma vez um vegano saia do sério e coma algo derivado de animais não é o mesmo que admitir que, dado que uma vez se sai do sério, então, o certo é sair do sério todas as vezes, o dia todo, em qualquer refeição, agarrando-se a um tipo de comida derivada de animais, por exemplo, carne, queijo, iogurte, manteiga, sorvetes… com o argumento do tipo: “Já que…” Já que não tenho um mundo vegano à minha volta, então sucumbo e me locupleto nesse que aí está. Singer faz isso? Não faz!”
Bem, eu não disse que Singer faz isso e nem que eu faço isso. Mas faço novamente um atento sobre a generalização dos conceitos. Isso é muito comum quando se trata de Singer e qualquer outro assunto pelo veganismo. Os veganos interpretam os animais de acordo com o igualitarianismo vegano achando que cochonilla, peixe, galinha e chimpanzés são a mesma coisa. Então quando se fala em chimpanzés, poderia, entendem veganos, ser caranguejo. Chimpanzé não é caranguejo e caranguejo não são humanos. Sorry, vegans. Eu já ví inumeros artigos pela internet, onde o autor citado cita um animal e o autor do artigo dá saltos colocando outros animais ou substituindo por outros que corrompe completamente a questão para falar mais sobre um assunto. Como já coloquei, transgredir um dever ético ou direito não é o mesmo que ter determinada prática sobre a justificativa que isso não conflita com os interesses dos animais não-humanos. È por isso que a maioria das acusações veganas são, no mínimo, não inteligíveis. E o índice de veganos que ficam aos cantos chorando a má compreensão da sociedade é virótica. E não é atoa que muitos desses se tornam subjetivistas “veganos para sí” incapazes de irem contra idéias bases do veganismo que só faz sentido num grupo vegano.
Eu não vejo problema quanto a pragmática de consumir ovos e leite de criação caipiras e que seja humanitária, bem-estarista. O motivo disso é simples e é aqui como eu demonstro que a forma que o veganismo leva “abolicionismo Vs. Bem-estarismo” é, no mínimo, uma ilusão sectária. A maioria dos ovolactorianismo são contra a abate de animais e por isso sua postura, pois o abate é a relação mínima e máxima do abate animal. A maioria esmagadora dos ovolactos éticos são contra o abate de animais. Se leite e queijo são resíduos da industria principal, então qual o motivo de boicotar leite e queijo? Pouco provável que se matariam milhões de bezerros e as improdutivas SOMENTE para fabricar leite e queijo – e é aqui que os ovolactos se acomodam, mas é fácil de notar que se usaria do resíduo do emprenhamento das vacas para criar bezerros para o abate. O único jeito de condicionar o corpo das vacas a lactação, sem a industria da carne, seria com hormônios(progesterona) e isso por motivos éticos e sanitários tanto para vacas quanto para os consumidores não se faz. Além de que um bovino pode viver de 20 a 40 anos, e sua população seria incontrolável para fornecer a industria de leite sem poder abate-los. Então parece que acabando com a industria de carne, a industria de leite e queijo desaba. E nesse sentido, levando em conta que é mais fácil e prático ser ovolacto do que veg[etari]ano, talvez os ovolactos são mais uteis para libertação animal que veganos puritanos. Uma sociedade ovolacto seria um paradoxo.
A partir do momento que o anti-especismo seja parte dos atos administrativos, jurídicos e políticos de nossa sociedade, e que, óbviamente, seja parte inerente dos valores das pessoas de tal forma que a industria de corte e carnes, em geral, seja desestimulada, até extinta em certas regiões. Que, o mais importante, as pessoas passem a ver que matar para alimentação é errado. A industria de leite vai ruir. Que a industria de leite é pior ou tão ruim quanto a industria de carne, isso eu não duvido até em certo ponto. Mas a questão não é e nem pode ser tão somente de “certo e errado”, questões psicológicas se envolvem e nesse sentido psicológico entre a carne e o leite e ovos há um abismo que veganos ao entrar tão cabeça no mundo vegano tão extremo não conseguem ver. Eu só não imagino como ser possível uma sociedade “ovolacto” que não permite comer carne e nem matar animais para tal. Então o ovolactorianismo entra num paradoxo. Eles acarretam na própria extinção dessa industria. E numa sociedade assim, os ovolactos especistas de pouco importa, eles corroboram contra eles mesmos.
È por isso que eu disse que ideias são mais importantes que uma postura intransigente e extremista de consumir queijo de tapioca, leite de arroz produzido em casa em liguidificar, e outras bobagens alimentares de veganos que acha que se substitui um produto nutricional de origem animal com suco de arroz caseiro como se vê comummente entre vários grupos veganos. È nesse sentido que o veganismo passa a ser contrário a libertação animal ao dar a perspectiva de impossibilidade de prática, impulsionando as pessoas a churrascaria e ao especismo esclarecido. E aqueles que o veganismo é fortemente contra, sendo até xingado como se vê claramente por aí e incluso em artigos de veganos aqui da ANDA, dá mais resultados que o próprio veganismo. Idéias são mais importantes que prática fundamentalista, principalmente quando se trata de fenômenos morais naturais que também tem efeitos involuntariamente sobre.
Isso é com a questão do leite. A questão das galinhas ainda é mais interessante. Temos galinhas, patos, e outros animais que botam ovos. A vida desses animais é curto e é pouco tempo após deles pararem de botar ovos. Avestruz então daria um ovo para família inteira. Pergunto. Qual o problema de ter em casa ou um sítio animais como patos e comer seus ovos(e são bem mais agradáveis em cheiro e paladar que as de galinhas)? “Contrato natural” entre os animais ocorrem o tempo todo. Desde sua célula com os antigos seres vivos, que hoje são suas mitocôndrias, até no seu intestino e péle que existe uma enorme quantidade de bactérias te ajudando e você ajudando elas, Além desses seres unicelulares, temos plantas como milhos e outros animais. È claro que não estou dizendo que por causa dessa naturalidade é correto, isso seria uma falácia naturalista. Mas estou afirmando que de além de comum, parece não haver nada de errado em simbiose de animais seja natural ou intencionalmente produzido pela cognição humana{vide Michael Pollan e Jonathan Safran Foer’s). Ao menos que se defenda como o Papa Francione que não se tenha ou conviva com qualquer tipo de animal não-humanos. Que animais devem ser excluídos da sociedade. Não faz sentido uns poder ter cachorros e outros não poder ter galinhas só porque nós podemos vir a comer seus ovos. Não faz sentido, e menos ainda fazer filhos, se reproduzir. Você pode dizer que há intencionalidade exploratória ou subserviência na questão cujo nós podemos fazer simbiose. Mas pergunto eu: Estamos no dia seguinte da abolição negreira. E você adotou um negrinho. Você não deveria pedir ou até mandar que o negrinho lavar os pratos da cozinha pois isso seria exploração? Não devemos se reproduzir, pois sabemos que no futuro ele fará algumas tarefas de casa como lavar louças? E pior, será que não é exploração quando uma pessoa se relaciona com um outro animal e até outras pessoa? Afinal, não me diga que essa relação é desprovida de qualquer interesse simbiótico, de qualquer reciprocidade. De troca de prazer, carinhos, companhia, de interesses etc. Veganismo, ainda mais o abolicionismo da forma que o veganismo conceitua é insustentável, e não é por acaso, veganismo é dogmático e arbitrário. E são poucos autores que o convalida talvez Francione, que as próprias palavras dele fazem prova contra ele mesmo, e uma doída chamada Dunayer que tem um estudo sobre cognição atrasada em pelo menos 40 anos .
O problema do veganismo é que o veganismo está cheio de “purantistas”, veganos por nojinho, etc. Você pode ver claramente em marketing vegano e afins propagandas que tem como única perspectiva o “nojo da industria de salsicha, seja vegano” e coisas do tipo. Como se industriais de soja fosse menos nojenta nesse ponto de vista. Shoyu que o diga. Isso nada tem a ver com ética, é individualismo e acha que as pessoas deve ter nojo como tais pessoas. Não sei se é ingenuidade ou um imperialismo tipicamente vegano que essas pessoas mal conseguem ver o quanto estúpido é esses tipos de marketing. Espero que essas pessoas não comecem a querer invocar com meu gosto de cor, e querer que eu tenha que gostar de verde e usar só verde, porque é exatamente isso que fazem sobre tais questões.
você disse:
“Então, vamos lá: se não fossem os veganos, em nosso país, a questão dos direitos animais jamais teria sido levantada! Cito, para que todos os que acompanham possam ler, alguns nomes, pioneiros e críticos da moralidade vigente, sem os quais nada teria saído do lugar onde a religião alojou todos os animais para facilitar sua exploração. Nina Rosa, Silvana Andrade, Paula Brugger, Maurício Varallo, Leon Denis, Marcela Godoy, Andresa Jacobs, Marcio Bueno, Marcia Chaplin, Luciano Cunha, Daniela Rosendo, Rafael Mendonça, são apenas alguns dos abolicionistas veganos que conheço, e todos com um senso crítico bem evoluído.”
Há um abismo entre “direitos animais” e veganismo, sorry, non sequitur. Uma coisa não tem nada a ver com a outra, por mais que veganos se dão créditos de feitos que pouco ou nada tem relação com seus atos. Um ex. de non sequitur no veganismo é se dizer que o ativismo vegano funciona, pois a quantidade de vegano aumentou. Em todos meus anos de veganismo eu não ví absolutamente nada disso. Veganos sequer conseguem produzir veganos mais que jogar dados o faria. O que eu vi foram efeitos naturais morais produzindo veganos(e antiveganos talvez em proporção maior e esse sim com esforço vegano), e por chantagem emocional que poderia ter sido feito até por não veganos como um testemunho que eu já li de um vegano que disse que virou vegano depois do irmão comedor de carne ter falado para ele não criticar o países oriental por comer cachorro, se ele come porcos. Além de especistas, antropocêntricos e comedores de carne produzem mais veganos e defensores dos direitos animais que veganos, a partir do momento que alguns ensinamentos no seio da sociedade leva a cada vez mais um aumento de moralidade em prol os animais, até que por final, com uma pequena lógica de princípios aplicado internamente essas pessoas passam a classificar como os ensinamentos da sociedade e seus atos incoerente. Deixando assim de comer certos tipos de animais ou todos eles, dependendo das crenças e influência e a quantidade de informação que essas pessoas dispõem. Além do direito etc . È pretensioso achar que uma pessoa que prega o veganismo está fazendo um ativismo pró direitos animais. Uma ousadia. Digo isso com experiência de anos de veganismo. E vou mostrar quanto veganismo pouco ou nada tem a ver com direitos animais, podendo até ser anti direitos animais.
Se veganos não demonstrar que sua “pedagogia e ativismo” faz mais veganos que o fato de um comedor de carne observar uma vaca sendo morta e se empatizar, então, há problemas aí. O veganismo parece ser descartável, além de ter efeitos mínimos na sociedade. Assim como ocorre com a homeopatia. Se os homeopatas não conseguem demonstrar que a homeopatia(por ex. diluir substancias infinitamente) tem mais resultados que pílulas de açúcar ou farinha, então convenhamos que os princípios homeopaticos não prestam para nada, no máximo efeito placebo. Eu realmente gostaria de saber se um vegano falando ao lado de alguns videos de abates, ainda mais com abates sem as diretrizes humanitárias, produzem mais veganos que demonstrar esse vídeo com o vegano calado.
Além disso o uso de documentários que envolvem chantagem emocional é extremamente polêmico ainda mais com crianças e adolescentes. Afinal, pôr documentário veganos cheios de meia-verdades mostrando animais sendo mortos de forma terrível, um apelo e uma chantagem emocional assim, pode fazer alguns veganos pré-dispostos, mas farão alguns “alfacistas”, e talvez mais alguns especistas esclarecidos. Aliás, como todas as chances emocionais é bem esperado coisas bem discrepantes, incluso injustiça. Não é atoa que no Direito com algumas chantagens emocionais o juri pode se convencer e condenar um inocente ou liberar um criminoso.
Eu conheço alguns desses citados por você e sinceramente por mais inteligentes que eu acho alguns daí, ainda assim é um exagero dizer que se não fosse eles a questão dos direitos animais jamais teria sido levantada. Um exagero histórico, até mesmo porque na academia tem não-veganos defendendo os direitos animais, e é um absurdo óbvio quando a uma perspectiva futura ao dizer que “jamais teria sido levantada”. Em 2004, se eu não me engano, quando esse site nem existia e questões sobre veganismo tava começando a surgir na internet, eu tinha uma professora inteligentíssima de dissertação na escola publica que já tava alguns conceitos básicos de antiespecismo, ela era até vegetariana e lembro de uma vez, que ela disse que ela levava um hambuguer de soja nas lanchonetes para eles fazerem o hamburguer para ela.[Francione a queimaria por isso]. E o melhor não recorria as bobagens vegana, que talvez naquela época nem existia, de querer passar documentários mentirosos e de meia-verdades que temos por aí que veganos adoram. Certamente existiu e existe pessoas como ela espalhado pelo Brasil a fora em faculdades, cursos, escolas, e outros grupos. Certamente, se há algum pioneiro em algo são essas pessoas “invisíveis” que talvez fizeram mais para os Direitos Animais que blogueiros(que se há uma coisa que blogueiros sabem fazer bem é espalhar mitos) e congrecistas e seminaristas que dedicam parte desse precioso tempo com doideras “respiracionistas” e outras bobagens que nada tem a ver com direitos animais e que prejudica mais que ajuda e autores como Daniel Lourenço que vende seu livro por mais de 80 reais, totalmente indisponível para maior parte da população e veganos com suas idéias totalmente fora da realidade prática da maioria das pessoas. Enfim, há muito ego exorbitado por aqui. Se alguém é realmente merecedor de algum crédito realmente satisfatório será reconhecido e não empurrado por amigos devido seus sentimentos fraternais, como você Sonia que eu reconheço o seu trabalho tanto no seu livro “por uma questão de princípios” quanto o seu trabalho de apóio aos estudantes de filosofia da faculdade cujo você dá aula e minha crítica a ti já coloquei acima.
Bom, não vou discutir egos. Mas sinceramente, isso não mostrou o quanto eles ajudaram para os “direitos animais”, e talvez, alguns daí ajudaram a piorar com sua “pedagogia vegana” cheia de controversas, cheia de expressões pré-estabelecidas pelos veganos como errado, um mal moral como famigerado “roubos dos ovos das galinhas” algo que não é unanime entre os Direitos Animais, já começa daí. É um antropoformismo bem infantil. Uma petulância enorme em impor uma forma intransigente de definir que “em tal ponto, o caminho mais coerente sempre vai ser veganismo”. Sorry, mas informar os direitos animais e questionar a lógica da estratégia um do outro é muito diferente de pregar o veganismo. Veganismo não é Direitos Animais. Non sequitur!
Fora isso, muito dos defensores dos direitos animais atuais sequer sabem quem são esses. E certamente tiveram pouca ou nenhuma influência dos mesmos. Mais uma vez eu repeito. Veganismo nada tem a ver com direitos animais.
Juliano Zabka :
Não há problema algum em imposições. A ética e direito é, na matéria moral e a outra na matéria legal, coercitivos e imputativos (que imputa responsabilidades). O problema das imposições é quando se impõem questões subjetivas e particulares ou que podem ser duplamente corretas mesmo que contrárias, como impor uma determinada dieta as pessoas. Primeiro porque a dieta é subjetiva em função ao seu organismo. Uma pessoa pode comer deliberadamente algum tipo de animal e ainda assim estar plenamente justificado nos Direitos Animais. Além disso é uma hipótese impossível, pois dietas não são universalizáveis. Sinto muito, mas a maior parte da diferença genética entre as pessoas está principalmente em questões referentes a metabolismo e absorção de nutrientes e imunidades. Querer que todos de todos os cantos da terra se tornem vegetarianos estritos, ainda mais veganos, é uma ilusão, equivale a querer que as pessoas andem de ponta cabeça, até vai conseguir em algum momento, mas depois logo vem inúmeros problemas.
O outro problema do veganismo é que ela se confunde entre questões “virtudista” e principiológico. Aì vira balaio de gato. Porque alguns veganos querem implantar diretamente valores nas pessoas, é como uma religião – mais ou menos como o humanismo faz e por isso mesmo, o movimento humanista é considerado por muito críticos uma religião e proselitismo, até mesmo porque muitos valores são totalmente subjetivos e pessoais e ideologia arbitrária, de apelo profundo as emoções. A questão principiológica ou de justiça consiste em aplicar razão aos valores, seja quais forem eles. O que implica que as pessoas deixaram de fazer algo mesmo tendo um valor [emoção] oposto. È por isso que podemos respeitar tipos de animais cujo positivamente não temos nenhuma empatia. O que sinto, não necessariamente, dever ser; E o que eu “não sinto”, não necessariamente não-dever ser. È claro que isso é a curto prazo, essa pessoa geralmente acaba mudando de valores e adaptando pelo lógica-justiça, ou se ele não, suas descendência já nascerá com tais valores seja por fenômenos biológicos ou culturais. È assim que a sociologia jurídica aplicada funciona e por isso que o Direito tem meios de mudar a sociedade em partes, desde que os jurisdicionados tenham o Direito como jurisdição legitima. Até mesmo porque em geral, a razão – através da ciências – é eleita como ferramenta do certo a fazer. Mas enfim, as questões são um pouco mais complexas que parece nesse pequeno contexto que dei.
Quanto aos dogmas, dogmas são valores, idéias, enfim, crenças em geral que as pessoas têm e acreditam ser tão verdadeiro que não aceita argumentação em contrário, não consegue nem entender ou passar em sua mente questões em contrário. E isso se vê no veganismo. Eu já participei de um debate entre veganos cuja a maioria queria acabar com a discussão e excluir nós(eu estava com amigos) de lá devido as duvidas sobre o veganismo que estavamos colocando. E uma vegana até disse: “começa duvidando e já já estarão comendo carne” e coisas do tipo. As pessoas que menos acreditam no veganismo são esses tipos de veganos, pois como supõe na frase, eles mesmo se colocam tendo problemas na justificação do veganismo, caso ao contrário,não ficariam tão horrorizados assim ao lidar com duvidas e questões “pé no sapato” do veganismo, afinal, em ultimo caso o veganismo está errado e partimos para outra coisa mais sustentável..
Um ex. de dogmatismo que eu vejo corriqueiramente no meio vegano(principalmente no meio inteletual, porque no senso comum vegano estão pouco preocupado com a justificativa teórica e ética) é o “veganismo a priori” como já falei acima[comentário 94]. Os veganos passam a uma postura onde fica pulando de teoria em teoria, fazendo julgamentos morais e passando as teorias no pente do veganismo. Se Singer não é o suficiente para o veganismo, então vamos para outro. Oras, isso é bem improducente quanto se trata de certo e errado, Não acha? Imagine se o pessoal da biologia entrasse nessa, certamente, não teriam saído do Lamarckicismo, se que é que teriam chegado. Enfim, não precisa se esforçar para notar que tal estratégia é conservadora de dogmas. Aliás, esse veganiso a priori que passa o pente em tudo que não é vegano como errado. Essa estratégia foi visto muito no cristianismo que colocava tudo como errado aquilo que não passava no pente cristão. Assim durante muito tempo a terra “ficou” plana, a terra era o centro do universo, e coisas do tipo. Se isso não é dogmas, precisa fazer uma apostila ao veganos e dizer que se deve avaliar uma premissa por métodos lógicos da “metodologia” filosófica e cientifica e não porque não passa na peneira vegana do que é certo ou errado ou pouco.
O veganismo precisa de lógica e cientifização e imparcialidade. Mas isso é terrível para o veganismo, pois significa sua própria inexistência, pois sua base de existência vai justamente contra isso como já coloquei post anteriores. È muito fácil argumentar contra pessoas que ouviram falar do veganismo e daí resolveu criticar. Mas complica quando uma pessoa começa a criticar e demonstrar as imposturas e as falhas cruciais de dentro para fora. Isso é sempre mais danoso pois se tem dados que outras pessoas de fora não conseguiria. E eu não sou o único nessa.
Juliano, o Vitor disse:
“Quanto à ideia de que os veganos são um perigo ao movimento animal, eu tentei extrair o que me pareceu interessante pensar, mas, se tomada ao pé da letra, é uma afirmação tão boba que todo o ônus da explicação recai sobre quem pensa assim, não sobre mim, não sobre você. O que acha?”
Isso que o Vitor disse é verdadeiro. Mas é uma faca de dois gumes. Da mesma forma, o veganismo precisa se afirmar. Ou será que o veganismo falar que é o guardião dos direitos animais e todo o resto está errado é, por sí só, verdade? Então afirmações de veganismo se pondo como correto também é igualmente uma afirmação boba. Isso é tão bobo quanto alguém escrever um livro e escrever num versículo que o que tá escrito lá é verdade e assim tê-lo como verdadeiro. Então, antes mesmo d’eu demonstrar qualquer coisa sobre o veganismo, ele deveria antes demonstrar porque é verdadeiro, já que estamos falando em ônus da prova. Mas ainda assim, eu dispenso tal formalidade. E como mostrei para a Sonia e vou mostrar abaixo, se temos justificativas para não ser veganos e menos ainda vegetarianos estritos e ainda assim defender os direitos animais…. Então para que ser vegano? Vemos que a questão do veganismo é outra. È um estilo de vida, uma questão pessoal pegando carona com questões que assumem um imperativo ético. Uma versão maquiavélica e cínica de tentar impor aos outros questões pessoais que diretamente, sem artimanhas, ficaria claro essa tentativa.
De fato singer é coerente com seu veganismo. Porém, da mesma forma que ele usa convenientemente e abertamente o termo “direitos animais”, ele também usa o veganismo. Ou comer ostras seria um ato vegano? Se não for, então avisa a Santa Madre Sociedade Vegana. O vegetarianismo do Singer é um comedorismo de carne, só não de todas as carnes e de qualquer forma. O fato é que o termo “vegetarianismo” testemunha mais contra a questão dos mamíferos e aves, é sobre estes animais que o pensamento surge internamente de forma lógica e natural, ao menos, em nossa cultura ocidental. Tanto que temos “peixevegetarianos” e em quantidade tão grande que veganos possuem até atividades contra os peixe-vegetarianos, tendo até site especificamente para isso, mantido pelo Fábio do Vista-se. As pessoas que usam tal termo de duas, uma: Ou é muito amor ao club vegetariano, mesmo não sendo. Ou é uma postura política para demonstrar que há problemas éticas em comer mamíferos e aves – esse último leva a ideia estrutural do “vegetarianismo de Singer ou veganismo flexível de Singer” que de vegetariano tem só termo. È é justamente por isso, para dar essa impacto que o termo é util. Até mesmo porque até veganos comem fungos e fungos não é VEG-etais. Além do mais, Singer parece não se opor as engenharia genética sobre galinhas para podermos comer sua carne, como já disse em resposta ao Vitor inicialmente. Como ele mesmo afirmou com suas próprias palavra em vídeo em resposta ao Sandel, que “primeiro ele teria que mostrar porque fazer isso com as galinhas é monstruoso”. Aliás, a sociedade provavelmente jamais será vegetariana, principalmente pois o projeto carne in vitro tem tido grande resultados(e já foi feito o primeiro hamburguer in vitro dezembro do ano passado) e em poucos anos já teremos produtos disponível economicamente e sustentavelmente para ser comercializável, ainda mais se investimentos começarem a surgir. Sorry vegans.
Então vamos lá. Vimos que, nem para Peter Singer e não me parece nem por outros meios, que produzir galinhas sem capacidade subjetividade é um impedimento moral o que implica em que o vegetarianismo, mais do que já é, é algo tão pessoal quanto gostar ou não de morangos. Vimos(no post para a Sonia) que a curto prazo o ovolatorianismo pode ser mais coerente e producente que o veganismo. E vimos também que parece não ter problema em comer ostras, mariscos e outros “frutos do mar”. Comer ostras está para o veganismo tanto quanto comer fungos como cogumelo. Fora, ainda que parece não haver justificativas lógicas e embasadas para não explorar abelhas e comer seu mel, também, não parece ter condições favoráveis para que não se coma certos tipos de artrópodes(insetos etc). Então, novamente eu pergunto. O que que veganismo tem a ver com direitos animais? Nada, como eu já disse. Veganismo é uma associação de interesses arbitrário dogmatizados através de uma instituição chamada Sociedade Vegana. Veganismo pega carona com questões éticas coercitivas.
O veganismo abolicionismo sequer faz o link entre a natureza dos animais e a ética abolicionista. Empurrando os veganos a não serem imparciais, e antes de tudo “revolucionário”, sendo obrigados a mudar os valores da sociedade que nos tráz a idéia de abolição, para um outro valor que é um termo obscurso e extremamente polêmico chamado “senciência”.
Quer ver claramente como o veganismo está falido? Entra no youtube e assista o vídeo resposta a “melhor palestra que você verá na sua vida” do Gary Y. que veganos distribuíram por aí sem um pingo de auto-crítica. Cola lá: Pirulla Resposta ao vegan Gary Yourofsky. Ele é um biólogo. Esse é só um exemplo escandaloso do que o veganismo faz com as pessoas. E nesse sentido o veganismo produz mais antiveganos que veganos. Eu estou aqui como ex.
O Gary Y. e seus divulgadores e adoradores são os que mais desacreditam no veganismo, ainda mais que eu, pois já partiram para mentira deliberada para convencer as pessoas.
Enfim, eu poderia falar muito mais, mas já é de madrugada e estou morrendo de sono. Desculpem erros de português etc.
Isso tudo me fez pensar…
No século XVIII, alguns pensadores muito prestigiados investiram vidas inteiras na defesa de que os negros eram mais afastados dos brancos pela raça do que pela escravidão, que eram escravizados por diferenças de natureza, e não políticas. E seus argumentos eram complicadíssimos! Por exemplo:
Moreau de Saint-Méry argumentava, através de cálculos matemáticas bem complexos, que cada indivíduo era composto de 128 partes, consideradas como probabilidades de origem a partir de 128 ancestrais (ou 7 gerações). Cruzando os dados do fenótipo com partes brancas e negras, ele compôs 9 classificações de mestiçagens possíveis somente entre brancos e negros! Elas variavam do “Sacatra” (8-16 partes brancas e 112-120 partes negras) ao “Sang mêlé” (125-127 partes brancas e 1-3 partes negras). Além disso, à variação física correspondia uma variação intelectual e moral, e, juntas, elas desenhavam todo um mapa de como os brancos deveriam gerir as relações com negros e mestiços…
Digo essas coisas pela seguinte razão: o abolicionismo virou a página da história, no século XIX, sem nunca realmente refutar Saint-Méry (e tantos outros como ele) em seus próprios termos. Que eu saiba, ninguém NUNCA desconstruiu ponto-por-ponto as suas categorias, elas simplesmente tornaram-se cada vez mais absurdas com o crescente acúmulo de experiências entre brancos e não-brancos.
Então, toda vez que leio um certo emaranhado de opiniões equivocadas, obsoletas e conservadoras sobre o abolicionismo, eu lembro que nem sempre precisamos responder em seus próprios termos, porque, se já não parecem, eles certamente parecerão absurdos à luz do crescente desejo de estender a justiça aos animais que todos os DDA semeiam e continuarão semeando mundo afora.
Perdi meu tempo lendo os argumentos do Pedro Gabriel, pois são SURREAIS!!!
Pois é, neh…. é assim que vai o jeitinho vegano. Depois que eu falo que veganismo é um dogma, cheio de falácias, limita e condiciona a mente etc acham ruim.
Vitor, seu discurso é tipico! Eu acho que você precisa estudar um pouco mais de filosofia e em especial história da ciências e história das idéias politicas, e estudar questões da moralidade natural seria uma boa. Suas palavras que tem a unica missão fugir das respostas(que feio hein),serve igualmente para você e o veganismo. Mais uma vez, você caiu em suas próprias palavras.
Oi, Pedro Gabriel, vc tem razão: (1) Preciso estudar mais e (2) às vezes não respondo, se acho que não vale a pena por mim ou pelo outro. Mas talvez alguém responda, eu não sei, eu vou conversando outras coisas mais construtivas…
Independente de aprovar ou não determinadas instâncias do debate, ele está revelando várias questões que tem escapado do “nosso” pragmatismo ou das discussões teóricas mais rápidas, e a essa altura fica difícil fazer uma síntese.
Mas vários pontos gostaria de ativar novamente ou ativar de acordo com minha interpretação sobre eles.
A questão da linguagem empregada, dos conceitos, das nomenclaturas, definições etc, que a Sônia vem repetidamente e responsavelmente falando sobre é, realmente, uma das mais complicadas. Aí entra as variadas denominações que de origem já são confusas, estão sendo antipatizadas e atacadas e com isso o “movimento” junto, são imprecisas ou não verídicas além de caricaturizadas e estigmatizadas. Vegetariano, vegetarianismo, veganismo, abolicionismo, animalismo, protovegetarianismo e segue. Mistura-se e confunde práticas dietéticas, com estilo de vida, com filosofia, com religião, com ética, com graduações entre coisa e outra e também segue em diversidade como sabemos bem. Se falamos de alimentação, um termo como o vegetarianismo, que a essa altura do campeonato está todo retalhado e teria um sentido mais preciso como “plant based diet”, já não inclui os fungos e alguns minerais. Daí em seguida vem as variações desse termo que pioram mais ainda na pretensão de explicar, pois um “ovo”, “lacto” etc teria mais vinculação com o onivorismo, ainda que entendemos que tais variações tratam de uma possível transição ao termo que melhor englobaria a prática. Se falamos de abolicionismo temos que enfrentar o vínculo desse termo com a questão mais “chavão” desse termo com a libertação de escravos negros no passado, associando com o termo especismo. Se falamos de veganismo, temos que conceituá-lo da maneira mais ampla e justa possível, desvinculando da esfera alimentar, pois essa esfera é consequência, assim como outras dimensões de tudo que está englobado nesse termo ainda que ele mesmo esteja associado de alguma forma com o antigo “vegetarian”, que daí já exclui alguns minerais e fungos e tem muito compromisso com a alimentação, e não é de alimentação que estamos falando ou “lutando”. A essas alturas o termo/neologismo especismo com a variação “antiespecismo” por algum motivo, nesse momento, e com as suas diferenças, parece englobar inclusivo o “veganismo”, embora pareça ser uma redundância. Mas no caso de englobar tem sentido, pois todo vegano, na concepção até então aceita, por coerência deveria ser antiespecista. Já um antiespecista, no andar da carruagem do que é ser um vegano segundo alguns, não necessariamente seria um vegano.
Então ingressamos na questão polêmica (numa delas) levantada e discutida aqui principalmente pelo Vitor, Pedro e Sônia sobre o veganismo. De alguma forma, não de todas, dá pra concordar com o Pedro sobre o próprio veganismo servindo de premissa para uma conclusão que é a própria premissa, a discussão começa concluída, de alguma forma e algumas vezes cega, visto o que tem acontecido por aí entre alguns de nós veganos e que reflete na questão inicial dos ataques sofridos por Singer, principalmente por parte do Francione e outros que o atacam em semelhança. Temos uma forte intuição de que tenha que ser assim, que estamos do lado certo (eu acredito nisso por exemplo, ainda que aberto para as possibilidades que nos encrencam a vida e que são reais) embora a intuição não devesse entrar nessa “roda”. E assim o apontamento do Pedro acaba tendo validade.
Nisso caímos numa questão colocada pela Sônia na sua palestra em Rio Grande. A questão não foi dirigida aos veganos ou DDAs mas cabe para nós: se a cada momento buscamos um novo princípio para justificar a nossa posição, isso que dizer que não temos princípios. Ou não temos princípios ou temos mais de um princípio ou não estamos num momento histórico de surgimento dum novo princípio amplo que possamos nomear e que possa amparar todo o movimento. Então o “vegano” (ou o abolicionista, ou o antiespecista), nesse sentido não tem um princípio. Precisa de vários – ainda precisa de vários. Precisa de Singer, Francione, Ryder, Regan, Taylor e todos os outros necessários. Será que pela ainda inexistência de um princípio que englobe todas as possibilidades de limites e alcances (Sônia) conhecidas por nós oriundas da linha de cada um dos pensadores que citamos e adotamos para a defesa do … (do que?, direitos animais? Veganismo? Animais? Antiespecismo?…) isso justificaria a acusação do que foi chamado de “petição de princípio”? Talvez em alguns casos que tenho que admitir, pelo teor de algumas conversas e de depoimentos e abordagens que beiram um dogmatismo e fundamentalismo, que sim. Em outros casos, não, pois é apenas reflexo dum período em construção, seja de termos, seja de princípios, e segue.
Mas a coisa tá “crespa”. Os termos e maneiras de práticas e abordagens relacionados ao movimento de Libertação Animal (mais esse agora pra ser justo com o clássico do Singer) estão antipatizados, caricaturizados, estigmatizados ao extremo. Culpa nossa, culpa da nossa natureza. Nossa natureza num sentido de que, repetindo um comentário meu em outro local e discussão, “embora eu não esteja de forma alguma “inventando a roda”, me parece que cada vez mais teremos que ficar atentos a alguns conceitos da psicologia social, que no meu caso estudei muito superficialmente na comunicação social (publicidade e propaganda). As pessoas, no geral, ainda que com várias exceções, querem ser boas, não querem ser monstros, não toleram saber que são partes ativas de algo tão maligno, o que acaba desencadenando nelas poderosos mecanismos de auto-defesa, mecanismos de manter uma auto-imagem congruente com suas crenças. Nosso movimento de justiça nomeado até então como “veganismo” desmascara toda essa “fantasia”. Na medida que o veganismo cresce, aumentará também todos esses mecanismos de manutenção em boa parte da população. Esse será um ingrediente importantíssimo dessa “batalha” e que não deve ser menosprezado em nossas mensagens. No wikipédia, 2 conceitos que dizem algo sobre isso – dissonância cognitiva e mecanismos de defesa do ego (curiosamente no caso da “dissonância” um exemplo citando os “direitos dos animais”).
Oi Nurith Daniela, da minha parte, esse diálogo com todos, com ênfase agora nesse ponto mais com a Sônia, Vitor e Pedro está pra lá de interessante. Posso estar enganado, mas por enquanto me arrisco a dizer que se tu ler com atenção e com um distanciamento emocional tudo o que o Pedro Gabriel está dizendo, verá que não existe nada de surreal, mas sim críticas, exemplos e hipóteses muito bem fundamentadas e plausíveis, ainda que algumas partes com certa carga de provocação para gerar distúrbio (tipo os “sorrys”). Acho que ele está abrindo um leque bem rico de questionamentos que merecem atenção, a não ser que ele tenha razão sobre o que ele tem chamado de dogmatismo e cabresto mental dentro de partições do que é ainda nomeado como veganismo. Digo isso ainda que divergindo em vários pontos das colocações dele em virtude de optar em “defender” os animais no estilo “pular de teoria em teoria” o que culmina no meu modo de viver hoje.
Oi Juliano Zabka, disse tudo, hipótese, agora se elas são bem fundamentadas e plausíveis para vc o problema é seu e as emoções são suas. Quanto ao “sorrys” diferente do que pensa, não me gerou disturbio algum, simplismente achei ridiculo e desnecessáro, pois ficou muito pessoal ou emocional, sei lá!
Quanto ao surreal, poderia ficar a tarde toda no Ctrl+C e Ctrl+V para te dar exemplos, mas acho que não vale a pena, prq ele é a única pessoa nesse debate que não aceita argumentação em contrário as idéias dele. Há, já ia me esquecendo, desmerecer o movimento vegano prq fica pulando de teoria em teoria, isso não é surreal é patetico, tá claro que ele usa só uma referência bibliográfica, que é a do Pedro Gabriel.
Nurith Daniela, um caso: eu vejo sentido no que ele diz sobre a crítica do “veganismo a priori” por exemplo. Isso não é sinônimo de desmerecer a “libertação animal” tal como queremos. Mas vamos à uma das hipóteses que ele coloca, que num futuro hipotético poderia vir a acontecer (não precisamos defender nem aceitar isso): se o projeto New Harvest ou outro tiver sucesso na carne in vitro, e de acordo com as exigências para minimizar o máximo o abuso de um animal doador, um porco por exemplo, para se cultivar suas células com a finalidade de gerar carne aos montes, evitaríamos seu abate, além de uma única família de porcos poder levar sua vida da maneira mais próxima possível de sua natureza em um santuário, em um local digno. Óbvio, não precisa me dizer que isso seria usá-lo para nossos fins, tê-lo como propriedade, e se ele sendo propriedade, ficaria sujeito à índole e humor do seu proprietário. Também, poderia ser acusado de especismo (ver sobre o que ele diz da malícia de Singer sobre esses casos, embora não concorde que o Singer tenha dado um ponto sem nó). Não quero detalhar muito mais agora. Também não vejo isso como sinônimo do bem-estarismo como o bem-estarismo está acontecendo ainda hoje. Não me entenda mal, não estou defendendo isso, apenas colocando em perspectiva tal como o Pedro num sentido do erro e dogmatismo de defender o veganismo a priori e se fechar para outros debates. Continuando, supondo que nesse futuro hipotético, nossa ética e costumes evolua de tal forma e isso aliado com a ciência e tecnologia permita o cultivo de nossas próprias células para produzir carne da nossa espécie. Seria isso especismo? Isso é vegano? Não libertaria os animais? Uma simples coleta de material (sangue, células etc) seria algo tão danoso para nós, além das mudanças de costumes e moral para aceitar o consumo de carne cultivada a partir de nós, na hipótese de a humanidade não abrir mão disso? Parece loucura, mas seria uma solução não vegana tal como o termo está firmemente fundado ainda. Não é a toa que Singer e outros estão sofrendo ataques destrutivos sem responsabilidade alguma.
Juliano Kabka,
” A questão não foi dirigida aos veganos ou DDAs mas cabe para nós: se a cada momento buscamos um novo princípio para justificar a nossa posição, isso que dizer que não temos princípios. Ou não temos princípios ou temos mais de um princípio ou não estamos num momento histórico de surgimento dum novo princípio amplo que possamos nomear e que possa amparar todo o movimento. Então o “vegano” (ou o abolicionista, ou o antiespecista), nesse sentido não tem um princípio. Precisa de vários – ainda precisa de vários. Precisa de Singer, Francione, Ryder, Regan, Taylor e todos os outros necessários. Será que pela ainda inexistência de um princípio que englobe todas as possibilidades de limites e alcances (Sônia) conhecidas por nós oriundas da linha de cada um dos pensadores que citamos e adotamos para a defesa do … (do que?, direitos animais? Veganismo? Animais? Antiespecismo?…) isso justificaria a acusação do que foi chamado de “petição de princípio”? Talvez em alguns casos que tenho que admitir, pelo teor de algumas conversas e de depoimentos e abordagens que beiram um dogmatismo e fundamentalismo, que sim. Em outros casos, não, pois é apenas reflexo dum período em construção, seja de termos, seja de princípios, e segue.”
Bom, não te conheço pessoalmente, mas não acho que você “pula de teoria em teoria”{e no contexto da Sonia que vc colocou]. Pelo menos não mais que eu. Não acho que para defender os direitos animais é preciso se apegar numa única teoria, ou fazer uma teoria, sequer precisaria de teoria.
O que eu estava criticando é no sentindo da questão de passar o “pente vegano” do que é certo e errado e daí essa postura de pular em teoria e em teoria, sempre na teoria que mais convém ao veganismo. Tom Regan em defesa aos Direitos Animai e Cohen em defesa ao especismo fazem isso o tempo todo. Primeiro eles montam uma linha que separa os animais e depois cada um fica no lado que convém. .[e essa crítica nem é minha, mas quando eu li o debate dele vi isso claramente] E por isso que os dois jamais vão chegar numa conclusão, pois eles não querem chegar em conclusão..
Não basta traçar linhas morais e ficar apenas no lado daquilo que seja vegano, ou o mais próximo dele. Isso é discursivamente, epistêmico-lógico errado – afinal querem provar o veganismo como certo e não partir do próprio veganismo e dizer o que é certo. È claro que se têm argumentos não falaciosos para descartar alguma teoria e partir para uma outra então não se trata de pular de teoria em teoria. Eu mesmo não tenho teoria nenhuma, não me apego a nenhuma teoria, mas uso todas elas como informação. È claro que uma boa defesa “comunicativa” ou “informativa” em prol aos animais – seja ela qual for, leva em consideração todas as teorias possíveis e dá a oportunidade ao leitor escolher aquilo que ele considera mais verdadeiro e/ou que pode ser comum em todas as teorias. Pois elas todas podem nos dar uma certeza ainda maior naquilo, em todo ou em partes, que você está defendendo ou afirmando. O próprio Singer faz isso em Ètica Prática, ao dizer que outros modelos éticos podem consider moralmente os animais, apesar de que em alguns pontos divergirem sobre “o que fazer sobre um determinado animal”. E justamente, talvez, nesses pontos polêmicos não deveríamos exigir uma postura intransigente como se vê no veganismo.
Um ex. claro disso são testes em animais. Essa questão não é unanime, mas ainda assim o veganismo se mantêm numa postura absoluta e intransigente[e para manter isso geralmente cai no "bad science", e conspiracionismo etc]. Dessa forma quem é a favor só de testes para vacinas, por ex.[e antes de julgarem é bom irem saber os argumentos para isso] Não pode ser vegano e consequentemente não é pró-direitos animais e consequentemente você é tido no mesmo nível que aquele vai na churrascaria comer porcos deliberadamente. È aí que o veganismo mais faz para diminuir os defensores dos direitos animais, produzindo um sectarismo, produzindo especistas esclarecidos, pois não concordam com o absolutismo “abolicionismo” do veganismo e como não pode e nem entende porque ser tudo isso, vai para churrascaria comer porcos. Principalmente aqueles que está procurando uma virgula para de fato permanecer comendo carne. Eu já vi inumeros especistas esclarecidos fruto disso.
O próprio veganismo empurra algumas pessoas ao especismo conformado porque não pode e nem consegue e nem entende motivo para ser exatamente da forma que o veganismo prega, ainda mais sobre o novo valor de respeitar a vida e liberdade pela “senciência”. Que não é somente uma questão de se tornar coerente e imparcial, mas de adotar uma nova cultura, um novo valor já por base por sua plena e livre emoção.
Oi, Pedro Gabriel,
Que não é só uma questão de coerência e imparcialidade é o que foi dito lá no início das discussões, e que você recusou de maneira truculenta. Mas passando por cima disso… Vou comentar o que me parece uma obviedade a favor do veganismo, mas que você enxerga como uma espécie de grave represália aos veganos.
Você disse que produzimos “especistas esclarecidos”, pessoas que não podem ou não entendem porque devemos tentar ser tudo o que o veganismo defende, ENTÃO “vão para churrascaria comer porcos”; que os veganos empurram algumas pessoas ao “especismo conformado”, PORQUE elas não podem nem entendem os motivos para ser como o veganismo defende, “ainda mais sobre o novo valor de respeitar a vida e liberdade pela ‘senciência’.”
Eu não sei se você se dá conta, mas pessoas que abrem mão completamente dos valores, como você descreveu, simplesmente porque não podem ser TUDO o que os ideias prescrevem, não são capazes sequer de reproduzir os já institucionalizados direitos humanos e democráticos; se respeitam as leis e direitos humanos, fazem-no apenas à medida que lhes convém. Você REALMENTE acha que deveríamos (que os governos deveriam) defender PARCELAS de direitos humanos, PARCELAS de cidadania, por causa dessas pessoas, desses “anti-cidadãos esclarecidos”? É esse o mal que você acha que o veganismo faz ao movimento de libertação animal? O mal de não defender parcelas de direitos dos animais?
Desculpa, mas tem muita gente aqui discutindo coisa muito mais interessante e importante, por exemplo, a persistência do conformismo moral (que você sub-repticiamente defende) e a necessidade de uma cultura anti-especista.
Pessoal,
Sobre essas duas coisas, gostaria dar um exemplo bem atual:
Ontem (13/1), Peter Singer publicou um artigo intitulado “Os ovos éticos da Europa”, onde ele conclama o leitor a celebrar o início de 2012 como um “avanço significativo do bem-estar animal”. Sobre essa conquista, de 40 anos, ele conta o seguinte:
“No início dos anos 1970, quando o movimento para a libertação dos animais começou, não existia nenhuma organização que fizesse campanha contra as gaiolas em bateria. A Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals [Real Sociedade para a Prevenção da Crueldade contra os Animais ] (RSPCA), matriarca de todas as organizações de protecção aos animais, tinha há muito perdido o seu radicalismo inicial. Ocupava-se de casos isolados de abuso e fracassava relativamente à abordagem das formas instauradas de maus-tratos a animais que ocorriam em quintas e laboratórios. Foi necessário um esforço concentrado dos novos radicais pelos animais dos anos 1970 para que a RSPCA deixasse de ser complacente no que diz respeito às gaiolas em bateria e a outras formas de criação intensiva de animais.”
A nossa discussão sobre a necessidade da criação de uma cultura anti-especista, baseada em valores veganos, tem como ponto de partida justamente a perda dessa radicalidade inicial que Singer e outros inauguraram nos anos 70. Precisamos renovar as aspirações e estratégias, o que alguém como Francione faz com todas as forças. Vejam vocês mesmos o que Singer nos convida a celebrar, já é alguma coisa, mas comparar com o que foi nos anos 70 não pode mais ser o contraste que nos interessa (pode?):
Ah, e sobre o comentário na ultima resposta, POR FAVOR, não interpretem como a birra boba entre Singer e Francione, que a gente volta e meia inventa. Citei o Francione APENAS como exemplo = )))
Não esperem do Singer argumentos em defesa de direitos animais! Ele elogia o sistema de produção de ovos, com galinhas livres, seguindo simplesmente seu argumento, o da não inflição de dor, sofrimento e morte aos animais, a menos que a dor ou a morte seja para benefício do animal que as sofre, como é o caso de uma cirurgia ou mesmo de uma eutanásia.
Por isso, para a defesa dos direitos animais, precisamos de argumentos de outra ordem. Eles são oferecidos de modo mais abrangente por Regan, mais radicais por Francione, e mais coerentes por Taylor, que se aproxima bastante de Regan em sua forma de falar do valor da vida para aquele que a vive, e não em relação à avaliação desse valor feita por quem pode ter ou deixar de ter interesse na vida alheia.
Vamos usar os argumentos de Singer onde eles cabem e deixar que outros argumentos ocupem o debate, quando a questão não for simplesmente a da dor, sofrimento e morte, e sim a do valor da vida. Sobre isso, mais uma vez, Singer tem uma posição distinta da dos demais filósofos animalistas. Para ele, somente um ser senciente pode agregar valor à própria vida!
Sônia,
Você já esclareceu esse ponto em outros momentos das discussões, o ponto agora é outro.
Não se tratou de uma espécie de erro categórico, de pensar Singer através de um filtro que não lhe cabe, porque não precisamos sempre conjugar a teoria ao nome, como numa exposição didática. Singer é um ativista vivo, que pensa os contextos enquanto se movem, e não o refém de uma teoria pronta e acabada. Então Francione e tantos outros tem razão em destacar, para quem quiser ver, o contraste repulsivo entre o que Singer celebra e o que acontece no terreno.
Talvez seja o caso de aprender com outros debates uma maneira diferente de relacionar os autores às teorias. No debate interreligioso, por exemplo, ninguém vê Charles-Taylor-o-comunitarista discutindo com Tu-Weiming-o-neoconfucionista sobre quem chega mais longe na solução de um problema: há um esforço muito maior em fazer sentido de si para o outro. E pode ser assim porque existe, como pano de fundo, uma cultura de direitos humanos.
No nosso caso, não há nenhuma cultura de direitos animais a alimentar os discussões, e Francione entendeu, desde muito cedo (desde a fundação do PETA, pelo menos), que qualquer incremento no bem-estar animal está fadado ao insucesso, se não houver transformação cultural na direção de uma sensibilidade anti-especista. Singer fez provavelmente mais do que qualquer um pela causa animal, mas seu estilo de agir e pensar produz impasses cada vez mais graves que precisam ser denunciados.
A África do Sul de Mandela é um exemplo fantástico de como é possível fazer da transformação da sensibilidade moral das pessoas um veículo de transformação política.
Qualquer que seja nossa estratégia de ação, precisamos fomentar uma cultura anti-especista. Precisamos: discutir sensibilidades, ressignificar nossa imagem recebida dos animais, para sermos finalmente capazes de nos colocar no lugar do Outro animal.
Oi Sônia,
comprei um de seus livros hj, estou ávida para ler!!!
Bjs

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