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CONTEÚDO ANDA

Urso condenado à morte ganha última refeição especial

21 de janeiro de 2016 às 21:20

Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Foto: Andrew Davis/Medina Gazette

Foto: Andrew Davis/Medina Gazette

“Ele lambeu o pudim de tapioca dos meus dedos”.

Ele era um dos ursos negros mais velhos em cativeiro no mundo, e foi induzido à morte precocemente, há cerca de um mês. As informações são do Time.

Archie, de 41 anos de idade, que viveu em Ohio com seus tutores Jeffrey e Debra Gillium a maior parte de sua vida, foi induzido à morte em 18 de dezembro em meio a uma batalha legal entre o estado e seus cuidadores, segundo reportagem do Medina Gazette. No entanto, os Gillium teriam notado uma pequena deterioração de sua saúde havia alguns meses, e usaram esse argumento para explicar a atitude que tomaram.

“Foi uma coisa difícil de fazer”, disse Debbie Gillium ao jornal. “Nós ficamos muito chateados por toda a semana. Eu mal consegui dormir na noite passada”.

Archie devorou um grande café da manhã, um donut e um pudim de tapioca antes de ter a morte induzida por um veterinário. “Ele normalmente não comida coisas desse tipo, mas hoje é um dia especial e ele ama esses doces”, disse Debra. “Ele lambeu o pudim dos meus dedos”.

Jeffrey disse que resgatou o urso de uma terrível situação, há 35 anos atrás. Ele estava em uma jaula minúscula na qual mal podia se mover; era verão e não havia sequer água à sua disposição.

“Ele estava em uma pequena gaiola, de dois metros quadrados”, disse ele. “Estava quase cem quilos mais magro e seus ossos estavam aparentes. Ele parecia um pedaço de carne esticada sobre um punhado de ossos, e não se levantava há seis anos”.

Quando Jeffrey levou Archie para sua propriedade, ele o colocou em um ambiente três vezes maior. “Ele só se espreguiçava, durante dias…Eu o alimentava três a quatro vezes por dia”, conta o tutor.

Aos poucos, Archie tornou-se parte da família. Os Gillium chegaram a ter mais de 120 animais no local, muitos resgatados de condições como a de Archie, vindos de zoológicos e circos. No entanto, Archie sobrevivera a todos os outros e era o último animal não doméstico na propriedade, atualmente. Os tutores contam que ele era muito dócil, e jamais atacaria a ninguém.

Morte prematura

Embora seja dito na reportagem que Archie foi induzido à morte por piora no seu estado de saúde, uma breve análise dos fatos leva a crer que isso não seja a verdade.

Os Gillium vinham discutindo com o Departamento de Agricultura de Ohio há um ano quanto à permissão de manter Archie. Eles não haviam renovado a sua licença para tutela de animais selvagens considerados “perigosos” após o estado ter alterado as regras. Por um equívoco, os tutores acharam que a sua licença seria renovada automaticamente.

“Eu tenho uma licença federal e uma estadual, e pago 500 dólares por ano”, disse Jeffrey. “Nós nunca fomos notificados por qualquer violação em 30 anos”.

Foto: Andrew Davis/Medina Gazette

Foto: Andrew Davis/Medina Gazette

A pressão por parte do estado aumentou sobre a família. Quanto à situação de saúde do animal, não foi divulgado nenhum fato que denote uma grave doença. No ano passado, há cerca de quatro meses, uma reportagem dizia que Archie estava com todos os dentes muito gastos e, por conta disso, não conseguia se alimentar como antes. Os tutores estavam reforçando a sua alimentação, porém ele não estava ganhando peso. Apenas isso – o que é normal em animais idosos. Na ocasião, inclusive, o tutor chegou a mencionar que o urso estava em idade avançada.

No fim do ano passado, foi criada uma petição para que o urso pudesse ter a vida poupada.

Dados os fatos, é possível inferir que a morte de Archie tenha acontecido prematuramente. Os tutores parecem ter cedido à pressão das autoridades e, acreditando que o animal estava “idoso”, induziram-no à morte.

Nota da Redação: Nos países em que a pena de morte de humanos é permitida, há uma tradição que oferece aos presidiários que aguardam na fila para o corredor da morte uma última refeição especial – o detento pode escolher o prato que quiser. Pode-se dizer que tenha acontecido algo parecido com Archie, que foi condenado à morte sem ter cometido crime nenhum, e isso não alivia a gravidade do fato de terem-no induzido à morte, como as reportagens tentam fazer parecer. Archie foi mais uma vítima, que não teve o direito de viver a sua vida até o fim, pelo simples fato de ser um urso.

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