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Ruanda

Jovens gorilas são vistos pela primeira vez desmantelando armadilhas de caçadores

20 de julho de 2012 às 6:00

Por Bethânia Maggi Balielo (da Redação – Suécia)

Gorilas muito confiantes superam caçadores e protegem seus clãs

Foto: Dian Fossey Gorilla Fund

Poucos dias depois de uma armadilha matar um deles, dois jovens gorilas da montanha trabalharam juntos, na última terça-feira (17), para encontrar e destruir armadilhas na floresta onde vivem em Ruanda. As informações são da National Geographic.

“Essa foi absolutamente a primeira vez que vimos jovens fazendo isso … Eu não sei de quaisquer outros relatórios no mundo de jovens desmantelando armadilhas”, disse Veronica Vecellio, coordenadora do programa do Centro de Pesquisa Karisoke, do The Dian Fossey Gorila Fund, localizado na reserva onde ocorreu o evento.

“Somos o maior banco de dados e observação de gorilas selvagens … eu ficaria muito surpresa se alguém disser que já viu isso antes”, acrescentou Vecellio.

Caçadores montam milhares de armadilhas feitas de cordame e estacas de madeira no Parque Nacional de Ruanda, onde os gorilas das montanhas vivem. As armadilhas servem para caçar antílopes e outras espécies, mas às vezes capturam os macacos.

Os adultos são geralmente fortes o suficiente para libertar-se. Os jovens nem sempre possuem a mesma sorte.

Só na semana passada um filhote enlaçado chamado Ngwino, encontrado tarde demais pelos trabalhadores de Karisoke, morreu devido a feridas causadas pelas estacas. Seu ombro foi deslocado durante a tentativa de fuga, e uma gangrena se instalou após o cordame cortar profundamente sua perna.

Os caçadores, segundo Vicellio, parecem não ter interesse pelos gorilas. Mesmo os macacos pequenos, o que seria relativamente fácil para levar à venda, são deixados para morrer.

Caçadores constroem a armadilha amarrando um cordame a um galho ou uma haste de bambu, Vicellio explica. Utilizando o cordame, eles puxam o ramo para baixo, envergando-o. Em seguida, utilizam uma vara envergada ou uma pedra para firmar a armadilha no chão, mantendo o ramo tenso. A esparsa vegetação camufla a armadilha.

Quando um animal move a vara ou a pedra, o ramo volta-se para cima, fechando o cerco em torno da presa. Se o animal é leve o suficiente, ele é içado.

Rwema e Dukore salvam o dia

Todos os dias, controladores do centro de Karisoke rastreiam armadilhas na floresta, desmantelando-as para proteger os gorilas da montanha. Segundo o Fundo Internacional para a Natureza (IUCN), eles se encontram “em risco muito elevado de extinção na natureza.”

Na terça-feira, o rastreador John Ndayambaje avistou uma armadilha muito perto do clã do gorila Kuryama. Ao mover-se para desativar a armadilha, um gorila de costas prateadas chamado Vubu grunhiu, advertindo Ndayambaje para ficar longe, Vicellio disse.

De repente, dois jovens – o macho Rwema e a fêmea Dukore, ambos com cerca de quatro anos de idade, correram em direção à armadilha.

Como Ndayambaje e alguns turistas observavam, Rwema saltou sobre o galho de árvore envergado e partiu-o, enquanto Dukore libertou o laço. A dupla então viu outra armadilha cuja qual o rastreador ainda não havia visto e correu em direção a ela. Acompanhados por mais um gorila, o jovem Tetero, Rwema e Dukore também desmantelaram a armadilha com sucesso.

As táticas dos gorilas

A velocidade com que tudo aconteceu faz Vecellio acreditar que essa não seja a primeira vez que os jovens gorilas tenham ludibriado os caçadores.
“Eles estavam muito confiantes”, disse ela. “Eles viram o que tinha que fazer e fizeram, e depois deixaram o local.”

Gorilas de costas prateadas do grupo de Kuryama têm sido ocasionalmente capturados nas armadilhas, por isso Vecellio acha que os jovens teriam reconhecido que as armadilhas são perigosas. “Assim, decidiram destrui-las”, afirmou Vecellio.

“Realmente engenhosos”

Apesar do ineditismo do evento, Vecellio disse que não ficou surpresa com os relatórios. “Mas”, disse ela, “fico sempre surpresa e muito orgulhosa quando podemos confirmar que eles são inteligentes.”

O veterinário Mike Cranfield, diretor-executivo do Projeto Veterinário Gorila da Montanha, também disse que não ficou chocado com a notícia.

“Os chimpanzés são sempre citados como sendo usuários de ferramentas, mas acho que, quando uma situação ocorre, os gorilas são muito engenhosos”, disse ele.

Cranfield especulou que os gorilas podem ter aprendido a desmantelar armadilhas assistindo os rastreadores do centro Karisoke. “Se pudéssemos ter mais deles fazendo isso, seria ótimo”, brincou. Contudo, Vecellio complementou que instruir macacos iria contra os valores éticos do centro.

“Não, não podemos ensiná-los”, disse ela. “Tentamos ao máximo não interferir na vida dos gorilas. Nós não queremos afetar o comportamento natural deles.”

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