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Presença humana

Redes de pesca podem ter causado morte de tartarugas em São Vicente (SP)

20 de janeiro de 2016 às 20:00

Tartarugas foram retiradas do mar por surfistas  (Foto: Milena Amaral / Arquivo Pessoal)

Tartarugas foram retiradas do mar por surfistas
(Foto: Milena Amaral / Arquivo Pessoal)

Pelo menos 15 tartarugas marinhas apareceram mortas na última terça-feira (19) em praias de São Vicente, no litoral de São Paulo. Especialistas acreditam que os animais tenham se afogado após ficarem presos em redes de pesca. As tartarugas foram encaminhadas ao Instituto Gremar, em Guarujá, onde será feito o exame necroscópico para identificar as causas da morte.

Segundo a bióloga do Instituto, Rosane Fernanda Farah, as tartarugas são da espécie verde, comuns no litoral paulista. Dos 15 animais encontrados mortos, 14 apareceram na região da praia do Itararé, bem próximo ao Ilha Porchat, e uma outra no Japuí.

“Esses animais são todos juvenis [entre 5 e 7 anos] e foram achados em locais próximos, que são áreas de alimentação delas. Apesar de mortas, a maioria das tartarugas está aparentemente saudável, mas com marcas de rede. Acredito que elas tenham se enroscado em alguma rede de pesca irregular na região e depois se afogado. Estamos acompanhando”, comenta a bióloga.

Surfistas ajudaram

A presença das tartarugas chamou a atenção de banhistas e moradores na manhã da última segunda-feira.

A empresária Milena Amaral de Camargo estava com os filhos na praia do Itararé, quando um deles, que estava surfando, retornou à faixa de areia com uma tartaruga na prancha. “Eu acho que ele pensou que estava viva, mas estava morta. Fiquei muito triste. Depois tiramos mais duas, além de uma outra na areia”, conta Milena. O aparecimento foi comunicado à Guarda Municipal e ao Instituto Gremar.

Tartarugas foram encontradas mortas em São Vicente (Foto: Milena Amaral / Arquivo Pessoal)

Tartarugas foram encontradas mortas em São
Vicente (Foto: Milena Amaral / Arquivo Pessoal)

Pesca de emalhe

Já o biólogo responsável pelo aquário de Peruíbe, Thiago Nascimento, disse que a espécie costuma viver até 100 anos e a interferência do homem acaba prejudicando o meio ambiente marinho. “É uma pena, porque elas vivem até 100 anos em média e ainda jovens sofrem com impacto antrópico, principalmente captura por redes de pesca tipo emalhe”, acrescenta.

Pesquisadores de universidades no Sul do país estudam desde 2014, em parceria com o Ministério da Pesca e Aquicultura e Meio Ambiente, a mortalidade anual de tartarugas marinhas, toninhas, tubarões, raias e aves marinhas. No mundo, especialistas calculam que a pesca de emalhe seja responsável pela morte de 400 mil aves marinhas anualmente.

O exame necroscópico, que deve apontar as causas da morte, deverá ser feito nesta quarta-feira (20). Se for constatado o problema por redes de pesca, os biólogos recomendam que os moradores denunciem práticas de pesca na região pelo telefone 0800 642 33 41.

Fonte: G1

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