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Empresa cria 'carne de frango' vegetal para livrar aves da morte

19 de novembro de 2013
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(Foto: Divulgação/Beyond Meat)
(Foto: Divulgação/Beyond Meat)

Pensando em uma alimentação sustentável e sem morte de animais, Ethan Brown, um empresário vegetariano dos Estados Unidos, criou um produto parecido com carne de frango como alternativa para os consumidores.

A mistura, que leva soja, ervilha, fibras de cenoura e óleo de canola, entre outros ingredientes, é prensada e aquecida para ficar com a textura bem parecida com a da carne, em um processo que não é revelado pelo empresário.

Entre as vantagens do produto, estaria o fato de ele ser livre de colesterol, não conter glúten, não apresentar “hormônios” nem gordura trans, de acordo com informações da Beyond Meat (“além da carne”, em inglês), nome da empresa que produz o alimento nos EUA.

“Acreditamos que o produto contribui positivamente para a diminuição de males como diabetes, doenças cardíacas e câncer, além de reduzir o impacto ambiental e o esgotamento dos recursos naturais, em prol do bem-estar animal”, afirma Ethan Brown.

O empresário diz que o sabor de seu produto se assemelha ao da carne de ave verdadeira. Bill Gates, um dos fundadores da Microsoft, atesta o que Brown diz.

Em seu site oficial, Gates afirma investir na iniciativa da Beyond Meat, sem revelar valores. Ao lado dele, o cofundador do Twitter, Biz Stone, vegetariano declarado, também promove a ideia de Brown.

Para Gates, além de ter sabor agradável, a carne vegetal é uma alternativa para que os recursos naturais não se esgotem, já que sua produção é sustentável.

“O consumo de carne em todo o mundo dobrou nos últimos 20 anos, e espera-se que dobre novamente até 2050. Isso está acontecendo em grande parte porque as economias estão crescendo e as pessoas podem pagar mais para comer. Mas a carne tem um impacto ambiental significativo. Simplificando, não há nenhuma maneira para produzir carne suficiente para 9 bilhões de pessoas. Contudo, não podemos pedir a todos para se tornar vegetarianos. Precisamos de mais opções para a produção de carne, sem esgotar nossos recursos”, diz no site.

O projeto também recebe apoio da Humane Society International no Brasil, entidade de proteção animal. Segundo a ONG, esta opção alimentar ajuda a população “a diminuir o consumo de carne e ter uma dieta balanceada”.

O produto já é vendido nos Estados Unidos, principalmente na rede de lojas Whole Food. O pacote com 300 gramas custa entre US$ 4,49 e US$ 5,49 (entre R$ 10 e R$ 12) e está disponível em três versões: levemente temperado, para grelhados e ao estilo mexicano (com pimenta e limão).

Carne bovina também ganhará versão, diz empresário

No primeiro trimestre de 2014, a Beyond Meat pretende apresentar uma versão vegetal para a carne bovina. Segundo Brown, as receitas já estão em teste para alcançar a textura e o sabor da original.

Outro objetivo da empresa é expandir as vendas do “frango vegetal” para mais mercados americanos e chegar ao Brasil. Porém, ainda não há previsão para o produto estar nas prateleiras nacionais, já que ainda não há negociações efetivas.

“Pretendemos alcançar todos os públicos, inclusive aqueles que não são vegetarianos”, afirma.

Os dados de exportação e consumo de carne bovina no Brasil são expressivos. Segundo o Ministério da Agricultura, cada brasileiro consome, em média, 37 quilos do produto por ano. De toda a produção do país, 75% é consumida aqui mesmo.

Quando o assunto é exportação, o Brasil está no topo do ranking. Em 2012, o país voltou a ser o maior exportador mundial de carne bovina, posto perdido para os EUA no ano anterior. De acordo com a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), as vendas externas alcançaram US$ 5,7 bilhões no ano passado.

No acumulado entre janeiro e outubro, o Brasil exportou exportadas 1,2 milhão de toneladas do produto, um crescimento de 18,8% no volume e de 12,5% no faturamento em relação ao mesmo período do ano passado. A Abiec espera um faturamento recorde com as vendas externas em 2013.

Antônio Jorge Camardelli, presidente da entidade, afirma que toda pesquisa para alternativas à carne deve ser respeitada, mas que a associação garante a segurança alimentar e a redução de impacto ambiental na criação de animais.

“Temos que explorar [o mercado] da melhor maneira e, portanto, as empresas que produzem carne são regulamentadas, o que garante a higiene e o bem-estar animal”, afirma.

Fonte: Economia Uol

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