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Neste momento, apesar de minha fé na vida, em Deus, e nas pessoas, eu anoiteço feito lusco-fusco. A notícia sobre a morte do leão Valentino que, ao ser transferido de Pouso Alegre para Belo Horizonte, chegou morto ao zoológico da capital mineira me deixa sem vontade de falar com ninguém. Sinto conforto apenas no silêncio, na prece por ele… por esse leão de 15 anos que passou a vida inteirinha em cativeiro. Não teve a chance de correr livre, de sentir o vento na juba, de rolar, solto, por um campo.
O que Valentino fez para ser colocado 15 anos em uma jaula?
Ele matou? Não. Ele simplesmente deu o azar de “nascer leão”… e nascer no Brasil onde o respeito pelos animais ainda está dando os primeiros passos.
Valentino foi condenado, desde o nascimento, a uma vida de prisioneiro. Sem ter cometido crime algum. Ele teve comida, água e tratamento veterinário? Ah, sim, teve sim… E quem aí topa trocar sua vida, sua liberdade, por uma jaula e um pouco de alimentação?
Aliás foram esses “cuidados” que possivelmente mataram Valentino. Para ser transportado de um estado ao outro, ele foi sedado e sofreu convulsões. A causa da morte ainda está como “desconhecida”. Exames estão sendo feitos.
Não sou veterinária, não sou do Ibama mas me aventuro a dizer que a causa da morte de Valentino foi um conjunto de:
-maus-tratos a vida inteirinha
-confinamento por 15 anos
-sedativos para o transporte
-tristeza…
Acho que Valentino olhou, pensou, e viu que a cadeia imposta a ele jamais terminaria. Ele estava sendo transferido de um zoológico para outro, para continuar a ser um “bicho em exposição”, um animal vivendo em cativeiro, com seus instintos arrasados, e ele deve ter desejado não continuar por aqui. Nem em Pouso Alegre e nem em Belo Horizonte. Lindos nomes de cidades, hein? Pouso Alegre, Belo Horizonte… Mas, para Valetino, apenas cidades de infelicidade.
Até quando esse espetáculo de horrores que é perpetuado em zoológicos vai continuar?
Por que não colocam seres humanos também em jaulinhas para uma exposição?
Nós merecemos. Pelo que somos capazes, de crueldade, de falta de amor aos animais, nós merecemos passar por um pouco do que eles passam sim.
Pra sentir na pele, na alma. Por que o ser humano, tão orgulhoso de si, tão poderoso com suas fortunas, seus poderes, carrões, e muito distante do que é o amor verdadeiro, merece uma lição.
Valentino foi valente… aguentou 15 anos de maus-tratos, crueldade, falta de carinho, solidão, distância de sua real natureza, bloqueio de seus instintos, 15 anos de uma vida boba, entediada, olhando pra aquele monte de seres humanos tolos que passavam dia a dia pela sua jaula.
Valentino não merecia ser condenado a essa vida infeliz. 15 anos de pena. Perpétua e no caso dele, mortal.
Estou triste pela morte dele… mas ao mesmo tempo aliviada. Valentino não sofre mais. E os tolos, envolvidos nos esquemas de zoológicos, sejam dirigentes ou público, não terão mais esse leão escravo para faturar.
Valentino arrumou a juba, criou asas, e pela primeira vez na vida sentiu-se livre. Voou para longe… Ainda bem.
Restam por aqui os zoológicos.
Resta por aqui uma multidão de ignorantes. Eles compram ingresso, pagam, gastam dinheiro, para matar, aos pouquinhos, animais inocentes.
Algum dia, esse preço será cobrado. De cada um. Existe algo no universo chamdo “justiça”. E, como dizia a sabedoria da minha avó: a justiça pode demorar, mas um dia ela chega.

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