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Solidariedade

Voluntária do DF cria, em casa, 39 cachorros vítimas de maus-tratos

15 de janeiro de 2016 às 17:00

Voluntária Valéria Sokal com parte dos cachorros resgatados em Brasília (Foto: Roberval Eduão/Arquivo Pessoal)

Voluntária Valéria Sokal com parte dos cachorros resgatados em Brasília (Foto: Roberval Eduão/Arquivo Pessoal)

Uma moradora do Distrito Federal cria, dentro da própria casa, 39 cachorros que sofreram maus-tratos de antigos tutores ou que foram abandonados na rua. Alguns se locomovem por meio de cadeira de rodas, outros são tetraplégicos e precisam de cuidados especiais. A voluntária Valeria Sokal, de 58 anos, diz que chega a gastar R$ 10 mil por mês com remédios, alimentação e vacinas para os animais.

Ao G1, a Secretaria de Segurança Pública informou que, entre janeiro e outubro de 2015, foram registradas 121 ocorrências de maus-tratos contra animais e 14 prisões em flagrante. Em todo o ano de 2014, foram 105 casos denunciados.

Os resgates, segundo Valéria, começaram em 1999. A mulher não recebe nenhuma ajuda governamental e diz que todos os gastos saem do próprio bolso. Ela também diz que não pretende pegar mais cachorros na rua.

“Estou ficando velha e a vida de um cão dura mais ou menos 12 anos. Não quero morrer e deixar os cachorros abandonados, sabe? Eles não merecem isso.”

Cachorros resgatados por moradora do Distrito Federal (Foto: Valéria Sokal/Arquivo Pessoal)

Cachorros resgatados por moradora do Distrito Federal (Foto: Valéria Sokal/Arquivo Pessoal)

Segundo Valéria, que também é diretora financeira da ONG pró-direitos dos animais ProAnima, todos os cães adotados são seus “protegidos”. Ela diz acreditar que o número de maus-tratos é bem maior do que os registrados pelo GDF.

“Diariamente, existem casos de agressões contra animais e poucas pessoas denunciam. Eu, por exemplo, presenciei uma cena horrível em 2011. Um filhote de cachorro estava na rua latindo, quando um rapaz chegou e simplesmente chutou o animal. Com a agressão, o filhote acabou quebrando a pata e o agressor teve que pagar todo o tratamento dele”, conta.

Valéria prefere não dizer o local onde mora. Segundo a mulher, muitas pessoas já abandonaram animais em frente à sua casa. Em maio do ano passado, oito filhotes de cachorros de porte grande foram deixados na calçada.

“Só consegui doar quatro e o restante ficou aqui em casa. Estou ficando velha e cansada, não posso mais pegar animais. Quero fornecer uma vida saudável para todos. Portanto, não posso mais resgatar mais nenhum”, enfatiza.

Valéria segura Tati, cadela tetraplégica, em Brasília (Foto: Jéssica Nascimento/G1)

Valéria segura Tati, cadela tetraplégica, em Brasília
(Foto: Jéssica Nascimento/G1)

Cuidados especiais

Na casa, existem dois cães que andam em cadeiras de rodas e são o “xodó” da casa. Chico foi atropelado e resgatado por uma mulher que não tinha condições de levá-lo ao veterinário. Já Atari, idoso, desenvolveu problemas de coluna e não consegue se locomover sozinho.

“Os cães chegam na minha casa nervosos e machucados. Muitos ficam traumatizados pelo resto da vida. As sequelas dos maus-tratos são além das feridas, sabe? Tenho um cachorro que se chama Dengoso, por exemplo, que mesmo resgatado com apenas 6 meses de vida, ainda se assusta com outras pessoas”, diz.

Além de amor, carinho e paciência, Valéria Sokal diz que todos os cães resgatados precisam de uma “dose extra de cuidados especiais”. Cinco deles, por exemplo, utilizam colírios especiais para evitar doenças como a catarata. Cada frasco do remédio custa R$ 120.

A alimentação também é feita com cautela. Segundo a voluntária, rações não são oferecidas por apresentarem “substâncias que podem causar câncer”. Complexos vitamínicos também fazem parte da rotina dos animais. “Oferecemos comida caseira, saudável, sem conservantes. Ração só tem porcaria. Já perdi cães por causa disso, analisamos a ração e tinha fungos.”

A gaúcha diz não acreditar que os resgates sejam “sua missão na Terra”. Para ela, o ato representa apenas o amor que sente pelos animais. A voluntária também diz sofrer criticas de conhecidos e amigos, já que escolheu não ser mãe.

“Já ouvi vizinhos e amigos comentando: ‘Por que ela não cuida de crianças?’ Então, sempre respondo: ‘O dinheiro é meu e eu faço o que eu quero com ele’. O ser humano precisa ter consciência de que ele é responsável pela vida e domesticação do animal. Abandoná-lo é crime”, desabafa.

Crime

Não é só a violência física que configura maus-tratos a animais. Abandonar o animal também é crime. A pena para quem maltrata animais pode chegar a três anos de cadeia. Denúncias podem ser feitas pelo 197 ou 3323-8855.

Para quem flagrou algum caso de maus-tratos, o conselho da ProAnima é que a pessoa vá à delegacia mais próxima (de preferência, com outra testemunha) e registre um boletim de ocorrência (BO). Fotos e laudos ajudam a dar suporte à denúncia. O autor do boletim pode pedir o sigilo dos próprios dados ao escrivão.

Fonte: G1

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Os animais são os seres mais puros que existem, eles não podem falar, mas seu olhar já nos diz tudo! Quem dera se todos

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