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Cães mortos são encontrados em sede de ONG em Campinas (SP)

14 de agosto de 2013
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Foto: Dorinaldo Oliveira/ Correio Popular
Foto: Dorinaldo Oliveira/ Correio Popular

O Setor de Proteção aos Animais e Meio Ambiente da Polícia Civil de Campinas (Sepama) encontrou cerca de 40 cães em condições de maus-tratos em um sítio usado como canil da organização não-governametal (ONG) União Protetora dos Animais (UPA), no Jardim Califórnia, em Campinas (SP), na manhã desta quarta-feira (14). Pelo menos dez animais estavam em situação gravíssima, de acordo com a veterinária que acompanhou a ação. Além de fezes e sujeira, cinco filhotes mortos estavam acondicionados em uma geladeira desligada, ao lado de uma sacola com carne moída. Os policiais fiscalizaram o local depois de obterem um mandado judicial. A investigação, que começou depois de denúncias anônimas, corre há pelo menos dois meses. A ONG, fundada pelo atual deputado estadual Feliciano Filho (PEN), utiliza o sítio há pelo menos quatro anos. O local é usado como abrigo para animais enfermos recolhidos na cidade.

A delegada do Sepama, Rosana Mortari, disse que o sítio é inadequado para servir de abrigo pois não apresenta estrutura contra frio e umidade.

Foto: Dorinaldo Oliveira/ Correio Popular
Foto: Dorinaldo Oliveira/ Correio Popular

“Se chover muito forte, com certeza vai molhar os animais. O isolamento de chão está bem precário mesmo. Nas denúncias, foi dito que filhotes morriam de frio”. Ainda segundo Rosana, a ração está armazenada em local inapropriado. “O tambor da ração é muito grande, pode ter comida velha no fundo”. A delegada afirmou também que a poucos metros do sítio existe uma nascente de água, onde são lançados os dejetos dos animais. “Já foi constatado um crime ambiental. A urina e as fezes contaminam a água. Eles construíram uma calha que desemboca na nascente”.

Os animais encontrados mortos seriam vítimas de parvovirose canina. Segundo a veterinária Renata Croce, que acompanhou a ação, a doença é altamente contagiosa. “Os exames laboratoriais para saber se os animais morreram mesmo de parvovirose ficam prontos amanhã. Esses filhotes nunca poderiam ficar em uma geladeira desligada. Eles poderiam sim ficar, por pouco tempo, em um freezer ligado, antes de serem enterrados ou cremados”. De acordo com o cuidador do canil, Luís Eduardo Silva, os animais estavam la há dois dias.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Ainda segundo a delegada, a unidade abriga cerca de 50 animais e alguns estão doentes, mas ela não confirmou se todos os cães sofriam maus-tratos. “O fato é que quatro animais que morreram estavam na mesma geladeira que comida. Isso é uma atitude equivocada. Mas agora nós vamos ouvir os funcionários da UPA para saber se ocorre maus-tratos com os outros cachorros. O fato é que o local está muito sujo e não tem condição nenhuma dos cães ficaram desse jeito”, afirma Rosana Mortari.

Casos graves
Segundo Renata Croce, o canil tem cães com ferimentos graves, como perfuração de olho e saco escrotal aberto. Não foram encontrados prontuários com a situação da saúde dos animais, tampouco medicamentos adequados. A veterinária disse que o local tinha remédios, soro fisiológicos e ampolas de injeção com data de validade vencida.

Foto: Dorinaldo Oliveira/ Correio Popular
Foto: Dorinaldo Oliveira/ Correio Popular

O deputado estadual Feliciano Filho (PEN) é o fundador da UPA e esteve no sítio nesta manhã. Ele defendeu que a denúncia é política e que os animais recebem todos os cuidados necessários. “Os animais estavam na geladeira porque não podem ser enterrados aqui. Eles estavam juntos com a carne estragada porque iam ser todos levados para a incineração. Fora isso, eles são muito bem cuidados e as condições não são inadequadas”, disse o deputado. A Polícia Civil afirmou que investiga o caso há dois meses e, ainda nesta quarta-feira, vai chamar os funcionários que trabalham na entidade para depor e esclarecer a denúncia.

O local não foi lacrado por não ser da competência da polícia civil, mas a Vigilância Sanitária foi acionada. No entanto, o órgão não compareceu hoje ao local. Feliciano acompanhou os policiais e disse que a investigação é uma “ação política”. “Essa denúncia tem 100% cunho político, e eu vou provar”. Ainda segundo o deputado, o local é provisório, apesar de os animais estrem lá há quatro anos. O parlamentar disse ainda que os animais são bem tratados e que veterinários vão todos os dias ao local.

Fonte: Correio Popular e G1

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