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Direitos dos Grandes Primatas - Pedro A. Ynterian

Os mutilados

11 de outubro de 2012 às 15:20

Carol e Alex (Foto: GAP)

No sábado passado (06 de outubro) o dia ainda estava amanhecendo e estávamos distribuindo a primeira refeição no Santuário do GAP em Sorocaba quando uma briga feia se iniciou na nossa frente, entre um casal de chimpanzés: Carol e Alex. O motivo da disputa era uma fruta chamada Pinha que Alex tinha pego da bandeja e a qual Carol tinha pedido a ele. Um macho alfa geralmente nunca cederia, nem a fêmea ousaria pedi-la. Porém, aqui a situação é diferente; o macho alfa não tem dentes e a fêmea os tem. Alex, chorando, cedeu a fruta, mas Carol não gostou da atitude e iniciou a briga, mordendo-o e ele tentou livrar-se dela usando só a força, já que não tinha os dentes para defender-se.

Eu tentei intervir, eles rolaram no refeitório, ela fugiu e Alex ficou com o prejuízo. Dois cortes profundos em um dedo do pé, outro da mão e a boca ensanguentada, talvez, por haver sido mordido na gengiva.

Alex e Carol vivem juntos há mais de oito anos. Ela é apaixonada por ele. Eles dão demonstrações evidentes de carinho, porém Alex deve ser submisso a ela, porque ele não tem como se defender de qualquer ato dela contra ele, como este que aconteceu recentemente, o primeiro que presenciei completamente.

Os circos, em todos os anos de exploração do uso dos animais, podem contabilizar para as sociedades humanas um grande desserviço: uma legião de mutilados. Os circos no seu afã de usar mais tempo e tirar proveito da posse de um animal – seja um primata, um felino ou urso – partiram para a mutilação, de forma a reduzir a periculosidade desses animais selvagens.

Temos em nosso Santuário em Sorocaba as provas viventes e evidentes das barbaridades que os circos têm feito com dezenas de seres. Ursos sem garras ou dentes; tigres sem garras; leões sem unhas; chimpanzés sem dentes e castrados.

Esse cardápio de horrores é o que os circos podem mostrar para a população, uma legião de mutilados que enterra toda a propaganda que eles tentam veicular de que o Circo é a Cultura Popular. Dessa forma arrancam verbas do Ministério da Cultura e dos Governos para manter este “teatro de horrores” vivo e funcionando.

Uma de nossas preocupações, quando recebemos um chimpanzé sem dentes, é evitar colocá-lo com outro que os possua, já que imediatamente aquele infeliz que foi violentado selvagemente pelos circenses é um refém daquele ou aqueles que não foram mutilados. Para um chimpanzé, os dentes não são somente a estrutura para comer, são sua arma de defesa. Nas brigas entre eles, geralmente a socos, eles evitam partir para a mordida, já que as consequências são bem mais sérias e podem chegar a uma tragédia. A mordida de um chimpanzé é temível, temos experimentado algumas, sem gravidade, mas o exemplo é suficiente para avaliar sua periculosidade. Os dentes são afiados como navalhas e a qualquer contato produz um corte e os caninos, ao morder, podem decepar qualquer membro.

É uma vergonha para qualquer sociedade permitir que uma manifestação chamada de “Cultura Popular” – como os circos denominam sua atividade – permita que, em nome de algo que deveria ser reverenciado, se cometam as violências contra seres inocentes, que não merecem sofrer nas mãos daqueles que só os veem como um negócio a ser explorado.

As legiões de mutilados dos circos estão aí, espalhadas pelo mundo, clamando por Justiça e que seus mutiladores sejam verdadeiramente punidos pelas sociedades permissionárias, que aceitaram tanta violência. Esse crime – como tantos outros – contra seres indefesos e inocentes não pode ficar impune!

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