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Stephanie ernst

Gravidez no matadouro: O horror da indústria de laticínios revelado

10 de junho de 2015 às 16:20

Tradução: Pedro Abreu

Foto: Divulgação

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O que acontece quando uma vaca prenhe é enviada a um matadouro? Eu quase desejaria não saber. De bezerros sentindo as mortes de suas mães, enquanto eles mesmos sofrem e sentem suas próprias mortes horríveis, até bebês vivos sendo arrancados dos úteros de suas mães para que seu sangue possa ser drenado para a ciência, é tudo horrível, e mesmo assim, ninguém fala nada a respeito, mesmo sendo uma parte da indústria de carnes e de laticínios, assim como da indústria de couros finos.

Por acidente, há alguns meses atrás, eu acabei assistindo a um vídeo de uma vaca grávida já atordoada e dependurada de cabeça pra baixo, e o vídeo mostrava quase o tempo todo o que parecia ser o bebê lutando e chutando desesperadamente a sua mãe por dentro, enquanto sofria uma morte horrível no útero. Mais tarde surgiu a imagem do corpo presumivelmente morto do bezerro, sendo atirado em uma lixeira (embora bezerros vivos também sejam jogados).

Trata-se de um horror em particular, que eu havia falhado em prever. Vacas leiteiras especialmente (uma vez que são mantidas em estado perpétuo de gravidez) podem ser mandadas para o abatedouro enquanto grávidas caso se tornem não rentáveis, ou quando os produtores decidem se livrar de algumas vacas mais cedo do que o usual para fazer dinheiro, quando a demanda está em baixa. Assim, enquanto os empregados as atordoam, as penduram de cabeça pra baixo, cortam suas gargantas, as desmembram e arrancam suas peles, o tempo todo, há um bebê lá dentro, lutando e suportando uma morte horrível. O tempo que os bezerros levam pra morrer irá depender do seu estado de desenvolvimento e da velocidade do processo de abate. Em um matadouro “eficiente”, o bezerro ainda pode estar vivo – morrendo, mas vivo, e sofrendo terrivelmente – enquanto a sua mãe é desmembrada e estripada.

Em uma pesquisa do Reino Unido nos anos 90 em um matadouro, descobriu-se que “das vacas abatidas, 23,5% estavam grávidas, e 26,9% dessas estavam no terceiro trimestre.” É muito! Um por cento, ou 1 bezerro, já seria muito!

Mas a coisa fica ainda pior. Duas questões. Primeira: Você sabe qual a origem de couros finos? E segunda: você sabe o que é soro fetal bovino [SFB] e qual a sua conexão com as indústrias de laticínios, carne e couro? Para muitos a resposta (especialmente para a questão 2) seria “não”. Sendo assim, aqui vão as respostas.

Quando vacas prenhes são enviadas ao abatedouro, Além do trauma de ainda estar vivo dentro da sua mãe durante seus últimos momentos, fetos de bezerros também são cortados dos úteros de suas mães ainda em vida, para que seu sangue possa ser drenado e usado na ciência, sem anestesia.

Com você, a Australian Association for Humane Research:

Depois do abatimento e sangramento da vaca no matadouro, o útero da mãe contendo o feto é removido durante o processo de evisceração, e transferido para a sala de coleta de sangue. Uma agulha é então inserida entre as costelas do feto diretamente no seu coração, e o sangue é drenado para uma bolsa esterilizada. Este processo visa minimizar os riscos de contaminação do soro com micro-organismos do feto ou do ambiente. Apenas fetos com mais de 3 meses são usados, caso contrário o coração será pequeno demais para se fazer a punção.

A fonte supracitada fica hesitante em dizer em definitivo se (ou com que frequência) os bezerros ainda estão vivos durante esse processo. Contudo, o seguinte relato não deixa dúvidas se o feto estará vivo ou não (ênfase minha):

O coração do feto bovino estará funcionando durante o processo de sangramento através da punção cardíaca […] O coração do feto tem que estar batendo a fim de se obter uma coleta adequada do soro fetal bovino produzido através da punção cardíaca. O sangue coagulará imediatamente após a morte.

Poderia se pensar que o feto morre aproximadamente junto com a sua mãe devido à falta de oxigênio. No entanto, sabe-se que neonatos e fetos de animais são muito resistentes à hipóxia/Anóxia […]

O fato de o coração do feto ainda estar funcionando durante a punção cardíaca, indica que ele ainda está vivo, e portanto, pode experimentar dor por causa da agulha inserida em seu coração, bem como por causa do sangramento terminal. Como o feto nunca é anestesiado ou atordoado previamente à realização de uma punção cardíaca para obtenção do SFB, pode se afirmar que o método descrito acima representa um problema ético merecedor de séria consideração.

O autor da mesma tese cita um ex-inspetor do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, Gene Erickson, que confirma: “Para todos os efeitos práticos, o coração do feto tem que estar batendo para que se possa colher adequadamente o soro fetal bovino.” Eu não consigo compreender o porquê hesitaríamos um segundo se eles podem sofrer. Se estão vivos, por que isso não causaria sofrimento? Estabeleça um paralelo com os humanos (afinal somos similares para os propósitos dessa comparação). Uma mulher aos 8 meses de gravidez morre. Enquanto ela está morrendo ou logo após a sua morte, você corta o feto pra fora dela. Você coloca o bebê em uma mesa, enfia uma agulha no seu coração, e começa a drenar o seu sangue. Você realmente precisa debater se isso causaria dor e sofrimento?

Isso tudo é completamente insano, certo? Mas qualquer um que ainda coma animais, consuma leite ou compre couro, está financiando esse pesadelo. Laticínios é cruel. Couro é cruel. E ambas são tão cruéis quanto a indústria de carnes (se não ainda mais).

É fato que nenhum couro é livre de crueldade, sofrimento e morte. Mas as peles desses bezerros não nascidos que suportam essas mortes horrendas são consideradas artigos de luxo e usadas para a fabricação de luvas, por exemplo. E claro, esses não são os únicos bebês esfolados em nome da moda humana. Muitos outros – os da indústria de vitela, por exemplo – são esfolados pelos mesmos motivos, e as peles desses bebês torturados alcançam preços elevados justamente porque peles de bebês são tão macias e sem manchas.

Sempre que achamos que já sabemos tudo sobre a crueldade envolvida, aprendemos algum obscuro e horrendo aspecto da pecuária. Quem quer fazer parte, quem quer financiar o que acontece com esses bezerros? Como podemos justificar a nossa participação, quando podemos simplesmente escolher não fazer parte disso? Eu não consigo imaginar alguém que fique ciente dessa situação, e não se sinta profundamente afetado.

Eu espero que após ler esse texto você repense a sua resistência em desistir não só de carne ou ovos, mas também de laticínios. E além de manter a crueldade fora da sua dieta, a próxima vez que você vir um par de luvas ou sapato ou bolsa, queira se perguntar: “quanto sofrimento”, “quanta tortura”, “quantas vidas”, ao invés de simplesmente “quanto custa”. Quem sabe você possa imaginar esses bebês mortos ao invés de você mesma, nesses acessórios feitos à custa de tanto sofrimento.

Fonte: O Holocausto Animal All-Creatures.org

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