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DIREITOS DOS GRANDES PRIMATAS - PEDRO A. YNTERIAN

Dorothy: os insondáveis mistérios da vida

07 de fevereiro de 2013 às 14:00

Por Dr. Pedro A Ynterian – Presidente, Projeto GAP Internacional

Dorothy (Foto: Save the Chimps)

Ela nasceu entre quatro paredes e grades de ferro de um centro de tortura médica. Ela não teve infância. Nós vemos as nossas bebês chimpanzés correrem, pularem e brincarem horas a fio, até que seus corpos não resistam, e pensamos nela, com quem nada disso aconteceu. Nunca foi abraçada, protegida por uma mãe ou pai. Com pouco tempo de vida, foi enviada a outro local, onde também se respirava tristeza, desânimo, infelicidade e até morte prematura.

Homens e mulheres, com máscaras e luvas, espetavam agulhas em seus corpos ainda ternos; a dor acompanhava seus dias e o terror assombrava suas noites. A vida de Dorothy foi essa, o seu destino era ser uma cobaia em mãos de humanos sem sentimentos nem remorso.

De repente, sua sorte virou. Um dia homens e mulheres de olhar angustiado e envergonhado foram buscá-la, lhe arrancaram daquele antro de tortura e ela voltou às suas origens, onde o ambiente já era outro. Os homens e mulheres de máscaras e luvas haviam desaparecido e outros que sabiam sentir e chorar ao ver o sofrimento daqueles seres inocentes lhe estendiam uma mão solidária.

Dorothy nasceu na Fundação Coulston, no Estado de Novo México, um centro de reprodução e tortura, financiado pelo NIH (Instituto Nacional de Saúde Norte-Americano), para reproduzir e fazer experiências com primatas não-humanos. Ainda bebê, ela foi enviada a outro centro similar. Foi arrancada de seus pais, como era comum nesse mundo tenebroso, onde um chimpanzé era uma vida valiosa, de muitos milhares de dólares, no comércio criado “em benefício da ciência…”.

A Fundação Coulston faliu devido a pressão do mundo ambientalista e o Santuário SAVE THE CHIMPS, da Flórida, comprou suas instalações e todos os seres inocentes que lá existiam e que tinham hora marcada para morrer. Dorothy foi junto com um grupo de chimpanzés para o Santuário da Flórida. Pela primeira vez ela teve esperança, poderia correr, brincar, ser afagada por um igual e ser tratada com amor por humanos, que não usavam máscaras nem luvas.

Boate Kiss, palco da trajédia em Santa Maria
Foto: Divulgação

Porém, a vida tem coisas inexplicáveis. Por que seres jovens, cheios de vida, com um futuro promissor, têm sua vida ceifada por uma morte prematura? Nos últimos dias, em Santa Maria, no Estado do Rio Grande do Sul, no Brasil, mais de duas centenas de jovens, que pensaram que curtiriam uma noite feliz, tiveram uma morte horrível e inesperada, pela ganância de alguns humanos, que nem precisavam se esconder por trás de máscaras e luvas.

Dorothy foi embora prematuramente. Um chimpanzé na adolescência era um ser que, como os jovens de Santa Maria, tinha o mundo e a felicidade na companhia dos seus semelhantes pela frente. Aqueles, que como nós temos sofrido pela perda prematura de filhos humanos e não-humanos de forma inesperada, sabemos o sofrimento que isso deixa em nossa alma e a frustração que invade a nossa existência.

Dorothy morreu com 14 anos de idade. Podia ter enterrado a todos nós. Porém, as injustiças da vida nos obrigaram a fazer o seu obituário. DESCANSE EM PAZ, grande Dorothy… Os que te conheceram NUNCA te esquecerão!

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