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Consumo consciente

Moda ‘eco-vegan’ conquista cada vez mais portugueses

01 de janeiro de 2016 às 20:30

NAE, Walk in My Shoes, Naturapura e OHNO são algumas das marcas eco-vegan made in Portugal. Todas rejeitam produtos animais

Paula Pérez, sócia fundadora da marca portuguesa de sapatos vegan, NAE   |  Sara Matos / Global Imagens

Paula Pérez, sócia fundadora da marca portuguesa de sapatos vegan, NAE
| Sara Matos / Global Imagens

Sonia Mendes da Silva foi “orgulhosamente carnívora” durante 35 anos. Por uma “questão ética”, a gestora de projetos tornou-se vegan em 2011. “Não quero comer animais e também não os quero calçar”, diz. Procurou alternativas à pele e, desde então, só usa calçado vegan. Desenganem-se os que pensam que este tipo de produto só é procurado por vegetarianos ou vegans. Marcas nacionais dizem que há cada vez mais portugueses interessados em sapatos sem produtos de origem animal, roupa em algodão 100% biológico e outros produtos ecológicos.

Em 2008, Paula e Alejandro Perez sentiram que faltava uma alternativa à indústria do curtume e da pele em Portugal. Para dar resposta a uma “franja de mercado cada vez mais significativa e que se preocupa com as questões da sustentabilidade ambiental e do consumo ético”, criaram a No Animal Exploitation (NAE). Produzem calçado para homem e mulher – apenas em Portugal – a partir de cortiça, microfibras biodegradáveis, pneu reciclado, algodão e linho orgânico e fibra de coco ou borracha 100% natural.

A maioria dos consumidores da NAE são mulheres entre os 25 e os 40 anos de classe média alta, informadas e preocupadas com questões ambientais e sociais. E a procura tem sido cada vez maior. “A preocupação ambiental e o consumo de produtos animal friendly, ou seja, sem a utilização de materiais de origem animal, estão cada vez mais presentes na mente dos consumidores na hora da compra”, diz Alejandro Perez, cofundador.

Quando a marca foi lançada, os grandes mercados eram o Norte da Europa e os EUA. “Hoje, praticamente todos os países estão receptivos aos nossos produtos. Não só na Europa mas também na Austrália, na África do Sul e nos EUA”, adianta o responsável. De realçar que 85% da produção é exportada.

Vegetariana há 20 anos, a atriz Sandra Cóias sentia alguma dificuldade em encontrar calçado vegan. Por isso, há quatro anos, decidiu tirar um curso de Design de Sapatos e estudar os materiais. E, assim, nasceu a Walk in My Shoes. “A receptividade foi ótima. Há uma consciência ambiental grande e procuram-se cada vez mais alternativas à pele. Por outro lado, há cada vez mais oferta”, revela. Admite que os sapatos possam ser mais caros, “mas a durabilidade é grande e há a garantia de terem sido feitos de forma justa, sem explorar ninguém”. Até porque, destaca, “quando as peças são muito baratas, devemos pensar em que condições foram feitas.”

Boa reação dos portugueses

A Naturapura – fabricante de roupa de bebê sem recurso a produtos químicos desde a plantação do algodão até ao produto final – entrou no mercado em 2002, mas virada para o estrangeiro. “No entanto, quisemos ver como reagia o mercado nacional com uma minicoleção numa loja têxtil. A reação foi fabulosa e percebemos que podia existir abertura”, recorda Christina Araújo. Neste momento, existem dez lojas de norte a sul e cerca de 30% a 40% da produção é exportada.

O algodão natural existe em verde, castanho e cru. “Há a ideia de que são modelos básicos, mas é possível ter bom gosto e adicionar uma renda, por exemplo”, sublinha a diretora comercial da marca. Para os bebês que nascem com a pele sensível “é a melhor opção”. “Apesar de a sensibilidade das mães para estas questões estar a aumentar, continua a ser um nicho de mercado que queremos desenvolver.”

Dentro do mesmo conceito – roupa ecológica feita com algodão orgânico – nasceu em outubro de 2013 a OHNO, mas virada para os jovens e adultos. “É um grito de revolta pelo estado das coisas, pela poluição que é feita todos os dias. Somos uma marca urbana, com preocupações ambientais”, explica Pedro Henriques, cofundador. Além de não serem usados pesticidas na produção do algodão, há garantias de que nenhum direito humano foi posto em causa durante o processo. Também é usado poliéster reciclado e todo o trabalho de estampagem é feito com tinta de água.

No ano passado, Pedro Henriques sentia que as peças eram mais procuradas pelo design do que propriamente pela consciencialização para a preservação da natureza. Mas isso mudou. “Não sei porquê, mas nota-se uma maior valorização do conceito. Penso que pode estar relacionado com as notícias que têm saído sobre o estado do planeta e da natureza”, justifica. A mesma opinião é partilhada por Alexandra Pardal, proprietária da multimarca eco-vegan Sapato Verde, em Lisboa, que além de roupa vende acessórios, cosmética e outros produtos. “Há uma nova consciência. Embora o público estrangeiro entenda mais facilmente o conceito, os portugueses procuram cada vez mais.” Mas produtos são mais caros? “A procura tem feito diminuir os preços”, frisa.

PAN defende incentivos

Para André Silva, porta-voz do partido PAN – Pessoas-Animais-Natureza, ainda há um longo caminho a percorrer, nomeadamente na sensibilização do público para as questões ambientais. “Se houver informação sobre a forma como o couro é curtido e tratado, cada vez mais portugueses vão procurar alternativas”, refere o deputado. Por outro lado, é preciso desmistificar: “Há a ideia de que estes produtos são mais caros. Se atendermos à qualidade, vemos que não é verdade”, enfatiza o deputado.

Utilizador de calçado vegan, André Silva considera que a própria indústria da moda deve agarrar-se mais a estes conceitos. “Quanto mais oferta existir mais baixos são os preços.” E há ainda o papel do Estado no “incentivo à redução da nossa pegada ecológica.” “É importante estudar que tipo de apoios e subsídios existem e podem ser atribuídos”, defende.

*Esta notícia foi escrita, originalmente, em português europeu e foi mantida em seus padrões linguísticos e ortográficos, em respeito a nossos leitores.

Fonte: Diário de Notícias

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